historia do racismo no brasil

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ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE MARI Secretaria Municipal da Educação e Desporto “E BOM VIVER AQUI” O Brasil das Desigualdades raciais: Cultura Afro-Brasileira Professoras: Maria Celi P.Oliveira Maria da Guia Nívea

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“Quando alguém prende uma corrente no pescoço de um escravo, a outra ponta dessa corrente se enrosca no seu próprio pescoço” Ralph Waldo Emerson. Compensations

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Fundamento Histórico Na origem das extremas desigualdades raciais observadas no Brasil está o fato óbvio de que os africanos e muitos dos seus descendentes foram incorporados à sociedade brasileira na condição de escravos. A chamada “escravidão moderna” foi uma das formas mais radicais de exclusão econômica e social já inventadas pelo homem. As desigualdades entre as raças observadas no Brasil de hoje nada mais são, portanto, que o resultado cumulativo das desvantagens iniciais transmitidas através das gerações. As políticas de “ação afirmativa” ou “discriminação positiva” são instrumentos de que a sociedade dispõe para compensar essas desvantagens impostas às vítimas da escravidão e seus descendentes, com o objetivo de colocá-los na mesma condição competitiva que os outros segmentos da sociedade. Numa linguagem bem direta, pode-se dizer que se trata apenas de “pagar os atrasados” ou de “recuperar o tempo perdido”. “Tratar desigualmente os desiguais para promover a igualdade”

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A segunda maior nação escravista da era moderna O último país do mundo ocidental a abolir a escravidão (1888) O penúltimo país da América a abolir o tráfico de escravos (1850) O maior importador de toda a história do tráfico atlântico O Brasil tem hoje A segunda maior população negra (afrodescendente) do mundo, com cerca de 80 milhões de indivíduos, só sendo superado pela Nigéria O Brasil foi

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Cronologia da abolição da escravidão na América Saint Domingue (Haiti) 1804 Chile 1823 Províncias Unidas da América Central 1824 México 1829 Uruguai 1842 Colônias suecas 1847 Colônias dinamarquesas 1848 Colônias francesas 1848 Bolívia 1851 Colômbia 1851 Equador 1852 Argentina 1853 Venezuela 1854 Peru 1855 Colônias holandesas 1863 Estados Unidos 1863 Porto Rico 1873 Cuba 1886 Brasil 1888

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Distribuição percentual do Tráfico Atlântico, por local de destino, 1451-1870

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Disseminação da propriedade de escravos Suporte social e ético do regime

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A propriedade de escravos era amplamente disseminada na sociedade brasileira (muito mais que nos Estados Unidos ou no Caribe) Durante quase 4 séculos o regime escravista contou com uma ampla base de sustentação social, ideológica, política e religiosa. A Igreja Católica nunca combateu a escravidão negra Não havia clivagens regionais, como nos EUA : a escravidão era aceita e praticada em todo o território brasileiro No censo do Império (1872) havia escravos em todos os 643 municípios brasileiros Ao contrário da lenda perpetuada pela literatura abolicionista, a sociedade não rejeitava éticamente a escravidão Ter escravos ou traficar com escravos não era vergonhoso, nem estigmatizante, mas sim um sinal de status, de riqueza e de prestígio. A maior parte dos grandes traficantes e dos grandes proprietários recebeu títulos de nobreza do Império Até depois da Guerra do Paraguai quase não se encontra nenhuma oposição ao regime servil na literatura, na imprensa, na jurisprudência ou no parlamento O movimento abolicionista, quando surgiu, foi inteiramente secular - a Igreja Católica não participou dele

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Possuíam escravos tanto o grande fazendeiro, o grande minerador, o grande comerciante, o general e o bispo, como o pequeno lavrador, o faiscador, o pequeno funcionário, o tropeiro, o artesão, o vendeiro e o cura da aldeia Mas também tinham cativos o sacristão, a viúva pobre, o negro e o mulato forros, e até alguns escravos O governo tinha cativos (os “escravos da nação”), assim como as ordens religiosas, os conventos e a família imperial As companhias mineradoras inglesas tinham muitos – no Gongo Soco encontramos negros batizados como Otello, Byron e Macbeth,além de inúmeras Pollys, Mollys e Peggies

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Em Minas Gerais, em 1831, 34% dos domicílios possuía escravos (dois terços destes tinham de 1 a 5 indivíduos) Em 1862, encontramos cativos em 25% dos “fogos” mineiros Em 1828, 25% dos domicílios paulistas possuíam escravos Em 1998, 30% dos domicílios brasileiros tinham telefone Em 1997, 24% dos domicílios mineiros tinham automóvel

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A construção da negação Do mito da “escravidão cordial” ao mito da “democracia racial” A idéia de que a escravidão no Brasil era “mais branda” ou “mais suave” do que nos EUA ou no Caribe tem suas raízes no próprio período escravista Foi retomada por alguns historiadores no século XX (Oliveira Viana, Carolina Nabuco, Artur ramos, Donald Pierson, Mary Wilhelmine Williams, Percy A. Martin e, principalmente, Harry Johnston (1910), Gilberto Freyre (1922, 1933), Frank Tannebaum (1946) e Stanley Elkins (1959) Ficou conhecida na literatura como a “tese Freyre-Tannebaum-Elkins” Totalmente desmoralizada hoje (Roger Bastide, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, Florestan Fernandes [UNESCO], Marvin Harris, Sidney Mintz, etc.), mas teve papel importante na fixação do mito da democracia racial no Brasil

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Gilberto Freyre. Casa Grande e Senzala (1933) : A escravidão afetuosa ou A senzala vista da varanda da casa grande - uma visão idílica da escravidão e da “civilização do engenho” - Um sistema patriarcal, paternalista, cordial, afetivo - intensa troca cultural entre escravos e senhores - intenso relacionamento sexual e miscigenação - Foi o “gênio colonial português” que construiu essa civilização Muito mais direto e explícito em 1922, em “Social Life in Brazil in the Middle of the Nineteenth Century”. HAHR (1922) - Escravos eram bem alimentados, bem abrigados, bem vestidos e bem tratados em geral - “The Brazilian slave lived like a cherub if we contrast his lot with that of the English and other European factory workers in the middle of the last century”

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Frank Tannebaum. Slave and Citizen. The Negro in the Americas (1946) Baseia seu argumento na comparação de algumas características : - Colonização ibérica x colonização anglo-saxônica - Catolicismo ibérico x catolicismo francês x protestantismo - Tradição legal ibérica, convivência secular com regime escravista - Experiência ibérica de convívio interracial “Humanidade” do escravo brasileiro x bestialidade (chattel) nos EUA Estatuto legal da escravidão brasileira garantia garantia direito ao casamento e à família, direito de mudar de dono, direito de propriedade, direito de comprar sua própria liberdade Evidências : - incidência de manumissão - relacionamento sexual, miscigenação - sistema aberto, com possibilidade de mobilidade - abolição pacífica

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Da visão da escravidão mais branda e mais humanizada os defensores dessa tese inferiram vários corolários sobre as relações raciais no Brasil pós-abolição : “In Brazil the freed Negroes were free men, not freedmen” (Tannebaum) Depois da abolição os ex-escravos adquiriram cidadania imediata, fundindo-se na população livre com plenos direitos, sem restrições legais e sem segregação Visões como essas, junto com a afirmação formal da igualdade (inexistência de aparato legal de segregação) e a ausência de violência interracial, criaram, e mantém até hoje, a mentira da democracia racial, ou seja a idéia de que a sociedade brasileira oferece oportunidades iguais para todos, independentemente de sua raça ou cor Esse é um dos mitos mais arraigados da cultura brasileira. Racismo e desigualdade racial são anátemas no Brasil. Recentemente tem surgido até mesmo um renascimento da tese da “escravidão cordial”

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Desigualdades raciais no Brasil hoje: a realidade desmente o mito Mais de um século depois da abolição, as desvantagens e desigualdades geradas pelo regime escravista permanecem entre nós, e continuam sendo transmitidas entre as gerações Todas as outras sociedades escravistas da América tiveram mais sucesso que o Brasil na superação das desigualdades raciais No Brasil persistem grandes diferenças entre os indicadores sócio-econômicos de brancos e negros e, o que é mais grave,vários desses indicadores não tem uma trajetória convergente Apesar disso, a sociedade brasileira continua negando a existência do problema e a necessidade de enfrentá-lo

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Educação

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Brasil : Número médio de anos de estudo em 1999, por coôrtes e por cor 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1929 1932 1935 1938 1941 1944 1947 1950 1953 1956 1959 1962 1965 1968 1971 1974 Ano de nascimento Escolaridade média Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1999. Nota: *A população negra é composta por pretos e pardos. Brancos Negros

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Mercado de trabalho

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Desemprego

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Renda e pobreza

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Brasil : Distribuição da população por décimos da renda, segundo a cor, 1999 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Décimos da renda Proporção (%) População Branca População Negra* Fonte: IPEA, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1999. Nota: *A população negra é composta por pardos e pretos.

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1992 1999

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Brasil : População total, pobres e indigentes, segundo a cor, 1999 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 População total Pobres Indigentes População Branca População Negra* Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de domicilio 1992, 1993, 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999 Nota: * A população negra é composta por pardos e pretos.

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Trabalho infantil

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Distribuição por cor das crianças que trabalham, 1999 Crianças de 5 a 9 anos Crianças de 10 a 14 anos

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Condições habitacionais

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