O trabalho com os Jovens

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Quem é o jovem? Lícia Caetano Maia SaberOnLine O trabalho com os jovens

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Santos (2005) discute alguns aspectos que devemos considerar ao trabalhar com jovens : 1. Levar a sério o desejo do jovem 2. A experiência de crescer 3. O olhar do adulto para o desenvolvimento do jovem 4. Quem é esse adulto? 5. Aspectos que permitem levar a sério o desejo do jovem 6. Pontos de método no trabalho com jovens 7. Como enfrentar a decepção

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1. Levar a sério o desejo do jovem O jovem tem uma grande demanda de desejo , busca sempre realizar-se. Santos (2005, p. 109-110) entende a palavra desejo como situada em uma “esfera da realização da própria vida da pessoa, que, para alcançá-lo, se movimenta, se expressa, procura e se inquieta até encontrá-lo”. É preciso compreender a pessoa (adolescente/jovem) na sua complexidade , tendo atenção à sua experiência , à sua busca de respostas diante do mundo e dos outros, que pode estimular ou restringir a sua ação.

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2. A experiência de crescer Diante de tudo, jovem deseja! Isso permeia constantemente o seu processo de crescimento. A inquietude, o comportamento ativo, as perambulações, a força, tudo indica a expressão do desejo que se coloca em movimento, como uma pergunta implícita, mas que surge a cada momento da vida, como uma explosão. (…) Há uma explosão de vida (vitalidade), que não se conforma com pouco e quer viver intensamente , como se, em cada momento, houvesse uma urgência para realizar as promessas da existência . Interessante notar que a experiência de crescer, caminhando para a idade adulta, revela, em cada movimento, a expressão de querer realizar a vida em toda a sua inteireza. (Santos, 2005, p. 110-111)

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2. A experiência de crescer Não se deve esquecer de que nesse período há uma vulnerabilidade indicada pela falta de adaptação ou respostas inadequadas diante de determinadas situações. Não se deve, nesse sentido, reduzir ou demarcar como fase problemática a juventude (Santos, 2005, p. 111) Existem pessoas que, nos padrões conhecidos, realmente fazem uma passagem traumática e conturbada por esse período da vida, enquanto outras não, sendo essa passagem mais ou menos normalizada e adaptada . “O desenvolvimento é um percurso que não é linear , que contém rupturas, continuidades, riscos que pressupõem (no caso positivo) constantes adaptações às mudanças”. (Santos, 2005, p. 111)

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3. O olhar do adulto para o desenvolvimento do jovem “O adulto deveria compreender que quanto mais inquieto, mais desejoso é o jovem da realização da própria existência. Em cada encontro, ele busca uma resposta para essa força vital que está nele e não pode ser suprimida”. (Santos, 2005, p. 112)

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3. O olhar do adulto para o desenvolvimento do jovem Se o adulto não compreende a dinâmica do desenvolvimento (formação da personalidade e mudanças que esse desenvolvimento provoca), pode ir contra o caminho de crescimento do jovem com as descobertas e escolhas fundamentais desse processo. “ Para escolher, é necessário ter uma base segura de pessoas de referência que possam ser como “sinais” e “placas” numa estrada escura. Sem essas “placas” podemos nos perder ou nos acidentar. Para o jovem também é assim, daí a necessidade de que os adultos sejam presenças que carreguem um olhar voltado para as possibilidades e não redutor das possibilidades dos jovens”. (Santos, 2005, p. 112)

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4. Quem é esse adulto? De que o adulto precisa para ser essa pessoa que ajuda o jovem no seu caminho?

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4. Quem é esse adulto? a) Ter feito ou continuar fazendo um percurso educativo guiado por outras pessoas que também o ajudem. Isso nos dá uma firmeza de posição para manter a proposta diante das várias demandas dos jovens. b) “O adulto precisa ser portador de hipóteses que possam orientar o caminho dos jovens . (…) A hipótese não é uma teoria, mas uma experiência vivida, algo que passou por mim, que posso indicar como caminho” (Santos, 2005, p. 112). Mas, isso não significa desconsiderar o caminho do jovem e que a verificação dessa hipótese deve e precisa ser feita por ele.

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4. Quem é esse adulto? c) Estar atento a cada solicitação que a realidade coloca à sua frente. “a grande beleza da vida de um adulto é não perder aquela capacidade original, inscrita no coração, que é a de se maravilhar e estar diante do outro com uma capacidade de aprender como se relacionar com ele. Se falamos em termos educativos, psicológicos e culturais, isso só é possível com uma vida intensa e culturalmente digna, com amizades e em companhia, haja vista que, dessa forma, a pessoa jamais cessa de aprender e adquire mais experiência” (Santos, 2005, p. 114)

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4. Quem é esse adulto? d) perceber que o jovem carrega dons e experiências significativas para seu crescimento. “Toda pessoa conhece seus erros e limites, mas as possibilidades, não. É preciso que um olhar externo, nascido de um encontro, revele o que de melhor há nela”. (Santos, 2005, p. 115)

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4. Quem é esse adulto? e) Um adulto não pode ser conceber sozinho . “O adulto pode estar sozinho no trabalho cotidiano, mas não é uma solidão do ponto de vista psicológico do termo” (Santos, 2005, p. 115) Podemos trabalhar sozinhos, mas com uma ação que carregue a presença de muitas pessoas que foram importantes no nosso processo educativo. Sem isso, corremos os risco de nos deixar envolver pela carência ou mesmo pela genialidade dos jovens.

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4. Quem é esse adulto? f) “Essa ‘ saída de casa ’, identificada com os relacionamentos dos jovens com seus pares na rua, pode querer mostrar a necessidade de compartilhar e viver experiências afetivas , de pertença a um outro, que implica, também, a possibilidade de relacionar-se com a diversidade . Essa procura pelo outro é, na verdade, a procura pela amizade ” (Santos, 2005, p. 117) “A amizade implica a orientação para a realização do próprio destino” (Santos, 2005, p. 118) O educador pode ser quem oferece essa amizade .

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5. Aspectos que permitem levar a sério o desejo do jovem a) Mudança de olhar em relação ao jovem na nossa frente: considerá-lo buscando seu desenvolvimento integral e constante .

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5. Aspectos que permitem levar a sério o desejo do jovem b) Olhar para as suas possibilidades, para os dons que ele carrega, para seus pedidos e suas demandas de desenvolvimento . Se, como educadores, não fazemos isso, outros podem fazê-lo inclusive aqueles que envolvem os jovens no caminho marginalidade e violência. É necessário corrigir , mas tomando como orientação o caminho do jovem, suas exigências e possibilidades. c) Os jovens buscam pessoas nas quais tenham confiança, que acreditem neles, que valorizem suas expressões, suas habilidades e suas características. É isso que esperam de um educador.

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5. Aspectos que permitem levar a sério o desejo do jovem d) O adulto necessita de um olhar abrangente e não meramente técnico para encontrar os outros. Se temos problemas pessoais, é necessário que saibamos nos relacionar com eles para exercer nossa sua função sem transferir para os outros as nossas frustrações. e) “somente o adulto que olha para si tendo em vista as mesmas exigências e as respostas encontradas neste caminho que é a vida pode suscitar no jovem, nesse encontro , a possibilidade do estabelecimento de um projeto de vida ”. (Santos, 2005, p. 121)

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6. Pontos de método no trabalho com jovens a) Proposição do que há de melhor em mim : interesses, cultura, desejo de realização, profissionalismo etc. b) A capacidade de nunca estar, nunca educar sozinho , tendo sempre uma companhia que ajude a educar. c) Propor elementos culturais ligados à minha história, à história do meu lugar e à história do meu povo.

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7. Como enfrentar a decepção “A decepção é uma experiência que sempre vai existir em qualquer relacionamento humano porque ainda não estamos completos, finalizados. É preciso entender que nós, adultos, falhamos, erramos, decepcionamos os outros constantemente. Se é assim conosco, adultos, imaginem com os jovens, que estão descobrindo a vida. A decepção, para mim, é uma experiência positiva porque me recoloca no meu lugar”. (Santos, 2008, p. 125-127)

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7. Como enfrentar a decepção “A decepção é o momento de recolocar as perguntas da minha profissão” . (Santos, 2008, p. 125-127) “A decepção, portanto, existe e é uma realidade que não pode paralisar o educador, antes, deve colocá-lo frente à evidência de que o outro está buscando suas respostas. Se paralisarmos, nos tornaremos infantis, como a experiência da “birra” infantil quando algo que se esperava não se realiza. A “birra” nos paralisa e não permite que nos movamos perante a realidade. A possibilidade de repropor , diante da decepção, nasce de um interesse legítimo e verdadeiro pelo bem do outro”. (Santos, 2008, p. 125-127)

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7. Como enfrentar a decepção É preciso ter paciência : A paciência é mais que uma capacidade, é uma virtude não muito desenvolvida nem pelas crianças nem pelos jovens. Ela consiste na espera, mas não uma espera assim acomodada . Consiste numa atitude de ativação , tanto interna quanto externa, das diversas possibilidades de se chegar a um objetivo. A paciência tem ao seu lado o componente da criatividade e da capacidade de se colocar em movimento visando a um fim, a uma meta. Quem tem paciência, geralmente não pára no meio do caminho , mas avança, porque estabelece estratégias para alcançar um fim que seja mais correspondente à sua identidade. (Santos, 2008, p. 128)

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Conclusão “Minha experiência de trabalho e de encontro com os jovens, em todos estes anos, foi guiada pelos encontros que fiz, particularmente pelo fato de algumas pessoas terem olhado para mim de forma diferente, reconhecendo alguma coisa boa que existia em mim e que eu não sabia. E foi guiada também pela proposição daquelas coisas que me fascinam: música, cultura, violão, expressões artísticas, beleza, livros, história, memória. No trabalho, a minha pessoa sempre esteve inteira, quer dizer, tudo o que eu aprendi e encontrei foi posto à disposição dos jovens, de modo que o encontro comigo (assim com se deu quando encontrei outras pessoas) provoque-os a ponto de levá-los a algum lugar impensado, tanto cultural e territorialmente, como na relação com pessoas diferentes”. (Santos, 2008, p. 102-103)

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SANTOS, J. E. F. (2008). Como levar a serio o desejo do jovem . Em N. Oliveira; G. Capitanio (Org.). Vida e trabalho: o risco de educar . Belo Horizonte: Editora Avsi SANTOS, J. E. F. (2005). Travessias: a adolescência em novos alagados . Bauru: EDUSC. Referências: