logging in or signing up Saramago fasgoncalves Download Post to : URL : Related Presentations : Share Add to Flag Embed Email Send to Blogs and Networks Add to Channel Uploaded from authorPOINT lite Insert YouTube videos in PowerPont slides with aS Desktop Copy embed code: (To copy code, click on the text box) Embed: URL: Thumbnail: WordPress Embed Customize Embed The presentation is successfully added In Your Favorites. Views: 3065 Category: Spiritual/ Ins.. License: All Rights Reserved Like it (1) Dislike it (0) Added: July 05, 2010 This Presentation is Public Favorites: 0 Presentation Description No description available. Comments Posting comment... Premium member Presentation Transcript Slide 3: “...mas uma sombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos bem ser intraduzível, por exemplo...” Slide 6: Estamos numa aldeia chamada Azinhaga, no Alentejo português, a região sul do país onde se produzem azeitonas, cortiça e trigo. Slide 7: E nesta pequena aldeia, modestas plantações e criação de porcos é o que há para ser feito. Slide 8: Jerónimo e Josefa estão particularmente felizes hoje, 16 de novembro de 1922, pois é o dia que viu nascer o seu mais novo neto, a quem o destino conferiu o nome de José Saramago. Slide 9: Livros e letras não fazem parte da rotina deste casal de camponeses, bem como de tantos outros vizinhos. As poucas palavras faladas lhes servem aos propósitos, e o seu mundo é o quintal que em breves minutos percorremos. Slide 10: Na primavera de 1924, os pais de Saramago, Maria da Piedade e José de Sousa, abandonam o seio do campo e se mudam para Lisboa, onde ele conseguiu um novo trabalho como policial do trânsito. Slide 11: Em Lisboa, Maria da Piedade passa a cuidar dos afazeres domésticos, e se dedica aos filhos, Francisco, de quatro anos, e José Saramago, que conta com dois anos de idade. Slide 13: Uma dor que Maria da Piedade carregará pelo restante dos seus dias. Slide 15: Sua mãe o envia nas férias para Azinhaga, para o contato com o campo e com os avós maternos. Slide 16: E nas temporadas que passa na aldeia dos avós, o pequeno José sente-se feliz como um pássaro livre. Slide 17: O contato com a Natureza – a inocência, cheia de beleza e serenidade, das coisas puras. Slide 18: Os peixes que, nadando velozes, mantêm-se, por vezes, imóveis contra a força da corrente... Slide 19: Anos mais tarde, recordará Saramago algumas lembranças do avô Jerónimo:... Slide 20: “Recordo daquelas noites mornas de Verão, quando dormíamos debaixo da figueira grande, ouço-o falar da vida que teve, das histórias e lendas da sua infância distante.” Slide 21: “Adormecíamos tarde, bem enrolados nas mantas por causa do fresco da madrugada...” Slide 22: As lembranças da pequena aldeia e o tempo passado na companhia dos avós – as grandes referências morais e sentimentais na sua vida – acompanharão o pequeno José pelos anos e décadas vindouros. Slide 24: Por falta de recursos, Saramago não chega a concluir o secundário, trocando os estudos acadêmicos pelo curso de serralharia mecânica numa escola técnica de Lisboa. Slide 25: Aos dezenove anos passa a trabalhar num hospital, fazendo a manutenção do maquinário. Com o trabalho a consumir as horas do dia, cultiva a rotina de dedicar a noite à leitura. Slide 26: Todas as noites, depois de jantar, vai a pé, apesar da longa distância, até a biblioteca pública de Lisboa, onde permanece até a hora de fechar, lendo tudo o que pode. São estas leituras as suas aulas, o seu professor, o seu mestre... Slide 27: “Como gostava de, um dia, começar a escrever, afinal, ser um escritor! E ser escritor era para o jovem José uma reflexão sobre a vida e os seus absurdos...” Sobre esta fase, recordará anos mais tarde:... Slide 29: Em 1944, aos 22 anos de idade, casa-se com a pintora Ilda Reis, sendo que três anos mais tarde, em 1947, nasce a filha, que recebe o nome Violante. Neste ano também publica o seu primeiro livro, ‘Terra do Pecado’. Slide 30: José Saramago, Ilda Reis e a filha Violante, 1951 Slide 31: Pais e filhos – a convivência gera laços; no entanto, o amor, a admiração e o carinho necessitam ser construídos. Slide 32: Leva tempo, atenção e cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho. Slide 33: Leva tempo, atenção e cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho. José Saramago e Violante às margens do rio Almonda Azinhaga, 1951 Slide 34: “A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar Slide 35: “A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar José Saramago e Violante Azinhaga, 1953 Slide 37: A sua paixão pela literatura leva-o a conseguir posições de certo destaque no meio editorial, atuando como colunista, revisor, tradutor e crítico literário. Slide 38: Com aproximadamente quarenta anos de idade, seu nome começa a ser conhecido no campo da literatura e cultura em Portugal. Slide 40: Em 1970, Saramago e Ilda Reis se divorciam. E em 1975, ao deixar a função de editorialista do jornal onde trabalha, resolve dedicar-se exclusivamente à literatura. Slide 41: Em 1980, aos 58 anos de idade, Saramago publica o seu segundo romance, chamado “Levantado do Chão”. Slide 42: Desta vez, a acolhida é bem diferente; a obra é recebida com êxito, tanto pela crítica, quanto pelo público, em Portugal. Slide 43: Aos sessenta e poucos anos de idade Saramago dá início a uma tardia e improvável carreira literária. Slide 44: Separado, com a filha já adulta. Realizou o sonho de escrever e ser lido. Com um sucesso considerável em Portugal , parece um homem satisfeito com a vida que lhe fora destinada. Slide 45: “Aos 63 anos de idade, o que um homem pode ainda esperar da vida?...” afirmaria numa entrevista, “Não muito...”. Slide 46: Mas o futuro ainda lhe reserva algumas surpresas... ( fim da primeira parte desta apresentação ) Slide 47: Uma jornalista espanhola, nos seus trinta e poucos anos, passeia por uma livraria à procura de títulos interessantes. Slide 48: Ao passar por uma estante que contém alguns livros separados para serem devolvidos à editora, se depara com um título que chama sua atenção. Slide 49: Mesmo sem ter ouvido falar do autor, ela resolve comprar o livro, sem poder imaginar as consequências que tal decisão, aparentemente trivial, poderá ter. Slide 50: Coincidências da vida, dirão alguns, enquanto outros atribuirão o ocorrido ao destino, ao acaso, ao inevitável... Slide 51: O livro se chama ‘Memorial do Convento’. E a jovem jornalista que o acaba de adquirir, Pilar del Río. Slide 52: Blimunda, a protagonista de ‘Memorial do Convento’, ocupa um lugar especial dentre todos os personagens femininos criados por Saramago. Slide 54: Ela procura outros livros de Saramago, e diante da revelação e fascinação sentida após cada leitura, resolve entrar em contato com o autor. Slide 55: E eu queria dizer-lhe: completou-se o ciclo, li-o e entendi.” Slide 56: Uma bela tarde, toca o telefone na casa de Saramago. Pilar se identifica, dizendo ser uma leitora e admiradora. Conversam sobre os livros de Saramago, sobre a literatura, sobre a vida... Slide 58: Por ocasião do encontro, aproveitam para passear pela cidade de Lisboa, e falam de quase tudo. Depois, ela retorna para Sevilha. “Com uma estranha paz.” Slide 59: No dia seguinte, Saramago retribui a visita de Pilar a Lisboa, enviando-lhe uma carta, acompanhada de rosas. Slide 60: Caminhos que se entrecruzam, vidas prestes a se mudar para sempre... Slide 61: Coincidências da vida, dirão alguns. O destino, o acaso, o inevitável, afirmarão outros... Slide 62: Há quem afirme que as histórias de amor, todas elas, desde o início dos tempos, se parecem, se repetem. Slide 63: O que muda são os nomes, os detalhes, os corações... Slide 64: As idas e vindas entre Sevilha e Lisboa, onde Pilar e Saramago residem, respectivamente, passam a se tornar cada vez mais frequentes. Slide 65: Os 28 anos de vida que separam Pilar, com 34 anos, e Saramago, 63, se tornam um mero detalhe diante do amor que sentem. Slide 66: Em outubro de 1988 celebram o casamento. Slide 67: Ao lado de Pilar, Saramago inicia o que chama de sua ‘segunda vida’. Slide 68: Saramago observa que aos 63 anos, “quando já não se espera nada”, encontrou “o que faltava para passar a ter tudo” – Pilar. Slide 69: Ela, espanhola: sonhadora, lutadora, vive a batalha de mudar o mundo; Ele, português: melancólico, sereno... Slide 70: Uma combinação perfeita. Slide 72: “A Pilar, os dias todos” “A Pilar, até ao último instante...” “A Pilar, minha casa” Slide 74: É a primeira leitora dos textos de Saramago, e a tradutora das obras do marido para o espanhol. Slide 76: Em 1992, a Secretaria de Cultura de Portugal veta a inscrição do livro na disputa do Prêmio Literário Europeu, por considerá-lo “ofensivo para o catolicismo do povo português.” Slide 77: Em reação a tal veto, que considera censório, Saramago se muda de Portugal, passando a fixar residência na ilha de Lanzarote, Ilhas