CAPÍTULO I - MINHAS HISTÓRIAS

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Escrito pela poetisa Carlinda Nunes de Brito, uma trajetória de vida sob a luz da poesia.

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UMA HISTÓRIA DE MUITAS HISTÓRIAS – CAPÍTULO I:

UMA HISTÓRIA DE MUITAS HISTÓRIAS – CAPÍTULO I Pedaços da minha vida Pedaços do meu Sertão Sob a luz da poesia Carlinda Nunes de Brito Brasília - DF CLIQUE PARA AVANÇAR

Justificativa:

Justificativa A primeira parte deste livro é uma retrospectiva, uma volta ao passado, uma alusão às primeiras famílias que impulsionaram o progresso da minha terra natal, Itapetim – PE A segunda parte refiro-me aos impulsos, sonhos e motivações de minha adolescência, procurando descrever ,com felicidade, a minha busca, os meus anseios, mostrando que, foi através do AMOR que encontrei respostas e soluções para todos os problemas e dilemas com os quais me envolvi em várias fases da minha vida.

Justificativa:

Justificativa O AMOR me levou ao misticismo e a busca de algo mais profundo, o verdadeiro sentido da vida. E assim eu conto em versos meus desafios diante das dificuldades e contingências familiares, estruturais, humanas e sociais, bem como o redimensionamento das opções de vida, feitas conscientemente sob a luz da filosofia do AMOR, a tônica dominante dos meu atos e dos meus versos, que reconhecendo não terem muita poesia, talvez apenas construção de rimas que expressam a minha maneira de ver, sentir e enfrentar o mundo, engajar-me e adaptar-me as paralelas, sem me deixar abater, e encontrando sempre uma resposta na grande via de acesso à vida: o AMOR

AGRADECIMENTOS:

AGRADECIMENTOS Desembargador Valdeci Confessor que me oportunizou minha entrada ao curso ginasial Seu Juvêncio Bezerra Leite e sua filha, Anísia Bezerra de Farias, pelo acolhimento na Cidade de Patos-PB para estudar no Colégio Roberto Simonses A todas as Irmãs do Colégio Cristo Rei em Patos-PB , pelo internato e seqüencia dos estudos como candidata à Vida Religiosa, tendo me tornado, à época, a Irmã Sulamita .

Sobre a autora:

Sobre a autora Carlinda Nunes de Brito nasceu em 04/01/1940, no Sítio Riacho Salgado, pertencente ao Municipio de Itapetim - PE, onde viveu sua infância e adolescência, do sítio para a cidade, até seus 18 anos. Alfabetizou-se na escola do engenho dos Sampaios , e em casa estudava, lia, fazia poesias com ajuda dos trabalhadores do engenho de seus pais , avós e bisavós. Em seguida estudou a quinta série no grupo escolar Dom José Lopes com a professora e prima Jacimã Leite, preparando-se para o exame de Admissão ao Ginásio, recebendo grande ajuda e incentivo do professor Valdeci Gomes Confessor , foi aprovada, mas não teve condições para estudar em São José do Egito, uma cidade vizinha que tinha colégio e ,naquela época ,a Cidade de Itapetim só tinha até o curso primário. Foi convidada pelo fazendeiro André Bitu e sua esposa Dona Dorita para alfabetizar suas filhas: Socorro e Rilva, além de seus moradores e vizinhos da Fazenda Riacho Verde, de sua propriedade, por não haver uma Escola Rural na região próxima, era comum a professora ser paga pelo fazendeiro e residir com a família. Em 1960, por orientação de seu Juvêncio Bezerra, um comerciante próspero da cidade e casado com uma prima sua, foi morar em Patos-PB com Anísia Bezerra de Farias para ajudar nas tarefas de casa e dar continuidade aos seus estudos à noite no Colégio Roberto Simonsen. Em seguida mudou seus objetivos de vida e resolveu entrar no convento da Congregaçao das Filhas do Amor Divino através do Colégio Cristo Rei, onde estudou a segunda serie ginasial e foi transferida para o postulantado em Natal, no Rio Grande do Norte, onde continuou os estudos.

