O Terceiro Mundo e a emergência das semiperiferias

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UM MUNDO POLICÊNTRICO - O TERCEIRO MUNDO - ESB – Professor: Joaquim Madruga

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O TERCEIRO MUNDO COMO PODEMOS CLASSIFICAR ESTES PAÍSES? O termo TERCEIRO MUNDO começou a ser utilizado associando a ideia aos países que ficavam arredados dos centros de decisão e de repartição mundial da riqueza. A expressão SUBDESENVOLVIDOS contém implicitamente a ideia de que estes países se encontram numa situação de atraso quando comparados com os países desenvolvidos. A partir de 1966 as Nações Unidas introduziram a expressão PAÍSES EM VIAS DE DESENVOLVIMENTO e actualmente PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO (PVD/PED). Atendendo ao fosso entre os países desenvolvidos do Norte e os países mais pobres do Sul é habitual utilizar-se a expressão PAÍSES DO NORTE e PAÍSES DO SUL. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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PAÍSES DO SUL Como se caracterizam? A NÍVEL ECONÓMICO: - rendimento per capita baixo; - mão-de-obra desqualificada; - exportam produtos de baixo valor acrescentado e têm forte endividamento externo. A NÍVEL SOCIAL: - taxas de analfabetismo altas; assistência médica precária; más condições de habitação; saneamento básico deficiente; - discriminação das mulheres; fome e escassez de alimentos generalizada. A NÍVEL DEMOGRÁFICO: elevado crescimento populacional; - elevada taxa de mortalidade infantil; - Reduzida esperança média de vida. A NÍVEL POLÍTICO: - instabilidade política e social; - conflitos étnicos e fronteiriços; - governos corruptos e autocráticos; - os direitos humanos não são respeitados . ESB – Professor: Joaquim Madruga

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FACTORES DO SUBDESENVOLVIMENTO FACTORES NATURAIS: O meio natural não é favorável ao desenvolvimento pois a maioria dos PEV localizam-se na região intertropical onde os longos períodos de seca são frequentes e a fragilidade dos solos contribui para o seu rápido esgotamento. As grandes catástrofes naturais como tufões, inundações ou secas são frequentes provocando muitos prejuízos, agravando ainda mais as condições de sobrevivência. FACTORES HISTÓRICOS: A colonização deixou estes países com estruturas económicas que serviam as necessidades dos colonizadores levando à falência das actividades locais (agricultura e empresas). FACTORES DEMOGRÁFICOS: O crescimento demográfico explosivo, resultado da descida das taxas de mortalidade e da manutenção de elevadas taxas de natalidade, tem contribuído para o aumento do número de pessoas subalimentadas. As carências alimentares resultam de uma prática agrícola virada para as culturas de exportação (café, cacau, soja) que degradam os solos devido à sobreexploração agrícola. FACTORES ECONÓMICOS: Estes países têm uma forte dependência económica do exterior quer do ponto de vista comercial (grande dependência da variação da procura de produtos primários e dos preços nos mercados externos), financeiro (grande dependência do investimento estrangeiro e de empréstimos para reequilibrar a economia) e tecnológico pois todo o equipamento tem que ser importado, existindo a necessidade de importar técnicos estrangeiros.

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O CICLO VICIOSO DA POBREZA: ESB – Professor: Joaquim Madruga

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O CÍRCULO VICIOSO DO SUBDESENVOLVIMENTO ESB – Professor: Joaquim Madruga

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Os reflexos da colonização A maior parte dos países de África, Ásia e América Latina que actualmente constituem o denominado Terceiro Mundo eram no século XIX colónias dos países ocidentais desenvolvidos. Após a IIª Guerra Mundial apoiados pela Carta da Nações Unidas, que defende o direito dos povos colonizados à auto-determinação e independência, dá-se o desmoronamento dos seculares impérios coloniais europeus fazendo surgir um novo mapa político em vários continentes. O período de colonização deixou várias consequências nos planos económico, social e político: * Destruição das economias tradicionais – exportação de produtos primários de baixo valor acrescentado e importação de produtos manufacturados pagos a preços elevados. * Pilhagem dos recursos naturais. * Criação de fronteiras políticas artificiais – sem ter em conta a cultura e as afinidades dos povos. * Destruição das estruturas sociais, políticas e linguísticas. * Cidades construídas de forma a servir os interesses das metrópoles. * Ritmo de crescimento demográfico acelerado devido à baixa da taxa de mortalidade. * Migrações internas e vagas de refugiados. * Dualismo económico, um moderno e lucrativo controlado pelas transnacionais, outro tradicional e pouco produtivo virado para o auto-consumo. * Desigualdades económicas e sociais profundas entre as elites do poder e uma vasta população que vive na pobreza.

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O comércio internacional é o resultado de uma divisão do trabalho que se realiza à escala mundial. A troca internacional é necessária porque os países não podem produzir o conjunto de bens e de serviços de que têm necessidade. Os países europeus têm necessidade de obter matérias-primas que não possuem, enquanto outros países desejam obter os seus produtos de alta tecnologia. Cada país pode portanto especializar-se na produção de um certo bem e realizar trocas com os países que disponham de uma outra especialização. O TERCEIRO MUNDO E O COMÉRCIO INTERNACIONAL A repartição das diferentes especializações entre todos os países do mundo constitui: DIT DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO Após a Revolução Industrial vai desenvolver-se uma Divisão Internacional do Trabalho em que o Terceiro Mundo vai exportar em geral produtos de fraco valor acrescentado, enquanto os países industrializados se especializam na produção de bens de elevado valor acrescentado. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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EM CONCLUSÃO: • Em oposição aos países industrializados os países do Terceiro Mundo detêm globalmente uma proporção muito fraca das trocas mundiais, sobretudo se atendermos à proporção territorial e demográfica. • Destaca-se a Ásia em que alguns estados alcançaram já um lugar de relevo no comércio internacional – Quatro Dragões Asiáticos – Hong Kong, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul, que representam dois terços das exportações de produtos manufacturados de todo o Terceiro Mundo. • Na América Latina destacam-se os países com maior dinamismo económico: o México e o Brasil que detêm mais de metade das trocas latino – americanas. • A África cabem-lhe apenas 2,5 % do comércio mundial. Mesmo assim cerca de 60% do comércio externo africano concentra-se em apenas 4 países: África do Sul, Nigéria, Argélia e Líbia. À excepção da África do Sul o comércio daqueles países concentra-se na exportação de petróleo e também (embora menos) na de gás natural. EM 1950, O TERCEIRO MUNDO DETINHA 30% DAS EXPORTAÇÕES MUNDIAIS A QUE SE DEVE ESTA ALTERAÇÃO PARA OS DIAS DE HOJE? Devido aos choques petrolíferos (1973 e 1979) o petróleo aumenta a sua importância no total das exportações do Terceiro Mundo (2/3). Em meados de 80 com a descida do preço do petróleo este perde a importância que detinha sendo substituído pelos produtos manufacturados dos NPI. Por outro lado verifica-se uma grande instabilidade dos preços das matérias primas o que agrava ainda mais a situação de dependência.

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A DEGRADAÇÃO DOS TERMOS DE TROCA A relação entre o valor dos bens exportados e o valor dos bens importados corresponde aos: TERMOS DE TROCA Quando o valor das exportações é superior ao das importações verifica-se uma: VALORIZAÇÃO DOS TERMOS DE TROCA Quando se verifica a situação inversa fala-se numa deterioração ou: DEGRADAÇÃO DOS TERMOS DE TROCA Factores que explicam a degradação dos termos de troca nos PVD: A estrutura das exportações – vendem barato e compram caro Aumento de oferta de produtos brutos – implica uma baixa dos preços nos mercados internacionais Diminuição da procura de matérias-primas – redução das quantidades de matéria-prima devido ao desenvolvimento da tecnologia. Substituição de matérias-primas por produtos sintéticos. Medidas restritivas dos PD aos produtos vindos dos PVD.

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A AJUDA INTERNACIONAL A Ajuda internacional assenta em parte na ideia de que o desenvolvimento é uma questão técnica e financeira (…) Assim, a ajuda resume-se a um simples fluxo que completa os magros recursos dos países pobres e lhes permite aceder a um nível de capital necessário ao investimento e ao crescimento” Emmerij , L, op . Cit. De acordo com o Banco Mundial a ajuda deve, entre outros aspectos, permitir: * Melhorar a vida de toda a população; * Melhorar o crescimento económico e obter ganhos sociais e económicos para toda a população; * Reduzir a pobreza. A Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) obedece aos seguintes critérios: • É fornecida aos países em desenvolvimento de forma bilateral ou multilateral; • Atribuída por organismos públicos; • Destinada a promover o desenvolvimento; • Assente em condições financeiras favoráveis (25% a fundo perdido). AJUDA PÚBLICA AO DESENVOLVIMENTO ESB – Professor: Joaquim Madruga

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A AJUDA INTERNACIONAL BILATERAL MULTILATERAL Quando é concedida por um Estado directamente a outro Estado sob a forma de empréstimo ou doação. Quando é concedida a um Estado através de organismos internacionais como o Banco Mundial ou o fundo monetário internacional (FMI). Quando a Ajuda é BILATERAL ela serve muitas vezes de instrumento estratégico nas mãos das grandes potências. Deste modo a Ajuda dos EUA vai principalmente para a América central e para Israel; a do Japão para os seus parceiros comerciais na Ásia; a da França e do Reino Unido para as suas ex-colónias. Quando a Ajuda é MULTILATERAL é muito menos importante apesar do trabalho das organizações ser muitas vezes exemplar. Qual a mais vantajosa para os PVD?

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HUMANITÁRIA – Destina-se a populações estrutural e permanentemente pobres DE EMERGÊNCIA – Destina-se ao auxílio de vitimas dos desastres causados por factores naturais ou humanos. Pode ser negativa pois: Pode não corresponder às reais necessidades da população. Os alimentos podem não ser de boa qualidade. Os alimentos por vezes não chegam às populações . Pode criar dependência nas populações. APD ALIMENTAR AJUDA PRIVADA É constituída por: * Investimentos directos – realizados principalmente por empresas transnacionais (ETN) que actuam segundo os seus interesses e não os dos países receptores. Os seus lucros chegam a ser superiores ao PIB dos países onde se instalam e por isso dominam política e economicamente. * Empréstimos bancários – concedidos a taxas de juro pouco favoráveis aos PVD o que leva a um agravamento da sua situação financeira e ao endividamento. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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AS ONG * Doações das Organizações Não Governamentais (ONG) - estas organizações independentes dos Estados e sem fins lucrativos constituem uma das melhores formas da ajuda, pois normalmente têm uma grande proximidade com as populações.  Nos últimos anos a ajuda privada aumentou muito sobretudo em IDE (Investimento Directo Estrangeiro) que se dirige essencialmente para as economias emergentes da Ásia. Apenas 1,5% vai para os países mais pobres.  A ajuda prestada pelas ONG é relativamente baixa em relação ao total da ajuda mas tem vindo a aumentar muito nos últimos anos.  Sendo organizações que se deslocam ao terreno têm um conhecimento muito mais profundo das necessidades das populações o que as torna muito mais eficazes na implementação de programas de assistência às populações mais carenciadas.  Equipadas com técnicos especializados nos vários ramos da assistência estas organizações estão hoje em quase todos os conflitos mundiais, não só a ajudar as populações mas também a denunciar situações de drama humano à Comunidade internacional. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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A FALÊNCIA DA AJUDA INTERNACIONAL Ao longo dos últimos anos a Ajuda tem tido alguns sucessos mas também se têm verificado uma série de insucessos cujas responsabilidades são atribuídas quer aos doadores quer aos receptores: DOADORES RECEPTORES A ajuda tem sido insuficiente : A APD tem vindo a ser ultrapassada pela ajuda privada pois a maioria dos países não cumpre com o estipulado pelas Nações Unidas não transferindo cerca de 1% do seu PIB anual. A Ajuda nem sempre é desinteressada – Os países doadores orientam a ajuda para as regiões onde têm interesses e fazem-na segundo os seus interesses. Imposição de modelos desadequados à realidade dos países receptores A ajuda não tem sido isenta – Não tem sido orientada para os que mais precisam mas sim para os que oferecem mais garantias. Tem sido mal canalizada – Não é aplicada na melhoria da qualidade de vida das populações mas em armamento ou despesas supérfluas. Apropriação pelas elites do poder – Apenas enriquecendo alguns. Desincentivo à produção interna . Agravamento das desigualdades económico-sociais – A ajuda não é repartida de forma equilibrada por toda a população ou regiões o que conduz a um acentuar das assimetrias.

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O ENDIVIDAMENTO DOS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO * O endividamento não é em si mesmo uma operação económica condenável quando as riquezas produzidas graças aos recursos emprestados são suficientes para assegurar o respectivo reembolso (quando a taxa de crescimento da economia é superior à taxa de juro dos empréstimos). * Foi esta situação que os PVD conheceram nos anos 70 (forte taxa de crescimento e fraca taxa de juro real devido à intensa inflação). * A partir do segundo choque petrolífero (1979) uma vez que o comércio internacional se começou a retrair, enquanto os países ocidentais adoptavam políticas económicas restritivas, verificam-se duas consequências negativas para os PVD: * A diminuição do seu crescimento , uma vez que as exportações baixavam. * Certos PVD que tinham obtido muito crédito (especialmente da América Latina) encontram-se depressa perante a impossibilidade de fazer face aos seus compromissos. FACTORES QUE CONCORRERAM PARA ESTA SITUAÇÃO: SUBIDA DAS TAXAS DE JURO VALORIZAÇÃO DO DÓLAR BAIXA DOS PREÇOS DOS PRODUTOS PRIMÁRIOS

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ESB – Professor: Joaquim Madruga

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A DÍVIDA EXTERNA EM PERCENTAGEM DO PIB (2004)

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O FMI e o Banco Mundial TOMARAM ALGUMAS MEDIDAS COM VISTA A COMBATER O SOBRE-ENDIVIDAMENTO ALIGEIRAMENTO DA DÍVIDA. REESCALONAMENTO DA DÍVIDA. PROGRAMAS DE AJUSTAMENTO ESTRUTURAL . ATRIBUIÇÃO DE NOVOS CRÉDITOS. O AJUSTAMENTO ESTRUTURAL: Consiste num conjunto de medidas impostas pelo FMI aos países endividados para controlar os défices comerciais e públicos e a inflação:  Privatização das empresas públicas;  Redução do investimento público;  Desvalorização da moeda;  Congelamento dos aumentos salariais;  Subida das taxas de juro. Estas medidas têm alguns efeitos negativos para a população nomeadamente:  Abaixamento do poder de compra;  Degradação dos serviços públicos;  Redução de salários da função pública;  Diminuição das importações o que origina quebras na produção industrial. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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OS SUCESSOS E INSUCESSOS DO DIÁLOGO NORTE-SUL A NOVA ORDEM ECONÓMICA INTERNACIONAL (NOEI) Em 1964 os países do Terceiro Mundo defenderam na 1ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) o estabelecimento de trocas comerciais mais justas e equitativas entre o Norte e o Sul. Esta 1ª Conferência estabeleceu os seguintes objectivos:  Favorecer a cooperação internacional de forma a criar uma relação comercial mais equitativa entre o Norte e o Sul.  Estimular a cooperação Sul – Sul.  Reestruturar o comércio internacional, atendendo às necessidades dos países do Sul. Na 2ª conferência (1968), no sentido de estimular a exportação dos países do Sul foi aprovado o SPG (Sistema de Preferências Generalizado) que prevê a redução das tarifas aduaneiras às exportações efectuadas pelos países do Sul para os países do Norte. Conscientes da importância do comércio para o seu desenvolvimento os países do Terceiro Mundo reivindicaram trocas mais justas orientados pelo princípio “ Comércio sim, ajuda não”. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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O humor da Mafalda: a contestatária

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Em 1974 por pressão dos países do Terceiro Mundo é aprovada na Assembleia Geral da ONU: UMA NOVA ORDEM ECONÓMICA INTERNACIONAL (NOEI)  Garantir uma justa remuneração dos preços das matérias primas exportadas pelos países do Sul.  Estabilizar os preços das matérias-primas, de forma a evitar os prejuízos causados pelas constantes flutuações dos preços.  Facilitar o acesso dos produtos do Terceiro Mundo aos mercados do Norte.  Reduzir o endividamento através de mecanismos de renegociação da dívida e prolongamento dos prazos de pagamento de forma a diminuir os efeitos económicos e sociais da dívida. Esta NOEI nunca chegou a ser efectivamente concretizada. Contudo, os princípios defendidos passaram a constituir os principais objectivos do trabalho desenvolvido por algumas organizações internacionais. Neste mundo, cada vez mais marcado pela globalização e interdependência económica e financeira, torna-se urgente aprofundar o diálogo Norte-Sul e procurar uma Nova Ordem Económica Internacional (NOEI), que promova verdadeiramente a integração dos países do Terceiro Mundo, em especial os mais pobres.

