Chico ( falta; meu caro amigo e roda viva)

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Slide 1:

Chico Buarque e a d itadura que calou a MPB

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A ditadura militar foi um período extremamente rico para a produção cultural, especialmente para a música, a qual os artistas em muitos casos tinham de mudar as letras de suas músicas para que elas pudessem ser aprovadas pela Divisão de Censura e Diversões Públicas . Chico Buarque é um dos artistas que utilizou de recursos como: metáfora , catacrese , ironia e metonímia para tornar-se o porta voz de um povo que tinha sua voz abafada pelo período de repressão no Brasil. Os problemas de Chico com a censura começam a partir de 1966, quando seu nome começou a ficar famoso e as suas canções se tornam hinos contra a ditadura . A grande perseguição por parte do DCDP levou o compositor a criar em 1974 um pseudônimo para que suas músicas pudessem ser aprovadas sem que fossem avaliadas rigorosamente. Assim, algumas músicas de sua autoria foram assinadas como Julinho da Adelaide. Com esse pseudônimo, Chico Buarque conseguiu gravar algumas músicas sem enfrentar quase nenhuma oposição por parte da censura como a música Jorge Maravilha . Logo após a descoberta de que Julinho da Adelaide era na verdade o compositor Chico Buarque, a censura tornou-se mais rígida e passou a exigir o CPF e o RG dos compositores para que as músicas fossem aprovadas. Após o Ato Institucional 5 ter sido aprovado Chico deu início a um auto-exílio em 1969, na Itália, retornando ao Brasil em 1970.

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Em 1970, ao retornar, Chico lança um novo disco que continha um dos seus maiores sucessos, a música “ Apesar de Você”. Pelo fato de Chico Buarque ser muito famoso por criticar a ditadura militar em suas músicas, “Apesar de Você” foi vista como um crítica política ao governo de Médici , mesmo quando a intenção do compositor foi transmiti-la em um sentido lírico-amoroso. Assim, o compositor burlava a censura, compondo a canção que poderia ser entendida de duas formas : um discurso lírico ou como um discurso político. Veja agora, alguns trechos da música. “Hoje você é quem manda Falou , tá falado Não tem discussão A minha gente hoje anda Falando de lado E olhando pro chão, viu Você que inventou esse estado E inventou de inventar Toda a escuridão Você que inventou o pecado Esqueceu-se de inventar O perdão” Após o lançamento da música em um compacto ter alcançado mais de 100 mil cópias vendidas,a canção foi censurada e os discos foram recolhidos do mercado. Chico jurou aos censores que o “você” que mencionava na música não fazia referencia a Médici, mas sim a “uma mulher muito mandona” “Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Eu pergunto a você Onde vai se esconder Da enorme euforia Como vai proibir Quando o galo insistir Em cantar Água nova brotando E a gente se amando Sem parar”

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Chico Buarque tinha grandes amigos como Toquinho e Vinícius de Moraes, e com eles, compôs a música “ Samba de Orly ”. Toquinho e Chico Buarque estavam exilados na França quando então , Toquinho decidiu voltar ao seu país de origem. Dessa saudade, surgiu a música “Samba de Orly”, sendo Orly, um famoso aeroporto Francês. A música retrata a solidão e a saudade dos exilados durante a ditadura militar, porém, a música não foi autorizada pela censura, até que houvesse uma troca nos versos que se remetiam a ditadura. A composição foi vetada , sob o argumento de que “a letra pode transmitir uma mensagem de teor diferente, dando margem, a uma versão de cunho político”. Após o segundo veto, o advogado sugere a alteração do verso “pela omissão, um tanto forçada” para “pela duração, dessa temporada”. Conseguindo a liberação em 1971 . E assim, houveram substituições de 2 dos 3 versos compostos por Vinícius de Moraes para que a música fosse liberada pelos censores. Vinicius não se importou com o fato, desde que o seu nome constasse na autoria da bela canção.

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De todas as músicas feitas por Chico durante a ditadura, “ Cálice ” foi, sem dúvidas, a mais famosa. Isso se deve à criatividade no jogo de palavras do compositor, que para driblar os censores, criou a expressão “afasta de mim esse cálice ” que pode ser entendida no contexto da repressão como: “afasta de mim esse ‘ cale-se ’ ”. Além do jogo de palavras, a letra da música se aproxima muito a uma música de caráter religioso ao usar o vocativo “ Pai ” como se falasse com Deus, deixando os censores da época confusos quanto a intenção do compositor ao escrever a canção. “Cálice”, como outras músicas de Chico, também foi vetada e durante um festival em 1973, os microfones de Chico Buarque e Gilberto Gil foram desligados antes de cantar a música “Cálice”, pela própria gravadora do compositor com medo de represálias. Chico Buarque em parceria com Milton Nascimento

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A música “ Meu Caro Amigo ”, inicialmente nomeada “Os Meus Caros Amigos”, lançada em 1976, foi ,na verdade, uma carta musicada endereçada a seu amigo, também dramaturgo, Augusto Boal , que estava exilado em Portugal . A carta descreve o cenário político-social do Brasil desse período através de metonímias e metáforas . No verso “e a gente vai tomando e também sem a cachaça” há um exemplo de metáfora ,encontrado no contexto da música, em que o autor compara o sofrimento da população com relação a ditadura com um bêbado. Entretanto, no caso do bêbado a cachaça representa uma válvula de escape, o que não existia para a população brasileira, já que a única opção era o silêncio. Meu caro amigo me perdoe, por favor não lhe faço uma visita Mas como agora apareceu um portador Mando notícias nessa fita Aqui na terra 'tão jogando futebol Tem muito samba,muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dia bate sol Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta Muita mutreta pra levar a situação Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça Ninguém segura esse rojão Meu caro amigo eu não pretendo provocar Nem atiçar suas saudades Mas acontece que não posso me furtar A lhe contar as novidades (Refrão) É pirueta pra cavar o ganha-pão Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever Mas o correio andou arisco Se me permitem, vou tentar lhe remeter Notícias frescas nesse disco Aqui na terra ’tão jogando futebol Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dias bate sol Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta A Marieta manda um beijo para os seus Um beijo na família, na Cecília e nas crianças O Francis aproveita pra também mandar lembranças A todo o pessoal Adeus

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Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu A gente estancou de repente Ou foi o mundo então que cresceu A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar Mas eis que chega a roda-viva E carrega o destino pra lá Roda mundo, roda-gigante Rodamoinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há Mas eis que chega a roda-viva E carrega a roseira pra lá Roda mundo (etc.) A roda da saia, a mulata Não quer mais rodar, não senhor Não posso fazer serenata A roda de samba acabou A gente toma a iniciativa Viola na rua, a cantar Mas eis que chega a roda-viva E carrega a viola pra lá Roda mundo (etc.) O samba, a viola, a roseira Um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou No peito a saudade cativa Faz força pro tempo parar Mas eis que chega a roda-viva E carrega a saudade pra lá Roda mundo (etc.) Roda-Viva

Bibliografia:

Bibliografia Documentários “Roda-Viva – Chico Buarque “Vai Passar – Chico Buarque Sites: www.chicobuarque.com.br www.censuramusical.com www.wix.com/majarita/ditadura/

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