Sobre a Autora:

Sobre a Autora Depois foi admitida ao noviciado e recebeu o hábito tornou-se Irmã Sulamita , permanecendo na Congregação por 12 anos. Deixou a Congregação por motivos familiares (arrimo de família), como professora estadual e municipal, em Natal, assumiu a responsabilidade de manter seus pais uma vez que, naquela época, não existiam a aposentadoria e o Funrural . Finda a temporada em Natal, mudou-se para Brasília em busca de melhores empregos, onde casou-se com o primo José Paulino Nunes, economista, militar da Marinha Naval, onde reside até hoje. Dessa união, nasceu Carlos Alberto que lhe deu duas netinhas: Fernanda e Raphaela . Nunca deixou Itapetim fora de seus objetivos e um dia talvez possa retornar a concha familiar e espiritual, para de novo juntar-se aos seus familiares, ao seu povo, às suas raízes.

A autora em Brasília:

A autora em Brasília Longe muito longe da gleba onde nasci, nunca consegui esquecer , nem perder de vista aquele recanto íngreme que nas épocas de seca ao prenúncio das chuvas, já se transformava num paraíso acolhedor onde a própria natureza se encarregava da arbórea ornamentação.

A autora em Brasília:

A autora em Brasília Todos aqueles elementos naturais e paisagísticos estão profundamente ligados a minha personalidade. Sinto que a minha energia psíquica tem algo daquela química nordestina e me sinto pedaço, continuação daquela realidade que trago latente em meu ser.

A autora em Brasília:

A autora em Brasília Identifico-me com o solo ardil, com as quietudes das tardes, com o sereno da noite, , com as fases da lua, com a escuridão das madrugadas frias. Identifico-me com o sertão nordestino em si, com os seus variados climas, com a alegria dos pássaros nas temporadas de inverno

A autora em Brasília:

A autora em Brasília Identifico-me com a gente humilde com sua linguagem transparente que traduz a verdade na mais alta expressão do sentimento. Sofro quando o Nordeste sofre as agruras da seca. O abandono dos governos e a insensatez dos políticos e vibro igualmente com os anos promissores e com aqueles que conscientemente lutam pelo seu desenvolvimento e com o progresso que lentamente está chegando por lá ...

Prefácio – Professor Benone Lopes:

Prefácio – Professor Benone Lopes À minha prima Carlinda , De Nininha a Sulamita De Sulamita a Carlinda Nunca temos o destino nas nossas mãos, Podemos determiná-lo pelo ideal, por tudo aquilo que realmente queremos e pela determinação com que nos firmamos para o que queremos conquistar. Não poderia sequer descrever, ou mesmo analisar a determinação com que se firmou essa criatura sensacional, de coração e alma incomparáveis, na conquista do seu ideal.

Prefácio – Professor Benone Lopes:

Prefácio – Professor Benone Lopes Nos seus versos descreveu de maneira simples mas, verdadeiramente harmoniosa, sua história e todos os fatos que comprovam sua determinação como gente, como pessoa e como criatura humana, que soube definir-se seguramente nas suas decisões. Sua vida reflete simplicidade. Sua história espelha humanidade. Seus atos exprimem a grandeza de sua alma. Consciente de seus ideais, quando a vida lhe parecia infortúnio, soube ouvir a voz do Senhor atendendo ao chamado de Cristo, que a esperava no seu lugar verdadeiro

Prefácio – Professor Benone Lopes:

Prefácio – Professor Benone Lopes No seu hábito religioso soube demonstrar ao passar de cada dia, a forma simples de amar, doar-se, de conquistar seus ideais, de fazer amizade e de ser querida por todos que a rodeavam.

Prefácio – Professor Benone Lopes:

Prefácio – Professor Benone Lopes Como educadora é exemplo de dedicação, empenhando-se para a formação de pessoas humanas, de cidadãos conscientes, capazes de proverem sua própria existência.

Prefácio – Professor Benone Lopes:

Prefácio – Professor Benone Lopes Despiu-se do seu hábito religioso e, hoje, como filha, mãe e esposa, continua a atender a voz do Senhor, continua ofertando seu mais puro gesto de verdadeira oração de amor.

Prefácio – Professor Benone Lopes:

Prefácio – Professor Benone Lopes A essa criatura maravilhosa, por quem tenho uma profunda admiração, como nada tenho a lhe oferecer, senão a minha amizade, meu carinho e reconhecimento de sua bondade. Deixo nesta mensagem toda a minha sinceridade e prova de minha admiração pela sua personalidade e firmeza de determinações. Terás sempre em cada amanhecer Uma luz brilhando em teu caminho Em outras vidas farás resplandecer A bondade de Deus com teu carinho E farás do amor toda beleza Dessa vida que Deus te consagrou Com teus gestos simples de grandeza És a mesma Imã na caridade Pela força que tens na amizade Vais pregando a paz e o amor Do primo e amigo: Benone Lopes Itapetim, 25 de janeiro de 1987

Prefácio – Maria das Neves Marinho (in memoriam):

Prefácio – Maria das Neves Marinho (in memoriam) Carlinda, Nem sei mesmo porque me pediste para figurar no prefácio do teu livro, fiquei surpresa, não foi pouca sorte tua? Quem sou eu para falar da poetisa Carlinda, flor dos campos de Itapetim que certamente bebeu na mesma fonte de Rogaciano Leite, nosso poeta maior.

Prefácio – Maria das Neves Marinho (in memoriam):

Prefácio – Maria das Neves Marinho (in memoriam) A pessoa de Carlinda eu já conhecia de longas datas, mas a poetisa somente agora conheci, e fiquei deveras emocionada com a história de seus antepassados, que ela conta em versos simples cheios de sentimento, saudades, emoções e, acima de tudo, de tanto amor! Posso aproveitar o sentimento do poeta e dizer como disse ele: “Pois algo que se quer quando se escreve/ Pega-se a pena em traços idéias.” Eis aí o fruto dessas idéias que saíram numa efusão de sentimentos, arrancados do coração para a mente e da mente para o papel, porque não podiam mais calar na alma da poetisa e brotavam para aliviar o peito de alguém que soluçava numa avalanche de recordações.

Prefácio – Maria das Neves Marinho (in memoriam):

Prefácio – Maria das Neves Marinho (in memoriam) É só o que sei dizer da poetisa, certa porém, que ela merece muito mais. E da poetisa humana que ela é? O que posso dizer de alguém que muitas vezes me fez parar para refletir sobre si e nessas reflexões fiquei certa de que nunca seria capaz sequer de imitá-la. Pois é por tudo isso que eu digo: pra frente mulher corajosa! Reparte comigo o que Deus te sobra e eu serei uma pessoa fortalecida com capacidade para contribuir na mudança desse mundo conturbado, num mundo de harmonia, onde todos juntos possam de mãos dadas entoarem a mesma canção, a canção da paz! Maria das Neves Marinho São José do Egito, março de 1989

Prefácio – Jó Patriota (in memoriam):

Prefácio – Jó Patriota (in memoriam ) De Jó Patriota para Carlinda , um verso improvisado que fez em alusão ao seu passado e misticamente se afina com as páginas deste livro, onde ele entra em cena como personagem inspirador do mesmo: “A infância esquecer não há quem possa Guardo dela algum filme em minha mente Na beleza que vem do sol nascente Dóira o terreiro da palhoça O meu pai regressando de uma roça Eu recordo na hora que anoitece Minha mãe ajoelhada numa prece Evitar de eu lembrar não há quem faça Passa tudo na vida, tudo passa Mas nem tudo que passa a gente esquece!”

Sobre o livro:

Sobre o livro 1 Um livro para a família Para os amigos também Escrito aqui em Brasília Com um desejo porém De deixar com a minha história Um pouquinho de memória De uma distante cidade Dos que por lá passaram E com certeza deixaram Marcas de muita saudade 2 São minhas reminiscências E minhas recordações São minhas experiências Êxitos e desilusões Desta minha travessia Em forma de poesia É dura, é realística É um forte sentimento Mesclando meu pensamento É minha visão humanística

Sobre o livro:

Sobre o livro 3 São rimas em construção Que vão formando meus versos Realidade e ação E nestes deixo impresso Minha vida detalhada Minha íngreme caminhada Minha origem e parentela Minha maneira de ser Deixando pra você ler De forma simples, singela 4 Nasci longe, no Sertão No interior do Nordeste Na indômita região Entre leste e o oeste Do meu bravo Pernambuco Solo de Joaquim Nabuco Terra enfim das vaquejadas De poetas violeiros Grandes vates seresteiros Das noites enluaradas

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 5 Sou filha de Itapetim Que quer dizer pedras soltas Tão linda quanto um jardim Com suas praças em volta Por sua típica aragem Embelezando a paisagem Daquele árido rincão Onde a torre imponente Da Igreja ali presente Se faz ornamentação

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 6 E foi em teu município Que apareceu um riacho Que deu o nome ao sítio Que nesses versos encaixo É dele que eu vou falar Minhas saudades matar Foi o Riacho mais doce Na região encontrado Mas por Riacho Salgado Um dia assim batizou-se

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 7 Riacho Salgado era Uma ótima Região Com certeza a primavera Dentro daquele sertão Água pura bem saudável Qualquer criação viável Gado, suíno e galinhas Tudo lá bem se criava E a vizinhança gostava Do Riacho dos “ Ritinhas ”

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 8 Em janeiro se aguardava A chuva com ansiedade A terra se preparava Naquela realidade Descer água no sertão Quando se ouvia o trovão A tardinha ribumbar Era mais uma esperança Aproximava a bonança Tudo ia melhorar 9 Eu cresci vendo as belezas Do cenário pastoril E também as sutilezas Daquele céu cor de anil Hora claro e ostentoso Outras vezes tenebroso Com relâmpagos e trovões Assustando a meninada Anunciando a coalhada Alegria dos sertões

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 10 A noite a chuva caia Fortemente no telhado De manhã o sol nascia E tudo estava alagado Um sol sem brilho e moroso Meu pai homem corajoso Ativo e experiente Com a enxada ia cavando E nós, crianças plantando Atrás, a escolhida semente 11 Em frente a casa se via O açude velho sangrando A natureza sorria A região alegrando Aquelas águas barrentas Passando por mil tormentas Lavando todo baixio Trazendo húmus da serra O Nilo da nossa terra Auxiliando o plantio

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 12 Cheiro de terra molhada Mata pasto e marmeleiro O tilintar da enxada Depois de um grande aguaceiro A vida toda mudava A passarada cantava Sua canção maviosa Embelezando o cenário Daquel e santo sacrário De terra boa e rochosa 13 Os campos enverdeciam Trocando sua roupagem Arbustos apareciam Mudando toda paisagem A caatinga floria Era um show de alegria O sapo boi coaxava Anunciando outra cheia A mata virava aldeia Onde o poeta sonhava

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 14 Quando os açudes sangravam Íamos aprender nadar Os cabaços se amarravam Para não nos afogar Os troncos das bananeiras Eram nossas nadadeiras Sem biquini , sem maiô Numa pureza total Era tudo natural Do jeito que Deus criou 15 Se a chuva não faltava Era na certa fartura Cada vez mais se plantava Milho, feijão a altura Fazia-se o adjunto Onde todo mundo junto Trabalhava em mutirão Assim todos se ajudavam E a colheita esperavam Com grande satisfação

