Slide 1:D3 CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
Slide 2:Por volta da segunda metade do século XIV, a Europa, e também Portugal, conheceram uma crise profunda. A Peste Negra, uma epidemia mortal vinda da Ásia, a fome e a guerra, a que os documentos da altura aludem, expandiram-se rapidamente. A população diminuiu de forma drástica, cerca de um terço; o arrefecimento climático trouxe uma quebra na produção agrícola, conduzindo à alta de preços e, por consequência, ao alastramento da situação de crise e da fome.
Slide 3:A Guerra dos Cem Anos entre a França e a Inglaterra (1337-1453) acabou por envolver outros reinos. Foram tomadas medidas para tentar solucionar a crise, mas sem sucesso. A situação agravou-se dando origem a revoltas nos campos e nas cidades. Em Portugal, a estas calamidades juntou-se ainda uma crise política que pôs em risco a independência nacional – a crise e a Revolução de 1383-1385.
Slide 4:D3 CRISES E REVOLUÇÃO NO SÉCULO XIV
Slide 5:Os Factores da Crise Entre os séculos XI e XIII, a economia e a sociedade europeias conheceram uma fase de prosperidade. Contudo… …no século XIV, uma grave crise económica e social alastrou por quase todo o continente europeu. Essa crise deveu-se aos seguintes factores: ÀS FOMES Nos inícios do século XIV, chuvas abundantes e baixas temperaturas prejudicaram gravemente as produções agrícolas. Os anos de 1315 e 1316 foram particularmente difíceis, tendo a fome afectado as populações de muitas regiões da Europa.
Slide 6:As vítimas foram em maior número nos aglomerados urbanos e nos mosteiros. Em muitas aldeias, a população desapareceu totalmente. ÀS EPIDEMIAS Os períodos de fome foram agravados pela propagação das doenças… Entre 1347-1350, a Peste Negra, uma grave epidemia proveniente do oriente, atingiu quase toda a Europa. Em consequência, julga-se ter morrido cerca de 1/3 da população. ÀS GUERRAS O século XIV foi, também um século de conflitos entre as nações europeias com destaque para a Guerra dos Cem Anos (1337-1443). Esta guerra travada entre a França e a Inglaterra teve repercussões noutros países e provocou numerosas vítimas e destruições.
Slide 8:Consequências da Crise A crise do século XIV Variou de região para região e teve pesadas consequências económicas e sociais; A França, a Inglaterra, os Países Baixos foram regiões muito afectadas; em contrapartida, a Alemanha e parte da Península Ibérica não sentiram tanto os seus efeitos. A população da Europa diminuiu… …ficando muitas terras ao abandono. A cultura de cereais recuou e expandiu-se a criação de gado e a plantação de vinhas. Os preços dos géneros e os salários dos trabalhadores subiram. Os senhores, proprietários de terras, exigiam maiores rendas aos camponeses para compensar a perda de rendimentos. Nas cidades, os burgueses e os mestres dos ofícios fixaram os salários dos trabalhadores.
Slide 9:Em consequência da crise... …deram-se, por toda a Europa, revoltas populares acompanhadas, por vezes, de: Pilhagens; Massacres; Incêndios. Revoltas rurais - destaca-se em França as Jacqueries (1358) Revoltas urbanas – salienta-se o movimento dos Ciompi (1378) em Florença Levantamentos dos assalariados urbanos nas cidades de Flandres (1379-1382)
Slide 10:E o que aconteceu em Portugal? A Crise do século XIV em Portugal A crise económica e social Portugal foi, também afectado por maus anos agrícolas em resultado de deficientes condições climáticas e da existência de conflitos. Em consequência, as populações conheceram períodos de fome. Também ao longo do século XIV, as epidemias provocaram entre nós, numerosas vítimas. Destaque para a Peste Negra que entrou em Portugal em 1348. Em poucos meses, esta epidemia percorreu o reino, provocando grande mortandade nas cidades (Lisboa, Santarém), nos mosteiros (Lorvão, em Penacova), nas vilas (Almodôvar, no Alentejo). Pensa-se que, pelo menos, 1/3 dos portugueses tenha morrido com a Peste Negra.
Slide 11:A propagação da Peste Negra
Slide 12:O mal estava na ausência de higiene individual e colectiva, nos homens, infestados de pulgas; nos dejectos acumulados nas ruas; no vestuário de lã raramente mudado... Traje do médico, na altura da Peste Negra. Os médicos protegiam-se usando luvas, uma túnica e uma máscara em forma de bico de pássaro, onde acumulavam ervas aromáticas com o objectivo de filtrar o ar, sem sucesso, pois desconheciam que a transmissão da doença se fazia pela picada da pulga e pelo ar respirável.
Slide 14:A falta de mão-de-obra nos centros urbanos levou muitos camponeses a emigrar para as cidades em busca de melhores salários. Em consequência… Muitos campos ficaram ao abandono;
As receitas dos senhores que viviam das terras diminuíram. Para compensar as perdas, aumentaram as rendas o que levou a conflitos sociais.
