A existência ética

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Slide 1:

Capítulo 9 A existência ética Marilena Chauí Profª . Ariane Marzzio

ÉTICA:

ÉTICA ETHOS : Modo de ser, caráter, costume . Filosofia grega Ethos : morada do homem

O Ethos  Ética:

O Ethos  Ética A ética é o abrigo que confere proteção e segurança aos indivíduos-cidadãos, aqueles responsáveis pelos destinos da pólis (cidade ).

Ética:

Ética

ÉTICA:

ÉTICA Instrumento fundamental para a instauração de um viver em conjunto Base para a construção do mundo político Condição necessária para a sobrevivência da espécie humana

A ética trata do comportamento do homem, da relação entre sua vontade e a obrigação de seguir uma norma, do que é o bem e de onde vem o mal, do que é certo e errado, da liberdade e da necessidade de respeitar o próximo:

A ética trata do comportamento do homem, da relação entre sua vontade e a obrigação de seguir uma norma, do que é o bem e de onde vem o mal, do que é certo e errado, da liberdade e da necessidade de respeitar o próximo

A ética revela que::

A ética revela que: Nossas ações tem efeitos sobre a sociedade Cada homem deve ser livre e responsável por suas atitudes A justiça é a principal das virtudes Nossos valores têm uma origem histórica Cada moral é filha do seu tempo Devemos adequar nossas vontades às obrigações sociais

Slide 9:

Existem, condicionantes internos (caráter) e externos (costumes) que determinam a conduta do indivíduo

A prática do bem e da justiça envolve ::

A prática do bem e da justiça envolve : Respeito às leis da pólis (heteronomia) Intenção individual de cada Sujeito (autonomia)

SENSO MORAL E CONSCIÊNCIA MORAL :

SENSO MORAL E CONSCIÊNCIA MORAL Sentimentos humanitários. Culpa e vergonha por atos impensados. Admiração pela grandeza alheia –imitar. Indignação –violências.

Senso Moral:

Senso Moral Doença terminal. O que fazer? Jovem grávida? Pai de família desempregado. Oferta de emprego desonesto. Bandido? Rapaz ama duas. É assim possível o amor? Mulher vê um roubo (criança pobre e dono no prejuízo). Venda de d rogas na porta da escola. Denunciar?

Consciência Moral:

Consciência Moral A consciência moral não se limita aos nossos sentimentos morais, mas se refere também a avaliações de conduta que nos levam a tomar decisões por nós mesmos, a agir em conformidade com elas e a responder por elas perante os outros. O senso e a consciência morais têm como pressuposto fundamental a ideia de liberdade do agente.

Mundo dos valores:

Mundo dos valores ÉTICA MORAL Reflexão Ação

Juízo de fato e juízo de valor:

Juízo de fato e juízo de valor Se dissermos: “Está chovendo”, estaremos enunciando um acontecimento constato por nós e o juízo proferido é um juízo de fato . Se porém falarmos: “A chuva é boa para as plantas” ou “A chuva é bela”, estaremos interpretando e avaliando o acontecimento. Nesse caso, proferimos um juízo de valor . Juízos de fato são aqueles que dizem  o que as coisas são, como são e por que são. Em nossa vida  cotidiana , mas também na metafísica e nas ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos de valor , avaliações sobre coisas, pessoas, situações e são proferidos na moral, nas artes, na política, na religião . Os juízos éticos de valor são também normativos, isto é, enunciam normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos, nossos comportamentos. E também nos dizem o que são o bem, o mal, a felicidade. Os juízos de éticos normativos nos dizem que sentimentos, intenções, atos e comportamentos devemos ter ou fazer para alcançarmos o bem e a felicidade.

Ética e violência:

Ética e violência As várias culturas e sociedades não definiram e nem definem a violência da mesma maneira, mas, ao contrário, dão-lhe conteúdos diferentes, segundo os tempos e os lugares. Fundamentalmente, a violência é percebida como exercício da força física e da coação psíquica para obrigar alguém a fazer alguma coisa contrária a si, contrária aos seus interesses e desejos, contrária ao seu corpo e à sua consciência, causando-lhe danos profundos e irreparáveis, como a morte, a loucura, a auto-agressão ou a agressão aos outros . Em nossa cultura, o assassinato, a tortura, a injustiça, a mentira, o estupro, a calúnia, a má-fé, o roubo são considerados violência, imoralidade e crime . Do ponto de vista ético, somos pessoas e não podemos ser tratados como coisas. Os valores éticos se oferecem como expressão e garantia de nossa condição de sujeitos, proibindo moralmente o que nos transforme em coisa usada e manipulada por outros.

Slide 17:

Ritual de antropofagia

Os constituintes do campo ético :

Os constituintes do campo ético Para que haja conduta ética é preciso que exista o agente consciente, isto é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais diferenças, mas também reconhece-se como capaz de julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em conformidade com os valores morais, sendo por isso responsável por suas ações e seus sentimentos e pelas conseqüências do que faz e sente. Consciência e responsabilidade são condições indispensáveis da vida ética . O campo ético é, assim, constituído pelos valores e pelas obrigações que formam o conteúdo das condutas morais, isto é, as virtudes . Estas são realizadas pelo sujeito moral , principal constituinte da existência ética .

O agente moral:

O agente moral O sujeito ético ou moral, isto é, a pessoa moral , só pode  existir se preencher as seguintes condições: ser consciente de si e dos outros, isto é, ser capaz, de reflexão e de reconhecer a existência dos outros como sujeitos éticos iguais a ele; ser dotado de vontade, capacidade para controlar e orientar desejos, impulsos tendências, sentimentos e de capacidade para deliberar e decidir entre várias alternativas possíveis; ser responsável, isto é, reconhecer-se como autor da ação ser livre, isto é, ser capaz de oferecer-se como causa interna de seus sentimentos atitudes e ações, por não estar submetido a poderes externos que forcem e o constranjam a sentir, a querer a fazer alguma coisa.

Sujeito Moral:

Sujeito Moral Passivo É aquele que se deixa governar e arrastar por seus impulsos, inclinações e paixões, pelas circunstâncias, pela boa ou má sorte, pela opinião alheia, pelo medo dos outros, pela vontade de um outro, não exercendo sua própria consciência, vontade, liberdade e responsabilidade . Ativo É ativo ou virtuoso aquele que controla interiormente seus impulsos, suas inclinações e suas paixões, discute consigo mesmo e com os outros o sentido dos valores e dos fins estabelecidos, indaga se devem e como devem ser respeitados ou transgredidos por outros valores e fins superiores aos existentes, avalia sua capacidade para dar a si mesmo as regras de conduta, consulta sua razão e sua vontade antes de agir, tem consideração pelos outros sem subordinar-se nem submeter-se cegamente a eles, responde pelo que faz, julga suas próprias intenções e recusa a violência contra si e contra os outros. Numa palavra, é autônomo.

Os valores ou fins éticos:

Os valores ou fins éticos Do ponto de vista dos valores, a ética exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas o que julgam ser a violência e o crime, o mal e o vício e, como contrapartida, o que consideram ser o bem e a virtude. Por realizar-se como relação intersubjetiva e social, a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas, econômicas e culturais da ação moral . Independentemente do conteúdo e da forma que cada cultura lhe dá, todas as culturas consideram virtude algo que é o melhor como sentimento e como ação; a virtude é a excelência , a realização perfeita de um modo de ser, sentir e agir.

Os meios morais:

Os meios morais Costuma-se dizer que os fins justificam os meios, de modo que, para alcançar um fim legítimo, todos os meios disponíveis são válidos. No caso da ética, porém, essa afirmação deixa de ser óbvia. Suponhamos uma sociedade que considere um valor e um fim moral a lealdade entre seus membros, baseada na confiança recíproca. Isso significa que a mentira, a inveja, a adulação, a má-fé, a crueldade e o medo deverão estar excluídos da vida moral e ações que os empreguem como meios para alcançar o fim serão imorais. No entanto, poderia acontecer que para forçar alguém à lealdade seria preciso fazê-lo sentir medo da punição pela deslealdade, ou seria preciso mentir-lhe para que não perdesse a confiança em certas pessoas e continuasse leal a elas. Nesses casos, o fim – a lealdade – não justificaria os meios – medo e mentira? A resposta ética é: não. Por quê? Porque esses meios desrespeitam a consciência e a liberdade da pessoa moral, que agiria por coação externa e não por reconhecimento interior e verdadeiro do fim ético. No caso da ética, portanto, nem todos os meios são justificáveis, mas apenas aqueles que estão de acordo com os fins da própria ação. Em outras palavras, fins éticos exigem meios éticos .