DIA INTERNACIONAL DA BE -2010

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Os Livros : 

É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir. José Gomes Ferreira (Porto-Portugal 1900-1985 Porto-Portugal), em “As aventuras de João sem medo” Os Livros

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Sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem. Clarissa Pinkola Estés (Indiana-Estados Unidos, n. 1943)

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Livros, de Van Gogh (Zundert-Holanda 1853-1890 Auvers-sur-Oise-França) A leitura engrandece a alma. Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet (Paris-França 1694- 1778 Paris-França)

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O livro-árvore, de Salvador Dali (Catalunha-Espanha 1904-1989 Catalunha-Espanha) Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro. Henry David Thoreau (Concord-Estados Unidos 1817-1862 Concord-Estados Unidos)

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Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro. Groucho Marx, pseudônimo de Julius Henry Marx (Nova Iorque-Estados Unidos 1890– 1977 Los Angeles-Estados Unidos)

Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousamno livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam voocomo de um alçapão.Eles não têm pousonem porto,alimentam-se um instante em cada par de mãose partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberesque o alimento deles já estava em ti...Mário Quintana(Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) : 

Os poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousamno livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam voocomo de um alçapão.Eles não têm pousonem porto,alimentam-se um instante em cada par de mãose partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberesque o alimento deles já estava em ti...Mário Quintana(Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS) Moça lendo com o cão, de Charles Burton Barber (Londres-Inglaterra 1845-1894 Londres-Inglaterra), em 1879

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O Livro Desconhecido Estou à procura de um livro para ler. É um livro muito especial. Eu imagino-o como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim: eu está-lo-ia lendo e, de súbito, uma frase lida com lágrimas nos olhos, diria em êxtase de dor e de enfim libertação: mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus! Clarice Lispector (Tchechelnik-Ucrânia 1920-1977 Rio de Janeiro-RJ)

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Pintura de Irene Sheri (Belgorod-Dnestrovsky-Ucrânia, n. 1968) Devemos ler para oferecer à nossa alma a oportunidade de luxúria. Henry Miller (Nova Iorque-Estados Unidos 1891-1980 Los Angeles-Estados Unidos)

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Pintura de Karin Jurick (Califórnia-Estados Unidos) O livro é uma das possibilidades de felicidade de que dispomos. Jorge Luis Borges (Buenos Aires-Argentina 1899-1986 Genebra-Suíça)

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Pintura de Vittorio Matteo Corcos (Livorno-Itália 1859-1933 Florença-Itália), em 1896 É o que você lê quando não tem que fazê-lo que determinará o que você será quando não puder evitar. Oscar Wilde (Dublin-Irlanda 1854-1900 Paris-França)

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Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias... Bernardo Soares, um dos heterónimos de Fernando Pessoa (Lisboa-Portugal 1888-1935 Lisboa-Portugal), no “Livro do Desassossego”

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A leitora, de Pierre-August Renoir (Limoges-França 1841-1919 Cagnes-sur-Mer-França), em 1875 O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. Pe. António Vieira (Lisboa-Portugal 1608-1697 Salvador-BA)

Cena do filme L’Etoile de Mer, filme mudo surrealista francês, de 1928, de Man Ray : 

Cena do filme L’Etoile de Mer, filme mudo surrealista francês, de 1928, de Man Ray Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena - e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou, pelo menos, instantes da vida desse povo. Monteiro Lobato (Taubaté-SP 1882-1948 São Paulo-SP)

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Pintura de Isabel Guerra (Madri-Espanha, n. 1947) Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma. Fernando Pessoa (Lisboa-Portugal 1888-1935 Lisboa-Portugal)

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Frederick the Literate, de Charles Wysocki (Detroit-Estados Unidos 1928-2002 Los Angeles-Estados Unidos), em 1992 O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar. Eugène Delacroix (Saint-Maurice-França 1798-1863 Paris-França)

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É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido. José Saramago (Azinhaga-Portugal, n. 1922) Fotografia de Mário Pires

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Ilustração de David Christiana (Arizona-Estados Unidos), em “O cão que comeu o livro” Às vezes um texto muito interessante passa despercebido porque não sabemos ler. Saber ler não é simplesmente ser alfabetizado. Saber ler é poder, junto, pensar com o autor, compreendê-lo e criticá-lo. Leila Maria Barbosa e Wilma Mangabeira, em “A incrível história dos homens e suas relações”

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Que progresso estamos a fazer! Na idade média ter-me-iam queimado. Agora estão contentes em queimar meus livros. Sigmund Freud (Pribor-República Checa 1856-1939 Londres-Inglaterra)

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A leitora, de Jean Honoré Fragonard (Grasse-França 1732-1808 Paris-França), em 1870-72 Louvai ao Senhor, livro meu irmão, com vossas letras e palavras, com vosso verso e sentido, com vossa capa e forma, com as mãos de todos que vos fizeram existir, louvai ao Senhor! Adélia Prado (Divinópolis-MG, n. 1935), em imitação do “Cântico das Criaturas”, de São Francisco de Assis

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Irmãs e livro, de Iman Maleki (Teerã-Irã, n. 1976) Refresca-te, irmã, na água da pequena tigela de cobre com pedacinhos de gelo,abre os olhos sob a água, lava-os,enxuga-te com a toalha áspera e lança um olhar num livro que amas. Começa assim um dia belo e útil. Bertolt Brecht (Augsburg-Alemanha 1898- 1956 Berlim-Alemanha), em “Conselho à atriz C. N.”, fim da década de 1920

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Um poema, de Liz Gribin (Inglaterra) Onde se queimam livros, cedo ou tarde, queimam-se homens. Heinrich Heine (Düsseldorf-Alemanha 1797-1856 Paris-França)

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Sempre imaginei o paraíso como uma grande biblioteca. Jorge Luis Borges (Buenos Aires-Argentina 1899-1986 Genebra-Suíça) O paraíso segundo Borges, de Gabriel Caprav (Buenos Aires-Argentina, n. 1983)

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Os livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores. Charles W. Elliot (Boston-Estados Unidos 1834-1926 Northeast Harbor-Estados Unidos)

Casa KikeSituada perto do Mar das Caraíbas, na Costa Rica. Foi desenhada pelo arquiteto Gianni Botsford pensando no seu pai, que era escritor, e na sua biblioteca, composta por 16 mil livros. : 

Casa KikeSituada perto do Mar das Caraíbas, na Costa Rica. Foi desenhada pelo arquiteto Gianni Botsford pensando no seu pai, que era escritor, e na sua biblioteca, composta por 16 mil livros. Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo. Marco Túlio Cícero (Arpino-Itália 106 a.C.–43 a.C. Formia-Itália )

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A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde. André Maurois, pseudônimo de Emile Salomon Wilhelm Herzog (Elbeuf-França 1885-1967 Paris-França) Pintura de Giuseppe Mariotti (Todi-Itália)

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O jardim dos livros, de Rachel Caiano (Portugal, n. 1977) Livros e solidão: eis o meu elemento. Benjamin Franklin (Boston-Estados Unidos 1706-1790 Filadélfia- Estados Unidos)

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Dupla delícia: o livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado. Mário Quintana (Alegrete-RS 1906-1994 Porto Alegre-RS)

Casa-biblioteca - do pedreiro sergipano Evando dos Santos - Biblioteca Comunitária Tobias Barreto, no Rio de Janeiro. : 

Casa-biblioteca - do pedreiro sergipano Evando dos Santos - Biblioteca Comunitária Tobias Barreto, no Rio de Janeiro. Numa boa biblioteca, você sente, de alguma forma misteriosa, que está absorvendo, através da pele, a sabedoria contida em todos aqueles livros, mesmo sem abri-los. Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens (Flórida-Estados Unidos 1835-1910 Redding-Estados Unidos)

Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro : 

Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês tem alma, a alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Carlos Ruiz Zafón (Barcelona-Espanha, n. 1964), em “A sombra do vento”

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Mulher com livro, de Pablo Picasso (Málaga-Espanha 1881-1973 Mougins-França) A leitura... esse vício impune... Valéry Larbaud (Vichy-França 1881-1957 Vichy-França) Escritório de Larbaud

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Que nunca o livro fique longe de tua mão e de teus olhos. São Jerónimo (Dalmácia-Croácia? 342?-420 Belém-Cisjordânia)

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A função do leitor/1 Quando Lucia Pelãez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos. Muito caminhou Lucia, enquanto se passavam os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antióquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas. Muito caminhou Lucia, e ao longo de seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com os seus olhos, na infância. Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela. Eduardo Galeano (Montevidéu-Uruguai, n. 1940), em "O livro dos abraços" Livro do séc. XV

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A Natividade, iluminura do “Livre d’heures à l’usage de Paris”, do século XV, obra do Maitre de Boucicaut

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Quando você relê um clássico, você não vê mais no livro do que havia antes; você vê mais em você do que havia antes. Clifton Fadiman (Nova Iorque-Estados Unidos 1904-1999 Flórida-Estados Unidos) Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come. Victor Hugo (Besançon-França 1802-1885 Paris-França)

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Pintura de Jonathan Wolstenholme (Londres-Inglaterra, n. 1950) Não há livros morais nem imorais. O que há são livros bem escritos ou mal escritos. Oscar Wilde (Dublin-Irlanda 1854-1900 Paris-França)

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O Bibliotecário, de Giuseppe Arcimboldo (Milão-Itália 1527–1593 Boémia-República Checa), em 1566 Uma boa leitura dispensa com vantagem a companhia de pessoas frívolas. Marquês de Maricá, pseudónimo de Mariano José Pereira da Fonseca (Rio de Janeiro-RJ 1773-1848 Rio de Janeiro-RJ)

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Personagem Enriqueta, do cartonista Ricardo Liniers (Buenos Aires-Argentina, n. 1973) Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Cora Coralina, pseudónimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cidade de Goiás-GO 1889-1985 Goiânia-GO)

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Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma. Franz Kafka (Praga-República Checa 1883-1924 Klosterneuburg-Áustria) Onde eu não estou, as palavras me acham. Manoel de Barros (Cuiabá-MT, n. 1916)

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Ilustração de Lorenzo Mattotti (Brescia-Itália, n. 1954) A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade das pessoas não sente esta sede. Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro-MG 1902-1987 Rio de Janeiro-RJ)

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Personagem Mafalda, do cartonista Joaquín Salvador Lavado, o Quino (Mendoza-Argentina, n. 1932) Livro bom é o que é aberto com expectativa, e fechado com deleite e aproveitamento. Amos Alcott (Connecticut-Estados Unidos 1799-1888 Massachusetts-Estados Unidos)

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Un coin de table, de Henri Fantin-Latour (Grenoble-França 1836-1904 Orne-França), em 1872. Sentados, da esquerda para a direita: Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, Léon Valade, Ernest d'Hervilly e Camille Pelletan. Em pé, Elzéar Bonnier, Émile Blémont e Jean Aicard. Musée d'Orsay, Paris. Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias. Mário Vargas Llosa(Arequipa-Peru, n. 1936)

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E há palavras e noturnas palavras gemidos Palavras que nos sobem ilegíveis à boca Palavras diamantes palavras nunca escritas Palavras impossíveis de escrever Por não termos connosco cordas de violinos Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar Mário Cesariny (Lisboa-Portugal 1923-2006 Lisboa-Portugal) Música: Stolen Kiss, Ernesto Cortázar (Tampico-México, 1897-1953) Textos: autores diversos Idealização, pesquisa e realização:Heloisa Guimarães heloisagui@yahoo.com.br Desconheço os autores das imagens que estão sem a devida menção.

