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Added: October 05, 2008 This Presentation is Public 
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Presentation Transcript

Slide 1:FALAS, IMAGENS, ESCRITOS E RISOS: MOVIMENTO ESTUDANTIL UNIVERSITÁRIO EM TERESINA (1979 – 1984) Mestranda: Ana Rosa de Sudário Orientação:Professora Doutora Amparo Ferro- UFPI Defesa: 29.08.2008


OBJETIVOS :OBJETIVOS Geral: Analisar as representações elaboradas sobre o Movimento Estudantil Universitário em Teresina em 1979 à 1984. Específicos: Identificar como o Movimento Estudantil Universitário na UFPI foi representado na imprensa local. Compreender as representações dos fatos que informaram o Movimento Estudantil Universitário no ano de 1979. Compreender as representações articulações,lutas e utopias do Movimento Estudantil Universitário em Teresina .


DELIMITAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO :DELIMITAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO ► Movimento Estudantil Universitário ► Universidade Federal do Piauí- Teresina ► 1979 à 1984


QUESTÕES DE PESQUISA :QUESTÕES DE PESQUISA Como a imprensa local representava o Movimento Estudantil Universitário em Teresina ? Sendo o ano de 1979 considerado como marco do Movimento Estudantil Universitário em Teresina, quais as representações que o informam dentro do ME local ? Quais as representações elaboradas na década de 1980 sobre as articulações, lutas e utopias do Movimento Estudantil Universitário em Teresina?


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA/ AUTORES REFERENCIAIS :FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA/ AUTORES REFERENCIAIS ► GOHN, Maria da Glória. Teoria dos Movimentos sociais – paradigmas clássicos e contemporâneos. 5 ed. São Paulo: Loyola, 2006. ► CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Tradução de Maura Manuela Galhardo. Lisboa. Rio de Janeiro: Bertrand / DIFEL, 1988. ► CERTEAU, Michel de. A cultura no plural. Tradução de Enid Abreu Dobránszky. 4 ed. São Paulo: Papirus, 2005 (Coleção Travessia do Século) ► LEVI, Giovanni. SCHMITT, Jean-Claude (Orgs.). História dos Jovens I: da antiguidade a era moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.


METODOLOGIA :METODOLOGIA ► “Este não é um trabalho sobre imagem, ou de leituras de imagens, elas foram utilizadas como ilustrações, que permitem visualizações de fatos mas, também de representações. Também não se constitui uma análise das práticas da juventude teresinense dentro do recorte temporal definido como interesse, entretanto, o Movimento Estudantil como foco, invariavelmente nos faz compreendê–lo como espaço de sociabilidades juvenis, esta perspectiva, não foi negligenciada”. ► “A partir da idéia das fontes como representação social, elas foram olhadas, lidas e cruzadas. A comparação entre espaços distintos, o ME nacional e o ME local, tentou não criar generalizações abstratas, mas indicar especificidades, tensões e novos sentidos”. Fontes: ► Jornais Estudantis e Jornais de Circulação em Teresina, panfletos, cartas programa, moções , revistas e boletins informativos.


CAPITULOS :► 1 - DA CASA À PRAIA E ÀS RUAS: REBELDES E REVOLUCIONÁRIOS. CAPITULOS “As outras faculdades eram mais moderadas, em 68 a agitação foi tão intensa em Teresina, que a Faculdade de Odontologia e a Faculdade de Medicina começaram a se integrar ao movimento, somente a Faculdade de Direito não participou. [...] faltavam muitas coisas, não tinha verba para o centro acadêmico [...] o isolamento das faculdades, a falta de um campus universitário, se os estudantes estivessem no mesmo espaço o movimento teria tido mais vigor [...] aqui era diferente do Sul, não tinha luta armada [...] era um movimento pequeno de juventude de classe média. [..] Esse foi o movimento possível diante das condições objetivas do Piauí”. (MEDEIROS, Antonio José Medeiros, 2004)


Slide 8:► 2 - O MOVIMENTO ESTUDANTIL E O ANO DE 1979: TODA A UTOPIA POSSÍVEL. “O ano de 1979 marcou fundamente a história do Brasil pelo que ocorreu de mobilização popular. Grandes greves em São Paulo,a agitação em torno da reconstrução da UNE, a luta pela anistia e o fim do AI-5, a reunião da SBPC em Fortaleza, a rebelião pela meia passagem em São Luís do Maranhão, tudo se dando sob o pano de fundo da vitória da Revolução Sandinista na Nicarágua, confirmam o clima reinante naqueles dias. A sensação que se tinha era de estar tomando a história nas próprias mãos e construindo das cinzas da ditadura um novo país. Não era pouca coisa sentir-se personagem desse histórico ano, que mais parecia a continuação de 1968, o ano que para os verdadeiros combatentes, como sugere Zuenir Ventura, ainda não tinha terminado”. [grifo nosso] (SANTOS NETO, Antonio Fonseca dos.1994)


Slide 9:“Apesar de a UNE ter sido reconstruída em 1979, o movimento estudantil, nessa época, já começava a apresentar sinais de declínio e, desde então, assistimos a uma crescente despreocupação e desarticulação dos estudantes. No entanto, quase sempre, quando pensamos em Movimento Estudantil nos vêm à cabeça as grandes manifestações do final da década 60 e inicio da década de 70, quando os estudantes lutavam contra a Ditadura Militar. Isso com a maioria das pessoas, afinal, o Movimento Estudantil das décadas de 60 e 70 acabou se tornando um mito e modelo a ser seguido. No entanto, sabemos que o novo contexto não comporta mais esse modelo de movimento, que só se caracterizou como tal num determinado momento histórico em que a situação política e econômica do pais oprimia e, ao mesmo tempo, impelia os jovens a lutarem contra as arbitrariedades do regime militar”. (BARBOSA, Andreza.2002)


Slide 10:“ Porque merecem a compreensão e benemerência dos mais experientes, mesmo quando se rebelam contra o estabelecido e os sistemas vigorantes, os jovens estudantes devem igualmente ser advertidos e orientados nesta fase singular da nova lua – de – mel dos brasileiros com a fina e sutil dama democrática. Informa-se que panfletos foram distribuídos entre os seis mil universitários piauienses, no campus da Ininga, [...] Os panfletos inserem os chamados “sete pontos básicos da U.N.E.”, nem é de boa origem esse tipo de documento reivindicador. Não acreditamos que os líderes mais esclarecidos do campus da Ininga se deixem envolver por campanhas que não dizem respeito às aspirações dos jovens universitários. Daí essa advertência para que se examine melhor a questão e se façam impor as verdadeiras lideranças do nosso mundo universitário”. ( O Estado, 1979.)


Slide 12:► 3 – GESTOS E PRÁTICAS : JUVENTUDE E MOVIMENTO ESTUDANTIL NA DÉCADA DE 1980. “A má qualidade do ensino, com denúncia de professores não preparados, bibliotecas defasadas, falta de aulas práticas, entre outras coisas, foram às manifestações verificadas numa passeata realizada ontem a tarde, no campus. [...] Os estudantes se concentraram inicialmente para protestar contra a poeira numa estrada em construção [...] Discretamente, vários agentes federais e do DOPS, se infiltraram no meio dos estudantes [...] Amotinados em frente ao bloco da reitoria, os estudantes ouviam discursos inflamados [...]” (O Dia,1980) “O reitor José Camilo da Silveira Filho, de acordo com informações de sua assessoria de imprensa, cumpriu o que havia prometido para os universitários, pois havia dito há poucos dias que, embora não reconhecendo a União Nacional dos Estudantes como entidade estudantil, mesmo porque a UNE não é reconhecida pelo Governo Federal, daria, ainda assim, toda a espécie de ajuda que fosse possível. Além do ônibus o reitor Camilo Filho liberou os estudantes das aulas e disse que somente quer um relatório do que aconteceu em São Paulo. Nesse sentido, o reitor designou um estudante somente para bater fotografias a fim de confeccionar um álbum”. (Jornal da Manhã,1980)


Slide 13:“[...] Osmar Júnior, confirmou ontem a existência de divergências políticas dentro do DCE – “o que não significa necessariamente divisionismo” – ressaltando que os dirigentes permanecem unidos na luta por melhores condições de ensino [...] a renúncia dos ex-secretários de Finanças, Victor, e de Cultura, Sales, ocorreram por outros motivos, [...] Sales renunciou [...] por causa do grande número de disciplinas que iria pagar neste segundo semestre [...] “Victor [...] está se preparando para ser transferido para a Paraíba” (O Estado,1981) “O movimento grevista encenado por alguns dias no campus da Universidade Federal do Piauí, embora tenha sido pautado de posições negativas, teve um saldo visivelmente positivo, com a vitória da unidade estudantil, que procurou, por meios pacíficos e sempre adstrita ao dialogo, buscar saldos que atendessem a reivindicação em torno da redução do preço do bandejão, que foi considerado extorsivo e distante dos degraus de uma majoração justa.[...]” (O DIA, 1982)


Em Teresina, é perdida a chance de votar para presidente da República, mas não a campanha “Diretas para Reitor”, é a nova palavra de ordem do movimento estudantil. Uma emenda aprovada em novembro de 1983 pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, definia que os Conselhos das Universidades federais, passariam a elaborar listas sêxtuplas para posterior escolha pelo Presidente da República. A UFPI, através do Conselho Universitário e do Conselho Diretor, elaboraria tal lista entre 18 de julho e 17 de agosto de 1984, prazo definido para todas as instituições. Influenciar, através de alguns nomes, na elaboração do documento, passou a ser uma campanha do ME local. :Em Teresina, é perdida a chance de votar para presidente da República, mas não a campanha “Diretas para Reitor”, é a nova palavra de ordem do movimento estudantil. Uma emenda aprovada em novembro de 1983 pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, definia que os Conselhos das Universidades federais, passariam a elaborar listas sêxtuplas para posterior escolha pelo Presidente da República. A UFPI, através do Conselho Universitário e do Conselho Diretor, elaboraria tal lista entre 18 de julho e 17 de agosto de 1984, prazo definido para todas as instituições. Influenciar, através de alguns nomes, na elaboração do documento, passou a ser uma campanha do ME local.


CONSIDERAÇÕES FINAIS :CONSIDERAÇÕES FINAIS Enquanto movimento, carregava marcas dadas, enquanto militante /estudante/ jovem, os sentidos atribuídos a juventude; assim, não é possível considerar aquele universo como singular. Chartier, faz uma proposta, “[...] um espaço de trabalho entre textos e leituras, no intuito de compreender as práticas, complexas, múltiplas, diferenciadas, que constroem o mundo como representação.” Talvez, situar o Movimento Estudantil na UFPI, como práticas culturais que não são desvinculadas de um tempo, e que se situam e são situadas por representações sociais, amenize o saudosismo exacerbado dos anos 60 e 70, e, retire dos ombros dos jovens que hoje estão no movimento estudantil, a cobrança, ou por outra, a missão impossível de serem fantasmas de um outro tempo. Concordamos que o conhecimento histórico é parte do real, e assim, seletivo, provisório, incompleto e limitado. Sua produção, declara lugares sociais, valores e escolhas, que jamais poderão exaurir um objeto ,dar-lhe o acabamento final, o juízo cabal. Impulsionando sempre para novas criações, novas invenções. O Movimento Estudantil Universitário em Teresina portanto, é um espaço aberto para investidas de pesquisa, em suas múltiplas facetas e nuances, subjetividades, contradições, conflitos e fontes em aberto.