GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA - artigo

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GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: UM NOVO OLHAR:

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: UM NOVO OLHAR Revista Psicologia: Ciência e Profissão (Psicol. cienc. prof. V.23 n.1 Brasília mar. 2003) Diana Dodoorian (Doutoranda em Psicologia Clínica e Psicopatologia pela Universidade Paris VIII – França)

INTRODUÇÃO:

INTRODUÇÃO 2000: 2,5 milhões de partos nos hospitais públicos – 689 mil (27,56%) eram de mães adolescentes com menos de 19 anos; A maioria das adolescentes grávidas pertence às classes populares; A literatura relaciona esta situação às mudanças sociais: maior liberalização do sexo sem informação sobre métodos contraceptivos; Profissionais da saúde: gravidez na adolescência é indesejada;

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Gravidez na adolescência: apesar de acarretar situações dramáticas – abandono dos estudos ou adiamento, maior dependência econômica dos pais (segue morando com pais após nascimento da criança, pai da criança geralmente é adolescente) – é comum ouvir adolescente dizer que está contente com a perspectiva de ser mãe e que quer ter o filho; A gravidez é desejada por elas, desempenha um papel na sua vida psíquica e social. MODELOS FAMILIARES A história da família brasileira nasce na família patriarcal – o modelo da família patriarcal que determina as relações na sociedade brasileira (núcleo central o casal e seus filhos); Os arranjos familiares são constituídos em função de circunstâncias econômicas, sociais e históricas, segundo as diferentes classes sociais;

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O projeto de vida de adolescentes grávidas de classes populares = vontade de ter a sua casa e de residir com o marido ou namorado e o filho, o que geralmente não poderia ocorrer devido à sua situação econômica; A família de classe popular brasileira educa filhos para obtenção de emprego para ajudar no orçamento familiar; (aceitam mais a gravidez na adolescência – mãe e avó); A família de classe média brasileira prioriza a atividade intelectual dos jovens, o casamento é adiado após o término dos estudos; (não desejam a gravidez na adolescência).

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FEMINILIDADE E MATERNIDADE A importância do meio social na determinação do papel feminino nos ajuda a compreender o papel da mulher na sociedade, papel que é transmitido às adolescentes, influenciando as suas escolhas e os seus projetos de vida; A maternidade aparece como a única perspectiva de vida para essas jovens de classes populares, onde o papel social mais importante por elas desempenhado é o de ser mãe; O papel da mulher de classe média brasileira não se limita ao papel de mãe (realização profissional).

METODOLOGIA:

METODOLOGIA 20 entrevistas semi-estruturadas; Adolescentes grávidas de classes populares (todas freqüentavam escolas públicas); 14 – 17 anos; Modelo da entrevista (sete temas): dados pessoais, vida familiar (estrutura e dinâmica), vida escolar, atividade sexual e episódio de gravidez, dados de informação e educação sexual, projetos de vida.

RESULTADOS E DISCUSSÃO :

RESULTADOS E DISCUSSÃO O SIGNIFICADO INCONSCIENTE DO FILHO Sonia: “ Eu sempre quis ter um filho, não sei por quê. Apesar de eu ser muito nova, né! Mas eu quis experimentar, aí eu parei de tomar o remédio ”. Essas adolescentes estabelecem uma equivalência onde exercer a sexualidade significa ter filho, o qual demarca a sua entrada na vida adulta; Constata-se uma valorização da maternidade, onde ser mãe equivale a assumir um novo status social, o de ser mulher; Surge o trinômio adolescente-mãe-mulher, onde a gravidez é a via de acesso à feminilidade. A afirmação social nesse meio se expressa na maternidade, o que possibilita dizer que se trata de uma gravidez social, maternidade social. Através do filho, essas jovens se sentem mães e mulheres.

