Depressão e Doença Física 2008

Views:
 
Category: Entertainment
     
 

Presentation Description

No description available.

Comments

Presentation Transcript

Slide 1:

Depressão e Doença Física

Temas a tratar:

Temas a tratar - Associação entre Doença Física e Depressão - A Doença Física como determinante de Depressão - Depressão e Doenças Cardiovasculares - Depressão e Cancro - Depressão e Doenças Respiratórias - Depressão e Sida - Conclusões finais Por onde começar ?

Slide 3:

Doença Física e Depressão

Doença Física e Depressão:

Doença Física e Depressão Há numerosas doenças físicas em que a Depressão está frequentemente presente: - A parelho C ardio v ascular, - S istema N ervoso C entral - A parelho R espiratório - P ele - C ontaminação pelo VIH , - A parelho D igestivo - C ancro ... E ainda mais outros departamentos orgânicos.

Doença Física e Depressão:

Doença Física e Depressão A associação entre Doença Física e Depressão pode ser de quatro tipos diferentes: - Simples coincidência : há doentes predispostos a episódios recorrentes de depressão. Um novo episódio pode, casualmente, reiniciar-se ao mesmo tempo que uma doença física. - Causas comuns para ambas : um indutor grave de stress pode precipitar, numa pessoa vulnerável, tanto uma doença física como uma depressão. Por ex., um acontecimento muito desagradável pode determinar um AVC num hipertenso e igualmente uma depressão .

Doença Física e Depressão:

Doença Física e Depressão - Uma afecção psiquiátrica , devido à interferência com o sistema imunitário, pode constituir um factor de causalidade de uma doença física . - Uma doença física pode determinar uma afecção psiquiátrica : este facto pode ocorrer através de um mecanismo biológico ou como uma reacção psicológica.

Doença Física e Depressão:

Doença Física e Depressão Estudos de Lipowski (1985) levaram-no a considerar que: - Um acontecimento que represente uma ameaça para a vida ou um determinante potencial de uma incapacidade propicia o aparecimento de ansiedade . - Uma perda de função , de papel social , de esperanças e ambições costuma resultar numa depressão .

Doença Física e Depressão:

Doença Física e Depressão Contudo: - O tipo particular de doença física , - As vulnerabilidades psicológicas do indivíduo e - As circunstâncias do meio ambiente determinam uma larga variabilidade nos padrões de resposta psicológica.

Slide 9:

Vamos considerar agora a doença física como factor determinante de depressão

Slide 10:

A Doença Física como factor determinante de Depressão

Doença física como causa de Depressão:

Doença física como causa de Depressão Há aspectos relevantes da doença física que influenciam o estado psíquico do enfermo: - O tipo de patologia orgânica . - A permanência da doença (surto agudo?, recaída?, doença crónica?, doença degenerativa?). - A gravidade dos sintomas : - Constituem uma ameaça para a vida ? - São incomodativos ? - Contribuem para a limitação funcional do indivíduo?

Doença física como causa de Depressão:

Doença física como causa de Depressão Os aspectos mencionados devem ser considerados no significado que têm para o doente. Coyne e Whiffen (1995) , comentam que a maior parte das pessoas não fica deprimida mesmo quando se confronta com circunstâncias indutoras de stress que são ostensivamente graves. Mayou (1997) refere que a maioria das pessoas que se confrontam com uma doença física grave são bastante resilientes e tem uma evolução psicológica favorável.

Doença física como causa de Depressão:

Doença física como causa de Depressão Há factores facilitadores de uma depressão : - Vulnerabilidade biológica , determinada por factores genéticos e constitucionais. Doentes com uma história prévia de depressão desenvolvem mais facilmente uma recorrência do que outras pessoas sem este passado. - Vulnerabilidade psicológica (neuroticismo elevado, estratégias pobres de coping, certos tipos de personalidade). - Factores sociais : certo tipo de acontecimentos (um AVC num piloto de avião) uma boa ou má rede social de apoio.

Doença física como causa de Depressão:

Doença física como causa de Depressão Mayou (1997) sintetisa: - Há diferenças marcadas na ocorrência de uma depressão grave , tanto nos casos agudos como crónicos de doença física. - Este facto deve-se ao significado que o indivíduo atribui à doença que tem em termos de ameaça , às incapacidades que sente, à dor e a outros sintomas .

Slide 15:

Agora vamos referir-nos à associação da Depressão com Doenças Cardiovasculares

Slide 16:

Depressão e Doenças Cardiovasculares

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares As afecções cardiovasculares, segundo (Katzel e Waldstein, 2001) , abrangem as: - Doenças do coração , - Vasos sanguíneos e - Circulação . As mais comuns correspondem à hipertensão arterial , à doença das artérias coronárias , a afecções cerebrovasculares e dos vasos periféricos como, por exemplo, os aneurismas e a doença arterial periférica .

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Para além destas existem também: - As Doenças Cardiovasculares congénitas , - A doença cardíaca de natureza reumatismal , - A insuficiência cardíaca congestiva e - As arritmias .

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Segundo Katzel e Waldstein os factores de risco de uma doença cardíaca coronária dividem-se tradicionalmente em não-modificáveis e modificáveis . Os não-modificáveis referem-se: - À idade da pessoa, - Ao género masculino , - A factores genéticos e - A uma história familiar de doença cardíaca coronária em idade precoce.

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Os factores modificáveis dizem respeito a: - Níveis altos de Colesterol de lipoproteína de baixa densidade ( Colesterol LDL ), - Níveis reduzidos de Colesterol de lipoproteína de alta densidade ( Colesterol HDL ), - Tabagismo , - Hipertensão arterial , - Diabetes , Obesidade , - Um estilo de vida sedentário e circunstâncias de natureza psicológica .

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares A hipertensão arterial , referem Waldstein e Katzel (2001) , é um dos factores de maior risco para a aterogénese , doença cardíaca coronária e acidente vascular cerebral . - O cérebro , - O coração , - Os rins e - Os olhos …são um exemplo de órgãos importantes que podem ser danificados pela hipertensão.

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Os estádios iniciais das doenças das coronárias e cerebrovasculares, que envolvem a formação de placas ateroscleróticas, não são acompanhadas por sintomas detectáveis ( Sarah Knox, 2001 ). A melhor defesa é a prevenção dos factores de risco. A variância na população a respeito das doenças cardiovasculares oscila entre 21 e 42 %. É explicada pelos factores de risco tradicionais : hábitos de fumar , colesterol , tensão arterial , intolerância à glicose e diabetes . A variância remanescente deve-se a factores genéticos , psico-sociais e outros, ainda desconhecidos.

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Kaplan (1989) refere-se, a este propósito, ao que tem sido designado por quarteto mortal , em que na mesma pessoa há a coexistência de: Depressão e Doenças Cardiovasculares Quarteto mortal Obesidade Hipertensão Dislipidémia Diabetes mellitus

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Merrill e Penelope Elias, Robbins, Wolf e D’Agostino (2001) referem que os factores de risco já assinalados se repercutem no funcionamento cognitivo do indivíduo. De acordo com aqueles cientistas, os que têm piores consequências são - A hipertensão , - A diabetes e - O tabagismo .

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Comprometem: - A aprendizagem e a memorização dos acontecimentos , - A fluência verbal , - A recordação e retenção das ocorrências , - A reprodução de material visualizado e verbalizado , - A atenção e - A capacidade de concentração .

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Waldstein e Katzel (2001) , salientam que a hipertensão pode comprometer o desempenho cognitivo em: - Testes da atenção , aprendizagem e memória ; - Funções executivas ; - Aptidões visuoespaciais e visuoconstructivas - Aptidões psicomotoras e perceptivas . Quando a hipertensão se torna crónica induz gradualmente um declínio cognitivo.

Slide 27:

Consideremos agora a importância da depressão nas afecções cardiovasculares

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Os doentes com um episódio depressivo major não tratado , segundo Murphy et al., 1987 , Avery e Winokur, 1976 , Bruhn et al., 1974 , têm um aumento de risco para: - Mortalidade cardiovascular e - Morte súbita . Orth-Gomér et al. (1980) comprovaram um facto semelhante para o desenvolvimento de arritmias ventriculares e Ahern et al. (1990) uma correlação estreita entre depressão e paragem cardíaca .

