O Sapo apaixonado

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Max Velthuijs 22 de Maio de 1923

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O sapo estava sentado à beira do rio. Sentia-se esquisito. Não sabia se estava contente ou se estava triste.

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Toda a semana tinha andado como que a sonhar. Que é que teria?

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Então encontrou o Porquinho. Olá, Sapo. Não estás com muito bom ar. Que é que tens? Não sei. Tenho vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum-tum Talvez estejas constipado. É melhor ires para a cama e meteres-te na cama.

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O Sapo continuou o seu caminho. Estava preocupado.

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Depois passou por casa da Lebre. Lebre, não me sinto bem Entra e senta-te um bocadinho disse a Lebre, muito simpática

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Ora o que é que tens? Umas vezes fico com calor e outras vezes fico com frio. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum-tum. Já sei. É o teu coração. O meu também faz tum-tum A Lebre pensou muito, como um verdadeiro médico. Depois disse: Mas o meu às vezes faz tum-tum mais depressa do que o costume. Faz um-dois, um-dois… A Lebre foi buscar à estante um grande livro e pôs-se a virar as folhas Ora ouve. Coração a bater acelerado, ataques de calor e de frio… quer dizer que estás apaixonado! APAIXONADO??? Ena pá! Estou apaixonado!!!

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E ficou tão contente que deu um salto enorme pela porta fora

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O Porquinho assustou-se muito quando o Sapo de repente caiu do céu. Parece que estás melhor E estou! Sinto-me óptimo. Estou APAIXONADO!

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Bem, isso parece uma boa notícia. Por quem é que estás apaixonado? O Sapo não tinha tido tempo para pensar nisso. Já sei! Estou apaixonado pela linda e adorável patinha branca! Não pode ser. Um sapo não pode estar apaixonado por uma pata. Tu és verde e ela é branca. Mas o Sapo não se importou com isso .

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Não sabia escrever, mas sabia fazer bonitas pinturas. Quando voltou para casa fez uma pintura linda, com vermelho e azul e muito verde, que era a cor de que ele gostava mais.

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À noite, quando já estava escuro, saiu com a pintura e enfiou-a por baixo da porta da Pata. Com a emoção, tinha o coração a bater com toda a força.

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A Pata ficou muito admirada quando encontrou a pintura. Quem é que me terá mandado esta linda pintura? Exclamou ela, e pendurou-a na parede.

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No dia seguinte o Sapo colheu um belo ramo de flores. Ia oferecê-las à Pata. Mas quando chegou à porta não teve coragem para a enfrentar. Pôs as flores na soleira da porta e fugiu o mais depressa que pôde. E assim continuaram as coisas, dia após dia. O sapo não conseguia arranjar coragem para falar.

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A Pata andava muito contente com todos aqueles belos presentes. Mas quem é que os mandaria?

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Pobre Sapo! Perdeu o apetite e à noite não conseguia dormir… E as coisas continuaram assim durante semanas.

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Como é que havia de mostrar à Pata que gostava dela? Tenho de fazer uma coisa de que mais ninguém seja capaz. Tenho de bater o recorde do mundo de salto em altura! A Patinha vai ficar muito surpreendida, e depois ela também vai gostar de mim

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O sapo começou logo a treinar. Praticando salto em altura durante dias a fio. Saltava cada vez mais alto, até às nuvens. Nunca nenhum sapo do mundo tinha saltado tão alto.

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Que é que terá o Sapo? Saltar assim é perigoso. Ainda acaba por se magoar! e a pata tinha razão…

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Às duas horas e treze minutos da tarde de sexta-feira, as coisas correram mal. O sapo estava a dar o salto mais alto da história quando perdeu o equilíbrio e caiu ao chão. A Pata, que ia a passar nessa altura, veio a correr ajudá-lo.

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O Sapo mal conseguia andar. A Pata amparou-o com carinho e levou-o para casa. Tratou dele com toda a ternura. Ó Sapo, podias ter-te matado! Olha que tens de ter cuidado. Gosto tanto de ti! Então, finalmente o Sapo lá conseguiu arranjar coragem Eu também gosto muito de ti, querida Pata! Tinha o coração a fazer tum-tum mais depressa do que nunca, e ficou com a cara muito verde.

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Desde então, amam-se perdidamente. Um sapo e uma pata… Verde e branca O amor não conhece barreiras.

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FIM

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