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A EMERGÊNCIA DAS SEMIPERIFERIAS ESB – Professor: Joaquim Madruga

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O conceito de semiperiferia em meados da década de 70 do século XX para identificar realidades económicas de países que apesar de não possuírem níveis de desenvolvimento elevados, apresentam alguns indicadores próximos das economias mais desenvolvidas. As semiperiferias são economias que se encontram numa posição intermédia entre o Centro (Países Desenvolvidos e antigas metrópoles colonizadoras) e a Periferia (Países Menos Desenvolvidos e antigas colónias). Neste contexto, surgiram os chamados Novos Países Industrializados (NPI) Economias Emergentes Ásia Oriental e Sudeste Asiático América Latina Região do Magrebe

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CARACTERÍSTICAS DAS SEMIPERIFERIAS Desempenham um papel de fornecedoras de produtos de base. Base produtiva diversificada. Tentam copiar modelos de desenvolvimento aplicados no passado pelos países desenvolvidos. Apresentam indicadores económicos e sociais intermédios entre países mais industrializados e países menos desenvolvidos: - Encontram-se mais próximos dos países do Norte no que se refere à sua situação social e à estrutura de classes; - Aproximam-se dos países do Sul no que se refere à instabilidade, associada à formação de preços. Presença de empresas transnacionais. Desenvolvimento de ETN próprias que operam noutros países em desenvolvimento. Possuem indústrias que utilizam tecnologia simples e intensiva em mão-de-obra destinadas principalmente ao mercado interno do país onde se instalam.

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Semiperiferias Economias emergentes NPI Ásia Oriental e Sudeste Asiático América Latina Região do Magrebe Argélia Líbia Marrocos Tunísia Mauritânia Nigéria México Brasil 1ª Geração “4 dragões do oriente” Coreia do Sul Taiwan Singapura Hong Kong 2ª Geração “tigres do oriente” Malásia Indonésia Tailândia Filipinas

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A expansão/prosperidade destes países decorreu: Da estratégia de industrialização adoptada; A escolha de uma estratégia de industrialização adequada depende: - dos recursos naturais e humanos disponíveis; da dimensão do mercado interno; - do contexto internacional; - da atitude do Estado face à sociedade e à economia.  Existem basicamente quatro estratégias de industrialização, que cada país segue individualmente, ou conjugando mais do que uma: industrialização baseada na agricultura especulativa; “indústrias industrializantes”; substituição das importações; promoção das exportações. Da sua posição geoeconómica/geopolítica. - por exemplo a proximidade de um país modelo como o Japão. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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1 2 3 4 ESB – Professor: Joaquim Madruga

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ESTRATÉGIAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO 1 2 Conheceu um certo sucesso nos “ Estados-continente ” (Índia e China), mas foi em geral um fracasso por razões diversas entre as quais assume relevo a insuficiente dimensão dos mercados internos, o baixo nível de qualificação da mão-de-obra e os erros de gestão. Estratégia de luta contra a concorrência das importações de produtos de grande consumo, dos países industrializados. Visa proteger as jovens indústrias nacionais, com o fim de impulsionar uma estrutura industrial diversificada reduzindo a dependência de tecnologia e capitais externos. Apesar de diminuir a dependência em bens de consumo, aumentou a dependência da importação de bens de equipamento e alta tecnologia. Por outro lado, dado o reduzido poder de compra do mercado interno, os produtos da indústria nacional não conseguiam economias de escala (*) , pelo que os preços permaneciam elevados. Os objectivos do crescimento económico dificilmente têm sido conseguidos devido: à desvalorização dos termos de troca, em particular dos produtos agrícolas; à baixa produtividade; ao baixo nível tecnológico e à mão-de-obra pouco qualificada; às taxas de crescimento populacional muito elevadas; a produções agrícolas aleatórias; aos interesses próprios das multinacionais instaladas ou que dominam o transporte para o exterior. 3

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Esta estratégia assenta num grande envolvimento do Estado na economia. Começa normalmente por desvalorizar a moeda nacional pata tornar as exportações competitivas e restringir as importações. Segue-se-lhe um conjunto de medidas de política comercial que atraia os capitais estrangeiros. Os reduzidos custos salariais facilitam a inserção na divisão internacional do trabalho. A criação de zonas francas de indústrias viradas para a exportação atrai os investidores estrangeiros. 4 ESTRATÉGIAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO No entanto, não existe um modelo uniforme que constitua uma solução única para o subdesenvolvimento. Cada país tem que optar pelas vias que mais se ajustem à sua situação, ou seja, deve adaptar-se às diferentes realidades locais. Para tal é fundamental: - saber, no devido momento, quando mudar de estratégia; - apoio numa coesão social; - intervenção estatal ponderada; - incremento da agricultura, pois uma verdadeira revolução industrial não poderá ser bem sucedida sem uma revolução agrária; - articulação entre aspirações sociais e recursos disponíveis numa perspectiva de desenvolvimento sustentável. (*) São consideradas economias de escala, as actividades produtivas cujo produto da multiplicação dos factores de produção (geralmente relacionados com o trabalho e o capital em máquinas) é superior à mesma multiplicação da produção. Como validação de uma economia de escala, verifica-se a diminuição do custo médio da produção.

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O modelo de industrialização seguido que mais sucesso obteve foi: - numa primeira fase: substituição de importações; - numa fase posterior: promoção de exportações. No entanto, este modelo não é solução única, mas deve adaptar-se às diferentes realidades locais. Para tal é fundamental: - saber, no devido momento, quando mudar de estratégia; - apoio numa coesão social; - intervenção estatal ponderada; - incremento da agricultura, pois uma verdadeira revolução industrial não poderá ser bem sucedida sem uma revolução agrária; - articulação entre aspirações sociais e recursos disponíveis numa perspectiva de desenvolvimento sustentável. O problema do desenvolvimento não é pois o de escolher uma estratégia, mas de a aplicar consistentemente e de mudar de estratégia quando a situação o exige. As oportunidades são, cada vez mais, criadas pelas condições externas, sobre as quais nenhum Estado individualmente tem poder de controlo. O contexto internacional está constantemente em mudança, criando obstáculos, mas também oportunidades. Por esta razão não é possível tirar conclusões sobre estratégias de sucesso numa década e esperar que elas sejam válidas noutras.

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No entanto os NPI não são países desenvolvidos porque, para lá dos seus êxitos económicos revelam: - desrespeito pelos direitos humanos; violação dos direitos sociais e económicos dos indivíduos; - permanência do trabalho infantil; - grande parte da população vive em situações de pobreza e exclusão social; níveis de poluição e degradação ambiental muito elevados, reflectindo a degradação da qualidade de vida da população. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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Localizam-se na Ásia Oriental e no Sudeste Asiático. O seu modelo industrial inspirou-se no modelo Japonês. NPI's de 1ª geração (4 dragões): Singapura, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul. - NPI's de 2ª geração (4 tigres): Tailândia, Malásia, Indonésia e Filipinas. Sectores industriais que começaram por explorar: têxtil, calçado, brinquedos e montagem de electrodomésticos. Factores que conduziram ao desenvolvimento destes países: 1 - o desenvolvimento dos transportes; 2 - a crescente importância do Japão na economia mundial; 3 - a mão-de-obra disponível e barata; 4 - forte aposta na exportação; 5 - grande potencial do mercado desta região devido ao elevado crescimento demográfico. Estes países e territórios apresentam em comum o facto de terem obtido um rápido crescimento económico e desenvolvimento industrial e tecnológico entre as décadas de 1970 e 1990. O termo "tigre" ou “dragão” faz alusão a “fera asiática” ou figura lendária e está relacionado com a forma agressiva e rápida de como estes países actuaram na economia.

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Factores de sucesso dos NPI da primeira geração: Condições geográficas favoráveis : (possibilidade de praticarem uma agricultura intensiva, comunicação com o exterior, tirando partido da posição marítima nas principais rotas do oceano Pacífico e da sua posição geoestratégica no prolongamento para sul do “pólo” económico japonês, entre os mercados da Ásia, das Américas e da Austrália); Características da mão-de-obra : (abundante, disciplinada e aceitando baixos salários, em particular os jovens e as mulheres, e duras condições de trabalho); 3. Ênfase na educação: (respeito pelo estudo e exames competitivos); 4. Forte enquadramento político do Estado; 5. Empenhamento nas exportações. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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No plano político (a abertura externa contrasta geralmente com as democracias internas limitadas por regimes dirigistas – autoritários – tecnocracias militares; controlo autoritário da mão-de-obra e restrições às liberdades públicas); 2. No plano social (subsistem graves problemas tais como: numerosas e gritantes desigualdades sociais; pobreza e desemprego; falta de habitação, promiscuidade, poluição; inflação elevada; minorias (elites) privilegiadas e dominantes, que satisfazem os seus gostos de luxo ocidentais, à custa das exportações produzidas pelas maiorias que possuem referências muito limitadas relativamente aos padrões de vida do Ocidente e também com um poder de compra muito baixo. Também o aumento do nível cultural e do conhecimento, principalmente das camadas mais jovens, relativamente ao nível e às condições de vida do Ocidente - reivindicações, fim da opressão e da “escravatura” – está a gerar um descontentamento que pode acabar com este “paraíso das minorias”); 3. No plano ambiental (grande nível de poluição atmosférica); 4. A nível económico (proteccionismo dos países ricos; a concorrência de outros NPI; a ameaça em crescimento acelerado da China; o aumento da procura interna gera um aumento das importações e défice na balança comercial).  Se a disciplina, a humildade e a submissão ainda persistem, deve-se às gerações mais antigas e conformadas, que desconhecem ou nem sequer admitem outros estilos de vida. Limitações e vulnerabilidade da economia dos NPI asiáticos: ESB – Professor: Joaquim Madruga

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As Semiperiferias da América Latina ESB – Professor: Joaquim Madruga

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Processo de industrialização baseado em: Direcção estatal de desenvolvimento e proteccionismo; Substituição das importações e industrialização; Clientelismo e participação. Emergência de classes médias e mobilização de massas; Reformas agrárias, integração nacional e modernização. Estratégia de industrialização adoptada: 1ª fase: Industrialização por substituição de importações através de: Inicialmente, aposta no desenvolvimento de indústrias ligeiras e, mais tarde, nas indústrias pesadas; Intervenção estatal; Recurso ao financiamento externo; - Aumento das barreiras alfandegárias às importações; - Aumento da procura nos mercados internos. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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Crise deste modelo nos anos 60 1º factor: Forma de financiamento da industrialização conduzia ao aumento da dívida externa ; 2º factor: Reduzida dimensão do mercado interno e reduzido nível de rendimento da população não permite dinamizar venda de produtos internos a preços elevados. Necessidade de mudança de estratégia 2ª fase: promoção de exportações CAUSAS: ESB – Professor: Joaquim Madruga

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Limitações ao desenvolvimento: - Fortes violações dos direitos humanos; - Fortes assimetrias na repartição do rendimento leva à pobreza e à exclusão social; - Crescimento económico desregrado, através da implantação de indústrias agro-alimentares e de técnicas agrícolas intensivas, obriga à destruição da vastas áreas florestais, o que acelera a degradação ambiental; - Forte dependência do capital estrangeiro para promover o desenvolvimento industrial e para a incorporação tecnológica; - Ciclo vicioso de dívida; - Ciclos de hiper-inflação; - Fuga de capitais; - Corrupção; - Violência urbana; - Desvalorização da moeda, - Obstáculos políticos à aplicação de reformas.

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Após a década de 90: Taxa média de crescimento de 3,5% (1997); Uma das principais regiões de destino de capital internacional; Crescimento da dívida externa inferior ao crescimento da economia geral. Sucesso futuro depende de: - Ritmo de integração regional das economias; - Capacidade de resposta a novas procuras internacionais, sob a forma de exportações. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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Forte crescimento económico desde a IIª Guerra Mundial até à década de 70 Aumento da exportação de produtos manufacturados Entrou no grupo dos NPI na década de 80

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Crise petrolífera da década de 70 Consequências: - Aumento da inflação; - Desvalorização da moeda; - Aumento das taxas de juro; - Aumento da dívida externa; - Entrada em colapso da bolsa. Declaração de insolvência * em 1982 Resultados da declaração de insolvência Aplicação de políticas de austeridade pelo governo orientadas pelo FMI. Reescalonamento da dívida externa e renegociações com países credores. Políticas de reestruturação da economia mexicana. Programa de estabilização da inflação. Abertura ao exterior. * A insolvência é um estado em que o devedor possui mais dívidas do que a quantidade de seus bens para saldá-las.