Canárias. Slide 79: Escrito em 1995, próximo à virada do milênio, o romance aborda uma epidemia de cegueira repentina que acomete a inteira população de uma cidade. Slide 80: A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, onde, frequentemente, os limites entre civilização e barbárie são rompidos. Slide 81: A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, ... A cegueira descrita no livro é uma “cegueira branca”, pastosa, como se alguém tivesse mergulhado de olhos abertos num “mar de leite”. Slide 82: “Trevas brancas” a anuviar o olhar daqueles que, tendo olhos, não conseguem (ou se recusam a) enxergar. Slide 83: Uma cegueira por vezes associada ao avanço irrefreado do consumismo e do materialismo, que faz com que os homens percam a consciência de si, se deformem, se massifiquem e se barbarizem. Slide 84: Uma cegueira que promove a ruptura com a nossa própria essência – a compaixão, o cuidado, a solidariedade... Slide 85: “Penso que estamos cegos, Slide 86: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. (epígrafe do livro “Ensaio sobre a Cegueira”) Slide 87: “Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Slide 88: 1995 – Saramago recebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura da língua portuguesa. Slide 89: 1998 – Recebe o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem. Slide 90: 1998 – Recebe o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem. Slide 92: Ao receber o prêmio, Saramago inicia seu discurso com uma homenagem ao avô, o camponês Jerónimo Melrinho, o que também pode ser visto como uma crítica à pompa das instituições literárias:... Slide 93: “O homem mais sábio que conheci em toda minha vida não sabia ler nem escrever...” Slide 94: E passa a discorrer sobre memórias de sua infância, suas fontes de inspiração e formação, e sobre alguns de seus principais livros e personagens. Slide 95: Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. Slide 96: Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. Slide 97: Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. Slide 99: “Acho que na sociedade actual nos falta filosofia...” Slide 100: “Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma.” Slide 101: “Falamos muito ao longo destes últimos anos dos direitos humanos; simplesmente deixamos de falar de uma coisa muito simples,...” Slide 102: “...que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro,...” Slide 103: “...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.” Slide 104: “...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.” Slide 105: “...que consiste em estar no mundo e não ver o mundo ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.” Slide 108: E fazendo uso do espaço, da atenção e notoriedade conferidos pelo prêmio Nobel, Saramago denuncia as injustiças sociais, e defende com coração e alma as causas que abraça:... Slide 109: Os cuidados com a infância; A educação de qualidade; Os direitos dos povos nativos da América Latina; O combate à violência doméstica; A luta pelo fim dos maus-tratos contra animais; A questão dos refugiados; O sofrimento do povo palestino; dentre tantas outras. Slide 110: Aos oitenta anos de idade, guarda o vigor juvenil de se revoltar contra toda injustiça, e não permite que se morra nele o desejo de mudar o mundo. O engajamento sempre em prol do humanismo. Slide 112: Em 2007, aos 85 anos, Saramago é agraciado com o prêmio “Amigo das Crianças”, concedido pela fundação ‘Save the Children’. Slide 113: Segundo a fundação, o prêmio é um reconhecimento ao grande empenho na procura de “um mundo melhor em que todas as crianças tenham esperança e oportunidades”,... Slide 114: ...salientando, ainda, o “compromisso ativo pela paz” e o “apoio continuado às campanhas e projectos relacionados com a infância e com os mais desfavorecidos”. Slide 115: Dentre os livros de Saramago encontra-se um dedicado ao público infantil – “A Maior Flor do Mundo”. Slide 116: Foto tirada em novembro de 2005. Slide 117: Pilar é uma companhia constante nos intermináveis compromissos e viagens. Slide 118: Igualmente defensora de inúmeras causas humanitárias, atua como confidente, conselheira, tradutora e é quem organiza a agenda do marido. Slide 119: Estão sempre juntos – em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo – e de mãos dadas. Slide 120: Estão sempre juntos – em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo – e de mãos dadas. Um amor e uma admiração singulares – a aura envolvente que raros casais emitem... Slide 121: “Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago Slide 122: “Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago Em meio às constantes viagens, é na residência em Lanzarote, com vista para o mar, que Saramago recompõe as energias e se restabelece. Slide 123: E mesmo com a agenda corrida, ele reserva tempo para escrever ao menos duas páginas diárias – que totalizará um livro ao fim de um ano, conforme observa. Slide 125: Jorge Amado, Chico Buarque, Leonardo Boff, Sebastião Salgado, Lygia Fagundes Telles Paulo Freire, Betinho, Frei Betto, entre tantos outros. Slide 127: Certa vez, diante da cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:... Slide 128: Certa vez, diante da cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:... “Esta gente quer me matar de amor!” Slide 130: Frequentemente aceita convites para visitar escolas, proferir palestras e participar de debates. Slide 132: Saramago, rodeado pela família – foto tirada em 1993, na varanda da casa de Lanzarote. Slide 133: A filha, Violante, e o genro, Danilo; os netos, Ana e Tiago. Pilar e Juan Jose – filho do primeiro casamento, (que segura o cãozinho Camões). Slide 135: Certa vez, declara gostar da seção de quadrinhos dos jornais. “Confesso que gosto muito do Calvin e do Hobbes, do Snoopy, do Garfield,...” Slide 140: “O homem é o único animal capaz de chorar. É diante do mar que o riso e a lágrima assumem uma importância absoluta.” E de sorrir. Slide 141: “Dir-se-á que mais profundamente a assumiriam diante do universo, mas esse, digo eu, está demasiado longe, fora do alcance duma compreensão comum.” Slide 144: Tão logo se recupera, conclui o livro “A Viagem do Elefante”,... Slide 145: ...e faz questão de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra. Slide 146: ...e faz questão de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra. A escolha do Brasil para o lançamento mundial é um presente ao carinho e amizade dos brasileiros. Slide 148: A notória lucidez e a acuidade da sua reflexão filosófica permanecem inabaláveis, contrastando cada dia mais com a saúde física debilitada. Slide 149: “A vida é como uma vela que vai ardendo, quando chega ao fim lança uma chama mais forte antes de se extinguir.” Slide 150: “Creio que estou no período da última chama...”, afirma Saramago diante das crescentes limitações impostas pela saúde frágil . Slide 151: Janeiro de 2010 – Haiti é sacudido por um forte tremor, que deixa milhares de mortos, feridos e desabrigados. Slide 153: Apesar da distância, desde a ilha de Lanzarote, encontra um meio de contribuir, e de lançar o seu incansável apelo para a humanidade. Slide 154: Ele convence sua editora a publicar uma edição especial do livro “Jangada de Pedra”, que terá a renda revertida integralmente em prol do povo haitiano. Slide 155: Mais que um gesto de ajuda, um sopro de alento, nestes dias de fria indiferença, nestes tempos tão desprovidos de compaixão social e caridade. Slide 156: – Uma ‘Jangada de Pedra’ a caminho do Haiti – Slide 157: Abril de 2010, a saúde física de Saramago a tal ponto está debilitada que o seu médico lhe impõe repouso absoluto. Slide 158: O repouso absoluto, observa o médico, abrange também a escrita, ou seja, Saramago deverá parar de escrever. Slide 159: Diante da renúncia derradeira à escrita que acaba de ser imposta ao esposo, Pilar sente que a recuperação será um milagre. Slide 160: “...enganadora é sim a luz do dia, faz da vida uma sobra apenas recortada, Slide 161: “...talvez para nosso sossego e descanso, paz à alma dos vivos.” Slide 162: Mês de maio, 2010 Slide 163: Durante as últimas semanas, Saramago quase não fala, mas ri, e segue rindo. Slide 164: Embora participe dos jantares e cafés da manhã que Pilar carinhosamente lhe prepara,... Slide 165: ...parece nutrir outras fomes e outras necessidades, anseios que a este mundo já não mais pertencem. Slide 166: Ele está aqui e não está, mas sorri. Slide 167: Ele está aqui e não está, mas sorri. “...o espírito não vai a lado nenhum sem as pernas do corpo, Slide 168: No dia 18 de junho, depois de uma noite serena e tranquila, Saramago falece na sua residência em Lanzarote, acompanhado de Pilar e de sua família, “despedindo-se de forma serena e plácida.” Slide 170: estes ganharam uma voz a defendê-los e quem se importe com eles... Slide 172: Segundo o amigo e teólogo Leonardo Boff, Saramago cultivava “a espiritualidade como sentimento do mistério do mundo,, da profundidade humana e do amor aos oprimidos.” Slide 173: Leonardo Boff descreve a tarde que ele e a esposa, Márcia, passaram na companhia de Saramago e Pilar como “um festim de espiritualidade”. Slide 179: Formatação: um_peregrino@hotmail.com Tema musical: Primeira Parte: ‘Illumination’, White Stones Segunda Parte: ‘Moment musical n.3’, Schubert Slide 180: Obrigado, Saramago. You do not have the permission to view this presentation. 