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Linguagem, evidencialidade e posicionamentos de professor: A construção da coerência dos “selves” em narrativas de experiência : 

Linguagem, evidencialidade e posicionamentos de professor: A construção da coerência dos “selves” em narrativas de experiência Tese de Doutorado Doutoranda: Cláudia Maria Bokel Reis Orientadora: Profa. Maria das Graças Dias Pereira Departamento de Letras - PUC-Rio

Tema da pesquisa : 

2 Tema da pesquisa Enfocar, analisar e discutir a construção da coerência narrativa dos posicionamentos de “self “ no âmbito dos horizontes de contextos interdependentes (Knoblauch, 2001) em que os profissionais se encontram inseridos (contexto interacional, de comunidades de prática e macro-social), observando a reflexividade da construção dos posicionamentos colocados em ação pelas narradoras; Tema de natureza lingüística: articular os diversos posicionamentos de self , construídos em discurso, com a construção narrativa e discursiva das identidades, através do recurso pragmático da evidencialidade, em sua abordagem ampla, com foco nas atitudes epistemológicas dos falantes em relação à construção da informação ou do conhecimento.

Questões em foco : 

3 Questões em foco Quais são os posicionamentos identitários de professor de Língua e Lingüística colocados em ação a partir do contexto interacional da entrevista de pesquisa para refletir as mudanças e transformações dos contextos macro-social e das comunidades de prática, para a construção da coerência narrativa entre eles? Como se estabelecem os relacionamentos entre uma abordagem micro para a construção das identidades na fala das interactantes e o olhar macro das identidades sociais (profissionais) no âmbito das narrativas de experiência profissional?

Objetivos : 

4 Objetivos Ao tratar das narrativas, identificar os recursos pelos quais os posicionamentos são construídos e desvelar, através da evidencialidade, os diversos posicionamentos de self pessoal, profissional e de outros que compõem a atuação profissional na contemporaneidade e como estes são expressos no contexto interacional. Identificar e interpretar as construções identitárias, buscando verificar como se estão construindo as identidades dos profissionais no âmbito da entrevista e como se estabelecem as conexões entre as identidades que são colocadas em ação vis-à-vis os contextos em que as narradoras se inserem. Articular as categorias discursivas da evidencialidade com a teoria dos posicionamentos e da análise narrativa, contribuindo para o desenvolvimento da análise das narrativas de identidade;

Justificativa e relevância da pesquisa : 

5 Justificativa e relevância da pesquisa Articular a teoria dos posicionamentos, da análise narrativa ao conceito da evidencialidade em sua abordagem ampla. Relevância teórica: compreender a construção das identidades em relação aos contextos de que participam as profissionais e como interagem na construção da coerência do self em narrativas de experiência; Relevância social: Compreender a construção identitária, a fim de refletir sobre a complexidade da construção dos posicionamentos, a partir da ótica da reflexividade na contemporaneidade e nas comunidades de prática.

Slide 6: 

6 Memória Pedido para contar história da experiência de vida profissional Níveis de contextualização e construção da experiência Processos de narrativização Histórias de experiência Profissional Posicionamentos de self e de outros Evidencialidade Avaliações, Opinião e explicações A construção da coerência das identidades na interdependência dos contextos: Operacionalização do modelo teórico-analítico

Articulação do modelo teórico-analítico : 

7 Articulação do modelo teórico-analítico Trabalho com perspectiva interdisciplinar que traz ao diálogo a Pragmática, a Sociolingüística Interacional, Teorias Socioconstrucionistas do discurso, a Sociologia, a Psicologia Social e Psicologia Cultural: A narrativa conversacional como ‘local’ de emergência de construções identitárias; A noção de contexto por horizontes de contextualização interdependentes (macro-social, de comunidades de prática e interacional); A evidencialidade como recurso analítico pragmático para os posicionamentos. Identidades como posicionamentos de self em micro, médio-macro e macro contextos;

A narrativa conversacional : 

8 A narrativa conversacional Abordagem ampla como em Mislher (1999; 2003), Ricouer (1980) e Bourdieu (1986); Bruner (1987) – a narrativa autobiográfica como forma de organizar a experiência e a memória; Abordagem de Linde (1993): Princípios de Causalidade e Continuidade para os processos de construção da coerência do self que regem o ato de contar uma história; Crônica como um tipo de narrativa (Linde, 1993; De Fina, 2003). Avaliação (Linde, 1997) – avaliação incidental, constituinte, tópica; Narrativa de recontagem (Norrick, 2000) – retomada com possibilidade de produzir avaliações acerca da experiência.

A narrativa conversacional (cont.) : 

9 A narrativa conversacional (cont.) Outros tipos de unidades discursivas nas narrativas: Explicações (Linde, 1993) – se inicia como uma seqüência de declarações a ser provada, e segue com uma seqüência de razões por que deva ser acreditada; Opinião (Shi, 2000; Schiffrin, 1987) – apresentação de atitude ou crença como fato objetivo, conectado a diversas ordens ou contextos sociais.

Identidades e Posicionamentos : 

10 Identidades e Posicionamentos Concepção de identidades como co-construídas em discurso, perpassando por questões de dialogicidade, alteridade, contexto e situacionalidade (Moita-Lopes, 2001, 2002; Bakhtin, 1981); A construção das identidades em contextos micro e macro (contemporaneidade, Giddens, 2002; Bauman, 1997; Sennett, 2000); – dilemas do self (Giddens, 2002); Identidades na Nova Ordem do Trabalho (Gee & Lankshear, 1995; Gee, Hull & Lankshear, 1996); Concepção de Identidades como Posicionamentos (Davies & Harré, 1990; Harré & van Langenhove, 1999); taxonomia (Harré & van Langenhove, 1999); Posicionamentos interacionais (Wortham, 2000; 2001)

A pragmática da evidencialidade: Recurso analítico para posicionamentos : 

11 A pragmática da evidencialidade: Recurso analítico para posicionamentos Chafe (1986) – independentes de sua realização gramatical, os evidenciais são: (a) resultantes da avaliação do falante sobre o conhecimento, possuindo força semântica e pragmática; (b) reflexo de uma relação inerente entre a fonte da informação (sensória, lingüística, hipotética) e o tipo de conhecimento (crença, boato, indução, dedução); Mushin (2001) – Interpretação pragmática para a expressão da evidencialidade: os falantes adotam determinada atitude epistemológica para a construção da informação ou conhecimento e a expressam por estratégias evidenciais.

Tipologia para as atitudes epistemológicas (Mushin, 2001) : 

12 Tipologia para as atitudes epistemológicas (Mushin, 2001) Experiência Pessoal: produto da experiência direta e percepção consciente do conceptualizador, com acesso exclusivo (ou não) e direto à “verdade” da informação. A informação é construída como uma versão dos eventos pelo falante; Inferencial: Construção da informação como inferida ou deduzida, baseada em sólida evidência; Reportada: atitude construída para informação adquirida através de informação de outrem; Factual: ausência de qualquer construção da fonte de informação (e status); Imaginativo: Informação construída em um mundo possível ou ficcional.

Modelo metodológico : 

13 Modelo metodológico Pesquisa de natureza qualitativa e interpretativa, baseada em entrevista aberta, em que os participantes contavam suas experiências de trajetória profissional; Foram coletadas seis entrevistas; duas foram analisadas, proporcionando um enfoque detalhado nas análises das narrativas de ambas e nas construções dos diversos posicionamentos de self ao longo das histórias; “Vanda” – Professora de Lingüística em um Curso de Graduação e Pós-Graduação em Letras em uma Universidade particular no Rio de Janeiro; contava cerca de 50 anos no momento da entrevista; “Denise” – Professora de Língua Portuguesa em um Centro Universitário e Universidade Particular no Rio de Janeiro; contava cerca de 35 anos no momento da entrevista.

Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda) – Fragmento 2 – A emergência de identidade profissional no contexto de escola : 

14 Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda) – Fragmento 2 – A emergência de identidade profissional no contexto de escola (Parte do extrato 2.4) 84 E aí, 85 eu me lembro de até hoje 86 ver ela fazendo aquele quatro grande assim, 87 Cláudia: [Ahn 88 Vanda: como que diz está bem, 89 vou dar, vou investir, 90 vou ver o que que vai dar. 91 E quando ela fez aquilo .. 92 e realmente.. 93 decidi que o que eu queria na minha vida, 94 era ensinar português, 95 porque eu queria dizer pros outros, 96 que não era tão difícil, 97 quanto pensavam, 98 que NÃO era tão complicado, 99 que a gente pode aprender aquilo, 100 com a maior facilidade. 101 e .. ah de certa forma 102 eu resgatava aquele meu desejo 103 usava o magistério 104 pra fazer os outros se desenvolverem etc.

Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda) – Fragmento 2 – A emergência de identidade profissional no contexto de escola : 

15 Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda) – Fragmento 2 – A emergência de identidade profissional no contexto de escola Parte do extrato 2.6 123 Aí tava claro pra mim, 124 eu gostava de escrever, 125 sempre gostei de escrever. 126 Meu pai que é uma pessoa 127 que nunca estudou na vida, 128 mas é uma pessoa que gosta de escrever, 129 faz muita poesia . 130 Então é uma pessoa assim 131 Com quem eu aprendi o AMOr pela paLAVra,

Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda)Fragmento 3 – Passagem de aluna a professora e a construção da coerência do ‘acaso’ : 

16 Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda)Fragmento 3 – Passagem de aluna a professora e a construção da coerência do ‘acaso’

Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda)Fragmento 12 - identidades profissionais construídas de dentro da Comunidade para dentro da empresa : 

17 Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda)Fragmento 12 - identidades profissionais construídas de dentro da Comunidade para dentro da empresa Extrato 12.2 – 510 eu NUNca busquei NENhum trabalho. 511 Isso eu me orgulho de dizer. 512 Até eu nem sei 513 se me orgulho quando digo. 514 Na verdade deve ter sido um erro. 515 Se eu tivesse buscado, 516 talvez eu criasse uma empresa (risos), 517 Cláudia: (risos) 518 Vanda: tivesse trabalhando só com isso (risos), 519 e talvez até tivesse muito melhor de vida (risos). 520 mas ... o abcd sempre foi meu ponto de referência, né?. 521 Então eu acabava, 522 só fiz trabalhos quando eu fui chamada. 523 Nunca BUSquei nenhum trabalho, 524 seja do eft, 525 seja dos outros que vieram 526 por causa do eft ou não. 527 Até hoje, 528 Cláudia: Ahn 529 Vanda: eu nunca fui bater na porta de ninguém,

Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda)Fragmento 12 - identidades profissionais construídas de dentro da Comunidade para dentro da empresa : 

18 Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda)Fragmento 12 - identidades profissionais construídas de dentro da Comunidade para dentro da empresa Extrato 12.3 – 530 mas se por um lado me orgulho, 531 é sinal que propaganda boca-a-boca funciona, 532 quer dizer as pessoas gostaram. 533 Cláudia: hum hum 534 Vanda: Por outro lado acho que de repente, 535 foi de novo aquela coisa, 536 de não ter me planejado na vida. 537 Afinal que que você quer? 538 Você quer ser um othon? 539 você quer ser uma .. consultora? 540 e uma professora de de redação, 541 Cláudia: hum 542 Vanda: e comunicação empresarial, 543 e eu sinto às vezes que essas coisas são imporTANTes 544 ter foco na vida, 545 a gente definir alguns focos. 546 Por outro lado .. , eu acho que também 547 foi muito interessante, 548 porque eu acredito sempre em mistura. 549 Cláudia: Ahn Anh 550 Vanda: Eu acho que talvez se eu tivesse ficado só no contexto da empresa, 551 Cláudia: humhum 552 Vanda: eu não tiVESse a visão, 553 mesmo sabendo o que eu saberia aí, 554 porque já tinha participado, 555 já tinha vivido a vida acadêmica, 556 então já teria a noção de onde buscar as fontes, etc. 557 mas eu perderia talvez muita coisa, 558 que no mundo acadêmico eu tenho, né? 559 Cláudia: hum hum 560 Vanda: Então na minha vida, 561 tudo foi muito misturado, 562 e eu achei que foi legal, 563 quer dizer esse mundo acadêmico 564 entrou por esse mundo empresarial, 565 que na verdade é o mundo real.

Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda) – Fragmento 14 – O relacionamento com o outro na construção das identidades : 

19 Fragmentos de análise (Entrevista de Vanda) – Fragmento 14 – O relacionamento com o outro na construção das identidades Extrato 14.1 - 694 eu e a Fátima sempre costumamos brincar dizendo isso, né? 695 É:: hoje tá na moda você fazer o networking 696 Cláudia: Hum hum 697 Vanda: Quanto mais você fizer rede de relações, 698 mais você terá chances de conseguir coisas- 699 eu nunca fui por aí 700 pra mim as pessoas- 701 eu faço vínculo, 702 por aquilo que elas são, 703 pelo que eu tenho empatia com elas, 704 Cláudia: hum hum 705 Vanda: Pelo que elas representam 706 independente de que sejam

Resultados de Vanda : 

20 Resultados de Vanda Posicionamentos morais construídos por Vanda acionam questões éticas amplas dos contextos macro social e das comunidades de prática em que se encontra inserida; Construção de posicionamentos pessoais e profissionais que refletem unicidade e autonomia do self na construção da coerência narrativa; episódios da experiência pessoal e profissional reconstruídos de forma encaixada para a construção de seu pertencimento a diferentes comunidades de prática; Posicionamentos de self perpassam por explicar, avaliar e administrar a causalidade dos eventos de sua trajetória, ante a uma perspectiva do presente sobre a trajetória e a reconstrução dos posicionamentos de self pessoal, moral, profissional e de outros personagens de seu relacionamento.

Fragmentos de análise (Entrevista de Denise)Fragmento 2 – Construção identitária profissional no âmbito do trabalho como professora primária : 

21 Fragmentos de análise (Entrevista de Denise)Fragmento 2 – Construção identitária profissional no âmbito do trabalho como professora primária Extrato 2.1 - 27 Então aí eu comecei, 28 aí eu tinha duas turmas de manhã, 29 à tarde duas turmas de criancinha, 30 jardinzinho. 31 Cláudia: han han 32 Denise: Aí eu fiquei um ano. 33 Depois .. 34 eu fiz no decorrer desse ano, 35 eu fiz o concurso pro município, 36 mas eu fiz concurso pro município de (município vizinho). 37 Aí eu fui chamada. 38 Fui pro município de (município vizinho) .. trabalhar:: 39 Aí larguei a escola, né? 40 Essa escolinha: particular. 41 Fui trabalhar lá em (bairro em município vizinho), 42 Sabe onde é isso? 43 Cláudia: é longe hhhhh 44 Denise: [hhhh pois é hhhhh 45 À tarde.

Fragmentos de análise (Entrevista de Denise) Fragmento 5 – Avaliação da atuação profissional no âmbito dos diversos contextos de trabalho : 

22 Fragmentos de análise (Entrevista de Denise) Fragmento 5 – Avaliação da atuação profissional no âmbito dos diversos contextos de trabalho Extrato 5.2.2 - 208 mas é a relação é diferente do aluno, 209 do poder que o professor tem sobre o aluno. 210 Acho que é por causa da NOTA, né? 211 E na empresa não, 212 você não tem a coisa da nota, né? 213 Então você tem que fazer meio que um show mesmo, 214 lá na frente:: 215 E você tem que cumprir MESmo 216 aquele aquele progra:ma 217 Tem aquela coisa, 218 é uma coisa muito mais rígida, 219 porque os cursos são menores:: 220 Então você fica mais estressado com o horário:::, 221 horário que pessoal chega, 222 horário que o pessoal sai,

Fragmentos de análise (Entrevista de Denise)Fragmento 8 – A construção da identidade de professora sob a perspectiva da recontagem : 

23 Fragmentos de análise (Entrevista de Denise)Fragmento 8 – A construção da identidade de professora sob a perspectiva da recontagem Cláudia: Fala um pouquinho mais, como é que você quis ser professora? Por que que surgiu isso? Denise: [pois é? 368 Cláudia: Foi o normal direto? Extrato 8.1 – 378 Aí eu vim de (nome de cidade), 379 meu pai tava transferido, 380 eu vim de (nome de cidade), 381 a gente tava morando em (nome de cidade), 382 meu pai tava trabalhando lá. 383 Aí a gente voltou, 384 aí ficamos assim meio que, 385 em que colégio que eu ia entrar. 386 Aí minha mãe – oh-, 387 bota no instituto. 388 Aquela coisa de .. pessoal mais antigo, 389 achar – ah o instituto de educação, tara-rárá. 390 aí eu fui meio que que na onda, né? 391 Cláudia: hum hum

Fragmentos de análise (Entrevista de Denise)Fragmento 8 – A construção da identidade de professora sob a perspectiva da recontagem : 

24 Fragmentos de análise (Entrevista de Denise)Fragmento 8 – A construção da identidade de professora sob a perspectiva da recontagem Extrato 8.4 – 444 Denise: Eu cheguei a ver alguma coisa de LOja, 445 lembro na época fiz ficha, 446 num sei se cê lembra (nome de loja)? 447 Cláudia: lembro, lembro foi da minha época. 448 Denise: Então, 449 aí fiz ficha pra (nome de loja), 450 aí me chamaram pra trabalhar na (nome de loja) da (nome de bairro). 451 Aí (incomp) o salário, 452 E o que eu ia ter que trabalhar, 453 e a perspectiva que me dava, né? 454 trabalhar em loja, 455 ou trabalhar no município sendo professora, 456 e dando .. sendo funcionário público, 457 então eu decidi, 458 ganhava um POUquinho mais na (nome de loja), 459 mas não tinha as garantias que tinha no município. 460 Dia de prova na faculdade podia tirar, né? 461 Então aí eu acabei ficando no município.

Resultados de Denise : 

25 Resultados de Denise Construção narrativa em duas fases – crônica e recontagem; Movimentos em crônica: Foco na ação e nos eventos relatados, com avaliações incidentais e constituintes sobre eventos específicos; expressão da fragmentação do self profissional e velocidade das ações em vista dos diversos trabalhos; construção unificação a partir de um posicionamento pessoal que indexa o desejo da diversificação do trabalho; Posicionamentos profissionais no “entre-lugar” em relação ao trabalho de professora em contextos de empresa; Movimentos em recontagem: mudança do posicionamento interacional pela entrevistadora; construção de posicionamentos de self pessoal, profissional e de outros para avaliar a experiência;

Conclusões do estudo : 

26 Conclusões do estudo A evidencialidade se mostrou um recurso analítico importante para desvelar a construção dos posicionamentos de self pessoal, profissional e interacional nas narrativas de experiência e na identificação de outros tipos de discurso encaixados, como as avaliações, as explicações e as opiniões; A evidencialidade permite observar a escolha dos falantes sobre o tipo de narrativa para dar forma à experiência e a perspectiva destes sobre a reconstrução dos eventos narrados e dos contextos em que se inserem; A construção da coerência narrativa dos posicionamentos de self é decorrência da interpretação de uma perspectiva que observa a interdependência dos contextos em que as professoras se encontram inseridas; Para a construção da coerência narrativa do self , são colocados em ação pelas professoras, não apenas posicionamentos profissionais, mas também posicionamentos pessoais, interacionais e de outros que fazem parte da teia de relacionamento das professoras; Os resultados das análises das entrevistas de “Vanda” e “Denise” apontam para uma construção diferenciada da coerência dos selves nas narrativas, com escolhas de atitudes epistemológicas que alternam o foco ora na ação e nos eventos relatados, e ora no centramento da avaliação da experiência e/ou explicação dos eventos construídos de forma encaixada, conduzindo a posicionamentos morais nas narrativas.

Conclusões do estudo (Cont.) : 

27 Conclusões do estudo (Cont.) As atitudes epistemológicas adotadas pelos falantes nos permitiram perceber, por uma postura pragmática da evidencialidade e visualização e análise das estratégias evidenciais, o tipo de posicionamento que estava sendo construído, em que contexto estava localizado, apontando para a origem da perspectiva do conceptualizador; permitiram também perceber a relação construída entre falante e ouvinte e as expectativas do que este sabe, deve saber, ou não sobre a história que se desenvolve; A abordagem da evidencialidade auxilia na identificação e análise da construção de outros tipos de discurso, encaixados na narrativa de experiência, como atitudes epistemológicas pessoais em relação ao posicionamento de self colocado em ação em dado momento; A adoção de uma abordagem ampla para a evidencialidade, nos permitiu também observar a co-construção de posicionamentos como construção epistemológica culturalmente compartilhada em relação aos contextos em que as professoras se inserem. Narrativa de experiência profissional: Não apenas a recapitulação da experiência (Labov, 1972), mas uma reconstrução no presente sobre um passado que é avaliado e explicado na perspectiva do presente; relevância da construção da avaliação, explicação e opinião para a construção da coerência dos posicionamentos de self;