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Nemeroff (1999) refere que a depressão é um factor importante de risco de Doença Cardíaca Coronária e de morte após um enfarte de miocárdio. Nos 18 meses a seguir a um enfarte de miocárdio as taxas de morte estão substancialmente aumentadas nos doentes com depressão quando estes se comparam com os enfermos que têm enfarte do miocárdio mas não se encontram deprimidos.

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Num estudo de Guck et al. (2001) os autores comprovaram que: - as pessoas que estão deprimidas e - têm uma doença cardiovascular pré-existente - apresentam um risco de morte 3,5 vezes superior - ao daquelas pessoas que, embora com doença cardiovascular, não se encontram deprimidas.

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares Berne e Björntorp (2006) referem que nos indivíduos com Depressão se verifica um aumento da actividade do eixo simpático-medula r e do eixo hipotálamo-hipófiso-suprarrenal . Na depressão não-melancólica , para além destes aspectos, costumam aparecer alguns dos componentes usualmente encontrados no síndroma metabólico. Na depressão de tipo melancólico há uma clara associação com o síndroma metabólico .

Depressão e Doenças Cardiovasculares:

Depressão e Doenças Cardiovasculares O síndroma metabólico representa um grupo de factores de risco para as afecções cardiovasculares , entre os quais a resistência à insulina é um factor chave. Caracteriza-se por: - Gordura abdominal (perímetro abdominal ≥ 94 cm, nos homens e ≥ 80 cm, nas mulheres ), - Dislipidémia : aumento dos triglicerídeos e redução do colesterol HDL. - Prejuízo da tolerância à insulina e - Subida das tensões arteriais sistólica e diastólica.

Factores de risco:

Factores de risco Gordura abdominal (perímetro abdominal ≥ 94 cm, nos homens e ≥ 80 cm, nas mulheres )

Slide 34:

Consideremos agora a relação entre Depressão e Cancro

Slide 35:

Depressão e Cancro

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro O diagnóstico de uma doença que representa uma ameaça para a vida cria uma perturbação imediata de natureza psico-social tanto para o doente como para os seus familiares. No cancro, a ameaça é real e a resposta lógica é ter medo (Sellick e Edwardson, 2006) .

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro As pessoas com um diagnóstico de cancro têm medo : - Da morte , - Da interrupção dos planos de vida , - Das modificações da imagem corporal , - Das mudanças no seu papel social e estilo de vida . Nem todas as pessoas com cancro se deprimem. A depressão pode aparecer antes do diagnóstico de cancro ou pode surgir após o cancro ter sido identificado. A depressão pode ter impacto no curso da doença e diminuir a colaboração do indivíduo com o tratamento.

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro A depressão tem uma interferência negativa no sistema imunitário . Locke et al. (1984) , num estudo de seguimento de 117 indivíduos que referiram quantidades variáveis de stress induzido por situações de mudança de vida, comprovaram que a taxa de células assassinas naturais estava significativamente reduzida nos indivíduos com valores elevados de depressão mas não nos indivíduos com pontuações baixas de depressão apesar de terem um número grande de mudanças de vida.

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro Este facto sugere que a repercussão dos acontecimentos de vida sobre o individuo depende bastante das suas próprias estratégias de resolução de problemas , ressentindo-se mais aqueles que têm estratégias de coping mais pobres .

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro Persky et al. (1987) fizeram um estudo de 20 anos de follow-up referente a 2.000 homens de meia-idade, em relação à incidência e mortalidade por cancro. Verificaram existir uma correlação significativa entre depressão e incidência de cancro nos primeiros 10 anos de follow-up e de depressão e mortalidade por cancro nos 20 anos de follow-up . Esta relação persistia mesmo após se controlarem diversos factores, entre os quais a idade , o número de cigarros fumados por dia, o consumo de bebidas alcoólicas , o estatuto profissional e a história familiar de cancro .