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FAMÍLIA E GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA Fátima: “ O filho representa tudo, tudo de bom, muita felicidade. Espero que ele traga muita união da minha família comigo ” As adolescentes vivenciam uma grande solidão agravada pela ‘carência de afeto’ de seu meio familiar, e, dessa forma, a carência afetiva as leva à maternidade. A jovem transfere para o filho essa demanda de amor. O filho é o depositário de muitas expectativas: ele terá tudo o que elas não tiveram (estudo, carinho, proteção e até uma família); Com relação ao interesse da mãe da adolescente pelo seu neto, é um fato bastante observado que se expressa na fala das avós, dizendo que a filha é muito nova e que não sabe cuidar da criança. A maioria das adolescentes relatou que iam deixar o filho com a mãe para poderem ir trabalhar. Essas situações revelam o filho como um presente da adolescente para a sua mãe. Por outro lado, por meio da maternidade da filha, a mãe revive, mais uma vez, o seu desejo de completude, de reparação de suas carências afetivas.

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INFORMAÇÃO X DESEJO Carmem: “ Nunca me interessei em saber sobre esses métodos. Sabia que podia engravidar, não sei porque eu queria um filho mesmo. Aí casei e nem tomei remédio. Porque eu achava legal um filho para eu cuidar e as minhas colegas todas tinham, só eu que não tinha ”. Todas as adolescentes entrevistadas afirmaram ter conhecimento de que exercer a atividade sexual sem uso de contraceptivos poderia provocar uma gravidez; A maioria desses jovens afirma que a educação sexual deveria iniciar em casa, com os pais, especialmente com a mãe, pois estes têm mais intimidade para falar sobre esse assunto com os filhos. Esse escolha reforça o desejo das adolescentes no estabelecimento de um maior diálogo com os pais.

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ESCOLA E GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA O abandono dos estudos não se dava pela rejeição do colégio à situação da gravidez, mas, sim, por sentimentos ambivalentes das jovens, de vergonha, como que para negar que exercem a sua sexualidade, ou de satisfação pela gravidez, visto que algumas delas relatavam que só queriam “curtir” o filho. A esses fatores emocionais, se junta a falta de estímulo dos pais, que valorizam mais o trabalho, através do qual a jovem poderá ajudar na renda familiar, do que os estudos das filhas. O fato de não concluírem a escolarização traz dificuldades para alcançarem a independência financeira e profissional. ABORTO Praticamente todas as adolescentes entrevistadas rejeitaram o aborto. As jovens relataram que ter o filho, pois gostam de criança além do filho ser percebido como alguém que não vai abandoná-las.

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PROJETOS DE VIDA Nenhuma das adolescentes entrevistadas tinha planos para o futuro. As suas perspectivas de vida se resumiam a um futuro imediato, situado logo após a gravidez, onde elas relataram que pretendiam cuidar do filho e trabalhar para poder educá-lo.

CONCLUSÕES :

CONCLUSÕES As causas da gravidez na adolescência não se referem à desinformação sexual, mas ao desejo universal de ter um filho na adolescência, seja para adolescentes testar a sua feminilidade através da constatação da sua capacidade reprodutiva, seja pelo próprio desejo de ter o filho; No contexto social dessas jovens, a função social feminina está relacionada à maternidade, ser mulher para essas adolescentes equivale a ser mãe. O desejo de ter um filho é um rito de passagem , uma mudança substancial no status: de menina para mulher; A vivência de situações de carência afetiva e relacional com a família pode também provocar o desejo na adolescente de ter um filho, em que este aparece como o objeto privilegiado capaz de reparar essa carência;

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A questão que se evidencia não é a falta de informação, mas a falta de formação; As propostas de intervenção com essas adolescentes devem priorizar o significado dessa gravidez e suas implicações subjetivas e culturais, para que sejam obtidos resultados mais eficazes, o que proporcionaria um aumento do número de gravidezes planejadas e uma diminuição do número de gravidezes acidentais; A ausência de uma visão mais abrangente sobre o seu estado gera conseqüências que repercutem em dois níveis: no individual (aspectos psicológicos), e no social (aspectos sócio-econômicos), na medida que a gravidez em adolescentes, sobretudo em jovens provenientes de classes populares, multiplica as condições de reprodução da pobreza econômica e social.

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