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Slide 7: E nesta pequena aldeia, modestas plantações e criação de porcos é o que há para ser feito. Slide 8: Jerónimo e Josefa estão particularmente felizes hoje, 16 de novembro de 1922, pois é o dia que viu nascer o seu mais novo neto, a quem o destino conferiu o nome de José Saramago. Slide 9: Livros e letras não fazem parte da rotina deste casal de camponeses, bem como de tantos outros vizinhos. As poucas palavras faladas lhes servem aos propósitos, e o seu mundo é o quintal que em breves minutos percorremos. Slide 10: Na primavera de 1924, os pais de Saramago, Maria da Piedade e José de Sousa, abandonam o seio do campo e se mudam para Lisboa, onde ele conseguiu um novo trabalho como policial do trânsito. Slide 11: Em Lisboa, Maria da Piedade passa a cuidar dos afazeres domésticos, e se dedica aos filhos, Francisco, de quatro anos, e José Saramago, que conta com dois anos de idade. Slide 13: Uma dor que Maria da Piedade carregará pelo restante dos seus dias. Slide 15: Sua mãe o envia nas férias para Azinhaga, para o contato com o campo e com os avós maternos. Slide 16: E nas temporadas que passa na aldeia dos avós, o pequeno José sente-se feliz como um pássaro livre. Slide 17: O contato com a Natureza – a inocência, cheia de beleza e serenidade, das coisas puras. Slide 18: Os peixes que, nadando velozes, mantêm-se, por vezes, imóveis contra a força da corrente... Slide 19: Anos mais tarde, recordará Saramago algumas lembranças do avô Jerónimo:... Slide 20: “Recordo daquelas noites mornas de Verão, quando dormíamos debaixo da figueira grande, ouço-o falar da vida que teve, das histórias e lendas da sua infância distante.” Slide 21: “Adormecíamos tarde, bem enrolados nas mantas por causa do fresco da madrugada...” Slide 22: As lembranças da pequena aldeia e o tempo passado na companhia dos avós – as grandes referências morais e sentimentais na sua vida – acompanharão o pequeno José pelos anos e décadas vindouros. Slide 24: Por falta de recursos, Saramago não chega a concluir o secundário, trocando os estudos acadêmicos pelo curso de serralharia mecânica numa escola técnica de Lisboa. Slide 25: Aos dezenove anos passa a trabalhar num hospital, fazendo a manutenção do maquinário. Com o trabalho a consumir as horas do dia, cultiva a rotina de dedicar a noite à leitura. Slide 26: Todas as noites, depois de jantar, vai a pé, apesar da longa distância, até a biblioteca pública de Lisboa, onde permanece até a hora de fechar, lendo tudo o que pode. São estas leituras as suas aulas, o seu professor, o seu mestre... Slide 27: “Como gostava de, um dia, começar a escrever, afinal, ser um escritor! E ser escritor era para o jovem José uma reflexão sobre a vida e os seus absurdos...” Sobre esta fase, recordará anos mais tarde:... Slide 29: Em 1944, aos 22 anos de idade, casa-se com a pintora Ilda Reis, sendo que três anos mais tarde, em 1947, nasce a filha, que recebe o nome Violante. Neste ano também publica o seu primeiro livro, ‘Terra do Pecado’. Slide 30: José Saramago, Ilda Reis e a filha Violante, 1951 Slide 31: Pais e filhos – a convivência gera laços; no entanto, o amor, a admiração e o carinho necessitam ser construídos. Slide 32: Leva tempo, atenção e cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho. Slide 33: Leva tempo, atenção e cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho. José Saramago e Violante às margens do rio Almonda Azinhaga, 1951 Slide 34: “A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar Slide 35: “A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar José Saramago e Violante Azinhaga, 1953 Slide 37: A sua paixão pela literatura leva-o a conseguir posições de certo destaque no meio editorial, atuando como colunista, revisor, tradutor e crítico literário. Slide 38: Com aproximadamente quarenta anos de idade, seu nome começa a ser conhecido no campo da literatura e cultura em Portugal. Slide 40: Em 1970, Saramago e Ilda Reis se divorciam. E em 1975, ao deixar a função de editorialista do jornal onde trabalha, resolve dedicar-se exclusivamente à literatura. Slide 41: Em 1980, aos 58 anos de idade, Saramago publica o seu segundo romance, chamado “Levantado do Chão”. Slide 42: Desta vez, a acolhida é bem diferente; a obra é recebida com êxito, tanto pela crítica, quanto pelo público, em Portugal. Slide 43: Aos sessenta e poucos anos de idade Saramago dá início a uma tardia e improvável carreira literária. Slide 44: Separado, com a filha já adulta. Realizou o sonho de escrever e ser lido. Com um sucesso considerável em Portugal , parece um homem satisfeito com a vida que lhe fora destinada. Slide 45: “Aos 63 anos de idade, o que um homem pode ainda esperar da vida?...” afirmaria numa entrevista, “Não muito...”. Slide 46: Mas o futuro ainda lhe reserva algumas surpresas... ( fim da primeira parte desta apresentação ) Slide 47: Uma jornalista espanhola, nos seus trinta e poucos anos, passeia por uma livraria à procura de títulos interessantes. Slide 48: Ao passar por uma estante que contém alguns livros separados para serem devolvidos à editora, se depara com um título que chama sua atenção. Slide 49: Mesmo sem ter ouvido falar do autor, ela resolve comprar o livro, sem poder imaginar as consequências que tal decisão, aparentemente trivial, poderá ter. Slide 50: Coincidências da vida, dirão alguns, enquanto outros atribuirão o ocorrido ao destino, ao acaso, ao inevitável... Slide 51: O livro se chama ‘Memorial do Convento’. E a jovem jornalista que o acaba de adquirir, Pilar del Río. Slide 52: Blimunda, a protagonista de ‘Memorial do Convento’, ocupa um lugar especial dentre todos os personagens femininos criados por Saramago. Slide 54: Ela procura outros livros de Saramago, e diante da revelação e fascinação sentida após cada leitura, resolve entrar em contato com o autor. Slide 55: E eu queria dizer-lhe: completou-se o ciclo, li-o e entendi.” Slide 56: Uma bela tarde, toca o telefone na casa de Saramago. Pilar se identifica, dizendo ser uma leitora e admiradora. Conversam sobre os livros de Saramago, sobre a literatura, sobre a vida... Slide 58: Por ocasião do encontro, aproveitam para passear pela cidade de Lisboa, e falam de quase tudo. Depois, ela retorna para Sevilha. “Com uma estranha paz.” Slide 59: No dia seguinte, Saramago retribui a visita de Pilar a Lisboa, enviando-lhe uma carta, acompanhada de rosas. Slide 60: Caminhos que se entrecruzam, vidas prestes a se mudar para sempre... Slide 61: Coincidências da vida, dirão alguns. O destino, o acaso, o inevitável, afirmarão outros... Slide 62: Há quem afirme que as histórias de amor, todas elas, desde o início dos tempos, se parecem, se repetem. Slide 63: O que muda são os nomes, os detalhes, os corações... Slide 64: As idas e vindas entre Sevilha e Lisboa, onde Pilar e Saramago residem, respectivamente, passam a se tornar cada vez mais frequentes. Slide 65: Os 28 anos de vida que separam Pilar, com 34 anos, e Saramago, 63, se tornam um mero detalhe diante do amor que sentem. Slide 66: Em outubro de 1988 celebram o casamento. Slide 67: Ao lado de Pilar, Saramago inicia o que chama de sua ‘segunda vida’. Slide 68: Saramago observa que aos 63 anos, “quando já não se espera nada”, encontrou “o que faltava para passar a ter tudo” – Pilar. Slide 69: Ela, espanhola: sonhadora, lutadora, vive a batalha de mudar o mundo; Ele, português: melancólico, sereno... Slide 70: Uma combinação perfeita. Slide 72: “A Pilar, os dias todos” “A Pilar, até ao último instante...” “A Pilar, minha casa” Slide 74: É a primeira leitora dos textos de Saramago, e a tradutora das obras do marido para o espanhol. Slide 76: Em 1992, a Secretaria de Cultura de Portugal veta a inscrição do livro na disputa do Prêmio Literário Europeu, por considerá-lo “ofensivo para o catolicismo do povo português.” Slide 77: Em reação a tal veto, que considera censório, Saramago se muda de Portugal, passando a fixar residência na ilha de Lanzarote, Ilhas Canárias. Slide 79: Escrito em 1995, próximo à virada do milênio, o romance aborda uma epidemia de cegueira repentina que acomete a inteira população de uma cidade. Slide 80: A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, onde, frequentemente, os limites entre civilização e barbárie são rompidos. Slide 81: A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, ... A cegueira descrita no livro é uma “cegueira branca”, pastosa, como se alguém tivesse mergulhado de olhos abertos num “mar de leite”. Slide 82: “Trevas brancas” a anuviar o olhar daqueles que, tendo olhos, não conseguem (ou se recusam a) enxergar. Slide 83: Uma cegueira por vezes associada ao avanço irrefreado do consumismo e do materialismo, que faz com que os homens percam a consciência de si, se deformem, se massifiquem e se barbarizem. Slide 84: Uma cegueira que promove a ruptura com a nossa própria essência – a compaixão, o cuidado, a solidariedade... Slide 85: “Penso que estamos cegos, Slide 86: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. (epígrafe do livro “Ensaio sobre a Cegueira”) Slide 87: “Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Slide 88: 1995 – Saramago recebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura da língua portuguesa. Slide 89: 1998 – Recebe o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem. Slide 90: 1998 – Recebe o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem. Slide 92: Ao receber o prêmio, Saramago inicia seu discurso com uma homenagem ao avô, o camponês Jerónimo Melrinho, o que também pode ser visto como uma crítica à pompa das instituições literárias:... Slide 93: “O homem mais sábio que conheci em toda minha vida não sabia ler nem escrever...” Slide 94: E passa a discorrer sobre memórias de sua infância, suas fontes de inspiração e formação, e sobre alguns de seus principais livros e personagens. Slide 95: Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. Slide 96: Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. Slide 97: Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. Slide 99: “Acho que na sociedade actual nos falta filosofia...” Slide 100: “Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma.” Slide 101: “Falamos muito ao longo destes últimos anos dos direitos humanos; simplesmente deixamos de falar de uma coisa muito simples,...” Slide 102: “...que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro,...” Slide 103: “...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.” Slide 104: “...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.” Slide 105: “...que consiste em estar no mundo e não ver o mundo ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.” Slide 108: E fazendo uso do espaço, da atenção e notoriedade conferidos pelo prêmio Nobel, Saramago denuncia as injustiças sociais, e defende com coração e alma as causas que abraça:... Slide 109: Os cuidados com a infância; A educação de qualidade; Os direitos dos povos nativos da América Latina; O combate à violência doméstica; A luta pelo fim dos maus-tratos contra animais; A questão dos refugiados; O sofrimento do povo palestino; dentre tantas outras. Slide 110: Aos oitenta anos de idade, guarda o vigor juvenil de se revoltar contra toda injustiça, e não permite que se morra nele o desejo de mudar o mundo. O engajamento sempre em prol do humanismo. Slide 112: Em 2007, aos 85 anos, Saramago é agraciado com o prêmio “Amigo das Crianças”, concedido pela fundação ‘Save the Children’. Slide 113: Segundo a fundação, o prêmio é um reconhecimento ao grande empenho na procura de “um mundo melhor em que todas as crianças tenham esperança e oportunidades”,... Slide 114: ...salientando, ainda, o “compromisso ativo pela paz” e o “apoio continuado às campanhas e projectos relacionados com a infância e com os mais desfavorecidos”. Slide 115: Dentre os livros de Saramago encontra-se um dedicado ao público infantil – “A Maior Flor do Mundo”. Slide 116: Foto tirada em novembro de 2005. Slide 117: Pilar é uma companhia constante nos intermináveis compromissos e viagens. Slide 118: Igualmente defensora de inúmeras causas humanitárias, atua como confidente, conselheira, tradutora e é quem organiza a agenda do marido. Slide 119: Estão sempre juntos – em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo – e de mãos dadas. Slide 120: Estão sempre juntos – em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo – e de mãos dadas. Um amor e uma admiração singulares – a aura envolvente que raros casais emitem... Slide 121: “Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago Slide 122: “Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago Em meio às constantes viagens, é na residência em Lanzarote, com vista para o mar, que Saramago recompõe as energias e se restabelece. Slide 123: E mesmo com a agenda corrida, ele reserva tempo para escrever ao menos duas páginas diárias – que totalizará um livro ao fim de um ano, conforme observa. Slide 125: Jorge Amado, Chico Buarque, Leonardo Boff, Sebastião Salgado, Lygia Fagundes Telles Paulo Freire, Betinho, Frei Betto, entre tantos outros. Slide 127: Certa vez, diante da cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:... Slide 128: Certa vez, diante da cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:... “Esta gente quer me matar de amor!” Slide 130: Frequentemente aceita convites para visitar escolas, proferir palestras e participar de debates. Slide 132: Saramago, rodeado pela família – foto tirada em 1993, na varanda da casa de Lanzarote. Slide 133: A filha, Violante, e o genro, Danilo; os netos, Ana e Tiago. Pilar e Juan Jose – filho do primeiro casamento, (que segura o cãozinho Camões). Slide 135: Certa vez, declara gostar da seção de quadrinhos dos jornais. “Confesso que gosto muito do Calvin e do Hobbes, do Snoopy, do Garfield,...” Slide 140: “O homem é o único animal capaz de chorar. É diante do mar que o riso e a lágrima assumem uma importância absoluta.” E de sorrir. Slide 141: “Dir-se-á que mais profundamente a assumiriam diante do universo, mas esse, digo eu, está demasiado longe, fora do alcance duma compreensão comum.” Slide 144: Tão logo se recupera, conclui o livro “A Viagem do Elefante”,... Slide 145: ...e faz questão de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra. Slide 146: ...e faz questão de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra. A escolha do Brasil para o lançamento mundial é um presente ao carinho e amizade dos brasileiros. Slide 148: A notória lucidez e a acuidade da sua reflexão filosófica permanecem inabaláveis, contrastando cada dia mais com a saúde física debilitada. Slide 149: “A vida é como uma vela que vai ardendo, quando chega ao fim lança uma chama mais forte antes de se extinguir.” Slide 150: “Creio que estou no período da última chama...”, afirma Saramago diante das crescentes limitações impostas pela saúde frágil . Slide 151: Janeiro de 2010 – Haiti é sacudido por um forte tremor, que deixa milhares de mortos, feridos e desabrigados. Slide 153: Apesar da distância, desde a ilha de Lanzarote, encontra um meio de contribuir, e de lançar o seu incansável apelo para a humanidade. Slide 154: Ele convence sua editora a publicar uma edição especial do livro “Jangada de Pedra”, que terá a renda revertida integralmente em prol do povo haitiano. Slide 155: Mais que um gesto de ajuda, um sopro de alento, nestes dias de fria indiferença, nestes tempos tão desprovidos de compaixão social e caridade. Slide 156: – Uma ‘Jangada de Pedra’ a caminho do Haiti – Slide 157: Abril de 2010, a saúde física de Saramago a tal ponto está debilitada que o seu médico lhe impõe repouso absoluto. Slide 158: O repouso absoluto, observa o médico, abrange também a escrita, ou seja, Saramago deverá parar de escrever. Slide 159: Diante da renúncia derradeira à escrita que acaba de ser imposta ao esposo, Pilar sente que a recuperação será um milagre. Slide 160: “...enganadora é sim a luz do dia, faz da vida uma sobra apenas recortada, Slide 161: “...talvez para nosso sossego e descanso, paz à alma dos vivos.” Slide 162: Mês de maio, 2010 Slide 163: Durante as últimas semanas, Saramago quase não fala, mas ri, e segue rindo. Slide 164: Embora participe dos jantares e cafés da manhã que Pilar carinhosamente lhe prepara,... Slide 165: ...parece nutrir outras fomes e outras necessidades, anseios que a este mundo já não mais pertencem. Slide 166: Ele está aqui e não está, mas sorri. Slide 167: Ele está aqui e não está, mas sorri. “...o espírito não vai a lado nenhum sem as pernas do corpo, Slide 168: No dia 18 de junho, depois de uma noite serena e tranquila, Saramago falece na sua residência em Lanzarote, acompanhado de Pilar e de sua família, “despedindo-se de forma serena e plácida.” Slide 170: estes ganharam uma voz a defendê-los e quem se importe com eles... Slide 172: Segundo o amigo e teólogo Leonardo Boff, Saramago cultivava “a espiritualidade como sentimento do mistério do mundo,, da profundidade humana e do amor aos oprimidos.” Slide 173: Leonardo Boff descreve a tarde que ele e a esposa, Márcia, passaram na companhia de Saramago e Pilar como “um festim de espiritualidade”. Slide 179: Formatação: um_peregrino@hotmail.com Tema musical: Primeira Parte: ‘Illumination’, White Stones Segunda Parte: ‘Moment musical n.3’, Schubert Slide 180: Obrigado, Saramago.