Slide Capitão Mouro

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Capitão Mouro : 

Capitão Mouro Poesias

Sobre Gaston Bachelard : 

Sobre Gaston Bachelard Filósofo e Poeta Francês que de forma didática tem sua obra dividida em duas: a obra diurna e a obra noturna, como o próprio autor expressa no seguinte trecho da obra Poética do Espaço: "Demasiadamente tarde, conheci a boa consciência, no trabalho alternado das imagens e dos conceitos, duas boas consciências, que seria a do pleno dia e a que aceita o lado noturno da alma". (JAPIASSÚ, 1976, p.47).

Sobre mim... : 

Sobre mim... ...?x !...

Sobre minha poesia... : 

Sobre minha poesia... Minha poesia é um embate Entre a emoção e a razão É peixeira que corta sedenta Faz picado com cicuta e pimenta Do meu cérebro e do meu coração Capitão Mouro

Slide 5: 

Capitão Mouro fragmentos...

...Meu coração entortaA minha alma empena... : 

...Meu coração entortaA minha alma empena... Capitão Mouro fragmentos...

Pois as relações materiais Já não me movemSó o teu amor me comove : 

Pois as relações materiais Já não me movemSó o teu amor me comove Capitão Mouro fragmentos...

Pois meu amor é um “estado”De eterna contradição : 

Pois meu amor é um “estado”De eterna contradição Capitão Mouro fragmentos...

Pois o amor é uma invenção dementeUma impossibilidade desconhecida : 

Pois o amor é uma invenção dementeUma impossibilidade desconhecida Capitão Mouro fragmentos...

Mas meu coração Também era uma folha em branco : 

Mas meu coração Também era uma folha em branco Capitão Mouro fragmentos...

O poeta é mesmo um sofredorPois não se dá com a razão : 

O poeta é mesmo um sofredorPois não se dá com a razão Capitão Mouro fragmentos...

Nosso amor não tem disciplina Não promove concilições : 

Nosso amor não tem disciplina Não promove concilições Capitão Mouro fragmentos...

Não há motivo racionalPara considerarmos o amor : 

Não há motivo racionalPara considerarmos o amor Capitão Mouro fragmentos...

Oferece-me a vida e a possibilidade da catástrofe : 

Oferece-me a vida e a possibilidade da catástrofe Capitão Mouro fragmentos...

Minha razão já não me sustentaChego a duvidar de mim mesmo : 

Minha razão já não me sustentaChego a duvidar de mim mesmo Capitão Mouro fragmentos...

Sou um rebelde apaixonadoEm pleno estado de demência : 

Sou um rebelde apaixonadoEm pleno estado de demência Capitão Mouro fragmentos...

Meu amor é uma anomiaQue ninguém ousaria provar : 

Meu amor é uma anomiaQue ninguém ousaria provar Capitão Mouro fragmentos...

Amo de uma forma esquisitaQue a nenhum outro amor se compara : 

Amo de uma forma esquisitaQue a nenhum outro amor se compara Capitão Mouro fragmentos...

Slide 19: 

Textos na íntegra

“Tudo que é sólido se desfaz no ar!” : 

“Tudo que é sólido se desfaz no ar!” Amo tanto!... Que de tanto amar Já não vale a pena Penso até que amo Por que de mim tenho pena Meu coração entorta A minha alma empena E numa retrospectiva Beijo a beijo Cena a cena Tento entender O que só Marx poderia explicar Como um amor tão farto e imprescindível Que parecia nunca acabar “De repente, não mais de repente” De sólido se desfaz no ar! Capitão Mouro

Você não vale nada! : 

Você não vale nada! Mas... Se Marx estivesse certo Como eu poderia te amar? Pois as relações materiais Já não me movem Só o teu amor me comove E as relações de troca Para mim não são condição És incondicionalmente A dona do meu coração E que se dane o valor de troca Incapaz de avaliar tua importância Pois mesmo que não valesses nada Minha alma a ti alienada Teimaria em amar sem ser amada Capitão Mouro

Os brutos também amam! : 

Os brutos também amam! Marx estava certo Avante a revolução! Pois meu amor é um “estado” De eterna contradição O meu amor não tem pátria Nem titulo de propriedade É um diamante bruto Matéria da liberdade Desprende energia e dá trabalho Não é metafísico ou ideal Provoca dor e dá prazer Não é virtuoso ou virtual Explode entre carnes e ossos Transpira e mela os corpos Cheira bem e cheira mal É uma “síntese” involuntária Eu amo enquanto existo Meu amor não tem paciência É força à qual não resisto O meu coração é um músculo Que bate em alta freqüência Trabalha!Trabalha!Trabalha! E ama sem consciência! Capitão Mouro

Nem a priori nem a posteriori : 

Nem a priori nem a posteriori Nem ex poste nem ex ante Pois esse amor só serve pra agora Nem um minuto adiante Nega o futuro, nega o passado Sem ter certeza de ser amado Ama inadvertidamente Ama agora Bem nesse instante Somente agora bem melhor que amanha Somente agora bem mais que ontem Não tem modelo, nem esta previsto Nem engendramentos ou aspirações É um amor impermitível Impensável, incompreensível Incompatível às restrições Nem necessário Nem inevitável É irresolvível e inadiável Um amor de dupla negação Sem cérebro e sem coração Pois o amor é uma invenção demente “Uma impossibilidade desconhecida” Bárbara, brutal, insolente Que se faz, sem que se pense Agora, nunca, eternamente... Capitão Mouro

“A Raposa e as Uvas” : 

“A Raposa e as Uvas” Minha mente era uma folha em branco Preenchida pelas fábulas de Esopo Pela Anabasis de Xenofonte Pelos diálogos de Platão Pelos tratados de lógica de Aristóteles E “deliberadamente escudado ” Por meu cérebro Pensei ser uma “MÁQUINA LÓGICA" E pensei que a LIBERDADE Fosse “a dádiva maior da existência” E como Xenofonte Marcho em direção ao território do meu interior E enfrento um exército de dez mil mercenários Numa batalha de circunstâncias E como a raposa de Esopo Desdenhando das uvas Pensei que a LIBERDADE Fosse “a dádiva maior da minha existência” Mas meu coração Também era uma folha em branco E se vê preenchido pelo desejo De uma única mulher E as mulheres são lindas e inteligentes E me vi cativo de teu amor e de tua liberdade E somente na tua plena liberdade de desejo Que encontrei a minha própria liberdade E pensei que a tua PLENA LIBERDADE Fosse “a dádiva maior da minha própria existência” Capitão Mouro

Carne e Osso : 

Carne e Osso O poeta é mesmo um sofredor Pois não se dá com a razão E se pega querendo dizer Que o amor parece ser Como o pensamento de Bourdieu Que é de difícil compreensão Uma teoria em carne e osso Que causa angústia ao coração O amor É uma força estranha e independente Que em nós jaz, subjacente Sedimentada e cristalizada Em profundidades variadas E diferentes temperaturas e pressão Acomodada e retida Por uma rocha confinante Parcialmente fundida Como se fosse um vulcão “E que de repente não mais que de repente” Nos toma de assalto Entre em erupção E de estranha nos parece gente Numa fusão complexa De elementos voláteis De nossa percepção Pensamento e ação E que nos deixa atordoado Sem termos compreensão Se é inimigo ou aliado De nosso pobre coração Capitão Mouro

Faces do subúrbio : 

Faces do subúrbio O nosso amor é romantico E dele todo mundo diz Eis uma amor fracassado Recíproco...mas infeliz Percocemente condenado Como que mira um horizonte Que cada vez que se aproxima Se afasta mais a diante Mas desconsideranto vulgatas Tomo assento em tua carruagem Face a face, vis-à-vis Põnho os olhos em teu busto E a mãos em teus quadris E mesmo sem ter direito Me precipito a te amar Sem conceitos ou preconceitos Nem condenações precoces Hadicap´s sociais Impedimentos antecipados Obstáculos culturais Nosso amor não tem disciplina Não promove concilições È uma fantasma dos subúrbios Imigrante de corações É um processo recíproco De dependência e inclusão Que teima em ser feliz E ama sem ter razão Capitão Mouro

Inessencial : 

Inessencial Não há motivo racional Para considerarmos o amor Devíamos...antes... Estar inclinados A percebê-lo Ainda que fosse Como casual e arbitrário Em última instância Inessencial... Primitivo... Imutável em sua inércia E inutilidade abstrata O amor está morto... E eu... Absolutamente inseparável dele! Capitão Mouro

“O Fazedor de Ferramentas” : 

“O Fazedor de Ferramentas” A teu amor me imprime De uma forma indecifrável Modula meus sentimentos Desde sempre Distancia-me do imediato Faz-me compreender quem chorar Dá-me entusiasmo, e através dele... “Despertado já não durmo” Altera minha percepção, Através de estímulos luminosos Faz-me ver a complexidade humana Sou um fazedor de ferramentas E o teu amor é o cúmulo da minha loucura Joga-me entre a incerteza e o inesperado Oferece-me a vida e a possibilidade da catástrofe Desencadeia minha ação Que escapa ao meu desejo e intenções Condena ao fracasso minhas previsões Mas me mantém forte e me incita à coragem Teu amor é uma aventura E como toda aventura imprevisível Mas não totalmente desconhecida. Capitão Mouro

O Filósofo e a Violinista Cartas de Gramsci : 

O Filósofo e a Violinista Cartas de Gramsci Querida Giulia, Será que te interessa essa conversa? Há muito tempo atrás Conheci um jovem operário Que em relação ao Japão Tinha uma preocupação tenaz O Japão o obsedava E sem ele, o mundo lhe fugia Eu então simplesmente Caçoava e ria... Hoje o entendo O mundo me foge Pois só consigo compreendê-lo A partir de quem amo Da minha sensação molecular Do meu existir em estado livre Da minha substância originária Dos meus sentimentos inexplicáveis Como posso perceber a vida? Minha vida se sente paralisada Falta-me a sensação da tua vida, Giulia! Minha razão já não me sustenta Chego a duvidar de mim mesmo Sou um forasteiro da minha sombra Tenho medo de ser esmagado Pela rotina do cárcere Esta é uma máquina monstruosa Já não sei mais rir de mim mesmo E isso é grave Eis a minha fragilidade Agora te compreendo integralmente Hoje pertenço a teu mundo A emoção é a nossa hegemonia E a “desinteressada” melodia Que sai de teu violino Agora... só agora... eu ouço! Estou pronto para amar Estou pronto para sofrer Sou um homem de carne e osso Agora... já posso morrer! Capitão Mouro

Panopticon (O olho do amor) : 

Panopticon (O olho do amor) Roubaste minha subjetividade Me atirastes na deliquência Eu sou o louco da cidade Sou um rebelde apaixonado Em pleno estado de demência És meu poder soberano Sou súdito, não por engano Sou um fiel prisioneiro Da mais fascinante prisão Pois sou também carcereiro De meu próprio coração É o amor em estado puro Em dimensões excessivas Nos mais íntimos detalhes Pra sempre, definitiva Sem máscaras e sem cinismo Inteiramente justificado Numa tirania serena Eu amo sem ser amado Meu olhar já não encontra obstáculos Subverte o principio da masmorra Ao efeito da contraluz Recortando a luminosidade Só enxerga uma realidade A tua mais bela silhueta Em cada janela da cidade Capitão Mouro

E o amor Durkheim?! : 

E o amor Durkheim?! O mar não é de Espanha O mar não é de Holanda Meu amor é uma anomia Que ninguém ousaria provar Sou parte de coisa nenhuma Sou louco porque te amo Com tantas outras pra amar É um amor suicida Que salta da ponte pro mar Meu amor é uma loucura Que não sabe navegar Que a mim não é imposto E que mesmo a contra gosto Ignora minha vontade Como a única deidade Em que posso acreditar “Brigam Espanha e Holanda” Pelos direitos do mar O mar é dos apaixonados Que amam sem saber amar Como um marujo em terra firme Que se afoga embriagado Por não entender o amor Que Émile não soube explicar Capitão Mouro

"Zyklon B", O amor depois de Auschwitz... : 

"Zyklon B", O amor depois de Auschwitz... Amo de uma forma esquisita Que a nenhum outro amor se compara Diferente de todos que existem Sem razão, sem corpo, sem cara Um amor que não se cabe Que se contém silencioso e a sós Que não se diz e não se fala Que me denuncia ao meu algoz Que me pega pelas mãos E “gentilmente” me conduz Sem venda e sem capuz Valsa a valsa, passo a passo Para meu próprio cadafalso Um amor que não me assenhora Fora de tempo e de hora Um amor que não se faz Que não se realiza jamais Fatal, sedutor e letal Que se debate sem sorte Entre a esperança e a morte Um amor que se envergonha de amar Um amor que o ódio não vence Que se esconde na escuridão Do cárcere e do porão Ameaçador e audaz Pois amo como quem respira Em uma câmara de gás Capitão Mouro

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