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EUGÉNIO DE ANDRADE

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BIOGRAFIA EUGÉNIO DE ANDRADE Pseudônimo de José Fontinhas Rato. Poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada. “Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.”

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Madrigal Tu já tinhas um nome, e eu não sei se eras fonte ou brisa ou mar ou flor. Nos meus versos chamar-te-ei amor...

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FRENTE A FRENTE Nada podeis contra o amor,Contra a cor da folhagem, contra a carícia da espuma,contra a luz, nada podeis. Podeis dar-nos a morte,a mais vil, isso podeis- e é tão pouco!

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As palavras São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras?

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DEVIAS ESTAR AQUI Devias estar aqui rente aos meus lábiospara dividir contigo esta amargurados meus dias partidos um a um - Eu vi a terra limpa no teu rosto,Só no teu rosto e nunca em mais nenhum...

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A arrancar a raizao mais diminuto dos rios. A inundar-te de facas,de saliva esperma lume. Estou a rodear de agulhasa boca mais vulnerável. A marcar sobre os teus flancositinerários da espuma. Assim é o amor: mortal e navegável... O AMOR Estou a amar-te como o friocorta os lábios.

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É urgente o amor.É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras,ódio, solidão e crueldade,alguns lamentos,muitas espadas. É urgente inventar alegria,multiplicar os beijos, as searas,é urgente descobrir rosas e riose manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luzimpura, até doer.É urgente o amor, é urgentePermanecer. URGÊNCIA

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Respiro o teu corpo: sabe a lua-de-águaao amanhecer, sabe a cal molhada, sabe a luz mordida,sabe a brisa nua, ao sangue dos rios,sabe a rosa louca,ao cair da noite sabe a pedra amarga,sabe à minha boca...

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Sem Ti E de súbito desaba o silêncio.É um silêncio sem ti,sem álamos,sem luas. Só nas minhas mãosouço a música das tuas...

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Que música escutas tão atentamente? Que música escutas tão atentamenteque não dás por mim?Que bosque, ou rio, ou mar?Ou é dentro de tique tudo canta ainda?Queria falar contigo,dizer-te apenas que estou aqui,mas tenho medo,medo que toda a música cessee tu não possas mais olhar as rosas. Medo de quebrar o fiocom que teces os dias sem memória.Com que palavras ou beijos ou lágrimasse acordam os mortos sem os ferir,sem os trazer a esta espuma negraonde corpos e corpos se repetem,parcimoniosamente, no meio de sombras? Deixa-te estar assim,ó cheia de doçura,sentada, olhando as rosas,e tão alheiaque nem dás por mim...

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Sobre Flancos e Barcos Havia ainda outro jardim o da minha vida exíguo é certo mas o do meu olhar são talvez dois pássaros que se amam um sobre o outro ou dois cães de pé é sempre a mesma inquietação este delírio branco ou o rumor da chuva sobre flancos e barcos o inverno vai chegar sobre a palha ainda quente a mão uma doçura de abelha muito jovem era o sopro distante das manhãs sobre o mar e eu disse sentindo os seus passos nos pátios do coração é o silêncio é por fim o silêncio vai desabar...

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ADEUS Já gastamos as palavras pela rua, meu amor,e o que nos ficou não chegapara afastar o frio de quatro paredes.Gastamos tudo menos o silêncio.Gastamos os olhos com o sal das lágrimas,gastamos as mãos à força de as apertarmos,gastamos o relógio e as pedras das esquinasem esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;era como se todas as coisas fossem minhas:quanto mais te dava mais tinha para te dar. Continua >

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Mas isso era no tempo dos segredos,era no tempo em que o teu corpo era um aquário,era no tempo em que os meus olhoseram realmente peixes verdes.Hoje são apenas os meus olhos.É pouco, mas é verdade,uns olhos como todos os outros. Já gastamos as palavras.Quando agora digo: meu amorjá se não passa absolutamente nada.E no entanto, antes das palavras gastas,tenho a certezaque todas as coisas estremeciamsó de murmurar o teu nomeno silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar.Dentro de tinão há nada que me peça água.O passado é inútil como um trapo.E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus...

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Quase Nada O amoré uma ave a tremernas mãos de uma criança.Serve-se de palavraspor ignorarque as manhãs mais limpasnão têm voz... Minha singela homenagem ao meu amado poeta de Portugal Pinturas: João Barcelos By Eliane/2007

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Não tenho tempo para mais nada... Ser feliz me consome muito.

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Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania: depende de quando e como você me vê passar.

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Eu acreditava em anjos. E, porque acreditava, eles existiam.

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Perder-se também é caminho.

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Já que se há de escrever, que, pelo menos, não se esmaguem -com palavras- as entrelinhas.

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Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

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Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento.

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Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra “amor”.

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Há a vida que é para ser intensamente vivida. Há o amor, que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.

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Sempre conserve uma aspa à sua esquerda e outra à sua direita.

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Que medo alegre o de te esperar!

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Tenho medo de dizer quem sou: no momento em que tento falar, não exprimo o que sinto e o que sinto se transforma, lentamente, no que eu digo.

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Quando se ama, não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.

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Eu nem entendo mais aquilo que entendo. Pois, estou infinitamente maior do que eu mesma... então, não me alcanço.

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Ouve-me. Ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e, sim, outra coisa. Capta a “outra coisa” porque eu mesma não posso.

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Você pode, até, me empurrar de um penhasco... E daí? Eu adoro voar!

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E ninguém é eu. E ninguém é você. Esta é a solidão.

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Minha alma tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

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O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.

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Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito... Eu só vivo nos extremos...

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SAPATOS SUJOS ... Texto de MIA COUTO, escritor moçambicano Gravuras de NEVES E SOUSA, pintor angolano

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O escritor moçambicano Mia Couto, também licenciado em Medicina e Biologia, fez uma oração de sapiência, no dia 7 de Março, na abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. Excertos desta oração foram publicados no “Courrier Internacional” de 2 de Abril. Destacamos... “Os Sete Sapatos Sujos”:

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Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei “Sete Sapatos Sujos” que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:

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Primeiro Sapato A ideia de que os culpados são sempre os outros.

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Segundo Sapato A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.

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Terceiro Sapato O preconceito de que quem critica é um inimigo.

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Quarto Sapato A ideia de que mudar as palavras muda a realidade.

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Quinto Sapato A vergonha de ser pobre e o culto das aparências.

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Sexto Sapato A passividade perante a injustiça .

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Sétimo Sapato A ideia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros.

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LUXURY LIBRARIES IN EUROPE MUSIC: IL SILENZIO TRUMPET NINO ROSSO

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Bibliothèque du Monastère de Wiblingen, Allemagne. ©Ahmet Ertug

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Biblioteca Angelica, Rome, Italie. ©Ahmet Ertug

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Biblioteca Di bella Arti, Milan, Italie. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque Sainte-Geneviève, Paris, France. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque nationale de France, site Richelieu, salle Labrouste, Paris, France, 2008.

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Bibliothèque nationale de France, site Richelieu, salle Ovale, Paris, France, 2008.

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Annexe de la Bibliothèque du Sénat, Paris, France. ©Ahmet Ertug

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The Picton Reading Room, Liverpool Public Library, Angleterre. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque de l’Abbaye de Saint-Florian, Autriche. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque de l’Abbaye de Saint-Gallen, Suisse. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque nationale de Tchécoslovaquie, Prague, Tchécoslovaquie. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque du Trinity College de Dublin, Irlande. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque bénédictine de l’Abbaye de Metten, Allemagne. ©Ahmet Ertug

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Bibliothèque de l’Abbaye de Waldassen, Bavière, Allemagne. ©Ahmet Ertug

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Now go to your library and enjoy reading a good book. PRESENTATION BY DAN CALISTRAT