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 16 Marreco e galinha d’água Grasnavam lá no açude E eu tinha grande mágoa Do caçador sem virtude De traiçoeira espingarda Disparando uma rajada Quebrando a sintonia No seio da natureza Deixando ali a tristeza Num gesto de covardia 17 A tardinha os bacuraus Saltitavam no terreiro Tinham a mesma cor dos paus Das cercas do galinheiro Diziam ser agourentos Traziam maus pensamentos E a calma do sol poente O horizonte envolvia Tudo ali entristecia Quase repentinamente

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 18 O pequeno candeeiro Era hora de acender Vagalumes no terreiro Faziam a gente temer Parecia assombração Piscando na escuridão Mais tarde a lua minguante Surgia lá bem fininha Parecendo uma lasquinha De algum bruto diamante 19 As galinhas logo cedo Subiam para o poleiro Indicando um certo medo Do maracajá trigueiro Porém jolí , o cachorro Prestava logo socorro Jolí o fiel amigo Que na fria madrugada Espantava a bicharada E afastava o perigo

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 20 Nesta hora a tristeza Dominava a amplidão O sol em sua nobreza Dava vez a escuridão Os pássaros todos calavam Só os insetos piavam A toada melancólica Deixando a noite assombrosa Até que a manhã garbosa Surgisse linda e bucólica 21 Setembro mês de moagem Como era bom no engenho Um contínuo vai e vem De todos via-se empenho Ah! Tempo bom que se foi Até o carro de boi Grande saudade ficou Não se ouviu mais o grito Do boiadeiro perito Que por ali trabalhou

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 22 O carro de boi cheinho De cana vinha chiando O canavial verdinho Os homens iam cortando Para as moendas levando As almanjarras rodando Feixes de cana espremendo Muita garapa saindo E lá no parol caindo Depois nas tachas fervendo

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 23 O mestre e o caldeireiro A garapa ia limpando Há de longe um grande cheiro De mel quente borbulhando E o mestre habilidoso Num calorão vaporoso O melado ia mexendo A rapadura cheirando No ponto ia chegando E nas formas endurecendo

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 24 O paiol de rapadura Na casa grande guardado Era a principal cultura Que ali deixava saldo E era o que garantia Com enorme serventia O dinheiro e o alimento Em qualquer necessidade Naquela realidade Rapadura era o sustento

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 25 Quando passava a moagem O engenho entristecia Deserta sua paisagem Barulho não se ouvia A fornalha esfriava Carro de boi não chiava A bagaceira secando Já bastante amarelada Pelo sol toda queimada Novo plantio esperando

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 26 Num quarto grande escuro Tinha um caixão de farinha E também coco maduro Milho, feijão também tinha Vários depósitos de zinco Se contava mais de cinco Ali tudo se guardava Em termos de agricultura Havia muita fartura E fruta nunca faltava

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 27 A casa dos meus avós Era grande e conjugada Com a casa dos bisavós Por fora pela calçada E por dentro um corredor Comprido e acolhedor Mantinha a família unida Com grande satisfação Era a revelação Daquela forma de vida

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 28 Da casa de Pai João Não poderei esquecer Está no meu coração Faz parte do meu viver Sentir hoje essa saudade É uma necessidade Pois a alma sertaneja Cultiva suas raízes Descreve a fundo as matizes Quando o coração almeja

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 29 A casa grande caiada Do meu avô João Ritinha Era uma casa animada E de pintura branquinha Lá nunca faltava gente Recebia-se alegremente A visita que chegava Pro almoço ou pro jantar Teria que se esperar Pois Mãe Quina convidava

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 30 Te vejo casinha branca De pilares rodeada Tinhas acolhida franca E uma alta calçada E varanda de madeira Com jasmins e trepadeira Em cada pilar um vaso De cravinas, que a tardinha Beijá-las o sol já vinha Na ida pro seu ocaso

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 31 Jasmim e mimo do céu Crisantinas e roseiras Boninas nasciam ao léu Lá debaixo das biqueiras E as ervas medicinais Para sustar os sinais De dores e mal estar O mastruz a carobeira Capim santo erva cidreira Pra qualquer hora tomar

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 32 No mês de março rezava-se Pra Virgem da Conceição Trinta e um dia cantava-se Com imensa devoção Minha bisavó “ Mainha ” Todos unidos mantinha Ela era a forte raiz Daquele clã fervoroso “ Painho ” manso e generoso Símbolo do homem feliz

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 33 Pai João, Mãe Quina também Seguindo a mesma lição A todos fazer o bem E a ninguém dizer não E na arte de servir Sabiam se dividir Mesmo na diversidade Tentavam compreender E a todos atender Sem ferir a unidade

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 34 Pai João tocava viola Quando da roça chegava A manga e a graviola No seu bisaco guardava Eu pulava da janela A pôr água na gamela E os seu pés eu lavava E na sagrada escritura Ela fazia a leitura E depois me explicava

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 35 Mãe Quina era habilidosa Fazia renda e bordava Na costura cuidadosa E muito bem cozinhava Nos lábios sempre um conselho Ter Jesus como um espelho Não criticar a ninguém Saber usar o perdão Ser enfim um bom cristão Sem orgulho e sem desdém

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 36 Os meus pais eram sinceros Mandavam cedo deitar E por serem mais severos Bem mais cedo levantar Não reclamar, não mentir Não fica co “ qui ” “ qui ” “ qui ” Aguar bem o canteiro Os potes d’água encher A casa toda varrer Principalmente os terreiros

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 37 Só uma escola rural Havia lá no Juá Considerada ideal Íamos todos pra lá Na mochila um lanchinho E de manhã bem cedinho Pra nesta escola chegar Viajávamos meia légua No lombo de uma égua Felizes a cavalgar

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 38 Era assim que se vivia Lá em Riacho Salgado Quando o dia amanhecia O pai ia pro roçado A gente para a escola Com os livros na sacola Antes que a gente saísse Ouvia-se um sermão Aprender bem a lição E não trazer “disse, me disse”

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 39 A meninada crescia Com muita simplicidade O luxo desconhecia Quase não se ia a cidade No sítio tinha de tudo Só era fraco o estudo Somente aprender a ler Contar com habilidade Para em necessidade Alguma carta escrever

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 40 Da casa de Pai João Não esqueço o jardim Bem na porta o sombrião Pé de arvoredo e jasmim Hoje só resta a lembrança Do meu tempo de criança Do sítio mais nada existe Nem engenho, nem plantações Das casas só os torrões Naquele recanto triste

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 41 Recorde onde eu nasci Sítio Riacho Salgado Lá eu brinquei e vivi Hoje ele está acabado Não há mais nenhum “ Ritinha ” Marmeleiro, erva daninha Cobriram toda paisagem As nossas casas caíram Os engenhos também ruíram E até nossa linhagem

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 42 Dos nossos antepassados Ainda restou Mãe Quina Daqueles entes amados Ela cumpriu sua sina Pai João foi, ela ficou E cinco anos esperou Partindo para eternidade Para os filhos e para os netos Bisnetos e tetranetos A dor da grande saudade

MEU RIACHO SALGADO:

MEU RIACHO SALGADO 43 Hoje tudo é passado Um sonho, uma miragem Quero deixar registrado Neste livro a passagem De uma família pobre Mas de caráter nobre Que por ali já passou E com muita honestidade Passou deixando saudade E um exemplo que ficou

MINHA ADOLESCÊNCIA:

MINHA ADOLESCÊNCIA CONVIDO-OS A ASSISTIR AO PRÓXIMO VÍDEO – CAPÍTULO II Obrigada, amigo(a), pela sua atenção. Carlinda Nunes de Brito

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