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NAFTA (North American Free Trade Agreement) – 1992 Acordo de Comércio Livre da América do Norte (EUA, Canadá e México) - Aumento da taxa de crescimento . - Aumento do investimento estrangeiro. Vantagens para a economia mexicana: Mas: - O aumento do comércio não atenuou desigualdades entre o Norte rico e o Sul pobre. Outros factores justificativos do crescimento económico mexicano Maquiladoras: Subcontratação pelas grandes empresas norte-americanas de pequenas unidades mexicanas de modo a aproveitar os reduzidos custos da mão-de-obra assim como benefícios fiscais Problema: Não foram acompanhadas da transferência de tecnologia, pelo que permanecem unidades de montagem ESB – Professor: Joaquim Madruga

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Maquiladoras - são empresas que importam peças e componentes das suas matrizes estrangeiras para que os produtos (como carros, computadores, aparelhos de som) sejam manufacturados (montados) - em geral, por trabalhadores que ganham um salário inferior ao daqueles que trabalham nas matrizes - para depois exportar o produto final para o país de origem da empresa ou para outros países em que o produto seja competitivo. Elas existem no México desde 1965, mas ganharam um impulso com a eliminação de taxas/tarifas de importação a partir do NAFTA , implantado no começo de 1994, e no final daquele ano já somavam mais de 2 mil empresas, que no início se instalaram na fronteira com os Estados Unidos, mas depois se espalharam por todo o território mexicano. No entanto, há quem veja nelas uma migração das indústrias de menor valor acrescentado, susceptíveis de aprofundar ainda mais o fosso entre os EUA e os eu vizinho do Sul. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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- Processo de crescimento tardio devido à recente democratização brasileira. - Estratégia de desenvolvimento (década de 90) orientada para: - Crescimento do Norte do território; - Intensificação das relações comerciais com os vizinhos do sul. - Diversificação da estrutura das exportações: - Produção de bens manufacturados com alguma incorporação tecnológica. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) - 1991 Uruguai, Brasil, Paraguai e Argentina Vantagens: - Aumento da cooperação financeira, agrícola e industrial; Solidificação das economias latino-americanas; - Aumento das trocas com EU; - Redução da dependência do exterior e da dívida externa; - Implementação de grandes infra-estruturas de ligação transfronteiriça. Problemas: Acusado de ser um instrumento utilizado pelo Brasil para reforçar a sua posição dominante na América do Sul; Proteccionismo europeu e norte-americano; - Acção das ETN. ESB – Professor: Joaquim Madruga

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OS PAÍSES DA REGIÃO DO MAGREBE Factores justificativos do seu crescimento  Posição geoestratégica favorável – proximidade da Europa  Forte crescimento demográfico - População jovem - Baixa taxa de actividade  Elevados encargos para o Estado (ex. educação) Elevada taxa de crescimento urbano devido ao intenso êxodo rural - Provoca problemas de habitação, equipamentos e recursos ESB – Professor: Joaquim Madruga

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- Elevado rendimento per capita

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Estratégia de industrialização  Substituição das importações através de: - Investimento no mercado interno para reduzir dependência externa - Aumento do consumo - Investimento público MAS → aumento da dívida externa  Mudança de estratégia → promoção das exportações MAS → aumento da dependência externa face à necessidade de importação → vulnerabilidade às oscilações dos mercados internacionais Aumento da dívida ⇒ obstáculo ao desenvolvimento Compensada com remessas dos emigrantes

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 Outro obstáculo ao desenvolvimento - Instabilidade política - guerras civis – Argélia - ligações terroristas – Líbia (embargo por parte da ONU) ESB – Professor: Joaquim Madruga

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FIM ESB – Professor: Joaquim Madruga