logging in or signing up DIA INTERNACIONAL DA BE -2010 mjvazcosta Download Post to : URL : Related Presentations : Share Add to Flag Embed Email Send to Blogs and Networks Add to Channel Uploaded from authorPOINT lite Insert YouTube videos in PowerPont slides with aS Desktop Copy embed code: (To copy code, click on the text box) Embed: URL: Thumbnail: WordPress Embed Customize Embed The presentation is successfully added In Your Favorites. Views: 3742 Category: Education License: All Rights Reserved Like it (0) Dislike it (0) Added: January 02, 2011 This Presentation is Public Favorites: 0 Presentation Description No description available. Comments Posting comment... Premium member Presentation Transcript Os Livros : É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir. José Gomes Ferreira (Porto-Portugal 1900-1985 Porto-Portugal), em “As aventuras de João sem medo” Os Livros Slide 2: Sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem. Clarissa Pinkola Estés (Indiana-Estados Unidos, n. 1943) Slide 3: Livros, de Van Gogh (Zundert-Holanda 1853-1890 Auvers-sur-Oise-França) A leitura engrandece a alma. Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet (Paris-França 1694- 1778 Paris-França) Slide 4: O livro-árvore, de Salvador Dali (Catalunha-Espanha 1904-1989 Catalunha-Espanha) Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro. Henry David Thoreau (Concord-Estados Unidos 1817-1862 Concord-Estados Unidos) Slide 5: Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro. Groucho Marx, pseudônimo de Julius Henry Marx (Nova Iorque-Estados Unidos 1890– 1977 Los Angeles-Estados Unidos) Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousamno livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam voocomo de um alçapão.Eles não têm pousonem porto,alimentam-se um instante em cada par de mãose partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberesque o alimento deles já estava em ti...Mário Quintana(Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) : Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousamno livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam voocomo de um alçapão.Eles não têm pousonem porto,alimentam-se um instante em cada par de mãose partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberesque o alimento deles já estava em ti...Mário Quintana(Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) Moça lendo com o cão, de Charles Burton Barber (Londres-Inglaterra 1845-1894 Londres-Inglaterra), em 1879 Slide 7: O Livro Desconhecido Estou à procura de um livro para ler. É um livro muito especial. Eu imagino-o como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim: eu está-lo-ia lendo e, de súbito, uma frase lida com lágrimas nos olhos, diria em êxtase de dor e de enfim libertação: mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus! Clarice Lispector (Tchechelnik-Ucrânia 1920-1977 Rio de Janeiro-RJ) Slide 8: Pintura de Irene Sheri (Belgorod-Dnestrovsky-Ucrânia, n. 1968) Devemos ler para oferecer à nossa alma a oportunidade de luxúria. Henry Miller (Nova Iorque-Estados Unidos 1891-1980 Los Angeles-Estados Unidos) Slide 9: Pintura de Karin Jurick (Califórnia-Estados Unidos) O livro é uma das possibilidades de felicidade de que dispomos. Jorge Luis Borges (Buenos Aires-Argentina 1899-1986 Genebra-Suíça) Slide 10: Pintura de Vittorio Matteo Corcos (Livorno-Itália 1859-1933 Florença-Itália), em 1896 É o que você lê quando não tem que fazê-lo que determinará o que você será quando não puder evitar. Oscar Wilde (Dublin-Irlanda 1854-1900 Paris-França) Slide 11: Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias... Bernardo Soares, um dos heterónimos de Fernando Pessoa (Lisboa-Portugal 1888-1935 Lisboa-Portugal), no “Livro do Desassossego” Slide 12: A leitora, de Pierre-August Renoir (Limoges-França 1841-1919 Cagnes-sur-Mer-França), em 1875 O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. Pe. António Vieira (Lisboa-Portugal 1608-1697 Salvador-BA) Cena do filme L’Etoile de Mer, filme mudo surrealista francês, de 1928, de Man Ray : Cena do filme L’Etoile de Mer, filme mudo surrealista francês, de 1928, de Man Ray Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena - e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou, pelo menos, instantes da vida desse povo. Monteiro Lobato (Taubaté-SP 1882-1948 São Paulo-SP) Slide 14: Pintura de Isabel Guerra (Madri-Espanha, n. 1947) Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma. Fernando Pessoa (Lisboa-Portugal 1888-1935 Lisboa-Portugal) Slide 15: Frederick the Literate, de Charles Wysocki (Detroit-Estados Unidos 1928-2002 Los Angeles-Estados Unidos), em 1992 O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar. Eugène Delacroix (Saint-Maurice-França 1798-1863 Paris-França) Slide 16: É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido. José Saramago (Azinhaga-Portugal, n. 1922) Fotografia de Mário Pires Slide 17: Ilustração de David Christiana (Arizona-Estados Unidos), em “O cão que comeu o livro” Às vezes um texto muito interessante passa despercebido porque não sabemos ler. Saber ler não é simplesmente ser alfabetizado. Saber ler é poder, junto, pensar com o autor, compreendê-lo e criticá-lo. Leila Maria Barbosa e Wilma Mangabeira, em “A incrível história dos homens e suas relações” Slide 18: Que progresso estamos a fazer! Na idade média ter-me-iam queimado. Agora estão contentes em queimar meus livros. Sigmund Freud (Pribor-República Checa 1856-1939 Londres-Inglaterra) Slide 19: A leitora, de Jean Honoré Fragonard (Grasse-França 1732-1808 Paris-França), em 1870-72 Louvai ao Senhor, livro meu irmão, com vossas letras e palavras, com vosso verso e sentido, com vossa capa e forma, com as mãos de todos que vos fizeram existir, louvai ao Senhor! Adélia Prado (Divinópolis-MG, n. 1935), em imitação do “Cântico das Criaturas”, de São Francisco de Assis Slide 20: Irmãs e livro, de Iman Maleki (Teerã-Irã, n. 1976) Refresca-te, irmã, na água da pequena tigela de cobre com pedacinhos de gelo,abre os olhos sob a água, lava-os,enxuga-te com a toalha áspera e lança um olhar num livro que amas. Começa assim um dia belo e útil. Bertolt Brecht (Augsburg-Alemanha 1898- 1956 Berlim-Alemanha), em “Conselho à atriz C. N.”, fim da década de 1920 Slide 21: Um poema, de Liz Gribin (Inglaterra) Onde se queimam livros, cedo ou tarde, queimam-se homens. Heinrich Heine (Düsseldorf-Alemanha 1797-1856 Paris-França) Slide 22: Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca. Jorge Luis Borges (Buenos Aires-Argentina 1899-1986 Genebra-Suíça) O paraíso segundo Borges, de Gabriel Caprav (Buenos Aires-Argentina, n. 1983) Slide 23: Os livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores. Charles W. Elliot (Boston-Estados Unidos 1834-1926 Northeast Harbor-Estados Unidos) Casa KikeSituada perto do Mar das Caraíbas, na Costa Rica. Foi desenhada pelo arquiteto Gianni Botsford pensando no seu pai, que era escritor, e na sua biblioteca, composta por 16 mil livros. : Casa KikeSituada perto do Mar das Caraíbas, na Costa Rica. Foi desenhada pelo arquiteto Gianni Botsford pensando no seu pai, que era escritor, e na sua biblioteca, composta por 16 mil livros. Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo. Marco Túlio Cícero (Arpino-Itália 106 a.C.–43 a.C. Formia-Itália ) Slide 25: A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde. André Maurois, pseudônimo de Emile Salomon Wilhelm Herzog (Elbeuf-França 1885-1967 Paris-França) Pintura de Giuseppe Mariotti (Todi-Itália) Slide 26: O jardim dos livros, de Rachel Caiano (Portugal, n. 1977) Livros e solidão: eis o meu elemento. Benjamin Franklin (Boston-Estados Unidos 1706-1790 Filadélfia- Estados Unidos) Slide 27: Dupla delícia: o livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado. Mário Quintana (Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) Casa-biblioteca - do pedreiro sergipano Evando dos Santos - Biblioteca Comunitária Tobias Barreto, no Rio de Janeiro. : Casa-biblioteca - do pedreiro sergipano Evando dos Santos - Biblioteca Comunitária Tobias Barreto, no Rio de Janeiro. Numa boa biblioteca, você sente, de alguma forma misteriosa, que está absorvendo, através da pele, a sabedoria contida em todos aqueles livros, mesmo sem abri-los. Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens (Flórida-Estados Unidos 1835-1910 Redding-Estados Unidos) Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro : Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês tem alma, a alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Carlos Ruiz Zafón (Barcelona-Espanha, n. 1964), em “A sombra do vento” Slide 30: Mulher com livro, de Pablo Picasso (Málaga-Espanha 1881-1973 Mougins-França) A leitura... esse vício impune... Valéry Larbaud (Vichy-França 1881-1957 Vichy-França) Escritório de Larbaud Slide 31: Que nunca o livro fique longe de tua mão e de teus olhos. São Jerónimo (Dalmácia-Croácia? 342?-420 Belém-Cisjordânia) Slide 32: A função do leitor/1 Quando Lucia Pelãez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos. Muito caminhou Lucia, enquanto se passavam os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antióquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas. Muito caminhou Lucia, e ao longo de seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com os seus olhos, na infância. Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela. Eduardo Galeano (Montevidéu-Uruguai, n. 1940), em "O livro dos abraços" Livro do séc. XV Slide 33: A Natividade, iluminura do “Livre d’heures à l’usage de Paris”, do século XV, obra do Maitre de Boucicaut Slide 34: Quando você relê um clássico, você não vê mais no livro do que havia antes; você vê mais em você do que havia antes. Clifton Fadiman (Nova Iorque-Estados Unidos 1904-1999 Flórida-Estados Unidos) Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come. Victor Hugo (Besançon-França 1802-1885 Paris-França) Slide 35: Pintura de Jonathan Wolstenholme (Londres-Inglaterra, n. 1950) Não há livros morais nem imorais. O que há são livros bem escritos ou mal escritos. Oscar Wilde (Dublin-Irlanda 1854-1900 Paris-França) Slide 36: O Bibliotecário, de Giuseppe Arcimboldo (Milão-Itália 1527–1593 Boémia-República Checa), em 1566 Uma boa leitura dispensa com vantagem a companhia de pessoas frívolas. Marquês de Maricá, pseudónimo de Mariano José Pereira da Fonseca (Rio de Janeiro-RJ 1773-1848 Rio de Janeiro-RJ) Slide 37: Personagem Enriqueta, do cartonista Ricardo Liniers (Buenos Aires-Argentina, n. 1973) Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Cora Coralina, pseudónimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cidade de Goiás-GO 1889-1985 Goiânia-GO) Slide 38: Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma. Franz Kafka (Praga-República Checa 1883-1924 Klosterneuburg-Áustria) Onde eu não estou, as palavras me acham. Manoel de Barros (Cuiabá-MT, n. 1916) Slide 39: Ilustração de Lorenzo Mattotti (Brescia-Itália, n. 1954) A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade das pessoas não sente esta sede. Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro-MG 1902-1987 Rio de Janeiro-RJ) Slide 40: Personagem Mafalda, do cartonista Joaquín Salvador Lavado, o Quino (Mendoza-Argentina, n. 1932) Livro bom é o que é aberto com expectativa, e fechado com deleite e aproveitamento. Amos Alcott (Connecticut-Estados Unidos 1799-1888 Massachusetts-Estados Unidos) Slide 41: Un coin de table, de Henri Fantin-Latour (Grenoble-França 1836-1904 Orne-França), em 1872. Sentados, da esquerda para a direita: Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, Léon Valade, Ernest d'Hervilly e Camille Pelletan. Em pé, Elzéar Bonnier, Émile Blémont e Jean Aicard. Musée d'Orsay, Paris. Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias. Mário Vargas Llosa(Arequipa-Peru, n. 1936) Slide 42: E há palavras e noturnas palavras gemidos Palavras que nos sobem ilegíveis à boca Palavras diamantes palavras nunca escritas Palavras impossíveis de escrever Por não termos connosco cordas de violinos Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar Mário Cesariny (Lisboa-Portugal 1923-2006 Lisboa-Portugal) Música: Stolen Kiss, Ernesto Cortázar (Tampico-México, 1897-1953) Textos: autores diversos Idealização, pesquisa e realização:Heloisa Guimarães heloisagui@yahoo.com.br Desconheço os autores das imagens que estão sem a devida menção. Slide 43: EUGÉNIO DE ANDRADE Slide 44: BIOGRAFIA EUGÉNIO DE ANDRADE Pseudônimo de José Fontinhas Rato. Poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada. “Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.” Slide 45: Madrigal Tu já tinhas um nome, e eu não sei se eras fonte ou brisa ou mar ou flor. Nos meus versos chamar-te-ei amor... Slide 46: FRENTE A FRENTE Nada podeis contra o amor,Contra a cor da folhagem, contra a carícia da espuma,contra a luz, nada podeis. Podeis dar-nos a morte,a mais vil, isso podeis- e é tão pouco! Slide 47: As palavras São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras? Slide 48: DEVIAS ESTAR AQUI Devias estar aqui rente aos meus lábiospara dividir contigo esta amargurados meus dias partidos um a um - Eu vi a terra limpa no teu rosto,Só no teu rosto e nunca em mais nenhum... Slide 49: A arrancar a raizao mais diminuto dos rios. A inundar-te de facas,de saliva esperma lume. Estou a rodear de agulhasa boca mais vulnerável. A marcar sobre os teus flancositinerários da espuma. Assim é o amor: mortal e navegável... O AMOR Estou a amar-te como o friocorta os lábios. Slide 50: É urgente o amor.É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras,ódio, solidão e crueldade,alguns lamentos,muitas espadas. É urgente inventar alegria,multiplicar os beijos, as searas,é urgente descobrir rosas e riose manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luzimpura, até doer.É urgente o amor, é urgentePermanecer. URGÊNCIA Slide 51: Respiro o teu corpo: sabe a lua-de-águaao amanhecer, sabe a cal molhada, sabe a luz mordida,sabe a brisa nua, ao sangue dos rios,sabe a rosa louca,ao cair da noite sabe a pedra amarga,sabe à minha boca... Slide 52: Sem Ti E de súbito desaba o silêncio.É um silêncio sem ti,sem álamos,sem luas. Só nas minhas mãosouço a música das tuas... Slide 53: Que música escutas tão atentamente? Que música escutas tão atentamenteque não dás por mim?Que bosque, ou rio, ou mar?Ou é dentro de tique tudo canta ainda?Queria falar contigo,dizer-te apenas que estou aqui,mas tenho medo,medo que toda a música cessee tu não possas mais olhar as rosas. Medo de quebrar o fiocom que teces os dias sem memória.Com que palavras ou beijos ou lágrimasse acordam os mortos sem os ferir,sem os trazer a esta espuma negraonde corpos e corpos se repetem,parcimoniosamente, no meio de sombras? Deixa-te estar assim,ó cheia de doçura,sentada, olhando as rosas,e tão alheiaque nem dás por mim... Slide 54: Sobre Flancos e Barcos Havia ainda outro jardim o da minha vida exíguo é certo mas o do meu olhar são talvez dois pássaros que se amam um sobre o outro ou dois cães de pé é sempre a mesma inquietação este delírio branco ou o rumor da chuva sobre flancos e barcos o inverno vai chegar sobre a palha ainda quente a mão uma doçura de abelha muito jovem era o sopro distante das manhãs sobre o mar e eu disse sentindo os seus passos nos pátios do coração é o silêncio é por fim o silêncio vai desabar... Slide 55: ADEUS Já gastamos as palavras pela rua, meu amor,e o que nos ficou não chegapara afastar o frio de quatro paredes.Gastamos tudo menos o silêncio.Gastamos os olhos com o sal das lágrimas,gastamos as mãos à força de as apertarmos,gastamos o relógio e as pedras das esquinasem esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;era como se todas as coisas fossem minhas:quanto mais te dava mais tinha para te dar. Continua > Slide 56: Mas isso era no tempo dos segredos,era no tempo em que o teu corpo era um aquário,era no tempo em que os meus olhoseram realmente peixes verdes.Hoje são apenas os meus olhos.É pouco, mas é verdade,uns olhos como todos os outros. Já gastamos as palavras.Quando agora digo: meu amorjá se não passa absolutamente nada.E no entanto, antes das palavras gastas,tenho a certezaque todas as coisas estremeciamsó de murmurar o teu nomeno silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar.Dentro de tinão há nada que me peça água.O passado é inútil como um trapo.E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus... Slide 57: Quase Nada O amoré uma ave a tremernas mãos de uma criança.Serve-se de palavraspor ignorarque as manhãs mais limpasnão têm voz... Minha singela homenagem ao meu amado poeta de Portugal Pinturas: João Barcelos By Eliane/2007 Slide 59: Não tenho tempo para mais nada... Ser feliz me consome muito. Slide 60: Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania: depende de quando e como você me vê passar. Slide 61: Eu acreditava em anjos. E, porque acreditava, eles existiam. Slide 62: Perder-se também é caminho. Slide 63: Já que se há de escrever, que, pelo menos, não se esmaguem -com palavras- as entrelinhas. Slide 64: Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Slide 65: Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento. Slide 66: Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra “amor”. Slide 67: Há a vida que é para ser intensamente vivida. Há o amor, que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. Slide 68: Sempre conserve uma aspa à sua esquerda e outra à sua direita. Slide 69: Que medo alegre o de te esperar! Slide 70: Tenho medo de dizer quem sou: no momento em que tento falar, não exprimo o que sinto e o que sinto se transforma, lentamente, no que eu digo. Slide 71: Quando se ama, não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós. Slide 72: Eu nem entendo mais aquilo que entendo. Pois, estou infinitamente maior do que eu mesma... então, não me alcanço. Slide 73: Ouve-me. Ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e, sim, outra coisa. Capta a “outra coisa” porque eu mesma não posso. Slide 74: Você pode, até, me empurrar de um penhasco... E daí? Eu adoro voar! Slide 75: E ninguém é eu. E ninguém é você. Esta é a solidão. Slide 76: Minha alma tem o imaterial peso da solidão no meio de outros. Slide 77: O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. Slide 78: Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito... Eu só vivo nos extremos... Slide 79: SAPATOS SUJOS ... Texto de MIA COUTO, escritor moçambicano Gravuras de NEVES E SOUSA, pintor angolano Slide 80: O escritor moçambicano Mia Couto, também licenciado em Medicina e Biologia, fez uma oração de sapiência, no dia 7 de Março, na abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. Excertos desta oração foram publicados no “Courrier Internacional” de 2 de Abril. Destacamos... “Os Sete Sapatos Sujos”: Slide 81: Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei “Sete Sapatos Sujos” que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico: Slide 82: Primeiro Sapato A ideia de que os culpados são sempre os outros. Slide 83: Segundo Sapato A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho. Slide 84: Terceiro Sapato O preconceito de que quem critica é um inimigo. Slide 85: Quarto Sapato A ideia de que mudar as palavras muda a realidade. Slide 86: Quinto Sapato A vergonha de ser pobre e o culto das aparências. Slide 87: Sexto Sapato A passividade perante a injustiça . Slide 88: Sétimo Sapato A ideia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros. Slide 90: LUXURY LIBRARIES IN EUROPE MUSIC: IL SILENZIO TRUMPET NINO ROSSO Slide 91: Bibliothèque du Monastère de Wiblingen, Allemagne. ©Ahmet Ertug Slide 92: Biblioteca Angelica, Rome, Italie. ©Ahmet Ertug Slide 93: Biblioteca Di bella Arti, Milan, Italie. ©Ahmet Ertug Slide 94: Bibliothèque Sainte-Geneviève, Paris, France. ©Ahmet Ertug Slide 95: Bibliothèque nationale de France, site Richelieu, salle Labrouste, Paris, France, 2008. Slide 96: Bibliothèque nationale de France, site Richelieu, salle Ovale, Paris, France, 2008. Slide 97: Annexe de la Bibliothèque du Sénat, Paris, France. ©Ahmet Ertug Slide 98: The Picton Reading Room, Liverpool Public Library, Angleterre. ©Ahmet Ertug Slide 99: Bibliothèque de l’Abbaye de Saint-Florian, Autriche. ©Ahmet Ertug Slide 100: Bibliothèque de l’Abbaye de Saint-Gallen, Suisse. ©Ahmet Ertug Slide 101: Bibliothèque nationale de Tchécoslovaquie, Prague, Tchécoslovaquie. ©Ahmet Ertug Slide 102: Bibliothèque du Trinity College de Dublin, Irlande. ©Ahmet Ertug Slide 103: Bibliothèque bénédictine de l’Abbaye de Metten, Allemagne. ©Ahmet Ertug Slide 104: Bibliothèque de l’Abbaye de Waldassen, Bavière, Allemagne. ©Ahmet Ertug Slide 105: Now go to your library and enjoy reading a good book. PRESENTATION BY DAN CALISTRAT You do not have the permission to view this presentation. In order to view it, please contact the author of the presentation.
DIA INTERNACIONAL DA BE -2010 mjvazcosta Download Post to : URL : Related Presentations : Share Add to Flag Embed Email Send to Blogs and Networks Add to Channel Uploaded from authorPOINT lite Insert YouTube videos in PowerPont slides with aS Desktop Copy embed code: (To copy code, click on the text box) Embed: URL: Thumbnail: WordPress Embed Customize Embed The presentation is successfully added In Your Favorites. Views: 3742 Category: Education License: All Rights Reserved Like it (0) Dislike it (0) Added: January 02, 2011 This Presentation is Public Favorites: 0 Presentation Description No description available. Comments Posting comment... Premium member Presentation Transcript Os Livros : É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir. José Gomes Ferreira (Porto-Portugal 1900-1985 Porto-Portugal), em “As aventuras de João sem medo” Os Livros Slide 2: Sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem. Clarissa Pinkola Estés (Indiana-Estados Unidos, n. 1943) Slide 3: Livros, de Van Gogh (Zundert-Holanda 1853-1890 Auvers-sur-Oise-França) A leitura engrandece a alma. Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet (Paris-França 1694- 1778 Paris-França) Slide 4: O livro-árvore, de Salvador Dali (Catalunha-Espanha 1904-1989 Catalunha-Espanha) Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro. Henry David Thoreau (Concord-Estados Unidos 1817-1862 Concord-Estados Unidos) Slide 5: Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro. Groucho Marx, pseudônimo de Julius Henry Marx (Nova Iorque-Estados Unidos 1890– 1977 Los Angeles-Estados Unidos) Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousamno livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam voocomo de um alçapão.Eles não têm pousonem porto,alimentam-se um instante em cada par de mãose partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberesque o alimento deles já estava em ti...Mário Quintana(Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) : Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousamno livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam voocomo de um alçapão.Eles não têm pousonem porto,alimentam-se um instante em cada par de mãose partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberesque o alimento deles já estava em ti...Mário Quintana(Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) Moça lendo com o cão, de Charles Burton Barber (Londres-Inglaterra 1845-1894 Londres-Inglaterra), em 1879 Slide 7: O Livro Desconhecido Estou à procura de um livro para ler. É um livro muito especial. Eu imagino-o como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim: eu está-lo-ia lendo e, de súbito, uma frase lida com lágrimas nos olhos, diria em êxtase de dor e de enfim libertação: mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus! Clarice Lispector (Tchechelnik-Ucrânia 1920-1977 Rio de Janeiro-RJ) Slide 8: Pintura de Irene Sheri (Belgorod-Dnestrovsky-Ucrânia, n. 1968) Devemos ler para oferecer à nossa alma a oportunidade de luxúria. Henry Miller (Nova Iorque-Estados Unidos 1891-1980 Los Angeles-Estados Unidos) Slide 9: Pintura de Karin Jurick (Califórnia-Estados Unidos) O livro é uma das possibilidades de felicidade de que dispomos. Jorge Luis Borges (Buenos Aires-Argentina 1899-1986 Genebra-Suíça) Slide 10: Pintura de Vittorio Matteo Corcos (Livorno-Itália 1859-1933 Florença-Itália), em 1896 É o que você lê quando não tem que fazê-lo que determinará o que você será quando não puder evitar. Oscar Wilde (Dublin-Irlanda 1854-1900 Paris-França) Slide 11: Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias... Bernardo Soares, um dos heterónimos de Fernando Pessoa (Lisboa-Portugal 1888-1935 Lisboa-Portugal), no “Livro do Desassossego” Slide 12: A leitora, de Pierre-August Renoir (Limoges-França 1841-1919 Cagnes-sur-Mer-França), em 1875 O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. Pe. António Vieira (Lisboa-Portugal 1608-1697 Salvador-BA) Cena do filme L’Etoile de Mer, filme mudo surrealista francês, de 1928, de Man Ray : Cena do filme L’Etoile de Mer, filme mudo surrealista francês, de 1928, de Man Ray Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena - e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou, pelo menos, instantes da vida desse povo. Monteiro Lobato (Taubaté-SP 1882-1948 São Paulo-SP) Slide 14: Pintura de Isabel Guerra (Madri-Espanha, n. 1947) Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma. Fernando Pessoa (Lisboa-Portugal 1888-1935 Lisboa-Portugal) Slide 15: Frederick the Literate, de Charles Wysocki (Detroit-Estados Unidos 1928-2002 Los Angeles-Estados Unidos), em 1992 O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar. Eugène Delacroix (Saint-Maurice-França 1798-1863 Paris-França) Slide 16: É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido. José Saramago (Azinhaga-Portugal, n. 1922) Fotografia de Mário Pires Slide 17: Ilustração de David Christiana (Arizona-Estados Unidos), em “O cão que comeu o livro” Às vezes um texto muito interessante passa despercebido porque não sabemos ler. Saber ler não é simplesmente ser alfabetizado. Saber ler é poder, junto, pensar com o autor, compreendê-lo e criticá-lo. Leila Maria Barbosa e Wilma Mangabeira, em “A incrível história dos homens e suas relações” Slide 18: Que progresso estamos a fazer! Na idade média ter-me-iam queimado. Agora estão contentes em queimar meus livros. Sigmund Freud (Pribor-República Checa 1856-1939 Londres-Inglaterra) Slide 19: A leitora, de Jean Honoré Fragonard (Grasse-França 1732-1808 Paris-França), em 1870-72 Louvai ao Senhor, livro meu irmão, com vossas letras e palavras, com vosso verso e sentido, com vossa capa e forma, com as mãos de todos que vos fizeram existir, louvai ao Senhor! Adélia Prado (Divinópolis-MG, n. 1935), em imitação do “Cântico das Criaturas”, de São Francisco de Assis Slide 20: Irmãs e livro, de Iman Maleki (Teerã-Irã, n. 1976) Refresca-te, irmã, na água da pequena tigela de cobre com pedacinhos de gelo,abre os olhos sob a água, lava-os,enxuga-te com a toalha áspera e lança um olhar num livro que amas. Começa assim um dia belo e útil. Bertolt Brecht (Augsburg-Alemanha 1898- 1956 Berlim-Alemanha), em “Conselho à atriz C. N.”, fim da década de 1920 Slide 21: Um poema, de Liz Gribin (Inglaterra) Onde se queimam livros, cedo ou tarde, queimam-se homens. Heinrich Heine (Düsseldorf-Alemanha 1797-1856 Paris-França) Slide 22: Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca. Jorge Luis Borges (Buenos Aires-Argentina 1899-1986 Genebra-Suíça) O paraíso segundo Borges, de Gabriel Caprav (Buenos Aires-Argentina, n. 1983) Slide 23: Os livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores. Charles W. Elliot (Boston-Estados Unidos 1834-1926 Northeast Harbor-Estados Unidos) Casa KikeSituada perto do Mar das Caraíbas, na Costa Rica. Foi desenhada pelo arquiteto Gianni Botsford pensando no seu pai, que era escritor, e na sua biblioteca, composta por 16 mil livros. : Casa KikeSituada perto do Mar das Caraíbas, na Costa Rica. Foi desenhada pelo arquiteto Gianni Botsford pensando no seu pai, que era escritor, e na sua biblioteca, composta por 16 mil livros. Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo. Marco Túlio Cícero (Arpino-Itália 106 a.C.–43 a.C. Formia-Itália ) Slide 25: A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde. André Maurois, pseudônimo de Emile Salomon Wilhelm Herzog (Elbeuf-França 1885-1967 Paris-França) Pintura de Giuseppe Mariotti (Todi-Itália) Slide 26: O jardim dos livros, de Rachel Caiano (Portugal, n. 1977) Livros e solidão: eis o meu elemento. Benjamin Franklin (Boston-Estados Unidos 1706-1790 Filadélfia- Estados Unidos) Slide 27: Dupla delícia: o livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado. Mário Quintana (Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) Casa-biblioteca - do pedreiro sergipano Evando dos Santos - Biblioteca Comunitária Tobias Barreto, no Rio de Janeiro. : Casa-biblioteca - do pedreiro sergipano Evando dos Santos - Biblioteca Comunitária Tobias Barreto, no Rio de Janeiro. Numa boa biblioteca, você sente, de alguma forma misteriosa, que está absorvendo, através da pele, a sabedoria contida em todos aqueles livros, mesmo sem abri-los. Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens (Flórida-Estados Unidos 1835-1910 Redding-Estados Unidos) Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro : Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês tem alma, a alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Carlos Ruiz Zafón (Barcelona-Espanha, n. 1964), em “A sombra do vento” Slide 30: Mulher com livro, de Pablo Picasso (Málaga-Espanha 1881-1973 Mougins-França) A leitura... esse vício impune... Valéry Larbaud (Vichy-França 1881-1957 Vichy-França) Escritório de Larbaud Slide 31: Que nunca o livro fique longe de tua mão e de teus olhos. São Jerónimo (Dalmácia-Croácia? 342?-420 Belém-Cisjordânia) Slide 32: A função do leitor/1 Quando Lucia Pelãez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos. Muito caminhou Lucia, enquanto se passavam os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antióquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas. Muito caminhou Lucia, e ao longo de seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com os seus olhos, na infância. Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela. Eduardo Galeano (Montevidéu-Uruguai, n. 1940), em "O livro dos abraços" Livro do séc. XV Slide 33: A Natividade, iluminura do “Livre d’heures à l’usage de Paris”, do século XV, obra do Maitre de Boucicaut Slide 34: Quando você relê um clássico, você não vê mais no livro do que havia antes; você vê mais em você do que havia antes. Clifton Fadiman (Nova Iorque-Estados Unidos 1904-1999 Flórida-Estados Unidos) Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come. Victor Hugo (Besançon-França 1802-1885 Paris-França) Slide 35: Pintura de Jonathan Wolstenholme (Londres-Inglaterra, n. 1950) Não há livros morais nem imorais. O que há são livros bem escritos ou mal escritos. Oscar Wilde (Dublin-Irlanda 1854-1900 Paris-França) Slide 36: O Bibliotecário, de Giuseppe Arcimboldo (Milão-Itália 1527–1593 Boémia-República Checa), em 1566 Uma boa leitura dispensa com vantagem a companhia de pessoas frívolas. Marquês de Maricá, pseudónimo de Mariano José Pereira da Fonseca (Rio de Janeiro-RJ 1773-1848 Rio de Janeiro-RJ) Slide 37: Personagem Enriqueta, do cartonista Ricardo Liniers (Buenos Aires-Argentina, n. 1973) Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Cora Coralina, pseudónimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cidade de Goiás-GO 1889-1985 Goiânia-GO) Slide 38: Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma. Franz Kafka (Praga-República Checa 1883-1924 Klosterneuburg-Áustria) Onde eu não estou, as palavras me acham. Manoel de Barros (Cuiabá-MT, n. 1916) Slide 39: Ilustração de Lorenzo Mattotti (Brescia-Itália, n. 1954) A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade das pessoas não sente esta sede. Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro-MG 1902-1987 Rio de Janeiro-RJ) Slide 40: Personagem Mafalda, do cartonista Joaquín Salvador Lavado, o Quino (Mendoza-Argentina, n. 1932) Livro bom é o que é aberto com expectativa, e fechado com deleite e aproveitamento. Amos Alcott (Connecticut-Estados Unidos 1799-1888 Massachusetts-Estados Unidos) Slide 41: Un coin de table, de Henri Fantin-Latour (Grenoble-França 1836-1904 Orne-França), em 1872. Sentados, da esquerda para a direita: Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, Léon Valade, Ernest d'Hervilly e Camille Pelletan. Em pé, Elzéar Bonnier, Émile Blémont e Jean Aicard. Musée d'Orsay, Paris. Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias. Mário Vargas Llosa(Arequipa-Peru, n. 1936) Slide 42: E há palavras e noturnas palavras gemidos Palavras que nos sobem ilegíveis à boca Palavras diamantes palavras nunca escritas Palavras impossíveis de escrever Por não termos connosco cordas de violinos Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar Mário Cesariny (Lisboa-Portugal 1923-2006 Lisboa-Portugal) Música: Stolen Kiss, Ernesto Cortázar (Tampico-México, 1897-1953) Textos: autores diversos Idealização, pesquisa e realização:Heloisa Guimarães heloisagui@yahoo.com.br Desconheço os autores das imagens que estão sem a devida menção. Slide 43: EUGÉNIO DE ANDRADE Slide 44: BIOGRAFIA EUGÉNIO DE ANDRADE Pseudônimo de José Fontinhas Rato. Poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada. “Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.” Slide 45: Madrigal Tu já tinhas um nome, e eu não sei se eras fonte ou brisa ou mar ou flor. Nos meus versos chamar-te-ei amor... Slide 46: FRENTE A FRENTE Nada podeis contra o amor,Contra a cor da folhagem, contra a carícia da espuma,contra a luz, nada podeis. Podeis dar-nos a morte,a mais vil, isso podeis- e é tão pouco! Slide 47: As palavras São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras? Slide 48: DEVIAS ESTAR AQUI Devias estar aqui rente aos meus lábiospara dividir contigo esta amargurados meus dias partidos um a um - Eu vi a terra limpa no teu rosto,Só no teu rosto e nunca em mais nenhum... Slide 49: A arrancar a raizao mais diminuto dos rios. A inundar-te de facas,de saliva esperma lume. Estou a rodear de agulhasa boca mais vulnerável. A marcar sobre os teus flancositinerários da espuma. Assim é o amor: mortal e navegável... O AMOR Estou a amar-te como o friocorta os lábios. Slide 50: É urgente o amor.É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras,ódio, solidão e crueldade,alguns lamentos,muitas espadas. É urgente inventar alegria,multiplicar os beijos, as searas,é urgente descobrir rosas e riose manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luzimpura, até doer.É urgente o amor, é urgentePermanecer. URGÊNCIA Slide 51: Respiro o teu corpo: sabe a lua-de-águaao amanhecer, sabe a cal molhada, sabe a luz mordida,sabe a brisa nua, ao sangue dos rios,sabe a rosa louca,ao cair da noite sabe a pedra amarga,sabe à minha boca... Slide 52: Sem Ti E de súbito desaba o silêncio.É um silêncio sem ti,sem álamos,sem luas. Só nas minhas mãosouço a música das tuas... Slide 53: Que música escutas tão atentamente? Que música escutas tão atentamenteque não dás por mim?Que bosque, ou rio, ou mar?Ou é dentro de tique tudo canta ainda?Queria falar contigo,dizer-te apenas que estou aqui,mas tenho medo,medo que toda a música cessee tu não possas mais olhar as rosas. Medo de quebrar o fiocom que teces os dias sem memória.Com que palavras ou beijos ou lágrimasse acordam os mortos sem os ferir,sem os trazer a esta espuma negraonde corpos e corpos se repetem,parcimoniosamente, no meio de sombras? Deixa-te estar assim,ó cheia de doçura,sentada, olhando as rosas,e tão alheiaque nem dás por mim... Slide 54: Sobre Flancos e Barcos Havia ainda outro jardim o da minha vida exíguo é certo mas o do meu olhar são talvez dois pássaros que se amam um sobre o outro ou dois cães de pé é sempre a mesma inquietação este delírio branco ou o rumor da chuva sobre flancos e barcos o inverno vai chegar sobre a palha ainda quente a mão uma doçura de abelha muito jovem era o sopro distante das manhãs sobre o mar e eu disse sentindo os seus passos nos pátios do coração é o silêncio é por fim o silêncio vai desabar... Slide 55: ADEUS Já gastamos as palavras pela rua, meu amor,e o que nos ficou não chegapara afastar o frio de quatro paredes.Gastamos tudo menos o silêncio.Gastamos os olhos com o sal das lágrimas,gastamos as mãos à força de as apertarmos,gastamos o relógio e as pedras das esquinasem esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;era como se todas as coisas fossem minhas:quanto mais te dava mais tinha para te dar. Continua > Slide 56: Mas isso era no tempo dos segredos,era no tempo em que o teu corpo era um aquário,era no tempo em que os meus olhoseram realmente peixes verdes.Hoje são apenas os meus olhos.É pouco, mas é verdade,uns olhos como todos os outros. Já gastamos as palavras.Quando agora digo: meu amorjá se não passa absolutamente nada.E no entanto, antes das palavras gastas,tenho a certezaque todas as coisas estremeciamsó de murmurar o teu nomeno silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar.Dentro de tinão há nada que me peça água.O passado é inútil como um trapo.E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus... Slide 57: Quase Nada O amoré uma ave a tremernas mãos de uma criança.Serve-se de palavraspor ignorarque as manhãs mais limpasnão têm voz... Minha singela homenagem ao meu amado poeta de Portugal Pinturas: João Barcelos By Eliane/2007 Slide 59: Não tenho tempo para mais nada... Ser feliz me consome muito. Slide 60: Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania: depende de quando e como você me vê passar. Slide 61: Eu acreditava em anjos. E, porque acreditava, eles existiam. Slide 62: Perder-se também é caminho. Slide 63: Já que se há de escrever, que, pelo menos, não se esmaguem -com palavras- as entrelinhas. Slide 64: Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Slide 65: Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento. Slide 66: Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra “amor”. Slide 67: Há a vida que é para ser intensamente vivida. Há o amor, que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. Slide 68: Sempre conserve uma aspa à sua esquerda e outra à sua direita. Slide 69: Que medo alegre o de te esperar! Slide 70: Tenho medo de dizer quem sou: no momento em que tento falar, não exprimo o que sinto e o que sinto se transforma, lentamente, no que eu digo. Slide 71: Quando se ama, não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós. Slide 72: Eu nem entendo mais aquilo que entendo. Pois, estou infinitamente maior do que eu mesma... então, não me alcanço. Slide 73: Ouve-me. Ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e, sim, outra coisa. Capta a “outra coisa” porque eu mesma não posso. Slide 74: Você pode, até, me empurrar de um penhasco... E daí? Eu adoro voar! Slide 75: E ninguém é eu. E ninguém é você. Esta é a solidão. Slide 76: Minha alma tem o imaterial peso da solidão no meio de outros. Slide 77: O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. Slide 78: Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito... Eu só vivo nos extremos... Slide 79: SAPATOS SUJOS ... Texto de MIA COUTO, escritor moçambicano Gravuras de NEVES E SOUSA, pintor angolano Slide 80: O escritor moçambicano Mia Couto, também licenciado em Medicina e Biologia, fez uma oração de sapiência, no dia 7 de Março, na abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. Excertos desta oração foram publicados no “Courrier Internacional” de 2 de Abril. Destacamos... “Os Sete Sapatos Sujos”: Slide 81: Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei “Sete Sapatos Sujos” que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico: Slide 82: Primeiro Sapato A ideia de que os culpados são sempre os outros. Slide 83: Segundo Sapato A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho. Slide 84: Terceiro Sapato O preconceito de que quem critica é um inimigo. Slide 85: Quarto Sapato A ideia de que mudar as palavras muda a realidade. Slide 86: Quinto Sapato A vergonha de ser pobre e o culto das aparências. Slide 87: Sexto Sapato A passividade perante a injustiça . Slide 88: Sétimo Sapato A ideia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros. Slide 90: LUXURY LIBRARIES IN EUROPE MUSIC: IL SILENZIO TRUMPET NINO ROSSO Slide 91: Bibliothèque du Monastère de Wiblingen, Allemagne. ©Ahmet Ertug Slide 92: Biblioteca Angelica, Rome, Italie. ©Ahmet Ertug Slide 93: Biblioteca Di bella Arti, Milan, Italie. ©Ahmet Ertug Slide 94: Bibliothèque Sainte-Geneviève, Paris, France. ©Ahmet Ertug Slide 95: Bibliothèque nationale de France, site Richelieu, salle Labrouste, Paris, France, 2008. Slide 96: Bibliothèque nationale de France, site Richelieu, salle Ovale, Paris, France, 2008. Slide 97: Annexe de la Bibliothèque du Sénat, Paris, France. ©Ahmet Ertug Slide 98: The Picton Reading Room, Liverpool Public Library, Angleterre. ©Ahmet Ertug Slide 99: Bibliothèque de l’Abbaye de Saint-Florian, Autriche. ©Ahmet Ertug Slide 100: Bibliothèque de l’Abbaye de Saint-Gallen, Suisse. ©Ahmet Ertug Slide 101: Bibliothèque nationale de Tchécoslovaquie, Prague, Tchécoslovaquie. ©Ahmet Ertug Slide 102: Bibliothèque du Trinity College de Dublin, Irlande. ©Ahmet Ertug Slide 103: Bibliothèque bénédictine de l’Abbaye de Metten, Allemagne. ©Ahmet Ertug Slide 104: Bibliothèque de l’Abbaye de Waldassen, Bavière, Allemagne. ©Ahmet Ertug Slide 105: Now go to your library and enjoy reading a good book. PRESENTATION BY DAN CALISTRAT