Slide 15:FOME PESTE GUERRA Quebra demográfica
Falta de mão-de-obra
Agravamento das condições de vida
Diminuição da produção
Crise económico-social REVOLTAS POPULARES NOS CAMPOS E NAS CIDADES
Slide 16: Surtos de fome e peste em Portugal (século XIV)
Slide 17:Como resolver a crise? Algumas propostas Problemas que afectavam a agricultura Em 1349 – D. Afonso IV enviou, aos concelhos do Reino as “Leis do Trabalho” Em 1375, D. Fernando publicou a “Lei das Sesmarias”
Slide 18:Lei das Sesmarias Através desta lei foi determinado que: os proprietários rurais eram obrigados a cultivar as suas terras sob o risco de as perderem; Os lavradores, filhos e netos, que tinham abandonado a agricultura, deviam voltar aos trabalhos agrícolas; Os salários e as rendas eram fixados, de modo a evitar abusos; A mendicidade era proibida, de forma a proporcionar mão-de-obra para a agricultura
Slide 19:Apesar destas medidas… …a crise agrícola não foi resolvida, continuando muitas terras ao abandono. Também as populações urbanas tiveram de enfrentar graves problemas em virtude: Da subida do preço dos géneros Da diminuição do poder de compra Da desvalorização da moeda A crise portuguesa do século XIV agravou-se em resultado de uma crise política. Esta pôs em perigo a independência de Portugal. O que aconteceu?
Slide 20:A Revolução de 1383-1385 e a formação da identidade nacional A questão dinástica e os confrontos político-sociais
Slide 21:A crise política Entre 1369 e 1382… D. Fernando envolveu-se em guerras com Castela, por se julgar com direito ao trono castelhano. Mas, as suas pretensões correram mal, pois Portugal saiu derrotado do confronto. As GUERRAS FERNANDINAS empobreceram o país, em virtude dos gastos resultantes do conflito. A situação de Portugal agravou-se ainda mais em 1383, em resultado de um acordo de casamento… O contrato de Salvaterra de Magos
Slide 22:Em que constava este contrato Celebrado entre D. Beatriz
(filha única de D. Fernando) e o rei de Castela. Segundo o contrato… D. Leonor Teles, (ao ficar viúva de D. Fernando) deveria conservar a regência até que D. Beatriz (a herdeira legítima) tivesse um filho que herdasse o trono de Portugal… Caso não houvesse descendência, o rei de Castela (marido de D. Beatriz) teria direito à coroa de Portugal.
Slide 23:Pouco tempo depois… Morreu D. Fernando, levantando-se o problema da sucessão ao trono. Assim… A grande nobreza E o grande clero Por juramento a D. Beatriz eram favoráveis a Castela Em contrapartida O povo miúdo A burguesia Os estratos secundários da nobreza e do clero Apoiavam D. João, Mestre da Ordem de Avis e filho bastardo de D. Pedro I
Slide 24:Árvore genealógica de D. João, Mestre de Avis
Slide 25:Solução para a crise
Slide 26:Em Dezembro de 1383… …o povo revoltou-se em Lisboa e aclamou D. João I, “REGEDOR E DEFENSOR DO REINO” Nos inícios de 1384, o rei de Castela, em defesa dos seus direitos, invade Portugal… Mas, a tentativa de conquista falhou, em virtude da peste alastrar entre as suas tropas… …obrigando-os a retirar-se para Castela.
Slide 27:Nos inícios de 1385… …o Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal nas Cortes de Coimbra. O rei de Castela invade, novamente, o nosso país… …sendo derrotado, entre Maio e Outubro nas batalhas: Trancoso,
Aljubarrota
E Valverde. Desta forma, Portugal conseguiu garantir a independência… Mas, a paz só veio a ser assinada em 1411.
Slide 28:No decorrer da Revolução de 1383-1385, distinguiram-se: Álvaro Pais (destacado burguês de Lisboa e apoiante de D. João I;
João das Regras (legista e defensor do Mestre de Avis nas Cortes de Coimbra);
D. Nuno Álvares Pereira (comandante do exército português)
As massas populares.
Slide 29:A Revolução de 1383-1385 abriu caminho a uma nova dinastia – a de Avis – e a uma nova época na História de Portugal – a da Expansão Marítima.
Slide 30:PORTUGAL NO SÉCULO XIV Fome Peste Guerra CRISE POLÍTICA MORTE DE D. FERNANDO
Tratado de Salvaterra de Magos Crise de sucessão ao trono CANDIDATOS D. Beatriz e o rei de Castela, D. João I D. João, Mestre de Avis 1385 Aclamação do rei D. João I nas cortes de Coimbra
Vitória de Portugal na batalha de Aljubarrota + AFIRMAÇÃO da INDEPENDÊNCIA NACIONAL INÍCIO da DINASTIA DE AVIS Em síntese: