PPT Análise de Os Lusíadas Canto I

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Análise do Canto I

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Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões:

Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões Professora Célia Gonçalves 2013

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A Proposição I As armas, e os barões assinalados Que, da Ocidental praia Lusitana, Por mares nunca dantes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram; Todos os homens ilustres Que, saíram de Portugal E foram por mares desconhecidos navegadores Passaram além da já conhecida ilha de Ceilão Enfrentaram perigos enormes, Mesmo superiores ao seu estatuto de ser humano – afasta-os do comum mortal Construíram um novo império em terras distantes. Um reino que tanto desejaram Sinédoque - apresentar a parte pelo todo Hipérbole - exagero da realidade

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II E também as memórias gloriosas Daqueles Reis que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando; E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da Morte libertando. Cantando espalharei por toda a parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte. E aqueles reis que estiveram envolvidos na reconquista cristã /nas cruzadas contra os mouros/infiéis em África e na Ásia; E aqueles que fazem obras com valor e que, por isso, não cairão no esquecimento –se vão imortalizando; O sujeito poético compromete-se a exaltar a louvar, a cantar os feitos daqueles que enumerou anteriormente. Usando a primeira pessoa –plano do poeta. enumeração Gerúndio - processo de continuidade 1ª pessoa do singular – envolvimento do poeta Conjunção coordenativa copulativa – enumeração de figuras a ser exaltadas

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III Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram; de Alexandro e de Trajano A fama das vitórias que tiveram; Que eu canto o peito ilustre Lusitano, A quem Neptuno e Marte obedeceram. Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta. Num tom imperativo, de ordem manda suspender/cessar a fama dos gregos e romanos Manda suspender a fama das vitórias de reis e imperadores clássicos Porque o poeta louva o povo lusitano ao qual pertence .Povo esse que dominou o mar (Neptuno)e a guerra (Marte). Continua em tom imperativo, ordenando que os clássicos suspendam a sua fama, porque agora há um novo povo que apresenta feitos ainda mais valerosos. Antonomásia - substituição de um nome por uma expressão que lembre uma qualidade, característica ou um fato que o identifique. Ulisses Eneias Sinédoque - os portugueses (patriotismo, valores nacionais) Deus do mar Deus da guerra Presente do conjuntivo com valor de Imperativo Conjunção subordinativa causal (= porque)

A Invocação:

A Invocação Canto I, est.4-5, o poeta pede ajuda a entidades mitológicas, chamadas musas. Isso acontece várias vezes ao longo do poema, sempre que o autor precisa de inspiração E vós, Tágides minhas, pois criado Tendes em mi um novo engenho ardente Se sempre, em verso humilde, celebrado Foi de mi vosso rio alegremente, Dai-me agora um som alto e sublimado Um estilo grandíloco e corrente, Por que de vossas águas Febo ordene Que não tenham enveja às de Hipocrene. Invocar significa apelar, pedir, suplicar. Daí a presença do Imperativo. Nestas estrofes, Camões dirige-se às Tágides, as ninfas do Tejo, pedindo-lhes que o ajudem a cantar os feitos dos portugueses de uma forma sublime. Até aí apenas usou a inspiração na humilde lírica, mas agora precisa de uma inspiração superior. Apóstrofe Dupla adjetivação Imperativo Locução conjuncional subordinativa final (=para que)

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5 Dai-me hua fúria grande e sonorosa, E não de agreste avena ou frauta ruda, Mas de tuba canora e belicosa, Que o peito acende e a cor ao gesto muda. Dai-me igual canto aos feitos da famosa Gente vossa, que a Marte tanto ajuda; Que se espalhe e se cante no Universo Se tão sublime preço cabe em verso. O estilo da epopeia aparece aqui descrito: “alto e sublimado” (est.4) ”Um estilo grandíloco e corrente.“ (est.4) “fúria grande e sonorosa” “tuba canora e belicosa” “Que se espalhe e se cante no Universo” Camões quer que a mensagem se espalhe e que cante ao universo os feitos dos portugueses Anáfora - é uma figura de estilo que consiste em repetir a mesma palavra ou expressão no início dos versos Dupla adjetivação Metáfora - coragem Conjunção subordinativa condicional

A Dedicatória est. 6 -18:

A Dedicatória est. 6 -18 6 E vós, ó bem nascida segurança Da Lusitana antiga liberdade, E não menos certíssima esperança De aumento da pequena Cristandade, Vós, ó novo temor da Maura lança, Maravilha fatal da nossa idade, Dada ao mundo por Deus, que todo o mande, Pera do mundo a Deus dar parte grande. 7 Vós, tenro e novo ramo florecente, De hua árvore, de Cristo mais amada Que nenhua nascida no Ocidente, Cesária ou Cristianíssima chamada, Vede-o no vosso escudo, que presente Vos amostra a vitória já passada, Na qual vos deu por armas e deixou As que Ele pera Si na Cruz tomou; Vocativo Metáfora Sinédoque - o exército mouro Hipérbole El Rei D. Sebastião

Início da Narração - est.19:

Início da Narração - est.19 Já no largo Oceano navegavam, As inquietas ondas apartando; Os ventos brandamente respiravam, Das naus as velas côncavas inchando; Da branca escuma os mares se mostravam Cobertos, onde as proas vão cortando As marítimas águas consagradas, Que do gado de Proteu são cortadas, Início em “media res ” da narração da ação central: a viagem de Vasco da Gama para a Índia . Já a armada de Vasco da Gama navegava no Oceano Índico. Índico Personificação Perífrase – expressão mais desenvolvida (e mais ou menos óbvia ou direta) que substitui outra. Oitava – estrofe de 8 versos a a a b b c b c Rima cruzada Rima emparelhada

O Consílio dos deuses est. 20 - 41:

O Consílio dos deuses est. 20 - 41 20 Quando os Deuses no Olimpo luminoso, Onde o governo está da humana gente, Se ajuntam em consílio glorioso, Sobre as cousas futuras do Oriente. Pisando o cristalino Céu fermoso, Vêm pela Via Láctea juntamente, Convocados, da parte de Tonante, Pelo neto gentil do velho Atlante. Apresenta-se então: - o local da reunião: Olimpo; - o objetivo da reunião: decisão sobre as coisas do Oriente. Indicação da forma como os deuses foram convocados: foi Mercúrio que avisou todos os deuses cumprindo a vontade de Júpiter . Mercúrio Antonomásia - Júpiter Perífrase Conjunção subordinativa temporal

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21 Deixam dos sete Céus o regimento, Que do poder mais alto lhe foi dado, Alto poder, que só co pensamento Governa o Céu, a Terra e o Mar irado. Ali se acharam juntos num momento Os que habitam o Arcturo congelado E os que o Austro têm e as partes onde A Aurora nasce e o claro Sol se esconde. 22 Estava o Padre ali, sublime e dino, Que vibra os feros raios de Vulcano, Num assento de estrelas cristalino, Com gesto alto, severo e soberano; Do rosto respirava um ar divino, Que divino tornara um corpo humano; Com ũa coroa e ceptro rutilante, De outra pedra mais clara que diamante. Reunião dos deuses vindos de todos os quadrantes: N, S, E, O. Perífrase - Júpiter Perífrase : Norte; Sul; este ; oeste É apresentada a descrição de Júpiter –um deus poderoso, soberano, severo. Antonomásia - Júpiter Dupla adjetivação Símbolos do poder Pretérito imperfeito do indicativo Presentedo indicativo Pretérito mais-que-perfeito do indicativo hipérbole

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23 Em luzentes assentos, marchetados De ouro e de perlas, mais abaixo estavam Os outros Deuses, todos assentados Como a Razão e a Ordem concertavam (Precedem os antigos, mais honrados, Mais abaixo os menores se assentavam); Quando Júpiter alto, assi dizendo, Cum tom de voz começa grave e horrendo: 24 –«Eternos moradores do luzente, Estelífero Pólo e claro Assento: Se do grande valor da forte gente De Luso não perdeis o pensamento, Deveis de ter sabido claramente Como é dos Fados grandes certo intento Que por ela se esqueçam os humanos De Assírios, Persas, Gregos e Romanos. Caracterização do espaço do Olimpo e Organização do espaço. Os deuses sentam-se segundo a sua hierarquia. Introdução ao discurso de Júpiter – Discurso direto. Descrição de um local rico, luxuoso, sublime. Apóstrofe, indicação dos destinatários do seu discurso –os restantes deuses. Início do discurso de Júpiter Júpiter começa por recordar que é do conhecimento geral que os Fados têm a intenção de tornar este povo luso superior aos antigos heróis. Enumeração Perífrase - os portugueses Início do discurso de Júpiter

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25 Já lhe foi (bem o vistes) concedido, Cum poder tão singelo e tão pequeno, Tomar ao Mouro forte e guarnecido Toda a terra que rega o Tejo ameno. Pois contra o Castelhano tão temido Sempre alcançou favor do Céu sereno: Assi que sempre, enfim, com fama e glória, Teve os troféus pendentes da vitória. 26 Deixo, Deuses, atrás a fama antiga, Que co a gente de Rómulo alcançaram, Quando com Viriato, na inimiga Guerra Romana, tanto se afamaram; Também deixo a memória que os obriga A grande nome, quando alevantaram Um por seu capitão, que, peregrino, Fingiu na cerva espírito divino. Júpiter recorda as vitórias e a proteção concedidas e realizadas pelos lusos. Lutou contra os Mouros e contra os castelhanos e sempre foi protegido pelas divindades . Júpiter continua a relembrar as raízes do povo português: Guerra com os Romanos; A importância e valor de Viriato; Lendas romanas. Os inimigos que teve de enfrentar são apresentados como “fortes” e “temidos”, reforçando o seu valor Sinédoque - sul do Tejo vocativo Conjunção subordinativa temporal

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27 Agora vedes bem que, cometendo O duvidoso mar num lenho leve, Por vias nunca usadas, não temendo De Áfrico e Noto a força, a mais s'atreve: Que, havendo tanto já que as partes vendo Onde o dia é comprido e onde breve, Inclinam seu propósito e perfia A ver os berços onde nasce o dia. 28 Prometido lhe está do Fado eterno, Cuja alta lei não pode ser quebrada, Que tenham longos tempos o governo Do mar que vê do Sol a roxa entrada. Nas águas têm passado o duro Inverno; A gente vem perdida e trabalhada; Já parece bem feito que lhe seja Mostrada a nova terra que deseja. Júpiter reconhece a força, a coragem para descobrir e explorar territórios em locais tão diferentes. E diz que agora querem explorar o oriente. Sinédoque – a armada de navios Ventos do sudoeste e do sul que eram acompanhados de tempestades Perífrase - equador Perífrase - Oriente Júpiter reafirma que os Fados (destinos) já determinaram a glória dos portugueses. Júpiter considera os portugueses merecedores de algum recobro e reconforto, pois as tripulações estão cansadas. Apresenta pois a sua posição pessoal

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29 E porque, como vistes, têm passados Na viagem tão ásperos perigos, Tantos climas e céus exprimentados, Tanto furor de ventos inimigos, Que sejam, determino, agasalhados Nesta costa Africana como amigos; E, tendo guarnecido a lassa frota, Tornarão a seguir sua longa rota.» 30 Estas palavras Júpiter dizia, Quando os Deuses, por ordem respondendo, Na sentença um do outro diferia, Razões diversas dando e recebendo. O padre Baco ali não consentia No que Júpiter disse, conhecendo Que esquecerão seus feitos no Oriente Se lá passar a Lusitana gente. A viagem tem levado a enfrentar perigos, climas, intempéries… Júpiter apresenta a sua determinação em apoiar os portugueses, mostrando-lhes terra e assegurando-lhes que serão bem “agasalhados” para que depois possam seguir viagem. Final do discurso de Júpiter Júpiter termina o seu discurso e os deuses apresentam as suas posições. Baco, deus do vinho, teme perder a sua fama no Oriente. Início do discurso de Baco

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31 Ouvido tinha aos Fados que viria Ũa gente fortíssima de Espanha Pelo mar alto, a qual sujeitaria Da Índia tudo quanto Dóris banha, E com novas vitórias venceria A fama antiga, ou sua ou fosse estranha. Altamente lhe dói perder a glória De que Nisa celebra inda a memória. 32 Vê que já teve o Indo sojugado E nunca lhe tirou Fortuna ou caso Por vencedor da Índia ser cantado De quantos bebem a água de Parnaso. Teme agora que seja sepultado Seu tão célebre nome em negro vaso D' água do esquecimento, se lá chegam Os fortes Portugueses que navegam. Baco: deus do vinho e das festas Baco já tinha ouvido a fama deste povo e sabe que este povo levará ao esquecimento dos antigos heróis, entre eles, o próprio Baco. E mais uma vez se reforça a ideia de que perderia a fama que ainda tem no Oriente (Nisa). divindade aquática Perífrase – Pacífico / Oriente Baco nunca fora posto em causa por nenhum herói ou poeta. Baco teme agora que o seu nome seja votado ao esquecimento e à “morte” –este medo reforça o valor dos lusos, pois são um poder fora de comum. Sinédoque - O Indo (rio ) representa a Índia Perífrase - os poetas Oração subordinada adjetiva relativa restritiva

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33 Sustentava contra ele Vénus bela, Afeiçoada à gente Lusitana Por quantas qualidades via nela Da antiga, tão amada, sua Romana; Nos fortes corações, na grande estrela Que mostraram na terra Tingitana, E na língua, na qual quando imagina, Com pouca corrupção crê que é a Latina. 34 Estas causas moviam Citereia, E mais, porque das Parcas claro entende Que há-de ser celebrada a clara Deia Onde a gente belígera se estende. Assi que, um, pela infâmia que arreceia, E o outro, pelas honras que pretende, Debatem, e na perfia permanecem; A qualquer seus amigos favorecem. Vénus – deusa da beleza e do amor Vénus defendia os portugueses: - Descendentes dos romanos; -coragem e força demonstrada; - Uso da língua com origem latina. Posição de Vénus Vénus defendia os portugueses, pois sabe que se eles tiverem sucesso ela também será louvada. Enquanto Baco se opõe, porque não quer perder a fama, Vénus defendia, pois deseja ser louvada. As 3 divindades que presidiam aos destinos dos homens Oração subordinada adjetivas relativa restritiva Oração subordinada substantiva completiva

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35 Qual Austro fero ou Bóreas na espessura De silvestre arvoredo abastecida, Rompendo os ramos vão da mata escura Com ímpeto e braveza desmedida, Brama toda montanha, o som murmura, Rompem-se as folhas, ferve a serra erguida: Tal andava o tumulto, levantado Entre os Deuses, no Olimpo consagrado. Balanço da discussão A agitação dos ventos era grande, evidenciando a agitação da discussão gerada no Olimpo. A natureza reflete o humor dos deuses. Vento do sul Vento do norte Anástrofe – inversão da ordem natural das palavras

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36 Mas Marte, que da Deusa sustentava Entre todos as partes em porfia, Ou porque o amor antigo o obrigava, Ou porque a gente forte o merecia, De antre os Deuses em pé se levantava: Merencório no gesto parecia; O forte escudo, ao colo pendurado, Deitando pera trás, medonho e irado; 37 A viseira do elmo de diamante Alevantando um pouco, mui seguro , Por dar seu parecer se pôs diante De Júpiter, armado, forte e duro ; E dando ũa pancada penetrante Co conto do bastão no sólio puro, O Céu tremeu, e Apolo, de torvado, Um pouco a luz perdeu, como enfiado; Marte, porque amava Vénus, ou porque a gente lusa o merecia, tomou a palavra e uma posição. Descrição de Marte Posição de Marte Descrição de Marte –deus forte, decidido, duro. Faz-se ouvir e respeitar. Anáfora Anástrofe Tripla adjetivação Marte – deus da guerra Hipérbole

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38 E disse assi: –«Ó Padre, a cujo império Tudo aquilo obedece que criaste: Se esta gente que busca outro Hemisfério, Cuja valia e obras tanto amaste, Não queres que padeçam vitupério, Como há já tanto tempo que ordenaste, Não ouças mais, pois és juiz direito, Razões de quem parece que é suspeito. 39 Que, se aqui a razão se não mostrasse Vencida do temor demasiado, Bem fora que aqui Baco os sustentasse, Pois que de Luso vêm, seu tão privado; Mas esta tenção sua agora passe, Porque enfim vem de estâmago danado; Que nunca tirará alheia enveja O bem que outrem merece e o Céu deseja. Discurso de Marte Apóstrofe Discurso de Marte –Começa por reforçar o poder de Júpiter. Considera que Júpiter é soberano e que não deve ouvir as opiniões dos restantes deuses. Deuses esses que são “suspeitos” (refere-se a Baco) Índia Marte tenta provar que a opinião de Baco é fundada na inveja. Uma vez que os portugueses descendem de Luso. Considera ainda que a inveja nunca poderá roubar as glórias merecidas e oferecidas pelo céu, como é o caso dos portugueses.

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40 E tu, Padre de grande fortaleza, Da determinação que tens tomada Não tornes por detrás, pois é fraqueza Desistir-se da cousa começada. Mercúrio, pois excede em ligeireza Ao vento leve e à seta bem talhada, Lhe vá mostrar a terra onde se informe Da Índia, e onde a gente se reforme.» 41 Como isto disse, o Padre poderoso, A cabeça inclinando, consentiu No que disse Mavorte valeroso E néctar sobre todos esparziu. Pelo caminho Lácteo glorioso Logo cada um dos Deuses se partiu, Fazendo seus reais acatamentos, Pera os determinados apousentos . Reforça novamente o poder de Júpiter. Considera que Júpiter é soberano que se voltar atrás com a sua posição é uma mostra de fraqueza. Finaliza o seu discurso, dizendo que Mercúrio deverá, rapidamente, indicar um porto seguro, onde os portugueses sejam reabastecidos e orientados. Apóstrofe Modificador apositivo Fim do discurso de Marte Via Láctea Júpiter concorda e termina este consílio. Todos os deuses regressaram aos respetivos aposentos, aceitando a decisão tomada.

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