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro Tem sido comprovado que no decurso de uma depressão, há um excesso de corticosteroides ( Hofer et al. , 1972 e Mason et al. , 1975 ). É através dos corticosteroides que a imunosupressão é mediada . A evidência deste facto nos seres humanos vem da observação de um aumento dos níveis de corticosteroides nos doentes deprimidos e a supressão de linfócitos em enfermos com reacções de luto quando comparados com doentes não-deprimidos ( Schleifer et al., 1983 ). Os enfermos com o sistema imunitário comprometido têm uma incidência maior de cancro ( Schleifer et al. , 1984 ) .

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro Como a maioria dos carcinogénios parece induzir cancro através da danificação do DNA das células , a incapacidade do organismo em reparar estas células está criticamente relacionada com o risco de cancro. A reparação do DNA pode ser afectada pelo stress psicológico .

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro Kiecolt-Glaser et al. (1985) examinaram a reparação do DNA (avaliada pela recuperação in vitro de sedimentação nucleoide a seguir a irradiação X) em 28 doentes psiquiátricos internados recentemente no hospital, não medicados e sem transtornos psicóticos. Tendo os elementos do grupo respondido à escala de Depressão do MMPI os autores comprovaram que os indivíduos mais deprimidos tinham uma reparação mais pobre do DNA .

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro Irwin et al. (1992) comprovaram que nos indivíduos deprimidos há um prejuízo da actividade das células assassinas naturais durante a fase aguda de depressão . Contudo esta actividade volta ao normal após um tratamento com êxito .

Depressão e Cancro:

Depressão e Cancro Konfrol et al. (1997) observaram que doentes deprimidos tratados por electro-choque melhoravam de forma significativa a actividade das células assassinas naturais . Konfrol et al. (1990) comprovaram também que o ECT aumentava os níveis plasmáticos da Interleucina-6 , que contribui para o crescimento e maturação de células B e T activadas com papel de relevo nas funções imunitárias .

Slide 46:

Passemos agora a considerar a Depressão nas Doenças Respiratórias

Slide 47:

Depressão e Doenças Respiratórias

Depressão e Doenças Respiratórias:

Depressão e Doenças Respiratórias Segundo Ian Collis (1997) a respiração é a função fisiológica mais associada com a vida. Ficar sem poder respirar é das situações mais aflitivas que o ser humano pode experimentar. As doenças respiratórias são muito comuns e determinam um mal estar intenso e morte. A maioria das incapacidades ligadas com as doenças respiratórias ligam-se particularmente à doença pulmonar obstructiva crónica e à asma .

Depressão e Doenças Respiratórias:

Depressão e Doenças Respiratórias Os sintomas depressivos em pessoas com doenças respiratórias podem ir desde uma reacção leve de ajustamento até uma depressão grave . Costumam constituir uma reacção perante perdas : - Auto-imagem negativa em consequência da doença. - Redução da auto-estima . - Incapacidade em manter relacionamentos interpessoais . - Dificuldade em cumprir com o seu trabalho . - Diminuição do desempenho escolar .

Depressão e Doenças Respiratórias:

Depressão e Doenças Respiratórias Doença pulmonar obstructiva crónica: De acordo com Ian Collis consiste num espectro de várias afecções que têm em comum uma obstrução crónica das vias respiratórias, que se torna irreversível: - Bronquite crónica - Enfizema - Asma crónica . Em todas elas existe dificuldade em respirar, tosse e expectoração.

Depressão e Doenças Respiratórias:

Depressão e Doenças Respiratórias Na doença pulmonar obstructiva crónica, referem Kinsman et al. (1983) , o medo de ficar sem poder respirar é superior ao da gravidade dos sintomas físicos como causa da morbilidade psiquiátrica . Devido a este facto os doentes passam a evitar as actividades que possam causar dificuldade em respirar. Miller (1987) refere que nestes doentes, a activação vegetativa acentuada , associada com depressão , pode ser uma causa de morte súbita em enfermos com bronquite asmática crónica .

Depressão e Doenças Respiratórias:

Depressão e Doenças Respiratórias Consideremos agora o caso da Sida

Slide 53:

Depressão e Sida

SIDA: o que é?:

SIDA: o que é? - SIDA : S índroma de I muno D eficiência A dquirida - Causa : Determinado pelo V irus da I munodeficiência H umana, isolado e identificado em 1983. - Produz : Infecção das células do sistema imunitário e do Sistema Nervoso Central . - Impede : a capacidade que o organismo tem para se proteger de (1) - agentes infecciosos e (2) - do desenvolvimento de formações neoplásicas específicas.

SIDA: um pouco da sua história:

SIDA: um pouco da sua história - Sabe-se que a contaminação pelo virus VIH começou antes de 1970. A análise de tecidos de pessoas já falecidas levaram a crer que a doença já estava presente a partir de 1959 . - Pelo ano de 1980 o virus tinha-se espalhado pelo menos pela América do Norte e do Sul , Europa , África e Austrália . - Durante este período de silêncio, não existia qualquer acção preventiva e calcula-se que entre 100.000-300.000 pessoas tenham sido contaminadas.

SIDA: os últimos números:

SIDA: os últimos números - De acordo com estimativas da UNAIDS/WHO (Maio de 2006), em finais de 2005 , 38.6 milhões de pessoas em todo o mundo eram portadoras do virus da SIDA. - Calcula-se que durante 2005 cerca de 4.1 milhões de indivíduos ficaram infectados pelo virus HIV e - Nesse ano 2.8 milhões faleceram devido à SIDA, apesar da terapia antiretroviral (ARV), que reduz as mortes relacionadas com SIDA nos países mais ricos .

SIDA: os últimos números:

SIDA: os últimos números - Com a população VIH-positiva ainda a expandir-se prevê-se que o número anual de mortes pela SIDA aumente durante muitos anos, a não ser que seja descoberta uma medicação ARV mais eficaz do que aquela que actualmente existe.

SIDA: as crianças:

SIDA: as crianças - Calcula-se que em finais de 2003 , existiam 15 milhões de crianças órfãs da SIDA : aquelas que perderam um ou ambos os pais antes de atingirem a idade dos 18 anos.

SIDA: as crianças:

SIDA: as crianças - Estes órfãos tornam-se vulneráveis à pobreza , à exploração e eles próprios estão muitas vezes infectados com o virus VIH. - São, com frequência, forçados a deixarem de estudar e a procurarem trabalho e, algumas vezes, a terem de cuidar de irmãos mais novos.

SIDA: as crianças:

SIDA: as crianças - Em 2004 , calcula-se que 640.000 crianças com uma idade igual ou menor do que 14 anos ficaram infectadas com o VIH. - Em 2003 , mais de 90% das crianças infectadas tinham nascido de mães VIH-positivas , adquirindo o virus por contaminação feto-placentar ou através do leite materno.

SIDA: as crianças:

SIDA: as crianças - 9 em cada 10 destas crianças infectadas vivem em África , a sul do Saara . - A transmissão do virus pela mãe é um facto reconhecido em África apesar de se saber que a contaminação pelo VIH diminui em 20 % a fertilidade da mulher. - Há medicamentos que minimizam os riscos da transmissão VIH mãe-filho. Infelizmente não chegam , frequentemente, aos locais onde são mais precisos .

SIDA: os últimos números:

SIDA: os últimos números - O número total de pessoas contaminadas pelo virus da SIDA continua a crescer em países ricos e desenvolvidos. - O facto deve-se, em grande parte, ao acesso fácil ao tratamento antiretroviral, que prolonga as vidas das pessoas VIH+ . - Ocorre assim um aumento no conjunto de pessoas VIH+ capazes de transmitirem o virus a outras pessoas.

SIDA: os últimos números:

SIDA: os últimos números - Calcula-se que nos EUA e na Europa ocidental vivem 1.6 milhões de pessoas contaminadas pelo virus VIH – um número que inclui 65.000 indivíduos recém-contaminados em 2004 . - A taxa de mortes relacionadas com a SIDA continua a diminuir, devido às terapêuticas ARV se tornarem cada vez mais disponíveis.

SIDA: os últimos números:

SIDA: os últimos números - Há uma evidência progressivamente crescente de que os programas de prevenção , em países ricos e desenvolvidos, não diminuem a expansão de casos contaminados pelo VIH. - Nalguns sítios ficam muito aquém do desejável. - Estas dificuldades são mais evidentes quando o VIH é encontrado, principalmente, entre grupos marginalizados da população, tais como os toxicodependentes , os imigrantes e os refugiados .

Em síntese:

Em síntese Ser seropositivo indica que : - A pessoa esteve exposta ao virus . - Tem o virus dentro do seu organismo. - Tem a potencialidade de o transmitir a outra pessoa. - Tem quase a certeza de vir a contrair Sida .

Em síntese:

Em síntese Ser seropositivo : - É uma ameaça com que é difícil de se lidar. - Modifica o estilo de vida . - Tira a resistência ao organismo . - Propicia fenómenos de rejeição social e isolamento . - É uma fonte constante de desgaste físico e psicológico.

Slide 67:

Vamos considerar agora os quadros clínicos psiquiátricos, particularmente a Depressão

Quadros psiquiátricos:

Quadros psiquiátricos Num estudo realizado pela IAPAC , em 235 doentes infectados pelo virus VIH , estes referiam a prevalência de sintomas que vão ser apresentados no quadro seguinte. Journal of the International Association of Physicians in AIDS Care, Novembro de 2002

Quadros psiquiátricos:

Quadros psiquiátricos J ournal of the I nternational A ssociation of P hysicians in A IDS C are, Novembro de 2002 72 % 40 % 65 % 43 % 41 % 40 % 48 %

HAART (Highly Active Antiretroviral Therapy):

HAART (Highly Active Antiretroviral Therapy) Com a combinação de Inibidores da Protease e Inibidores nucleosídeos e não-nucleosídeos revertores da transcriptase conseguiu-se: - Lentificar a progressão da doença para SIDA. - Reduzir a incidência de infecções oportunistas . - Baixar o número de mortes por SIDA. - EUA : o número de mortes por SIDA baixou 12 % em 1996 , 44 % em 1997 e 21 % adicionais em 1998 . - Reduzir os efeitos neuropsiquiátricos do virus VIH .

HAART:

HAART Recordar! - É imprescindível uma boa adesão à HAART - O VIH replica-se, em média, 10 vezes por dia; - 80 % dos doentes que iniciam a HAART podem vir a alcançar cargas virusais indetectáveis . - A má adesão ao tratamento é a principal razão para: - n íveis s ub t erapêuticos, - r esistência v irusal e - f racassos n o t ratamento.

Adesão ao tratamento:

Adesão ao tratamento Riera et al. (2002) num estudo de 202 doentes a receber HAART comprovaram que: - Os toxicodependentes a receber Metadona e - Os indivíduos deprimidos eram os menos aderentes ao tratamento. Tratar estas situações pode melhorar a aderência ao tratamento.

Slide 73:

Depressão

A Depressão nos doentes VIH+ :

A Depressão nos doentes VIH+ A Depressão nos doentes VIH+ é um problema clínico frequente. - A prevalência oscila entre 8-67% - A prevalência, em estudos na comunidade sobre portadores VIH+, varia entre 4-14% nos homens e mulheres não-toxicodependentes .

Depressão:

Depressão A Depressão não é uma resposta obrigatória perante a seroconversão ou o facto de ter de viver com o VIH. - Estados prévios de Depressão predispõem ao desenvolvimento de Depressão durante o curso de VIH. - Quando uma Depressão aparece precocemente, após a contaminação pelo VIH, usualmente reflecte a existência de transtornos pré-mórbidos do humor.

Causas da Depressão:

Causas da Depressão Contudo os doentes VIH+ estão submetidos a uma pressão muito grande: - Atravessam situações frequentes de Stress o qual, por sua vez, diminui as defesas imunitárias. - Quando o stress da vida é muito acentuado quase quadriplica no portador a progressão da doença pelo VIH. A Depressão nos VIH+ carece sempre de tratamento .

Como se trata a Depressão:

Como se trata a Depressão A forma óptima de lidar com a Depressão inclui intervenções psicofarmacológicas e psicológicas . - Embora qualquer uma das intervenções seja eficaz, a farmacoterapia é essencial .

Tratamento da Depressão:

Tratamento da Depressão O doente deve ser tratado na sua globalidade : - Tratar agressivamente a infecção VIH , outras condições médicas subjacentes e abuso de substâncias tóxicas. - Seleccionar um antidepressor que tenha interacções mínimas com outros medicamentos e efeitos colaterais bem tolerados. - A adesão aos cuidados psiquiátricos prediz um melhor resultado.

Terapia Farmacológica da Depressão:

Terapia Farmacológica da Depressão Todos os antidepressores são eficazes . Devem-se ter em conta: - A história prévia pessoal do indivíduo. - Os sintomas-alvo - Os efeitos colaterais (podem exacerbar a doença somática)

Tratamento da Depressão:

Tratamento da Depressão - O tratamento antidepressor melhora os sintomas em 70-80% dos doentes em que não haja uma Depressão complicada e em 40-50% dos doentes com Depressão complicada por comorbilidade psiquiátrica e avanço da SIDA (Lyketsos et al. 2001). - Os ISRS ’s são melhor tolerados do que os antidepressores tricíclicos.

Terapia Farmacológica da Depressão:

Terapia Farmacológica da Depressão Na prescrição dos psicofármacos devem-se ter em conta as interacções . Pode surgir: - Um síndroma Serotoninérgico - ISRS & amphotericin, ZDV - Potenciação - álcool/benzodiazepinas. - Potenciação - co-administração de benzodiazepinas e TCA’s, neurolépticos, isoniazida, inibidores da protease.

Tratamento da Depressão:

Tratamento da Depressão Cuidados a ter! - O metabolismo dos ISRS, especialmente a Fluoxetina , (mediado pelo CYP 2D6 ) pode ser inibido pelo ritonavir , indinavir e sumo de toranja. - Em 8.5% de indivíduos Afro-Americanos , em 5-8% dos Caucasianos e em 2-10% dos Asiáticos tem sido identificada uma deficiência do 2D6 . - Pode resultar um Síndroma Serotoninérgico devido a níveis elevados de ISRS.

Síndroma Serotoninérgico:

Síndroma Serotoninérgico Características de um Síndroma Serotoninérgico : Começo : surge poucas horas após a modificação de doses ou de medicamentos. Manifestações clínicas : - Agitação/Desassossego, sudoração, diarreia, febre. - Hiperreflexia, falta de coordenação, mioclonus, tremores. - Estado mental: oscila de confusão a hipomania. - Pode ser fatal.

Tratamento da Depressão:

Tratamento da Depressão Observações! - Os ISRS’s mais fáceis de usar nesta população são a Sertralina e o Escitalopram . - A Mirtazapina tem poucas interacções medicamentosas mas é mais difícil de ser tolerado. - Os estimulantes podem ser usados em doentes terminais.

Tratamento da Depressão:

Tratamento da Depressão Consideremos agora as intervenções não farmacológicas

Apoio psicoterapêutico:

Apoio psicoterapêutico Embora o declínio e a morte possam ser confrontados durante a terapia, o aspecto mais importante a promover é a vida , de forma a que o indivíduo crie e se envolva numa vida de qualidade e não de abandono perante o destino (Zegans, Gerhard e Coates, 1994).

Apoio psicoterapêutico na Depressão:

Apoio psicoterapêutico na Depressão Objectivos das intervenções Psicológicas : - Diminuição dos comportamentos de alto risco - Aumento da cooperação com o tratamento - Melhoria da qualidade de vida - Melhorar as estratégias de lidar com os problemas - Diminuir a utilização dos serviços de cuidados de saúde - Aumentar o tempo de sobrevida (?)

Apoio psicoterapêutico na Depressão:

Apoio psicoterapêutico na Depressão T erapia C ognitivo- C omportamental T erapia I nterpessoal P sicoterapia B reve P sicoterapia de A poio P sicoterapia de G rupo

Slide 89:

Conclusões Finais

Conclusões finais:

Conclusões finais - O ser humano deve ser considerado numa perspectiva holística , tendo em conta que há uma relação estreita entre o que é somático e psíquico . - Clinicamente é pertinente, num indivíduo com uma doença física grave, tentar avaliar a presença concomitante de transtornos psiquiátricos; quando existirem devem ser paralelamente tratados. - Na prática clínica há que ter cuidado com as interacções medicamentosas ; nalgumas situações podem determinar efeitos prejudiciais, por vezes perigosos, nos doentes em que se observam.

authorStream Live Help