Cana de acucar no Brasil

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Panorama do desenvolvimento da lavoura de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo

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PANORAMA DO DESENVOLVIMENTO DO CULTIVO E DO PROCESSAMENTO DA CANA-DE-AÇÚCAR NO BRASIL Vittorio Pastelli • História • Cronologia • Referências o Livros o Sites o Vídeos o Softwares • Glossário 2014

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2 HISTÓRIA INTRODUÇÃO O Brasil é um dom do açúcar Caio Prado Jr. Formação do Brasil contemporâneo Caio Prado Júnior parafraseia o historiador grego Heródoto que disse o mesmo do Egito em relação ao Nilo. O imenso rio com suas enchentes e vazas sazonais foi o que propiciou uma agricultura e a partir dela uma civilização. No Brasil mais que uma cultura para exportação o cultivo da cana- de-açúcar forjou o país do ponto de vista cultural étnico e geográfico. Diferentemente de culturas como a do café ou do tabaco o açúcar exige uma indústria associada. Não basta colher. É preciso moer cozinhar e purgar. Além disso tem pouco valor de subsistência sendo voltada quase inteiramente para exportação o que implica financiamentos negociações com banqueiros acompanhamento de preços em bolsas etc. Assim desde o início da história do Brasil esteve presente entre nós um tipo de agricultura com exigências técnicas especiais que demandava além de agricultores práticos em carpintaria e em uma precária siderurgia para cuidar de toda a infraestrutura do cozimento. Subsidiariamente era preciso manter uma frota de carros de bois o que implicou o desenvolvimento de uma pecuária. Além disso o senhor de engenho mesmo isolado e trabalhando com métodos primitivos tinha de se embrenhar pelo mundo das finanças o que fazia dele um proto-empresário. Uma vez que técnicos podiam ser importados mas não mantidos desde cedo o trabalhador o escravo vai se tornar também aprendiz de técnico o faz-tudo que conserta qualquer coisa mesmo que de maneira precária. Esse trabalhador que não é especializado sendo capaz de exercer inúmeras tarefas é uma marca do Brasil que chama a atenção de estrangeiros até no século 20. Quando militares norte-americanos chegam ao Nordeste na Segunda Guerra

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3 Mundial descobrem indivíduos capazes de aprender rapidamente a fazer serviços sofisticados. E os fazem bem. Esse homem multifacetado crioulo e cordial vem dessa cultura que desde o início aliou lavoura e técnica sem poder se dar ao luxo de pagar por especialistas. Para fazer todos esses trabalhos apelou-se primeiramente para os índios. Mas o empreendimento não funcionou. Uma explicação corrente e falsa é a preguiça inerente do índio. Uma explicação mais correta deve primeiro levar em conta que para as várias nações indígenas brasileiras o trabalho tal como é concebido por um europeu cristão é coisa estranha pois não há sentido em padecer no presente em troca de bens pessoais distantes e incertos no futuro uma vez que falta entre os povos que tinham contato com o colonizador o senso de propriedade privada da terra. Segundo e mais importante é que o índio só trabalha na lavoura do europeu se estiver cativo e com sua terra logo ali ao lado por que ficar Fugir é uma alternativa fácil e sempre aberta. Além do mais a tribo a que o índio cativo pertence pode trazer dores de cabeça ao europeu e não compensa em uma terra nova e cheia de dificuldades arcar com mais esse problema o de ter um contencioso com os aborígenes. Por outro lado o negro vem de um lugar distante e a fuga ainda que possível nunca será alimentada pela esperança de voltar a sua terra. Desterrados e escravizados viam-se com menos alternativas de fuga e assim sujeitavam-se às condições dos canaviais. Isso levou a uma maciça importação de negros já no século 16 o que forjou a cor do brasileiro. Proporcionalmente eram muito mais numerosos nas pequenas vilas e nas fazendas do que os elementos branco e indígena. Embora distantes de suas origens trouxeram uma cultura que moldou o Brasil e conforme queiramos aceitar inteiramente a visão de um Gilberto Freyre terminaram por coexistir com o branco em termos dúbios mas afetivamente próximos. O sociólogo de Casa Grande Senzala fala do negro escravo objeto de uso pela família senhorial mas também do negrinho companheiro de brincadeiras do menino branco ou da negrinha cobiçada pelo senhor e por seus filhos. Essas relações embora sempre de subordinação geraram laços

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4 entre etnias e classes que podem ter reflexos ainda hoje no caráter do brasileiro. Em números Caio Prado Júnior fala em 7 milhões de negros importados entre 1550 e 1855. Boris Fausto dá 4 milhões. Uma operação que começou modestamente foi muito incrementada pelo sucesso do empreendimento canavieiro e fomentada por fatores secundários como por exemplo a bula de Urbano 8º de 22 de abril de 1639 que proibia a escravização de indígenas. Em Lisboa no início do século 16 10 da população era negra. Já nas Minas Gerais do século 18 a cifra chegava a 70. Outra conseqüência dessa convivência sem regras claras é o "homem cordial" definido por Sérgio Buarque de Holanda. A regra é a da subordinação do escravo ao senhor do negro ao branco. Mas os subterfúgios são tantos os cruzamentos explícitos e escondidos tão freqüentes e os frutos de uniões instáveis e inaceitáveis pelas regras tão claras que a alternativa é resolver tudo caso a caso mais guiado pela emoção que pelo apego a leis. Esse é o homem cordial o que não tem nada a ver com a acepção de "benevolente". Cordial é o homem que age guiado pela emoção. Esse brasileiro que Sérgio Buarque identifica em toda a história e que é nosso traço comum ainda hoje tem suas raízes na convivência do branco com o negro colocados juntos pela primeira vez nestas terras justamente no empreendimento nacional do plantio da cana-de-açúcar. A paisagem brasileira também é determinada desde o início pelo plantio da cana. Os viajantes sempre relatam o "mar verde" que se estende do litoral até o início das elevações a oeste em Pernambuco e na Bahia. Tudo o que era terra baixa estava tomado pelo canavial. As terras mais altas iam sendo tomadas aos poucos e antes que servissem ao cultivo eram desmatadas para obtenção de lenha para as fornalhas. Assim a Zona da Mata pernambucana hoje não é mais que um nome. A cana foi do litoral até ela apropriou-se dessa zona e empurrou o pecuarista para o interior.

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5 O boi era indispensável ao empreendimento canavieiro mas não podia de forma alguma ocupar as melhores terras as mais rentáveis. Os pecuaristas são empurrados para o Oeste e é lá que surge uma "cultura do couro" menos influenciada pelo negro pois estes eram muito raros na pecuária e que define até hoje a cultura nordestina do sertão. Com o passar dos séculos e com as migrações internas essa cultura se espalha pelo país mas permanece identificável como aquele conjunto de práticas e saber cuja origem remota é o serviço à cana. Socialmente há um elemento importante que começa na cultura da cana no século 16 e só é efetivamente quebrado no século 20: o caráter feudal do senhor rural. No início da colonização os empreendedores portugueses vinham para o Brasil e recebiam grandes extensões de terra para cuidar. Deviam trazer insumos para montar seus negócios e poder pagar aos financiadores da Metrópole. Esta apenas dava a concessão e cobrava o imposto. Cabia ao senhor não apenas cuidar do sucesso do negócio mas cuidar da defesa dele contra invasores de toda espécie tanto internos os indígenas quanto externos que constantemente aportavam muitos com pretensões coloniais. Assim o senhor era empresário juiz policial e executor. Esse poder ilimitado não interessava à Metrópole desde que os rendimentos aparecessem. Só no caso de o senhor usar essa liberdade de ação para negociar diretamente com estrangeiros é que Lisboa tentava exercer seu poder. De resto o senhor estava só. É desse senhor que descende o coronel que figura na política brasileira com proeminência até a revolução de 1930. E esse coronel não é outro senão o "homem cordial" que manda sem regras claras que pode ser benevolente ou violento para com seus apaniguados. O coronel tem empregados e os paga mas é nos laços informais que se decidem propriedades benesses ou punições etc. Os satélites do coronel são uma grande família administrada discricionariamente. E se isso vale para os trabalhadores vale ainda mais para o núcleo familiar tanto o restrito como o estendido a parentela próxima que habitava o solar.

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6 O engenho é um feudo completo. Tem casa igreja fábrica e senzala. Planta o que precisa para subsistir e compra no exterior tudo o que não tem. A escola praticamente se resume ao padre que freqüenta a casa do coronel. De fato muitos padres moram nessas casas e cuidam da educação das crianças e da catequização dos negros e índios. Ainda que a Igreja vez por outra fizesse éditos a respeito dessa relação complexa entre párocos e senhores a regra era mesmo o padre quase empregado do senhor. Com isso e com um Estado praticamente ausente nos primeiros dois séculos de colonização o engenho se tornava um mundo fechado e completo. As crianças eram educadas ali mesmo e os senhores só se encontravam em razão de festas ou para negócios nos pontos de exportação. Disso resulta a cultura das cidades: as casas de alto nível em Recife e em Salvador pertencem aos senhores que lá passam algum tempo do ano. Levam na ocasião família e criadagem. No engenho esta fica nas senzalas. Nas casas de cidade os sobrados ficam nos mocambos nos porões em contato ainda mais próximo com a família senhorial. Sua família no entanto pode ali permanecer um pouco mais que o senhor mas é pouco comum morar nessas casas e dali administrar as fazendas. No Brasil a regra é que o senhor e sua família morem no negócio. E mesmo essa moradia pode ter dois tipos: os engenhos ditos de partido aberto e os de partido fechado mais comuns no início da colonização. Nestes a casa senhorial dividia paredes com a fábrica. Todo esse estado de coisas a educação pulverizada os engenhos autônomos os encontros raros em cidades de resto precárias levam aos casamentos arranjados visando à continuidade dos negócios à união de terras. No que diz respeito à educação da mulher só mesmo no século 19 é que ela poderá ir a escolas embora muitas famílias rurais ricas tenham mantido um sistema de tutoria então laica dentro de casa. Se esses traços podem ser vistos como negativos em relação ao propósito de formar uma nacionalidade pois o que impera é a dispersão e uma certa anomia o fato é que a cultura da cana paradoxalmente também gerou um sentimento nacional. Os homens do século 16 eram colonos gente que

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7 esperava ganhar e se aposentar o quanto antes indo passar o resto da vida na Metrópole. Os homens de meados do século 17 já eram "brasileiros". A historiografia data essa transição no século 17 com a expulsão dos holandeses de que falaremos mais adiante. Ainda que um pouco desse sentimento anti-holandês tivesse origem econômica os proprietários brasileiros estavam endividados com os holandeses o que tornava sua expulsão algo vantajoso o fato é que consumada a expulsão o Brasil ganhou novo estatuto dentro do império português com os senhores das terras em posição de exigir de Portugal regalias visto terem retomado o país em nome da Coroa sem darem qualquer passo rumo à independência. Já no século 18 esse sentimento se acirra e começa uma brasilidade mesmo antiportuguesa materializada na Guerra dos Mascates por exemplo em que a briga era entre mascates portugueses comissários de açúcar e mazombos portugueses senhores de terras e descendentes destes já nascidos no Brasil. Mesmo em um mundo que vive a globalização total já há quase 25 anos esses traços do brasileiro miscigenado cordial informal permanecem e são facilmente identificáveis na formação do país já em seu primeiro século. Agora com a chegada de outros desafios como crise do petróleo a necessidade de uma mudança de matriz energética e a questão do desenvolvimento sustentável a cana-de-açúcar volta ao centro das atenções. A partir dela formou-se um país com todas as suas especializações e facetas. Agora esse país forjado na cana volta-se novamente para ela agregando-lhe valor. Com isso a epígrafe de Caio Prado Júnior pensada para os quatro primeiros séculos de Brasil deverá permanecer verdadeira ainda por muito tempo.

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8 O PROJETO COLONIAL PORTUGUÊS Um pequeno país física e economicamente dependia de rotas ultramarinas alternativas para comprar na origem e vender seus produtos na Europa sem precisar pagar o que hoje seriam chamados royalties a potências como os Estados italianos. Dessa forma a política colonial portuguesa era basicamente comercial e extrativa: chegar estabelecer uma feitoria um escritório comercial fazer escambo com os da terra e voltar com os produtos para venda. No Brasil o extrativismo teve um curto período: o ciclo do pau-brasil. Madeira nobre cuja tintura era muito valorizada na Europa foi colhida sem um projeto de reposição ou de cultivo. O resultado foi a quase extinção do bem. De qualquer forma encher navios com pau-brasil não era suficiente para manter Portugal dono da terra brasileira. Uma costa muito grande e assediada precisava de mais que pontos esparsos usados apenas como bases para incursões de extração. Daí vem a política das capitanias que já havia funcionado no arquipélago da Madeira. Só que o Brasil era mais longe e muito mais extenso e como resultado apareceram poucos candidatos aptos a arcar com a montagem de expedições de colonização. O jeito foi ceder grandes extensões de costa a empreendedores que se dispusessem a pelo menos tomar conta do território evitando que fosse predado por outros que não portugueses. Com escassez de recursos e de mão-de-obra optou-se pelo plantio no Brasil da mesma cultura que havia funcionado nos Açores e Madeira: a cana das índias. E assim a falta de materiais nobres como o ouro na América espanhola foi contornada pelas extensas plantações de cana tomando os litorais de norte a sul do país. Em pouco tempo no entanto a lógica do mercado fez falharem as culturas ao sul da Bahia distantes demais da Metrópole.

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9 MARTIM AFONSO Esse é um caso emblemático do projeto inicial de colonização. Fora escolhido para chefiar uma missão ao Brasil além de suas habilidades técnicas por ser companheiro de infância do rei d. João 3º. Seu envio com uma esquadra de cinco navios e 500 homens mostra que Portugal já pensava em sua colônia em termos diferentes dos iniciais. Era preciso mandar gente ligada mais diretamente ao Estado ainda que com financiamento em parte privado para criar no Brasil condições de colonização e não simplesmente de extração. Antes de chegar a São Vicente onde realmente fez história no Brasil aportou em Pernambuco Bahia e Rio de Janeiro. Depois disso sua missão era ir até a foz do Prata então rio Sólis em homenagem ao navegador espanhol para procurar meios de chegar a um lendário "rei branco" dono de grandes riquezas e que mais tarde seria identificado com o imperador inca. Esse último propósito falhou devido às más condições dos navios e das tripulações. Assim estabeleceu-se em São Vicente. Antes disso na Bahia já havia deixado gente com a missão de testar mudas de cana com vistas a plantação extensiva. Mas estando ele mesmo no litoral paulista e sendo dono de uma capitania com 300 km de costa iniciou ali uma plantação de cana-de-açúcar e estabeleceu um engenho. O sítio desse engenho de São Jorge dos Erasmos pertence desde 1958 à Universidade de São Paulo e ainda tem restos de materiais datados como provavelmente do início do século 17. A capitania de São Vicente cresceu lentamente tanto que em 1548 ainda eram apenas seis os engenhos contando com três mil escravos. Em 1533 um ano depois de fundar São Vicente Martim Afonso volta a Portugal onde é destacado para missões coloniais na Índia. Lá pôde usar a experiência brasileira não só na construção de embarcações construiu dois bergantins quando aportou no Rio de Janeiro em 1530 mas também na guerra de escaramuças. No Brasil combatera contrabandistas franceses.

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10 Depois de várias missões na Índia regressou definitivamente a Portugal em 1545. Na Brevíssima notícia que escreveu à Coroa simplesmente omitiu o Brasil. Não considerava o que fez em São Vicente digno de contar em seu currículo. Apesar de constar nos livros de história corretamente como o fundador da primeira vila no Brasil São Vicente dar a Martim Afonso crédito pela introdução da cana-de-açúcar no Brasil é errôneo. O que se pode afirmar com certeza é que ele fez o primeiro estabelecimento sólido dentro de uma política colonial com vistas a se estender a partir desse projeto piloto para o resto da terra recém-descoberta. Antes disso houve iniciativas como está em um alvará do antecessor de d. João 3º d. Manuel que enviou à colônia um prático de engenho devidamente aparelhado isso em 1516. Provavelmente houve tentativas anteriores mas eram esporádicas e não faziam parte de uma política colonial elaborada especificamente para o Brasil. O protagonismo desse novo projeto cabe a Martim Afonso. Martim Afonso assim mostra que Portugal queria colonizar e plantar no país de maneira sistemática passados mais de 30 anos de seu descobrimento. Mas não pôde mandar para cá pessoas interessadas em se fixar no território. Só contou com gente ligada à nobreza que tinha toda sua vida e aspirações voltadas para realizações senão na pelo menos para a Metrópole. Vale lembrar que antes de Martim Afonso outro nobre português Fernando de Noronha sequer veio tomar posse da capitania que lhe fora concedida. O empreendimento começou lentamente forçou a tomada de escravos entre os índios e no fim perdeu muito em importância para a cultura no Nordeste que contava com áreas maiores a beira-mar estava mais perto da Metrópole o que barateava os fretes e podia contar com frotas regulares para escoltar os navios cheios de açúcar coisa infreqüente no litoral Sul. Quando São Paulo iniciar um bem-sucedido ciclo do açúcar quase 250 anos depois dessa experiência a capitania era de havia muito deficitária Mello 2006.

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11 O SUCESSO DO AÇÚCAR NO NORDESTE Mais próximo da Metrópole e contando com frotas de escolta freqüentes o Nordeste foi muito favorecido em detrimento das capitanias mais ao Sul. Desde Pernambuco passando por Paraíba Sergipe as Alagoas até a região do Recôncavo Baiano tudo a beira-mar eram canaviais. A história começa por Olinda quando três anos depois do empreendimento de Martim Afonso em São Vicente Jerônimo de Albuquerque funda um engenho em Pernambuco. Nessa época muda a forma de governo do território sendo nomeado um governador geral. Só depois de 1720 com d. João 5º no trono português é que o Brasil passaria e ter seus governadores gerais investidos com o título de vice-reis. Tomé de Souza em 1548 recebe autorização para dar sesmarias especialmente em regiões ribeirinhas a todos os que apresentem possibilidade de levantar engenhos de açúcar. Baseado em Salvador e contando com um posto avançado em Olinda com o engenho fundado 13 anos antes por Albuquerque essa política selou o destino do Sul. O eixo de desenvolvimento no território ia de Salvador a Recife. As regiões costeiras e as ribeirinhas ficavam para o açúcar. O sertão para o gado cujas primeiras reses chegam das Canárias e de Cabo Verde em 1551 e a mata para provimento de lenha. Em 1570 nova política colonial é posta em prática por Mem de Sá: o governo concederia isenção de grossa parte dos impostos que incidiam sobre o açúcar nos dez anos posteriores à construção de um novo engenho. O único imposto era o dízimo cobrado na Metrópole. A medida impulsiona ainda mais o Nordeste mas tem como subproduto a fraude. Engenhos especialmente nos séculos 16 e 17 são estruturas frágeis de madeira pouco duráveis. Eram mantidos funcionando com o mínimo possível de manutenção. Com isso podiam moer por 20 anos talvez embora caducassem antes devido ao esgotamento das lenhas em seu redor. Mas se o governo dava isenção de impostos por que não deixar os engenhos se estragarem economizar na manutenção e em dez anos construir um novo e gozar novamente do

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12 benefício Em 1614 a disposição foi revogada e a letra da lei fixou as palavras "grandes engenhos". De ali em diante só estes grandes empreendimentos poderiam contar com o benefício. Mesmo assim as fraudes continuaram embora a Coroa só tenha reagido com nova provisão estabelecendo limites para o que se entendia por "grande engenho" em 1655 Azevedo 1945. Apesar de existir uma capital Salvador e um governo geral o fato é que a costa brasileira era pouquíssimo defendida. Cabia como se viu aos senhores de engenho cuidar da defesa de sua propriedade. Mas fazer funcionar a fábrica plantar endividar-se a cada safra para compra de escravos defender o engenho de ataques de indígenas e ainda pagar impostos à Metrópole deixava pouca folga para montar fortificações ou financiar algum tipo de milícia estável. A política portuguesa no caso de invasões era meramente reativa e mesmo assim contava com o acaso o que segundo alguns historiadores e sociólogos por exemplo Caio Prado Jr. determina mais um traço da administração brasileira que se estende até o presente. É nesse estado de coisas que uma empresa por ações é fundada na Holanda e projeta como sua maior meta a dominação de todo esse rico e desprotegido litoral. Trata-se da WIC a Companhia das Índias Ocidentais. Sua missão é dupla: dar lucro a seus acionistas e enfraquecer a Espanha. Essas duas frentes se materializavam em enfoques diferentes: o corso e a colonização. No que diz respeito ao corso a WIC financiava missões para apresar ouro e prata vindos da América espanhola. Suas maiores vitórias nesse setor aconteceram em apresamentos no Caribe. Profundamente dependente dessa fonte de bens a Espanha que tinha uma política colonial diferente da portuguesa mais voltada para a extração de metais sentia os golpes. Era uma guerra econômica e religiosa: as Províncias Unidas do Norte contra a Espanha e o calvinismo contra o catolicismo Lopez 2002. As ações de colonização eram mais caras e tinham de ser entregues a homens com experiência administrativa e militar. Eram também operações de longo prazo diferentes da predação pura e simples representada pelo corso. A

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13 primeira ação da WIC no território brasileiro é uma invasão de Salvador que acontece a 8 de maio de 1624. Ficariam instalados ali durante um ano sendo expulsos finalmente por uma esquadra espanhola. Era o tempo da unificação de Portugal e Espanha. Mas em 1630 a WIC volta à carga desta vez em Recife. Apesar da reação dos colonos a invasão é bem-sucedida. Tentou-se de início uma tática de "terra arrasada". Logo de saída o governador Matias de Albuquerque põe fogo em 24 naus portuguesas e destrói na ação 8 mil caixas cerca de 32 mil toneladas de açúcar. O prejuízo era certo para ambos os lados mas Albuquerque esperava mostrar aos holandeses que não seria fácil nem colonizar e nem mesmo apresar o açúcar já processado. Apesar do golpe Recife foi tomada e Albuquerque organizou sua resistência no interior. A partir de então a história dos holandeses no Brasil que duraria 24 anos é uma série de pequenas vitórias e recessos para ambos os lados. Na maior parte do tempo os holandeses ficavam restritos à costa Recife e Itamaracá. Mais para o interior os milicianos de Albuquerque primeiramente organizados no Arraial do Bom Jesus a 6 km do Recife ficavam firmes e faziam incursões de guerrilha. Quem saía do Recife corria o risco de ser morto por alguma das patrulhas. Hortas de produtos de subsistência eram sistematicamente queimadas e plantações de cana-de-açúcar viviam sob constante ameaça. Embora nominalmente os holandeses tenham dominado 50 da produção de açúcar no Brasil não quer dizer que ficaram com 50 do produto. Produzir da Paraíba para baixo era mais seguro e tinha ponto de escoadouro em Salvador embora o transporte devesse passar por mares onde havia sempre o perigo do corso holandês. Do Recôncavo para cima era a escaramuça constante entre holandeses e mercenários índios colonos portugueses e outros contra os milicianos da resistência. O açúcar do Brasil holandês ia para Amsterdã para lá ser refinado. A cidade chegou a ter 25 refinarias nesse período Lopez 2002. Isso quer dizer que os holandeses eram odiados e que os milicianos eram nacionalistas A historiografia tradicional escrita no século 19 afirma que sim

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14 mas um exame dos dados mostra algo diferente. Negociar com os holandeses ou com a Metrópole era indiferente em termos de impostos. Ainda mais na época a Metrópole não era sequer Lisboa. Os holandeses eram tolerantes com questões religiosas além de mais lenientes no que diz respeito a ligações carnais entre etnias. Se havia o fervor calvinista este era dirigido a uma ideologia de lucro bem diferente do fervor católico pautado pela Contra- Reforma e pelos intolerantes e estes sim odiados tribunais inquisitórios. Portanto os milicianos do Arraial não representavam uma comunidade unida em torno de uma ideia de expulsão de estrangeiros. Além disso figuras importantes na expulsão dos holandeses eram senhores de engenho como por exemplo André Vidal de Negreiros. E eles estavam seriamente endividados com os comissários holandeses. Do ponto de vista do endividamento expulsar os holandeses seria cancelar pelo menos a curto prazo o pagamento de dívidas. Mas o preço dessa solução era uma cara e instável guerrilha. Enquanto esses colonos resistiam o que fazia exatamente o Estado Em Portugal estudava-se a possibilidade de pagar pelo resgate do território e para essa facção da diplomacia interessava que as escaramuças continuassem pois isso desvalorizava o empreendimento holandês. Enquanto isso a Coroa ia tramando com o governo sediado na Bahia formas de ajudar os pernambucanos embora formalmente essa ajuda fosse negada com os portugueses sempre respondendo que investiam unicamente na solução negociada. Nesse impasse Recife ia ficando à míngua. Eram freqüentes os surtos de doenças os crimes por alimento pessoas comendo restos de animais ou cozinhando couros em fogões improvisados nas ruas Lopez 2002 Mello 2006. E a WIC tinha de com esse contingente multinacional pôr ordem na produção. Como se em certos momentos não podia sequer manter a ordem dentro de suas casernas Esse estado de coisas contribuiu um pouco para minar a crença que alguns colonos tinham de que seria possível conviver com os holandeses pois no aperto colunas de mercenários saíam em disparada

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15 pelos engenhos apresando o que pudessem. O colono ficava assim sob dois jugos: a resistência que constantemente ameaçava seu canavial e os mercenários contratados pela WIC que tinham fome e estavam desesperados e bem armados. Nesse intervalo de 24 anos chega ao Brasil em 1636 o nobre e militar Maurício de Nassau. Com uma folha de serviços extensa prestada às Províncias Unidas com experiência militar e administrativa esse homem de 32 anos é mandado ao Recife no sexto ano da invasão. Para as Províncias Unidas era importante que o empreendimento privado financiado pela WIC fosse capitaneado in loco por um agente do Estado e Nassau não só era militar como ligado à casa de Orange. Nassau no entanto pensa diferente da WIC. Percorrendo a terra vê que a ação da WIC é mais predatória que colonizadora e que é preciso criar condições para o aparecimento de uma classe de senhores pró-holandeses e isso não aconteceria sem benefícios para os plantadores e donos de engenho. Foi nesse espírito que em 1642 tentou implantar em Pernambuco a mesma regra que valia desde 1636 para o resto do território: as dívidas dos senhores podiam ser cobradas apenas em termos dos produtos mas não das máquinas ou da terra. Apesar de explicar à diretoria da WIC que de nada adiantaria confiscar terras pois elas teriam de ser leiloadas para uma classe empobrecida já que não havia estímulo para que holandeses viessem para cá fundar engenhos sua proposta foi rejeitada. Em seus oito anos em Pernambuco Nassau viveu a lógica de escaramuças com as milícias de resistentes as alianças com indígenas a miséria no Recife a difícil administração do território produtivo e do lado da WIC a intransigência com respeito à implementação no Brasil de uma política de mais longo prazo. Essa posição da WIC se devia em parte às suas origens corsárias e em parte ao fato de que desde 1638 o açúcar caía na bolsa de Amsterdã. Essa queda só estancou em 1642 quando houve uma quebra de safra em Pernambuco devido a enchentes e a uma epidemia de bexiga que afetou grande parte da escravaria. Mas em 1643 com a trégua pelo menos formal

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16 entre Pernambuco e Bahia o açúcar baiano bate recordes de exportação e inunda as praças europeias. Com isso o produto conhece seu valor mais baixo. A WIC precisava urgentemente se livrar do Brasil e pagar seus acionistas. O rigor de Frans Post nos fornece as primeiras imagens do empreendimento canavieiro no Brasil. Este óleo sobre tela de 1668 mostra um engenho real vertical movido a água a secagem as bocas das fornalhas e ao alto a casa grande e a capela. Apesar das condições da ocupação Nassau mantinha uma corte no Recife com pintores cartógrafos e naturalistas. Todos viviam agregados à sua casa durante uma época uma imponente construção de quatro torres na cidade. De todos destaca-se naturalmente o paisagista Frans Post. São dele os registros mais antigos e confiáveis de como eram os engenhos no Nordeste. Imagens supostamente anteriores são sempre baseadas em estereótipos e existem mais para ilustrar "um" empreendimento canavieiro que a situação no Brasil.

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17 Daí a importância de Post. Outro pintor este retratista foi Albert Eckhout que legou imagens de todas as etnias que habitavam o território holandês. Com a saída dos holandeses cinco anos depois das duas Batalhas dos Guararapes o conhecimento acumulado na experiência brasileira se espalha pelas Antilhas. O Brasil estava novamente unido e disposto a produzir açúcar para o mercado europeu mas no arquipélago estabeleceu-se uma cultura mais técnica e planejada além de mais próxima dos mercados consumidores na Europa. Se o Brasil podia reestruturar sua produção também é verdade que o faria agora com a presença de um concorrente forte. O século seguinte seria de riqueza de grandes casas e capelas tanto em Pernambuco como na Bahia. Mas seria também um século de rendimentos progressivamente menores. Além dessa concorrência externa houve também pouco depois o começo da corrida ao ouro das Minas Gerais que atraiu parte dos investimentos que antes se destinavam quase exclusivamente aos empreendimentos açucareiros.

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18 O REINÍCIO DO AÇÚCAR EM SÃO PAULO Aos 43 anos de idade d. Luís Antônio de Souza Botelho Mourão chegava a São Paulo para ser o governador da província recém-restaurada. Um local pobre permanentemente envolvido em conflitos com índios devastado pela debandada que levou para as Minas Gerais os braços mais fortes e empreendedores a capitania fora incorporada à do Rio de Janeiro em 1748. Agora a administração pombalina queria uma política para o Sul do país pois via que a incorporação ao Rio só piorara as coisas. Afinal era mais terra para a administração centralizada no Rio. Era preciso ir para o Sul e colonizar São Paulo era o primeiro passo. Como já dissemos Mello 2006 a capitania era deficitária e mudar esse panorama exigia alguém que aliasse habilidade administrativa e domínio de estratégias militares. O homem escolhido tinha ambos os créditos em sua folha de serviço à Coroa e assim chega à capitania seu novo governador o morgado de Mateus. D. Luís devia enfrentar um triplo problema: o interior era pouco povoado o porto de saída de eventuais produtos da capitania era distante demais do planalto e havia a concorrência do porto do Rio. Sua solução foi apelar para um velho conhecido: a cana-de-açúcar. É no período de seu governo que se estenderá até 1775 que o interior de São Paulo em especial as terras vermelhas e férteis do quadrilátero determinado pelas vilas de Sorocaba Piracicaba Itu e Mogi-Guaçu conhece uma explosão de plantio de cana-de-açúcar. Mas como manter o interior povoado e em desenvolvimento se havia áreas mais competitivas no litoral em especial na região de Ilhabela e Ubatuba e no triângulo formado por Lorena São Luís do Paraitinga e Mogi das Cruzes A ação foi dupla e dúbia. Por um lado a Coroa determinou em 1765 que estavam eliminadas as frotas de comércio entre a Metrópole e a Bahia e Rio de Janeiro. Na prática o que acontecia antes disso era que qualquer capitania ao

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19 Sul São Paulo em primeiro lugar era forçada a mandar seus produtos para o Rio pois só de lá podiam sair para a Metrópole. Os impostos ficavam retidos no porto e só eram repassados mais tarde. Além disso havia a questão do frete e do armazenamento o que tornava o produto da capitania qualquer que fosse ainda menos competitivo. Com a eliminação das frotas o produto podia ser exportado de qualquer lugar para Lisboa e assim o porto de Santos se tornou estratégico. Quadrilátero do açúcar segundo Petrone 1968 com Sorocaba - Piracicaba - Mogi-Guaçu - Itu que inclui Porto Feliz dado como um dos vértices por Prado Jr. Além disso as zonas de Mogi-das Cruzes - São Luís do Paraitinga - Lorena e ainda a região de Ubatuba estas últimas prejudicadas pela política do morgado de Mateus e de Bernardo Lorena Aí entra a parte dúbia do projeto do morgado e posteriormente de Bernardo José de Lorena seu sucessor. Dúbia do ponto de vista ético tanto um como outro seriam questionados a respeito mas não do ponto de vista estratégico. Foi o segundo que determinou que todo produto de exportação da capitania tinha de sair pelo porto de Santos. Com isso o triângulo Lorena - São Luís do Paraitinga - Mogi das Cruzes e também a região de Ubatuba não mais podiam exportar como sempre o fizeram para o Rio. E mandar o açúcar para Santos para só então este ir para a Metrópole tornava o produto mais caro. Como

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20 resultado a cultura nessas regiões decaiu. Elas no final das contas pagaram o preço da estratégia de povoar o interior e torná-lo produtivo. De fato seis anos depois de terminado o governo do morgado em 1781 d. Maria 1 a ordenou uma sindicância na capitania para averiguar as acusações de que ele teria enriquecido ao adquirir terras no planalto para em seguida implementar uma política que as favorecesse. Nada no entanto se provou e as testemunhas foram unânimes a respeito da idoneidade do morgado Vainfas 2000. Mas entre o planalto e o porto encontra-se uma formidável barreira: quase 800 m de altura mata fechada. A Serra do Mar era um obstáculo ao escoamento do produto do planalto. Assim o projeto de povoamento já começava a dar certo e no entanto o problema de escoamento prosseguia. Das terras pretas ao redor de Itu a cana se estendeu às terras vermelhas de Campinas. Em 1790 Lorena ordena ao capitão-mor de Itu que povoe as terras em redor de Piracicaba e Porto Feliz pois Itu já não comportava mais colonos. O trabalho de tornar a região produtiva tinha sido bem-sucedido. Depois de mais de século de déficit acumulado São Paulo se erguia. Entre 1788 e 1791 um feito de engenharia para a época revoluciona a economia paulista. Trata-se da calçada entre o Alto da Serra e Cubatão devidamente pavimentada por onde agora podiam circular com segurança tropas de muares com produtos de exportação sendo o principal como sempre o açúcar. Um caminho que antes não era mais que picadas irregulares e perigosas agora podia ser cumprido na subida em três horas. Além disso ranchos espalhados pelas estradas do interior garantiam local de repouso e troca de animais. Não se tratava de entrepostos especiais com estrutura de bom nível. Eram apenas ponto de repasto para animais e um galpão para proteger a mercadoria enquanto a tropa era trocada e os tropeiros se refaziam. Para manter a calçada o governo cobrava um pedágio Schmidt 1959:

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21 gênero pedágio açúcar 040 por arroba fazendas de lã 080 por arroba sedas cambraias fustões e fazendas finas de algodão e enfeites 160 por arroba outras mercadorias c. 020 por arroba milho farinha frangos e galinhas nada Embora a maior barreira tivesse sido vencida havia outro problema: Cubatão é longe de Santos e o açúcar que chegava a essa vila tinha de ser embarcado em canoas que deviam vencer o rio Casqueiro até o porto. Isso custava em termos de perdas de produto e de frete. A solução para isso no entanto teria de esperar até 1827 Petrone 1968. Entre o período do governo do morgado de Mateus e a finalização da estrada entre Cubatão e Santos várias medidas favoreceram os engenhos paulistas. Entre elas destacam-se a disposição de 1798 que revogava a restrição imposta pelo governo de Lorena com respeito à exclusividade de Santos como ponto de exportação. Isso voltou a animar a região de Ubatuba e Lorena mas os nove anos de imposição já tinham feito o suficiente para firmar a supremacia do planalto. Em 1805 foi tomada a primeira medida com vistas a melhorar a qualidade do produto paulista. Como não havia mesa de inspeção em Santos o governador Antônio José da Franca e Horta ordena que as caixas de açúcar vindas do planalto devam ser marcadas a fogo para evitar fraudes. A marca pelo menos garantia a origem do produto e permitia no caso de fraudes seja má qualidade do açúcar branco seja adulteração do peso por adição de pedras responsabilizar diretamente um negociante. Antes disso com as caixas anônimas ninguém podia ser claramente culpabilizado em caso de fraude.

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22 Em 1807 é estendida a São Paulo uma regalia que havia sido conseguida quase 50 anos antes do Rio e mais de 150 anos antes no Nordeste: só podiam ser executados para pagamento de dívida os produtos de um engenho mas não as máquinas ou a terra. Do ponto de vista técnico dois fatos devem ser destacados: a introdução em 1812 de moendas horizontais mas produtivas e o estabelecimento em Ipanema de uma siderúrgica apta a fornecer cilindros de ferro com rodas dentadas para essas novas moendas. Com isso São Paulo começava também a produzir valor agregado e aos poucos deixava de depender da importação de máquinas e de técnicos de outros lugares do país. Não seria mais preciso como aconteceu em 1812 que o dono do engenho campineiro que instalou as primeiras moendas horizontais na província mandasse buscar na Bahia um técnico habilitado. Por fim o ano da finalização da obra da estrada entre Cubatão e Santos coincide com o término de um ciclo de intervenção estatal sobre o açúcar. Cessam as restrições sobre a construção de engenhos ou seja não era mais necessária uma licença para construir um e ao mesmo tempo acaba a política de regulação de preços. Com isso e com as reformas paulistas iniciadas no governo do morgado de Mateus São Paulo conheceu 20 anos de elevada produção açucareira que atingiria seu auge em meados do século. As estradas de rodagem a transformação da calçada do Lorena em estrada para carros o que aconteceria em 1849 com a inauguração da Estrada da Maioridade e as linhas férreas viriam na esteira. Mas não mais para transportar açúcar. Este tornara rica a região e essa riqueza preparou o ciclo do café. No primeiro ano da segunda metade do século a produção de café já superava a de açúcar e essa nova cultura continuaria se expandindo até 1930. É no ciclo do café que se forma a maior parte da riqueza econômica e influência política de São Paulo que se estenderia até 1929. Então o açúcar como sempre acontece na história do país começaria novamente a ocupar a ribalta.

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23 EVOLUÇÃO TÉCNICA DOS ENGENHOS ATÉ O SÉCULO 19 Até que se criasse a figura jurídica do Engenho Central independente de plantadores e obrigado a moer a cana que lhe fosse dada no final do Segundo Império e sua efetiva construção no fim do século 19 já na transição para a República os engenhos permaneceram indústrias pequenas e refratárias a avanços técnicos. Engenhos pequenos apenas suficientes para moer a cana de uma fazenda ou então outros que podiam dedicar algum tempo ocioso à moagem de cana de terceiros eram a norma no país. É com os engenhos centrais que o negócio da cana passa a uma fase realmente empresarial e o avanço técnico passa a ocupar posição mais importante nas decisões dos envolvidos. Assim a história que segue vai da implantação dos primeiros engenhos no país até fins do século 19 uma história de avanço técnico lento apesar de quase 400 anos 80 da história do próprio país. Infográfico baseado nos desenhos de Hamilton Fernandes 1975 mostra os processos em um engenho típico do século 17

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24 1. plantio As primeiras canas trazidas para o Brasil foram da espécie crioula também conhecida por fina ou merim. Sua origem imediata é o arquipélago da Madeira onde era plantada extensivamente pelos colonos portugueses desde fins do século 15. Sua origem remota é indiana. Planta tropical espalhou-se pelo planeta a partir da Indonésia indo para o sul da Ásia e daí à Índia no início da Era Cristã. Daí aos poucos foi para a Europa mas não é cultura que se possa manter acima do trópico de Câncer e dessa forma não chegou a ser importante. Já na Madeira o clima permitia seu plantio e assim dessas ilhas ela chegou ao Brasil. A data para isso varia conforme o autor indo de 1502 ou 1504 com Fernando de Noronha Azevedo 1945 até a data mais corrente entre os historiadores 1532 com Martim Afonso de Souza. Essa variedade permaneceu em uso no país até o início do século 19. De fato devido à pouca informação técnica dos agricultores julgava-se mesmo ser a

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25 crioula "a" cana. Só no início do século 19 é que aparece no Brasil a cana caiana que deriva seu nome de Caiena na Guiana Francesa de onde foi trazida pelos portugueses. Como represália a Napoleão a corte portuguesa no Rio de Janeiro ordenou em 1809 a invasão da Guiana Francesa e foi de lá que veio a nova variedade de cana. Os portugueses ficariam no território francês até 1817. Quanto à caiana sua origem remota era o Taiti daí também ser conhecida no Brasil por "otaiti". Era mais suculenta mas também produzia mais bagaço que a caiana. Até a chegada ao país da cana riscada ou batava vinda de Java crioula e caiana continuariam a ser as duas únicas variantes cultivadas. De qualquer forma a caiana já mostrava sinais de desgaste em meados do século 19 como se pode depreender de uma lei provincial que autoriza o governo de São Paulo a comprar no exterior novas mudas dessa variedade. Quanto ao método de plantio nem mesmo o arado era usado no país. De um lado isso pode ter sido devido ao atraso técnico e à falta de informação mas existe o argumento de que no Brasil a cana era plantada em terras novas recentemente ganhas às matas e que raízes impediam o bom uso do arado. Seja como for arar a terra para plantar cana é coisa fora de questão pelo menos nos primeiros 300 anos da colônia. A adubagem era feita ou com esterco ou com o bagaço da cana. As cinzas provenientes do processo de cozimento eram preciosas demais para isso. O caso mais comum era não existir qualquer tratamento da terra. Quando esta se cansava era abandonada e deixada regenerar-se. Não havia a ideia de rodízio. Essa prática e outras ligadas ao mau uso de recursos naturais é o que leva Caio Prado Júnior a escrever que no Brasil o que se exercia era uma "agricultura extrativa" Prado Jr. 1965. 2. transporte Os meios usados para levar a cana da lavoura ao engenho eram o barco o carro de boi os muares e o ser humano. Dado o tamanho das primeiras propriedades para plantio cana no Brasil que podiam medir até três por uma légua retângulos de 186 km por 62 km o transporte preferencial era o rio

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26 pois não apenas isso dispensava estradas como dispensava cuidar de muitos animais e ainda trazia a cana para próximo do engenho que provavelmente funcionava ou à beira de um rio ou em algum ponto próximo. A estrutura que ligava o rio à roda d´água que movia a moenda era chamada "levada". Em um engenho m São Paulo Gama Gama 1983 fotografou uma de oito quilômetros. Os barcos podiam ser canoas os menores e progressivamente maiores saveiros lanchas e barcos. Todos movidos a vela Pinho 1945. Para os engenhos menores ou com pouco acesso a água o carro de boi era preferido pois tinha maior capacidade de transporte uma vez que os muares tinham de ser carregados um a um colocando-se em seus dorsos estruturas de madeira chamadas cambitos e nelas apoiando os maços de cana. O braço humano ficava restrito ao pequeno engenho ainda mais porque dado o preço de um escravo era desperdício tirá-lo da colheita onde é insubstituível e colocá-lo para transportar cana entre a lavoura e a fábrica. A tabela abaixo dá uma ideia do preço relativo da escravaria dentro das propriedades de um senhor de engenho do início do século 19 Gomes 2005. Com pouca variação os números valem provavelmente para épocas anteriores. item percentual do total escravos 3262 engenhos 2814 sobrados na cidade 1137 outras propriedades rurais 943 casas na cidade 383 safras de cana 382 bois 355 pães de açúcar 188

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27 cavalos 106 mobiliário 06 Representando quase 1/3 das propriedades do senhor o escravo tinha de ser usado ao máximo e da forma mais eficiente possível. Além do mais o grosso do endividamento dos senhores de engenho desde o século 17 sempre esteve ligado à compra de escravos. Não tendo acesso a moeda deviam empenhar a produção com banqueiros das cidades portuárias principalmente Recife e Salvador. Tudo isso explica o uso criterioso do escravo o que não impediu a disseminação dos maus tratos apesar de leis que tentavam coibi- los. 3. moendas Independentemente da força motriz as moendas eram de rolos verticais. No início dois com o eixo de tração preso a um deles que então movimentava o outro. A vantagem é de construção muito fácil. A desvantagem é que a cana só pode seguir em uma direção. E como uma passada em moenda mesmo em moendas mais sofisticadas é pouco para tirar o caldo era então preciso passar a cana recolhê-la no lado oposto e em seguida passá-la de novo. Daí que a introdução de moendas de três rolos significou enorme avanço técnico especialmente no que diz respeito à produtividade. Com a moenda de três rolos dita "de entrosa" a alimentação podia acontecer pelos dois lados. Um escravo entrava com as canas entre os rolos 1 e 2 e do outro lado esta era recolhida e imediatamente passada de volta entre os rolos 2 e 3. No processo mais primitivo as moendas eram de madeira. Só no século 19 é que começariam a ser fabricados no Brasil cilindros de metal mas então já para moendas horizontais. A evolução técnica nesse meio tempo consistiu no revestimento dos rolos de madeira com uma chapa metálica para aumentar vida útil dos rolos. Em gravuras do século 17 supostamente retratando o Brasil podemos encontrar especialmente iluminando mapas moendas com uma mó vertical de

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28 pedra movida por um homem. Provavelmente trata-se de estereótipo e esse tipo de técnica não foi de fato usado no Brasil. De pouco uso e interesse é o método de prensagem de cana seja com prensa acionada por um homem que se pendurava na ponta de uma longa haste para com seu peso esmagar a cana depositada no outro extremo seja acionada por um animal burro ou boi que girava em torno de um parafuso onde ficava presa a haste da prensa. O movimento do animal faria girar o parafuso e como conseqüência a haste baixaria e espremeria a cana depositada próxima de seu extremo fixo. Óleo sobre tela de Frans Post de 1651 mostra um raro exemplar de prensa usada em engenho de cana Essas primeiras moendas eram movidas ou por homens o caso menos comum em moendas nas fazendas por animais ou por água. A farta ilustração de que dispomos feita pelos holandeses em especial por Frans Post mostra moendas de entrosa de três rolos verticais movidas a água. Por isso eram mais valorizadas as terras próximas a rios para a instalação de engenhos. O rio não só permitia transporte fácil do material bruto e do resultado como também fornecia energia.

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29 As moendas a água são melhores que as movidas a bestas A primeira ideia é que sim pois também exigem mecanismos mais sofisticados podem ser maiores etc. Mas existe um argumento importante para contrabalançar essa visão: os animais podem ser usados o ano todo o que não é o caso da água que depende da vazão sazonal dos rios. Além disso as movidas a água exigem mais requinte na construção sendo portanto mais caras Petrone 1968. Essa observação é importante para ressaltar que a escolha por um método mais primitivo nem sempre se deveu a atraso técnico uma tônica da historiografia que punha a atuação dos portugueses na colônia em termos de proveito máximo e investimento mínimo mas a condições climáticas ao tamanho da lavoura etc. De fato ainda hoje podem ser encontrados no país todos os métodos de moer: prensas Gama 1983 fotografou-as em uso no Maranhão moendas de dois ou de três rolos movidas a animais a água ou a vapor. Tudo depende do tamanho do negócio de sua localização e das possibilidades de investimento de seu dono. Mas a visão da moenda a água como tipo mais importante independentemente de outras considerações ficou inclusive fixada na linguagem. Um engenho cuja máquina era movida a água e não por animais recebia o nome de "Engenho Real" o que nada tinha a ver com a Coroa apenas com a suposta superioridade do equipamento. De qualquer forma um censo levado a cabo na Bahia em 1834 atestava ainda a prevalência da tração animal. Os recenseadores encontraram na província 46 engenhos a vapor 62 a água e 495 movidos por animais Petrone 1968. O grande passo na moagem foi dado pela introdução das moendas horizontais isso em 1812. O aparelho fora desenvolvido cerca de 60 anos antes na Jamaica por John Smeaton. Suas vantagens são muitas. Primeiro é rompida uma barreira ergonométrica Gama 1983. Se um homem tem em média 170 m de que adianta fazer rolos verticais de digamos 3 m A parte de cima jamais seria usada. Portanto essa disposição limitava o tamanho da moenda e assim o quanto podia ser moído por período. Com as moendas horizontais chegou-se a fabricar em meados do século 19 rolos de até 10 m de comprimento. No entanto a técnica de mover mais ternos de

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30 moendas todos eles menores foi a tendência que se mostrou aquela economicamente mais interessante e esses rolos gigantescos são hoje apenas curiosidade. Segundo a moenda horizontal permite alimentação por meio de esteira. Na moenda vertical a cana a ser moída tem de ficar empilhada próximo de quem vai colocá-la entre os rolos e essa pessoa o faz de pouco em pouco. Na versão horizontal basta que a cana seja alimentada a partir de uma posição mais elevada e ela descerá diretamente para a moenda com aumento de eficiência. Além disso uma esteira colocada do outro lado depois da primeira moagem permite que o bagaço seja ou dispensado ou entre para moagem em um segundo terno. É a ideia de linha de montagem impossível de implementar em máquinas de disposição vertical. Terceiro pelo uso de contrapesos as moendas horizontais podem ser mais facilmente reguladas Velloso 1800. Regular a pressão entre rolos em uma moenda vertical ou era impossível ou era coisa precária que saía do ponto em pouco tempo. Com moendas horizontais braços com pesos nas pontas podiam facilmente ser usados para aumentar ou diminuir a pressão entre os rolos e essa regulagem não dependia de mexer na moenda sequer de interromper seu funcionamento. Quarto a transmissão de energia de um motor a vapor é mais eficiente em uma moenda horizontal. Em um arranjo vertical seria preciso colocar coroas e pinhões nos eixos transmissores de energia que vão do pistão ao eixo da moenda pois normalmente os pistões trabalham na horizontal e fazem girar um eixo perpendicular a eles no mesmo plano. Para adaptar esse movimento a um arranjo vertical seria necessária uma mudança de plano com perda de energia e aumento do preço do mecanismo. De qualquer forma as máquinas a vapor são contemporâneas das moendas horizontais e o que dissemos se refere apenas à situação hipotética de ligar essa nova fonte de tração a um sistema antiquado. Se isso aconteceu deixou poucos registros e nenhum no Brasil.

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31 4. cozimento Extraído o caldo este era recolhido em um recipiente chamado "parol". Nas fábricas nas quais a moenda ficava em ponto mais elevado que o dos fornos o caldo descia desse parol de recolha para um primeiro tacho para iniciar o processo de cozimento. No caso de ambos os recintos ficarem no mesmo plano existia a etapa intermediária do "parol de guinda". O caldo era transferido para este que em seguida era guindado e daí por diante escorria para os tachos. O processo era mais lento menos eficiente e dependia de ação humana pois não havia máquina de guinda. As casas de cozimento podiam ter de três a cinco tachos seqüenciais. O primeiro mais quente fazia o papel de não só concentrar a sacarose mas permitir que restos da cana e sujeira fossem retirados por uma escumadeira. Conforme o caldo ficava mais limpo era transportado para o tacho seguinte e assim sucessivamente até a obtenção de um caldo claro e relativamente para os padrões da época livre de impurezas. Uma casa de cozimento ligada a uma moenda grande podia ter mais de um conjunto de ternos ou quinas de tachos. Ao conteúdo restante nos tachos anteriores ao final era acrescentada água para com posterior cozimento tentar-se extrair um pouco mais de sacarose. Terminada também essa segunda extração tudo era concentrado no último tacho onde um mestre determinava o ponto em que a mistura devia ser retirada do fogo para passar à etapa seguinte: a purga. Os tachos são feitos de cobre e podem ou não estar presos à alvenaria que constitui o fogão. Na verdade até meados do século 18 cada tacho ficava sobre um fogão diferente cada um com seu bueiro e boca de alimentação. Segundo Antonil o serviço de alimentar as fornalhas era o pior da fábrica o mais desconfortável e insalubre. Era portanto tarefa para os escravos mais rebeldes. Só no século 18 chega ao Brasil mais uma vez vinda da Jamaica uma inovação: uma fornalha única com três ou mais normalmente cinco bocas de fogo para os tachos. Isso tornava a alimentação mais fácil uma boca em lugar

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32 de cinco a recolha de cinzas também era mais fácil e desapareciam os bueiros por onde saía a fumaça das fornalhas. Entra em cena na paisagem a chaminé. Note-se que nos engenhos mostrados por Frans Post por exemplo por maiores que fossem jamais apresentavam essa estrutura. Com a chegada desse modelo de disposição das bocas de fogo a chaminé passou a ser ponto de referência na paisagem do interior. Como a inovação veio da Jamaica e dizia respeito a uma disposição seqüencial de módulos ficou conhecida entre nós como "trem jamaicano". A economia de lenha trazida pelo trem jamaicano poderia ser ainda maior se se usasse no Brasil o bagaço como combustível. Mas isso só aconteceria em 1809 e mesmo assim em um só engenho de que se tenha registro certo o Filosofia de Manuel Jacinto de Sampaio e Melo na Bahia. As ideias de Melo no entanto custaram a se espalhar e o bagaço permaneceu sendo subutilizado até meados do século 19. O bagaço era em parte destinado à fermentação e posterior destilação com vistas à produção de aguardente sendo esta usada em parte para consumo no engenho e em parte como moeda para compra de negros. As colônias portuguesas eram desestimuladas pela Metrópole a usar moeda em transações comerciais. Toda a moeda deveria ficar na Metrópole e as negociações entre colônias deveriam ter como base o escambo. Nessa lógica é que entra nos primeiros dois séculos da colônia a produção de aguardente mercadoria valorizada nos portos de vendas de negros no litoral africano. As cinzas das fornalhas eram material precioso para lavar os tachos e as formas de pão-de-açúcar. Por isso eram recolhidas e guardadas em um cinzeiro. Passar cinzas pelas fôrmas era providência inicial antes de se iniciar a purga para limpá-las e facilitar o processo de desenformar o pão posteriormente. 5. purga O passo seguinte do xarope clarificado proveniente da última etapa de cozimento é a purga. Esta era feita em grandes fôrmas cônicas primeiramente de barro e em ordem cronológica de madeira e de ferro. Cada fôrma era inicialmente lavada com cinzas remanescentes das fornalhas para limpar restos da purga anterior e em seguida tinha seu orifício inferior tampado. Caso

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33 ficasse aberto o xarope altamente viscoso escorreria e não ocorreria decantação. Só depois de cerca de uma semana na fôrma é que esta tinha seu orifício aberto para que o melaço escorresse aos poucos. As fôrmas cuja capacidade média era para três arrobas de xarope cerca de 45 kg eram arranjadas sobre mesas compostas de tábuas furadas que as acomodavam. Em alguns arranjos essas tábuas eram suspensas na forma de bancadas Fernandes 1975. Noutros arranjos as tábuas ficavam ao rés do chão e abaixo delas um tanque servia para recolher o melaço que dali era retirado com o auxílio de conchas Pontual 2006. No caso das bancadas uma calha ligeiramente inclinada corria por todos os fundos de fôrma de uma dada seção recolhendo o melaço. Essa calhas desembocavam em outras progressivamente maiores de forma que todo o material fosse finalmente recolhido em um só recipiente. Mas somente a decantação natural não seria em si suficiente para produzir açúcar claro e bom para consumo. Assim depois de uma semana as fôrmas eram entaipadas com bambu ou palha recebiam uma camada de argila e por sobre a argila era periodicamente aspergida água. Com isso a água por gravidade ia lavando o bloco dentro da forma ajudando na decantação. Terminado o processo as formas eram viradas de 180º e o pão-de-açúcar era enfim desenformado. A parte inferior do pão superior se pensarmos na posição em que esteve durante a purga era constituída de açúcar branco. Isso significava cerca de 2/3 do pão ou cerca de 30 kg. Do resto quase 1/3 era de açúcar mais escuro ainda um pouco misturado com mel com mais gosto de cana mas ainda assim utilizável para consumo humano. Trata-se do mascavo. A ponta do pão era o cabucho resto inutilizável como adoçante. Este podia voltar para o recipiente onde era recolhido o melaço ou ser usado como ração. Ao todo entre o xarope que entra na fôrma tampada e o pão pronto para ser fracionado passavam-se cerca de 20 dias. Hoje todo esse processo que era deixado inteiramente à força da gravidade é substituído pela ação de cristalizadores e centrífugas e realizado em poucas

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34 horas. As centrífugas ou turbinas como também eram chamadas no entanto só surgiriam em meados do século 19 a primeira patente é de 1849 e ainda levariam mais algumas décadas para chegar ao Brasil. 6. secagem e encaixamento Depois de passar pela banca de desenformar o pão era fragmentado e as caras a parte nobre eram levadas em padiolas que no Brasil receberam o nome de bangüê de onde veio por extensão o nome dos engenhos onde eram empregadas para um local onde deveriam ser espalhadas esmigalhadas e expostas ao Sol. Em pinturas de Frans Post vemos esses locais como mezaninos de madeira mas podiam também ser usados panos colocados diretamente sobre o chão. Em ambos os casos homens passavam rastelos sobre o açúcar revolvendo-o constantemente. Seco o açúcar este estava pronto para ser transportado e devia ser "encaixado" isto é colocado em caixas que seguiam então para os pontos de distribuição. Estas podiam ter até 450 kg e ao chegarem ao porto em Recife ou em Salvador por exemplo eram imediatamente embarcadas para a Europa. Como não eram abertas no manuseio isso dava oportunidade a fraudes seja pela presença de açúcar mal purgado com grande quantidade de mascavo seja pela presença de pedras para ganhar peso. Só com a criação de mesas de inspeção no Brasil em 1751 é que essa prática diminuiu. Ainda assim o açúcar brasileiro dos séculos 16 a 19 sempre foi considerado na Europa produto de qualidade inferior. Quanto à aguardente esta seguia da fábrica para os portos em garrafões normalmente de 24 litros. Só tardiamente em fins do século 18 é que o açúcar começa a ser ensacado para distribuição. Apesar de mais fáceis de manusear e passíveis de ser carregados em muares os sacos com média de 60 kg tinham o inconveniente de expor o açúcar às intempéries durante a viagem trazendo para o produtor maior perda de produto. No Nordeste brasileiro isso não era problema pois o terreno era plano e as caixas podiam ser transportadas em carros de bois ou

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35 em barcos. Mas quando o açúcar começa a ser produzido em grande escala no planalto paulista o transporte em tropas de muares se torna obrigatório e criar as melhores condições para eles estradas boas ranchos para descanso de tropas etc. e sacos mais condizentes com a capacidade de um animal se torna o centro dos problemas que devem ser resolvidos pelo Estado a fim de dar ao açúcar a vazão mais rápida e conseqüentemente com o menor desperdício possível.

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36 O SÉCULO 19 E A REPÚBLICA VELHA A primeira metade do século é de prosperidade para todo o Brasil no que diz respeito ao empreendimento açucareiro. A indústria é forte no Nordeste. Em São Paulo as sucessivas administrações tornam viável plantar no planalto e escoar por Santos. No Rio a cultura da cana chega aos Campos de Goitacazes. Do ponto de vista técnico a evolução se dá em todas as etapas da manufatura. Primeiro o plantio agora conta com pelo menos duas variedades de cana-de- açúcar: a velha crioula e a recente caiana. Esta começa no Norte em 1809 e vem descendo chegando a São Paulo e Rio em 1810. Durante o século 19 vários institutos de pesquisa são fundados no país e todos eles têm como motivação inicial o estudo de variedades de cana-de- açúcar. O pioneiro foi o Imperial Instituto de Agricultura em São Francisco do Conde BA inaugurado em 1859 com a presença do imperador. O pioneirismo também era de caráter institucional pois o instituto resultava de uma parceria entre a próspera aristocracia açucareira e o governo. Em São Paulo o marco importante é a fundação em 1887 da Imperial Estação Agronômica de Campinas que em 1892 já na República passa ao governo do Estado de São Paulo e toma o nome de Instituto Agronômico de Campinas. Na moagem aparecem os cilindros horizontais mais eficientes e que permitem a serialização do trabalho. Em 1815 ou 1817 aparece a primeira máquina a vapor para movimentar essas moendas horizontais na Bahia. Em 1825 elas já estão em Santos e em 1836 a fundição Harrington Starr em Pernambuco começa a fabricá-las pela primeira vez no Brasil. Antes disso a empresa passou nove anos fornecendo peças de reposição antes de se aventurar nas máquinas completas. A revolução na paisagem fabril é enorme. Depois de 300 anos de engenhos simples todos dependentes da proximidade de água ou de pastos com suas

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37 fornalhas alimentadas por lenha vêm em poucos anos as chaminés que fazem a exaustão dos trens jamaicanos as moendas horizontais que tornam as fábricas algo mais próximo de linhas de produção e os motores a vapor que liberam os engenhos da necessidade de se localizarem próximos de rios. Além disso o bagaço passa a ser usado como combustível. Na fase de cozimento a evolução seguinte viria mais para meados do século com o fim dos tachos e a introdução dos evaporadores em série a vácuo patenteados por Norbert Rillieux um inventor negro norte-americano que revolucionaria essa indústria. A ideia era usar o calor exaurido por um evaporador onde o caldo é concentrado para aquecer um segundo evaporador. No fim do processo um aparelho de vácuo mantém o gás quente fluindo de um evaporador para o seguinte em série. A patente é de 1846. O passo seguinte aparece em 1849 com a introdução de centrífugas para separar o mel do açúcar. Pelo menos nas grandes fábricas as primeiras usinas os evaporadores e as centrífugas aposentaram de vez a purga e mais tornaram o processo rápido e contínuo. A purga era um gargalo de três semanas. A moenda produzia e o mel ia sendo acumulado o que tornava a casa de purga a maior seção de qualquer fábrica. Com Rillieux novos cristalizadores e as centrífugas tudo isso acaba. A linha de produção começada na esteira que leva a cana para o primeiro terno de moenda agora vai até o ensacamento. Todo isso chega ao Brasil aos poucos e não a São Paulo. O Estado depois de um pico de produção em 1846 passa a se dedicar ao café. Já em 1851 a produção deste supera a da cana. Dessa forma a vanguarda industrial no setor canavieiro está no Nordeste especialmente em Pernambuco e na Bahia. Quando paulistas decidem montar as primeiras usinas como o Engenho Central importam máquinas já havia muito sendo usadas no Nordeste. Do ponto de vista institucional o século 19 assiste a uma política liberalizante que começa em 1827 e só vai terminar completamente em 1930.

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38 Durante a história do Brasil podemos distinguir cinco períodos diferentes no que diz respeito à presença do Estado na economia canavieira. Um período cooperativo um de intervenção um liberal um novo período de intervenção e por fim uma liberalização completa iniciada em 1990 com a extinção do IAA. A primeira fase cooperativa vai de 1516 a 1687. A primeira data é marcada por um alvará do rei de Portugal concedendo suprimentos a um empreendedor. A segunda diz respeito à primeira iniciativa do governo da Metrópole para melhorar a qualidade do açúcar brasileiro. Durante esse período que mais de 170 anos o Estado concedeu terras descontos em impostos e facilidades para aquisição de suprimentos para todos os que provassem ser capazes de produzir açúcar. Sem dúvida funcionou. De colônia que os portugueses de início não sabiam como usar o Brasil se torna a "jóia da Coroa portuguesa". Mas esse crescimento não foi acompanhado de qualidade. Na Europa o produto brasileiro era considerado de baixo nível e em especial depois que houve a diáspora holandesa pelas Antilhas era essencial tornar o açúcar brasileiro mais competitivo. Afinal este já saía perdendo na questão do transporte visto Salvador ficar mais distante dos centros consumidores. Se também perdesse como de fato perdia em qualidade não haveria como sobreviver. Deixados a si os senhores pouco fizeram o que levou a Coroa a começar uma política de intervenção. O período de intervenção vai de 1687 a 1827. A meio caminho em 1751 chega ao auge com a instalação de mesas de inspeção em Recife e em Salvador que barravam o produto de má qualidade. Depois de 140 anos de intervenção e agora com um país independente e já fortemente endividado era chegado o momento de liberar a produção. Em 1827 é revogada a lei que exigia obtenção de licença para construção de engenhos. O objetivo então passava a ser plantar e produzir ao máximo. São Paulo já em franco processo de expansão se beneficia dessa política e tem 20 anos de grande produção.

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39 Em meio a todas essas alterações na paisagem técnica e nas relações entre plantadores donos de engenhos e o Estado está ainda o pano de fundo da escravatura. Começa a ficar evidente em São Paulo que a escravidão é coisa do passado imoral e a bem da verdade principalmente cara. As leis restritivas se sucedem o tráfico é mais vigiado o que torna o "produto" mais caro. Os compradores potenciais ficam em um dilema: estão diante de escravos cada vez mais caros e ainda correm o risco de se vier um decreto de abolição da escravidão poder acontecer que não haja qualquer compensação pela perda dos "bens". Além disso os levantes se sucedem as fugas aumentam tendo em vista um clima cada vez mais favorável ao abolicionismo. O escravo visto antes como um bem de uso passa a ser visto também como potencial inimigo. Em 1830 um boato de levante de escravos paralisa a região de Campinas e tudo permanece tenso até que líderes são presos e a suposta revolta é abortada. É nesse clima especialmente depois da abolição do tráfico em 1850 que os empresários rurais paulistas começam a pensar seriamente em implantar uma política de importação de mão-de-obra europeia. Mais para o fim do século começam a chegar a São Paulo as primeiras ondas de imigrantes que teriam papel decisivo no desenvolvimento do Estado. O que marca a segunda metade do século é a criação do Engenho Central. A figura jurídica do engenho que deve moer cana sem impor cotas ou discriminar plantadores começa a ser projetada em 1857 por ordem de d. Pedro 2º. A lei que permite sua criação só vem em 1875 e no mesmo dia é aprovada a construção do Engenho Central de Quissamã no Rio de Janeiro Estado que mantinha como característica a pequena propriedade. Quissamã abre as portas dois anos depois. No entanto o que deveria surgir para melhorar as relações entre plantadores apenas e plantadores donos de engenhos tirando destes a possibilidade de competir vantajosamente com os primeiros impondo-lhes limitações à moagem das canas acabou criando nova tensão desta vez entre os usineiros os donos de engenhos e os plantadores.

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40 Embora a Revolução de 1930 e a criação de um Instituto do Açúcar e do Álcool marquem o reinício de uma política fortemente intervencionista o fato é que a liberalização de 1827 logo começou a mostrar que a produção desregrada não era saudável para a economia. Já em 1878 um congresso de plantadores em Pernambuco termina com a reivindicação para que o governo interviesse na questão e definisse claramente quais as relações entre as duas partes. Na República permite-se a construção de mais engenhos e a situação fica em suspenso. Só em 1924 é que em São Paulo a produção açucareira cresce a tal ponto que o açúcar nordestino entra em crise. Estando São Paulo no centro dos maiores mercados consumidores o próprio Estado e o Rio não havia como competir em termos de preço pois o frete era muito mais baixo. Além disso a industrialização paulista somada às sucessivas ondas de imigração notadamente europeia tornaram a produção mais eficiente. Eficiência maior e fretes mais em conta deixaram os Nordeste com seu produto na mão. Daí à criação em Pernambuco de um Instituto de Defesa do Açúcar em 1926 foi um passo. E quatro anos depois com a Revolução de 1930 esses movimentos ganharam força e o governo passou a instituir políticas de subsídios e cotas de produção. Tudo isso se materializa em 1933 com a criação do Instituto do Açúcar e do Álcool.

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41 O INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL E DEPOIS Um sistema de cotas de produção parecia desde meados dos anos 1920 a saída para reequilibrar o empreendimento canavieiro pendente fortemente em relação a São Paulo. Com a crise do café decorrente da quebra de 1929 isso fica ainda mais evidente. Era certo que os paulistas sem mercados para café iriam investir em algo diferente assim que se recuperassem um pouco de suas dívidas. E a saída era óbvia plantar a velha cana-de-açúcar o que aumentaria ainda mais o desequilíbrio. E de qualquer forma a própria quebra mostrava que produzir demais e sem regras era ruim para todos. Com isso chegamos a 1931 com o primeiro governo Vargas instituindo a Comissão de Defesa da Produção do Açúcar e no mesmo ano criando dentro do ministério da Agricultura a Comissão de Estudos sobre o Álcool Motor. Essas iniciativas desembocariam em 1933 na criação do Instituto do Açúcar e do Álcool que só seria desmontado em 1990. Interessante é notar que o órgão de 1931 defendia a produção "do açúcar" e que o álcool ficou relegado a um segundo plano com apenas uma comissão dentro de um ministério. O uso de álcool como carburante adjuvante da gasolina ainda era considerado irrelevante. Pesquisas já existiam e na verdade o primeiro carro movido inteiramente a álcool fez uma corrida no Rio de Janeiro em 1925. Era um Ford e percorreu um trajeto de 230 km movido exclusivamente a álcool 70º GL Schwartzman e Castro 1985. Depois disso álcool passou a ser incorporado à gasolina em 1931 mas apenas na pequena proporção de 5. Assim de 1933 data da fundação do IAA até 1975 ano da criação do Proálcool a ênfase do setor incentivos cotas regulações sempre privilegiará o açúcar. E nesse aspecto a questão mais difícil dizia respeito à relação entre plantadores e usineiros. Como sempre aconteceu no Brasil permanecia a tensão entre os que tinham as máquinas para moagem e cozimento e aqueles que dependiam inteiramente dessas máquinas. Açúcar e álcool podem ser estocados mas a cana-de-açúcar não. Assim a época da colheita era ocasião

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42 também de conflito de barganhas por preços melhores com os usineiros pressionando os plantadores com a ameaça de deixar a cana colhida sem beneficiar. Os progressos nesse sentido foram lentos. Em 1931 os plantadores de cana- de-açúcar de Pernambuco obtêm do governo a definição de uma tabela de preços a serem pagos na entrada da usina pela cana crua. Mas é só dez anos depois disso já no Estado Novo em 1941 que o "Estatuto da Lavoura Canavieira" fixa que 40 da produção de qualquer usina deveria ser proveniente do beneficiamento de cana-de-açúcar plantada por terceiros. Mas esse acerto é de curta duração. Mal cai Getúlio Vargas e o decreto 9.287 diz que as usinas poderão usar até 50 de sua capacidade com cana vinda de lavouras próprias. Até aí o "Estatuto" ainda poderia valer. Mas um parágrafo alterava profundamente o horizonte: se o IAA reconhecesse que faltava capacidade de produção nos fornecedores da usina esta poderia aumentar sua cota até 100 se fosse o caso. Não havia limite. O resultado disso é que os plantadores perdendo a garantia de cota e passando a depender de avaliações de IAA começaram a vender terras o que promoveu uma grande concentração fundiária notadamente em São Paulo. Essa sucessão de sistemas de incentivos políticas de colonização cotas etc. permite dividir a história do empreendimento canavieiro no Brasil em três fases: 1. de meados do século 16 ao fim do 18 os senhores de engenho são os principais plantadores 2. durante o século 19 e primeira metade do 20 e principalmente a partir da segunda metade do 19 com a instituição de engenhos centrais há uma divisão de propriedade entre usineiro e plantador 3. de 60 anos para cá ocorre grande concentração fundiária e volta-se à primeira fórmula.

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43 Essa expansão do empreendimento ainda contou com fatores acidentais como a queda dos preços do café a partir de meados da década de 1950. Em 1961 o Gerca Grupo Executivo de Racionalização da Agricultura define uma política de erradicação de café com vistas à manutenção dos preços de exportação. As terras foram preferencialmente para soja e cana-de-açúcar. Em São Paulo entre 1957 e 1967 o Estado cedeu quase 800 mil hectares de áreas cafeeiras para a soja e a cana. Além disso a Revolução Cubana abriu o mercado norte-americano de açúcar para o Brasil pois criado o embargo dos EUA a produtos cubanos o Brasil era o fornecedor mais próximo. Esse era estado de coisas no início dos anos 1970: o açúcar prevalecendo sobre o álcool no empreendimento canavieiro. Em 1971 o governo cria o Planalsucar futuro braço de pesquisa do IAA e dois anos depois o Programa de Apoio à Indústria Açucareira. No ano seguinte viria a primeira crise do petróleo e o balanço pende para o lado do álcool. É a partir daí que se pode realmente falar da passagem de uma Indústria Açucareira para um Setor Sucroalcooleiro. O então presidente da República Ernesto Geisel cria o Proálcool oficialmente em 14 de novembro de 1975 quase dois anos depois da primeira crise do petróleo. Nos quatro anos seguintes a produção passaria de 600 milhões para 34 bilhões de litros por ano. Nessa primeira fase a ênfase é na adição de álcool anidro à gasolina. Mas em 1979 a Fiat lança o 147 primeiro modelo a poder rodar inteiramente com álcool e no ano seguinte o Proálcool entra em sua segunda fase de ênfase na produção de álcool hidratado para essa frota. Em 1984 a produção de carros a álcool em relação aos movidos a outros combustíveis é de 95:5. Isso era mantido devido à crença de que os preços do álcool jamais seriam superiores a 65 dos da gasolina. Mas isso não se manteve e quando em 1989 a diferença chegou a seu ponto mais baixo 25 a descrença do consumidor era geral. Nesse contexto é que o IAA é extinto na mesma época em que o então presidente Fernando Collor tachava os automóveis brasileiros de "carroças" sugerindo a necessidade de avanço tecnológico na indústria automobilística.

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44 Em fins de 1991 cessa toda forma de subsídio ao setor e leis aumentam de 22 para 24 a adição de álcool anidro à gasolina. Com a liberalização ocorreu acomodação do setor entrada de investimentos barateamento da produção melhoria da qualidade do produto. Na indústria automobilística os carros a álcool continuaram a ser produzidos embora muito abaixo dos níveis da década de 1980. Apesar disso a tecnologia deles era constantemente melhorada. Nessa década de conturbado caminho em direção a um mercado globalizado as preocupações com o meio ambiente tomam cada vez mais corpo e geram protestos de setores da sociedade civil no sentido de que as indústrias primem pela responsabilidade ambiental. Isso como vimos não é novidade. Três séculos antes da Eco-92 o governo brasileiro já criava instrumentos para evitar o desmatamento acelerado. Mas naquele caso tratava-se de preocupação imediata. Em fins do século 20 trata-se de problema planetário. É nesse contexto que a indústria sucroalcooleira especialmente no que diz respeito à produção de álcool carburante ganha novo alento. A Terra está aos poucos sendo aquecida devido ao CO2 lançado na atmosfera principalmente pela queima de combustíveis não-renováveis como o carvão o xisto ou o petróleo. Já o álcool hidratado fecha o circuito. Se é verdade como o é para toda combustão que ele libera CO2 também é verdade que a cana ao crescer novamente retira esse carbono da atmosfera. Ainda antes que a palavra ganhasse o relevo que tem hoje a indústria sucroalcooleira descobria a sustentabilidade. Agora o conceito avançou para outras áreas desse setor. Não é só o álcool carburante que permite o armazenamento de energia renovável também os resíduos das fábricas são reprocessados e totalmente consumidos seja na forma de rações seja para fazer plásticos material de construção ou mesmo mais álcool como ficou provado pelo sucesso da hidrólise do bagaço de cana mostrado ao público por um consórcio de empresas paulistas em parte financiadas pela Fapesp Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo pertencente ao governo do Estado em 2003.

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45 HOJE: CANA-DE-AÇÚCAR MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE O mesmo Caio Prado Júnior que cunha a expressão "agricultura extrativa" dá uma medida aproximada de quanta lenha era consumida por dia em uma fornalha média: de 12 a 16 carros de boi Prado Jr. 1965. Se se levar em conta que pelo menos três fornalhas alimentavam as casas de cozimento em um engenho comum nos grandes podiam bem ser 10 e se pensarmos em um carro de boi com um metro cúbico vemos que um engenho devia consumir nos períodos de cozimento quase 9 meses do ano no mínimo 45 m 3 de madeira por dia. Aí está a explicação de como desapareceu quase toda a mata que cobria o litoral brasileiro. Sérgio Buarque de Holanda sugere que para cada quilograma de açúcar 15 kg de madeira eram queimados apud. Açúcar Projeto Inventário de Bens Culturais Imóveis 2004. O bagaço era separado e ia para a bagaceira próxima à fábrica onde secava ou fermentava e era usado para fabrico de aguardente se bem que o grosso desta viesse da destilação do melaço resultante do processo de purga depois de fermentado. O uso do bagaço nas fornalhas é coisa tardia no Brasil: 1809 e mesmo assim foi iniciativa isolada. A introdução do vapor não mudou a prática de aquecer as fornalhas com lenha e só mesmo a partir de 1840 é que as usinas passam a usar regularmente o bagaço como parte do combustível nos fornos. Apesar de no país já ser então comum a cana caiana com mais suco e também mais bagaço a cultura do uso de lenha prevaleceria ainda por muito tempo. O impacto sobre o meio ambiente foi notado desde cedo no Brasil. É de 1681 a primeira provisão do governo estabelecendo a distância mínima de meia légua aproximadamente 3 km entre dois engenhos Petrone 1968. O motivo era preservar os estoques de lenha se bem que não com vistas a qualquer coisa assemelhada a preocupações ambientais mas devido ao fato de que a proximidade destruía as matas e obrigava os engenhos a se mudarem correndo os coletores de impostos o risco de verem suas fontes de renda migrarem para longe. Para fixar um pouco os engenhos em uma comarca é que se estabeleceram tais regras.

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46 Outra forma de proteger as matas para uso como lenha foi proibir a presença de gado a menos de 60 km do litoral. Ficavam assim os campos livres para os canaviais e para a coleta de combustível para as fornalhas. Isso foi tema de uma provisão da Coroa de 1710 motivada principalmente pelas necessidades de espaço no Recôncavo Baiano. No entanto uma coisa era promulgar leis e outra era fazer cumpri-las especialmente no Brasil dos séculos 17 e 18. Tanto que em 1802 vemos o governo reeditando a medida de 1681 com a mesma estipulação de meia légua. Em São Paulo a destruição só não foi maior porque o planalto começou a ser plantado tardiamente em fins do século 18 e pouco mais de 60 anos depois toda essa terra derivava para o café que não usa fogo em seu beneficiamento. Nos Estados do Nordeste no entanto a destruição manteve seu ritmo. Pois enquanto o Brasil exportava café de São Paulo e borracha da Amazônia vindo em terceiro lugar o açúcar dados para 1889 em Waak e Neves 1998 este era plantado preferencialmente no Nordeste. No século 20 com a introdução do uso extensivo do bagaço as questões ambientais perderam relevância na pauta da cana-de-açúcar e só voltaram realmente a ocupar a ribalta na década de 1970 mas agora já por outros motivos. De um lado o álcool aparecia como fonte de combustível automotor mais limpa que a gasolina e ainda renovável. De outro havia o peso das queimadas método usado para facilitar a colheita manual. Desde então a melhoria das condições ambientais ligada ao empreendimento açucareiro tem se materializado em dois pontos. Primeiro produzir álcool retificado de melhor qualidade com menor produção de moléculas nocivas como resultado da combustão nos motores. De outro as leis de regulação das queimadas têm se sucedido mas com freqüentes adiamentos. Neste momento a previsão é que as queimadas desapareçam por completo em São Paulo em 2021 para as

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47 áreas passíveis de colheita mecanizada e 2031 para aquelas em que a colheita tem de ser feita manualmente ou seja aquelas em que a inclinação do terreno passa de 15º e que representa cerca da metade da área plantada. Destaca-se nesse esforço ambiental a Usina Santa Elisa que em 1997 ganhou prêmio da Confederação Nacional da Indústria pelo sucesso em seu projeto de colher cana-de-açúcar absolutamente sem queimada. Com os últimos desenvolvimentos da tecnologia brasileira em álcool combustível mais e mais outros países e em especial os altamente poluentes EUA querem importar do Brasil ou álcool ou a tecnologia para fabricá-lo. Nos EUA existe essa indústria mas baseada no milho cujo custo é mais alto que o da cana-de-açúcar US 017/litro para a cana e US 025/litro para o milho. Para que as exportações brasileiras aumentem e sejam bem aceitas em mercados internacionais já se pensa em um selo ecológico e trabalhista que garante que o álcool brasileiro é produzido em situação que respeita o meio ambiente e dá condições dignas de trabalho a quem pertence ao setor. Esse selo ambiental já está sendo preparado pelo governo brasileiro dados de julho de 2007. Iniciativas como o selo ambiental como a conversão de bagaço em eletricidade eliminando o resíduo do processo e fornecendo energia limpa leis que privilegiem plantação e cana-de-açúcar em áreas degradadas por pastagens e não em áreas onde poderiam ser plantados alimentos vão colocando a indústria sucroalcooleira como limpa segura e importante tanto pelo papel que ocupa na matriz energética como no papel de preservação ambiental e empreendimento sustentável uma vez que cada vez mais ela se torna uma indústria "sem resíduo":

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48 de: O Novo Ciclo da Cana 2005

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49 CRONOLOGIA ANO EVENTO FONTE 1502 Introdução da cana-de-açúcar no Brasil. As mudas vieram da Ilha da Madeira e eram da variedade chamada de Fina Merim ou Crioula. Só no século 18 viriam as variedades Caiena Salangó e Roxa. Azevedo 1504 Fernando de Noronha traz as primeiras mudas de cana-de-açúcar para o Brasil. Tanto as datas 1502 como 1504 encontram pouco respaldo Silva p. 28 1516 Alvará de d. Manuel: Naquele mesmo ano além de machados enxadas e outras ferramentas enviou à colônia um homem prático e capaz com instruções para instalar um engenho de açúcar mandando fornecer-lhe ferro cobre e mais todo o material necessário para a construção". Ferlini http://www.usp.br/prc/engenh o/00_historia/16historia2_01a spectohistorico.htm 1532 Primeiro engenho em S. Vicente de Martim Afonso de Souza e sócios. Engenho de S. Jorge dos Erasmos "Parece que é necessário antes de passar mais adiante declarar cuja é a Capitania de São Vicente e quem foi o povoador dela da qual fez el-rei D. João 3º de Portugal mercê a Martim Afonso de Sousa ... Sendo este fidalgo mancebo desejoso de cometer grandes empresas aceitou esta capitania com 50 léguas de costa ... para o que fez prestes uma Ferlini http://www.usp.br/prc/engenh o/00_historia/16historia2_05r elatodosviajantes/05relatodos viajantes_04martimafonso.ht m Geraldo Soares de Sousa. "Tratado descritivo do Brasil em 1587 Parte 1: Roteiro geral com largas informações de toda a costa do Brasil" 4 ed. São Paulo: Companhia

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50 ANO EVENTO FONTE frota de navios que proveu de alimentos e munições de guerra como convinha na qual embarcaram muitos moradores casados que o acompanharam com o qual se partiu do porto de Lisboa donde começou a fazer sua viagem e com próspero tempo chegou a ... São Vicente onde se fortificou e assentou a primeira vila ... a qual vila floresceu muito nestes primeiros anos por ela ser a primeira em que se fez açúcar na costa do Brasil donde as outras capitanias proveram-se de canas-de-açúcar para plantarem e de vacas para criarem e ainda agora floresce e tem em si um honrado mosteiro de padres da companhia e alguns engenhos de açúcar ..." O engenho era de “modelo açoriano tipo real e movido a água". Pertence à USP desde 1958. Editora Nacional / Edusp. 1971 p.111. 1530 Pedro de Góis planta as primeiras mudas de cana-de-açúcar em local que batiza como Vila da Rainha atual município de São João da Barra. Dezoito anos depois Góis voltaria para Portugal tendo perdido tudo o que construiu. Paulo Paranhos Histórica - Revista on line do Arquivo do Estado http://www.historica.arquivoes tado.sp.gov.br/materias/anteri ores/edicao08/materia02/ 1535 Primeiro engenho em Pernambuco. Fundado por Jerônimo de Albuquerque próximo a Olinda. Ferlini Portal UNICA 1548 Regimento de 17 de dezembro dado a Azevedo

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51 ANO EVENTO FONTE Tomé de Souza ordenava que ele desse sesmarias sob certas condições terras vizinhas das ribeiras às pessoas que tivessem posses para levantar engenhos de açúcar. 1551 Começa a criação no Brasil de gado importado especialmente de Cabo Verde Madeira e Canárias usado para corte e tração Azevedo 1570 Provisão de 16 de março dada a Mem de Sá concedia isenção de tributos para engenhos que se edificassem nos dez anos seguintes pagando como imposto apenas 10 do açúcar que entrasse no reino. Azevedo 1609 Introdução na Bahia das moendas de três cilindros Azevedo p. 212 1614 Corte portuguesa restringe a isenção de 1570 que passa a valer apenas para a construção de grandes engenhos. 1624 8 de maio: holandeses invadem Salvador. Lopez p. 11 1625 1º de maio: holandeses expulsos de Salvador Lopez p. 32 1630 15 de fevereiro: Holandeses fixam-se em Pernambuco. O governador Matias de Albuquerque manda pôr fogo em 24 naus queimando 8 mil caixas de açúcar tentando causar o máximo de prejuízos ao invasor. Tomada Recife Matias de Albuquerque organizou a resistência baseada em guerrilha no Arraial de Bom Ferlini dados percentuais Lopez para a data e danos pp. 85 90

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52 ANO EVENTO FONTE Jesus a uma légua de Recife e Olinda. Até sua saída em 1654 dominariam 50 da produção açucareira brasileira. 1636 Provisão de 31 de agosto só permite que dívidas dos senhores de engenho sejam saldadas com rendimentos e frutos dos engenhos e terras mas não com a própria terra para evitar o "despedaçamento" das grandes propriedades rurais. Nassau tentaria implantar o mesmo regime de pagamento de dívidas em 1642 mas a Companhia das Índias Ocidentais não o permitiu. Chegada a Recife de Maurício de Nassau. Azevedo a Provisão vale para o Brasil não-holandês produtor de açúcar principalmente a Bahia Mello p. 162 para a WIC 1637 Batalha de Porto Calvo entre brasileiros e holandeses. Estes vencem e definem a fronteira leste do Brasil holandês. Um ano antes Porto Calvo havia sido tomada dos holandeses. Azevedo Lopez p. 114 1638 Abril: fracassada tentativa holandesa de tomar Salvador. Se o conseguissem tendo tomado Luanda seriam donos de todo o Atlântico Sul. Lopez p. 133 1638 Primeiros sinais de queda do preço do açúcar no mercado de Amsterdã. Mello p. 159 1642 A queda de preços é em parte travada pela safra ruim de 1641-42. As perdas se deveram não só a enchentes e pragas como a uma epidemia mortal de bexiga entre os escravos. Mello p. 159 1643 Com a trégua assinada entre Nassau e o Lopez p. 155

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53 ANO EVENTO FONTE governo da Bahia em 1640 o açúcar volta a ser produzido e mandado para a Europa causando excesso de oferta. Em 1643 o produto atinge a mais baixa cotação em Amsterdã. 1644 Maurício de Nassau sai de Recife e volta para a Europa. Lopez p. 155 Mello 1645 3 de agosto: Batalha de Monte das Tabocas entre brasileiros e holandeses estes derrotados. Holandeses ficam restritos praticamente ao Recife. Azevedo 1648 19 de Abril: Primeira Batalha dos Guararapes entre brasileiros e holandeses estes derrotados. Lopez p. 225 1649 19 de fevereiro: Segunda Batalha dos Guararapes. Holandeses derrotados. Esta derrota formou na Holanda convicção de que o Brasil era irrecuperável. Não havia mais dinheiro para a Companhia das Índias Ocidentais tentar tomar a produção de açúcar brasileiro. Lopez p. 225 1650 Fundação do Engenho de São Salvador o primeiro da região de Campos dos Goytacazes no Rio de Janeiro. A região conheceria seu apogeu 150 anos depois. Paranhos 1654 Holandeses se rendem a 26 de janeiro. A dispersão de judeus franceses e ingleses se dirigiu para o Caribe e América do Norte. Com financiamento da Companhia foi essa diáspora que implantou o cultivo de cana no Caribe Lopez pp. 227 232

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54 ANO EVENTO FONTE que em breve desmontaria o sistema brasileiro. 1655 A provisão de regalias para grandes engenhos de 1614 é ainda mais reduzida devido a fraudes. Como os donos de engenho tinham dez anos de isenção depois desse período derrubavam o engenho e faziam outro exatamente igual. Azevedo p. 184 1657 Vitória dos contratadores sobre os senhores de engenho. Alvará real diz que não mais poderia ser alegado pertencimento a ordem militar ou religiosa para dispensa de impostos. Azevedo 1658 Revogado o privilégio da isenção de dízimos devidos à Fazenda Real por quem obtivesse hábito da Ordem de Cristo. Antes disso eram muitos os pedidos destes por senhores de engenho. Gomes p. 54 1660 Setembro: Revolta da Cachaça no Rio de Janeiro. Desgostosos com novos impostos senhores de engenho tomam o poder e o mantém até fevereiro de 1661. Revista Aventuras na História apud Udop curiosidades http://pt.wikipedia.org/wiki/Re volta_da_CachaC3A7a 1662 Lei real proíbe cativar índios "salvo em caso de guerra" e ainda assim apenas mediante licença do governador. Azevedo 1677 Regimento do Governador Geral Roque da Costa Barreto estabelece que os engenhos devem ficar suficientemente espaçados porque muito mais importaria menos engenhos com lenhas bastantes Petrone Pinho p. 143

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55 ANO EVENTO FONTE que haver mais com falta de lenhas. 1687 Primeira iniciativa do governo metropolitano exigindo a melhoria da qualidade do açúcar para colocar o produto brasileiro em condições de reconquistar o mercado estrangeiro. Azevedo p. 160 1681 Provisão da Coroa estabelece distância mínima de meia légua entre dois engenhos. Petrone 1688 Carta régia autoriza devassas anuais sobre senhores que maltratem seus escravos "sem moderação" obrigando-os a vendê-los a quem os tratasse melhor. Azevedo 1710 Medida baixada pela Coroa proíbe a criação de gado na faixa de dez léguas do litoral. Isto se deveu ao problema da expansão da pecuária que atrapalhava a lavoura canavieira no Recôncavo Baiano. http://www.seagri.ba.gov.br/R evBaAgr/rev_031998/reconca vo.htm 1711 Guerra dos Mascates entre senhores endividados de Olinda contra mercadores do Recife. Não podiam afirmar-se vigorosamente senão opondo-se a eles não como devedores contra seus credores mas como filhos da terra radicados no meio contra portugueses intrusos. Mazombos contra Mascates. Azevedo p. 137 1720 Começa o cultivo de cana em Mato Grosso a data certa pode estar entre 1720 e 1726. Azevedo 1725 Ingleses introduzem no Brasil a técnica na qual todas as tachas e caldeiras são fundidas numa fornalha comum donde o Azevedo p. 212 Gomes p. 234

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56 ANO EVENTO FONTE fim do bueiro e o início das chaminés e o ferro substitui o cobre. Isso economizava lenha. Como o processo havia sido desenvolvido na Jamaica ficou conhecido no Brasil por "trem jamaicano". 1751 Criadas as "Mesas de Inspeção" na Bahia Rio de Janeiro Pernambuco e Maranhão para arbitrar preços do açúcar conforme sua qualidade. Azevedo Petrone 1754 John Smeaton na Jamaica desenvolve a primeira moenda de rolos dispostos na horizontal. Gama p. 183 1758 Resolução de 22 de setembro estende aos senhores do Rio de Janeiro o privilégio que já tinham os baianos: o senhor só pode ser executado em seus rendimentos não em terras. A resolução seria confirmada dois anos depois. Petrone 1761 Limitação das exportações de açúcar do Grão-Pará. Introdução de um sistema de cotas de produção no Brasil. Azevedo 1765 Restauração da Capitania de São Paulo que é desmembrada da do Rio de Janeiro. Início do "ciclo paulista" do açúcar sob o governo do Morgado de Mateus 1765-1775. Petrone 1765 10 de setembro: lei elimina as frotas de comércio para Rio de Janeiro e Bahia. Daí por diante pode-se navegar para todos os domínios portugueses o que propicia o enriquecimento de capitanias como a de São Paulo. Petrone

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57 ANO EVENTO FONTE 1770 Cana é plantada na terra vermelha de Campinas. Antes acreditava-se que as terras pretas em redor de Itu eram as únicas boas para esse tipo de cultura. Saint Hilaire apud. Petrone p. 45. O texto é de 1819 1772 Organizado no Brasil o primeiro horto ou jardim botânico no Rio de Janeiro. Era um esforço para estudar a aclimatação de plantas rentáveis ao Brasil. Dentre elas a cana-de-açúcar. Outros hortos: São Paulo 1779 Belém 1796. Dean 1788 Sobe ao governo de São Paulo Bernardo José de Lorena. Fica até 1797. Pavimentou o caminho para Cubatão Calçada do Lorena por onde se escoava o açúcar produzido no Planalto. Petrone 1789 Proibido todo o comércio de produtos paulistas que não saísse do porto de Santos diretamente para a Metrópole. A medida visava a proteger a produção de açúcar do Planalto em detrimento daquele produzido no litoral Norte. Petrone 1790 Bernardo José de Lorena ordena ao capitão-mor de Itu que povoe as terras ao redor de Piracicaba e Porto Feliz. Itu não tinha mais espaço para plantação de cana. Petrone 1790 Provável data da chegada ao Pará da cana caiena. Prado Jr. FBC Câmara Cascudo diz que essa data "é tradição" e prefere 1810 1791 Fica pronta a Calçada do Lorena entre o Alto da Serra e Cubatão. A subida passava a poder ser feita em três horas. Petrone p. 192

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58 ANO EVENTO FONTE 1791 Agosto: revolta de escravos do Haiti paralisa a cultura de açúcar nessa colônia francesa. Udop http://www.uesb.br/politeia/v2/ artigo_07.pdf / http://www.travelinghaiti.com/ history_of_haiti/slave_rebellio n.asp 1792 Agosto: revolta de escravos paralisa a produção agrícola em São Domingos. Isso mais a desorganização da produção no Haiti favorece as exportações brasileiras e em especial do açúcar. Algodão também se dá bem. Na época os produtos da colônia eram por ordem açúcar algodão e tabaco. Quem se dá melhor com isso no entanto é Cuba que tem uma produção muito mais organizada que a brasileira. Prado Jr. FBC Gomes para Cuba 1797 Governo português toma novas medidas para "conferir e ajustar os preços" e fixar o "justo preço" do açúcar conforme "sua qualidade" e "as circunstâncias do tempo". Carta Régia estabelece que as matas do litoral e nas margens dos rios são propriedade da Coroa. A medida visa a preservar as lenhas e não permitir a depredação das matas para uso nas caldeiras dos engenhos. Azevedo Petrone para a Carta Régia 1798 Revogada a disposição do governo de São Paulo de 1789 que restringia as exportações entre o porto de Santos e a Metrópole. Petrone 1801 Guerras na Europa forçam para baixo o Petrone

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59 ANO EVENTO FONTE preço do açúcar brasileiro. 1802 Renovada a disposição de 1681 estabelecendo meia légua como o mínimo entre dois engenhos. Dada a predação das matas a medida foi inspirada pelo temor de que se esgotassem as provisões de lenha. Petrone 1805 Edital do governador Antônio José da Franca e Horta obriga que senhores de engenho encaixadores e negociantes de Santos assinem a fogo suas caixas de açúcar. A medida visa a evitar fraudes e melhorar a qualidade do açúcar já que não havia Mesa de Inspeção em Santos. Petrone 1806 Bloqueio continental na Europa promovido pela Inglaterra leva Napoleão a promover o fabrico de açúcar de beterraba. Esse concorrente fecha alguns mercados europeus ao produto brasileiro. 1807 Senhores de engenho de São Paulo conseguem obter os mesmos privilégios concedidos aos do Rio em 1760: só pode ser executado por dívida o rendimento do engenho. Petrone 1808 Chegada da Família Real e abertura dos portos brasileiros. 1809 Cana caiena é introduzida no Estado de São Paulo em Jundiaí. Petrone p. 88 1809 Manual Jacinto de Sampaio e Melo dono do Engenho da Filosofia na Bahia introduz no Brasil a técnica de usar o bagaço da cana como combustível para Prado Jr. FBC Soffiati para o dado sobre o livro

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60 ANO EVENTO FONTE as fornalhas. Em 1816 escreveria seu "Novo método de fazer açúcar" mas suas ideias não tiveram maior ressonância. 1810 Introduzida na Bahia a variedade caiana ou Cana de Caiena também conhecida por otaiti ou bourbon. Chegada dessa variedade ao Rio de Janeiro em maio ou junho trazida por portugueses que então dominavam a Guiana Francesa a dominação se estendeu entre 1809 e 1817. Azevedo Câmara Cascudo p. 61 para o Rio Gomes para "bourbon" 1810 Alvará do Príncipe Regente pune com confisco e prisão quem fraudar caixas de açúcar. Petrone p. 182 1812 Introduzido em São Paulo o engenho com cilindros dispostos na horizontal. Um senhor de Campinas Joaquim dos Santos Camargo mandou vir da Bahia um mestre construtor. Petrone 1814 Alvará do Príncipe Regente estende o privilégio quanto a execuções de dívidas RJ 1760 SP 1807 ao todas e quaisquer execuções ainda que sejam de minha Real Fazenda. Petrone 1817 Data provável da primeira máquina a vapor para mover engenho introduzida no Brasil. Se bem que há indícios de introdução de máquinas a vapor dois anos antes na Bahia. Azevedo p. 200 Para a data relativa à Bahia Azevedo p. 215 Portal Unica dá 1815 Gomes para o dado de Pernambuco

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61 ANO EVENTO FONTE Primeiro engenho a vapor em Pernambuco. 1825 Ana Joaquina de Aguiar Guilherme Whitaker e Frederico Fomm importam da Inglaterra e estabelecem em Santos uma máquina a vapor para "enxugar o açúcar" aumentando assim sua qualidade. Petrone 1827 Fevereiro: terminam as obras da estrada por terra entre Cubatão e Santos. Antes disso o trajeto era feito em canoas. Petrone para a data da estrada p. 199 1827 Revogação da lei que exigia licença para a construção de engenhos e abolição da política oficial de fixação de preços. Reforma liberalizante que põe fim à intervenção cujo auge foi a criação das Mesas de Inspeção em 1751. Azevedo 1829 A Fundição Harrington Starr em Pernambuco começa a funcionar e oferece peças de reposição para engenhos. Cf. a entrada para 1836 Gomes p. 282 1830 Estabelece-se em Ipanema SP indústria fornecedora de cilindros de ferro com rodas dentadas para moendas. Petrone 1830 Abril: boato de levante de escravos em plantações de cana alarma Campinas. Medidas preventivas são tomadas e o levante aborta. Petrone 1831 É proibido o tráfico de escravos. 1832 Conspiração de escravos dos engenhos de Atibaia. Petrone 1833 Primeira das grandes enchentes do rio Alberto Ribeiro Lamego in

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62 ANO EVENTO FONTE Paraíba que destruiu canaviais na região de Campos. Outros anos de desastre foram: 1855 1882 1886 1895 1896 1906 1917 e 1923. Riedel 1834 Censo na Bahia mostra que a tração animal é a preferida pelos senhores de engenho: 46 a vapor 62 a água e 495 tracionados por animais. Azevedo p. 213 1835 Criam-se em São Paulo barreiras nas estradas. O objetivo do pedágio é arrecadar verbas para manutenção das mesmas. Petrone 1835 Promulgada a "Lei Feijó" que criava incentivos para a construção de estradas de ferro no Brasil. O objetivo inicial nunca realizado era ligar o Rio de Janeiro a Minas Gerais Rio Grande do Sul e Bahia. Mazzoco e Santos pp. 29 102 1836 A fundição Harrington Starr fundada por ingleses em 1829 em Pernambuco passou a fornecer máquinas a vapor inteiramente fabricadas no Brasil. De fato eram as primeiras inteiramente fabricadas na América do Sul. Gomes p. 39 ilustração à p. 40 1837 Na região de Campos no Rio de Janeiro são introduzidas as moendas e tachas de ferro e os engenhos a vapor. Azevedo 1841 Grande geada destrói a safra paulista de cana. Petrone 1846 Auge da produção açucareira em São Paulo. Petrone p. 162 1846 Norbert Rillieux norte-americano 1806- http://center.acs.org/landmark

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63 ANO EVENTO FONTE 1894 patenteia o seu sistema de evaporação a vácuo criado por ele três anos antes. A series of vacuum pans or partial vacuum pans have been so combined together as to make use of the vapor of the evaporation of the juice in the first to heat the juice in the second and the vapor from this to heat the juice in the third which latter is in connection with a condenser the degree of pressure in each successive one being less… The number of sirup-pans may be increased or decreased at pleasure so long as the last of the series is in conjunction with the condenser. s/landmarks/sugar/sug3.html neste endereço existe ilustração da patente 1848 Rebelião Praieira em Pernambuco "em que o povo saía às ruas aos gritos de mata-marinheiro" em alusão aos portugueses mercadores Cf. entrada de 1711 sobre as motivações da Guerra dos Mascates. Azevedo p. 137 1849 Lei provincial no Estado de São Paulo autoriza o governo a fazer gastos na compra de novas mudas de cana caiena pois as cultivadas estavam degenerando como já havia acontecido em Campos no Rio de Janeiro onde os agricultores voltaram a plantar a crioula. Petrone 1849 A turbina para centrifugação de açúcar é desenvolvida pela empresa francesa Rholfs Seyrig Cia. Gama p. 219 Gama dá "alemão Soyrig" o deve estar errado. "Seyrig" está fartamente

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64 ANO EVENTO FONTE documentado. 1850 Chega ao Brasil vinda de Java a cana riscada ou Batavia. Dean 1850 Aberta a Estrada da Maioridade. Agora a descida da Serra podia ser feita por carros. O maior impulso para ela já era o café e não mais a cana. Petrone 1850 D. Pedro II por graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil: Fazemos saber a todos os Nossos Súditos que a Assembleia Geral Decretou e Nós Queremos a Lei seguinte: ... Promulgada a "Lei de Terras" a 18 de setembro. Eliminava a possibilidade de doação de terras pelo governo. A partir de então a posse de terra só podia se dar pela compra. Com isso terras passaram a ser bens hipotecáveis desde que os posseiros registrassem sua terra. Art. 5º Serão legitimadas as posses mansas e pacíficas adquiridas por ocupação primária ou havidas do primeiro ocupante que se acharem cultivadas ou com princípio de cultura e morada habitual do respectivo posseiro ou de quem o represente. Instituto de Terras do Estado de São Paulo http://www.itesp.sp.gov.br/br/i nfo/legislacao/lei_601.aspx 1851 Pela primeira vez a produção de café supera a de açúcar em São Paulo Petrone

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65 ANO EVENTO FONTE 1852 Estabelecimento das primeiras estradas de ferro no país. Prado Jr. HEB p. 196 Mazzoco e Santos dão 1854 p. 29 1854 Decreto regulamenta a lei de 1850. Cabe aos vigários de cada paróquia recolher as declarações de propriedade de posseiros e sesmeiros. Itesp http://www.itesp.sp.gov.br/br/i nfo/legislacao/decreto_1318.a spx para ler todo o decreto é preciso baixar o zip. O que está aberto no site está truncado 1857 Sob os auspícios de d. Pedro 2 é elaborado um programa de modernização da produção de açúcar. É aprovada a construção de Engenhos Centrais desligados do cultivo. Dos 87 propostos 12 serão de fato construídos. Udop 1859 Fundado a primeiro de novembro com a presença de d. Pedro 2 o Imperial Instituto de Agricultura em São Francisco do Conde BA primeira instituição brasileira de pesquisa agropecuária iniciativa conjunta da Corte e da aristocracia açucareira. Só foi implantado em 1874 e seu primeiro curso foi em 1877. Pires e Gomes Baiardi http://www.decisa.ufba.br/hist orico_agrba.html 1863 Engenho a vapor em Sergipe. Azevedo p. 70 1870 Engenho a vapor na Bahia. Azevedo p. 70 1875 Decreto do Governo Imperial cria a figura do Engenho Central. No mesmo dia é aprovada a construção do Engenho de Quissamã no Rio de Janeiro. http://www.quissama.rj.gov.br /municipio/mais_economia.ht ml 1877 Engenho a vapor em Pernambuco. Azevedo p. 70

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66 ANO EVENTO FONTE 1877 12 de setembro: inaugurado o Engenho Central de Quissamã o primeiro da América do Sul. http://www.quissama.rj.gov.br /municipio/mais_economia.ht ml 1878 Congresso Agrícola feito sob os auspícios da Sociedade Auxiliadora da Agricultura em Pernambuco concluía pela reivindicação de leis que definissem claramente as relações jurídicas entre plantadores e usineiros. Azevedo p.204 1880 Engenho a vapor em Mato Grosso. Azevedo p. 70 1881 Fundado o Engenho Central de Piracicaba. Entraria em funcionamento no ano seguinte e funcionaria até 1974. O prédio foi tombado em 1990. http://www.setur.piracicaba.sp .gov.br/pontos_turisticos/enge nho_central.htm 1887 Fundada a Imperial Estação Agronômica de Campinas que em 1892 passa para o governo do Estado de São Paulo e hoje se chama Instituto Agronômico de Campinas. 1888 A abolição da escravatura decretada em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel atingiu fortemente a produção fluminense concentrada nas fazendas de café e da cana-de-açúcar determinando o declínio imediato. Ao contrário das fazendas paulistas cujos proprietários tinham contratado milhares de imigrantes italianos para substituir os escravos. Campos Valença Cantagalo e Vassouras foram os Municípios mais atingidos da Província pois detinham a maior quantidade de escravos. Os ricos http://www.governo.rj.gov.br/h istoria01.asp

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67 ANO EVENTO FONTE fazendeiros descontentes com a libertação de seus escravos milhares dos quais abandonaram imediatamente as plantações ficaram a favor da propaganda republicana na esperança de receberem do governo alguma indenização pelos prejuízos. 1889 Proclamação da República. Neste ano as exportações de açúcar ocupavam o terceiro lugar na pauta brasileira atrás de café e borracha. Waak e Neves p. 24 1889 Decreto do governo federal permite a fundação de "engenhos centrais" para tentar diminuir o poder dos usineiros sobre os agricultores. Barbosa Lima Sobrinho apud Azevedo p. 226 nota Cf. com a informação da Udop sobre 1857 1906 Grande enchente do Paraíba destrói canaviais e quando o rio baixa a região é assolada pela peste bubônica. Alberto Ribeiro Lamego in Riedel 1906 Colheita mecanizada de cana é introduzida no Havaí. Gonçalves p. 33 1910 Criação da Companhia União de Refinadores. Udop 1921 Açúcar volta a ocupar o segundo lugar na pauta de exportações brasileiras atrás apenas do café. Cf. entrada para 1889 Waak e Neves 1924 Aumento da produção açucareira em São Paulo leva a indústria nordestina a uma crise. Waak e Neves 1925 Um automóvel Ford modificado pela EECM Estação experimental de combustíveis e minérios criada em 1921 e que funcionava na Praia Vermelha no Schwartzman e Castro

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68 ANO EVENTO FONTE Rio de Janeiro corre 230 km alimentado exclusivamente por álcool 70 ºGL. 1926 Usineiros de Pernambuco fundam a sociedade cooperativa Instituto de Defesa do Açúcar. O objetivo do instituto era intervir no mercado para regular preços. O instituto para poder regular estoques emitia certificados de armazenagem warrantagem. Azevedo p. 204 1929 Crack da Bolsa de Nova York. Queda acentuada nos preços do café e do açúcar. No caso do açúcar o golpe é mais violento dado ter havido nesse ano uma safra excepcional. Waak e Neves 1930 Fim da política liberal com relação ao açúcar retomada em 1827 e início de fase de intervenção forte do Estado com a Revolução de 1930. Azevedo 1931 Fornecedores de cana-de-açúcar de Pernambuco obtêm vitória contra usineiros com a aprovação pelo governo de uma tabela de fixação dos preços de cana. Azevedo p. 230 1931 Criação da Comissão de Defesa da Produção do Açúcar que resultaria em dois anos no IAA. 1931 Gasolina brasileira passa a ser misturada com álcool na proporção de 95:5. Udop Schwartzman 1931 É criada dentro do ministério da Agricultura a Comissão de Estudos sobre o Álcool Motor. Schwartzman 1933 Criação do Instituto do Açúcar e do Azevedo

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69 ANO EVENTO FONTE Álcool resultado da fusão da Comissão de Defesa da Produção do Açúcar e da Comissão de Estudos sobre o Álcool- Motor. 1933 Destilaria estatal na região de Campos começa a produzir álcool anidro. Szmrecsányi p. 59 1939 Decreto determina quotas de produção. O excedente seria considerado açúcar clandestino e poderia ser confiscado. Unica / legislação 1941 Promulgado o "Estatuto da Lavoura Canavieira" decreto 3855 de 21.11.1941 para regular as relações entre fornecedores de cana e produtores de açúcar. Norma mais relevante: no mínimo 40 da produção de uma usina deveriam vir de cana de fornecedores. Unica / legislação 1943 Fundada a Usina Caeté em Alagoas a primeira em sistema cooperativista da América do Sul. A cooperativa fundada em 1941 chamava-se Cooperativa dos Fornecedores de Cana que por sua vez foi idealizada em 1937 no "Primeiro Congresso dos Bangüezeiros" termo que os senhores de engenho de Alagoas usaram para se diferenciar dos usineiros. Lima 1945 Com a queda de Getúlio Vargas e o restabelecimento de um Estado democrático crescem as pressões para que caísse o estatuto de 1941. Vem então o Decreto-lei 9.827 em cujo artigo quinto estava: as usinas poderão utilizar com lavouras próprias até 50 dos http://www.unimep.br/npdr/Liv ro_Eliana/03_Capitulo.html1 082 Bilac e Terci

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70 ANO EVENTO FONTE aumentos de quotas que lhes venham a ser concedidos com base no presente decreto-lei destinando a parte restante a fornecedores lavradores ou colonos de acordo com o plano que for apresentado pela usina e aprovado pelo Instituto do Açúcar e do Álcool. Parágrafo único: reconhecida pelo Instituto do Açúcar e do Álcool a falta de capacidade de produção dos fornecedores das usinas já existentes para a utilização das quotas de fornecimentos na porcentagem estabelecida neste artigo serão estas atribuídas às usinas para aproveitamento com lavouras próprias. A medida aumentou a concentração fundiária em SP. 1956 Chegam ao Brasil os primeiros equipamentos mecânicos para corte e carregamento de cana-de-açúcar. Gonçalves p. 33 1959 Fundada a Copersucar. Udop 1960 Revolução Cubana. Com o rompimento entre Cuba e EUA o mercado norte- americano para açúcar que praticava preços mais altos que o mercado livre se abriu para o Brasil o que incentivou a produção nacional. Em conseqüência disso o IAA cria sua "Divisão de Exportação" e reverte a política de incentivo que vinha mantendo para a produção de álcool em detrimento da de açúcar. Szmrecsányi pp. 64-5

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71 ANO EVENTO FONTE 1960 Fundada a Santal Equipamentos S.A que viria a ser a produtora da primeira cortadora-enleadora fabricada inteiramente no país. Gonçalves p. 33 site da Santal 1961 É criado o Gerca Grupo executivo de racionalização da cafeicultura devido ao colapso internacional dos preços do café em 1960. Esse órgão seria a origem da política de erradicação de café entre 1962 e 1967 com conseqüente abertura de espaços para soja e cana-de-açúcar principalmente em São Paulo e Paraná. Em São Paulo a área dedicada ao café cai de 1.554 mil hectares em 1957 para 785 mil em 1967. http://www6.senado.gov.br/le gislacao/ListaPublicacoes.acti onid113553 Szmrecsányi p. 66 Para os números Ramos 1965 Lei 4.870 exige que usineiros apliquem em benefícios sociais 1 do preço do saco de açúcar 1 do valor da tonelada de cana entregue por fornecedores e no caso de produzir álcool 2 do preço do litro do álcool. Com a extinção do IAA a lei perdeu força em sua implementação: Em 1998 a Procuradoria da Fazenda do Governo Federal emitiu parecer no sentido da eficácia contida da Lei ou seja que essa estava em vigente mas não em aplicação o que estava deixando de beneficiar milhões de trabalhadores em ações sociais. Simas p. 64 Para a perda de força: http://www.nuca.ie.ufrj.br/info sucro/biblioteca/mercadodom estico/artigo15.html 1965 Código Florestal impede queimadas em Gonçalves artigo p. 41 Cf. entradas para 1988 e

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72 ANO EVENTO FONTE todo o país. 1997 sobre legislação. 1971 Com um mercado favorável para o açúcar o governo institui: 1. para pesquisas: o Planalsucar Programa nacional de melhoramento da cana-de-açúcar que deveria passar a atuar como o braço de pesquisas do IAA. Em São Paulo a coordenadoria estava concentrada em Araras. As variedades de cana criadas dentro do programa e até hoje usadas no Brasil recebem a sigla RB seguida de número de identificação. 2. para financiamento do setor: o Programa de racionalização da indústria açucareira. Dois anos mais tarde este seria encerrado dando lugar ao Programa de apoio à indústria açucareira. http://pmgca.dbv.cca.ufscar.b r/htm/pmg/histor.php http://www.udop.com.br/geral. phpitemnoticiacod879 Szmrecsányi p. 68 para o item 2 1973 Primeira crise internacional do petróleo. O governo passa a incentivar a maior produção direta de álcool também para evitar uma prevista crise de superprodução. Szmrecsányi p. 70 1975 Decreto do então presidente Ernesto Geisel de 14 de novembro cria o Proálcool. Em sua primeira fase a ênfase do Proálcool era na produção de álcool anidro a partir de melaço para mistura com gasolina. Nessa fase a produção cresceu de 600 milhões para 34 bilhões litros/ano. Isso vai até 1979. Entre 1985 e http://www.biodieselbr.com/pr oalcool/pro-alcool.htm http://www.unicamp.br/unica mp/divulgacao/BDNUH/NUH_ 5324/NUH_5324.html

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73 ANO EVENTO FONTE 1990 o PNA é reestruturado e cessam os subsídios para o setor. 1975 A Zanini constrói a primeira destilaria ao estilo "chave na mão" a Destilaria MB hoje Usina de Açúcar e Álcool MB. Entrevista Henrique Gomes 2006 em DVD 1979 O Fiat 147 é o primeiro carro a álcool produzido em série no Brasil. http://www.unicamp.br/unica mp/divulgacao/BDNUH/NUH_ 5324/NUH_5324.html 1980 Com a segunda crise do petróleo de 1979 o governo brasileiro lança uma segunda fase do Proálcool. São criados dois organismos: Conselho Nacional do Álcool Cnal e a Comissão Executiva Nacional do Álcool Cenal. A ênfase anterior de incentivo à produção de álcool anidro passa para a produção de álcool hidratado para uso direto como combustível. A indústria automobilística recebe incentivos para alterar suas linhas de produção e o preço ao consumidor é fixado em 1 litro de álcool custando no máximo 65 do preço de 1 litro de gasolina apesar de esta ter custo de produção mais baixo. http://www.biodieselbr.com/pr oalcool/pro-alcool.htm 1984 Apogeu da produção de carros movidos a álcool 944. Gazeta Mercantil apud Udop curiosidades 1985 Criada a Udop União dos Produtores de Bioenergia ex- Usinas e Destilarias do Oeste Paulista http://www.udop.com.br/ 1988 Promulgada a nova Constituição brasileira que proíbe o fogo como prática agrícola em todo o país. Gonçalves artigo p. 33

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74 ANO EVENTO FONTE 1989 Crise de abastecimento de etanol na entressafra 1989-1990. Em 1989 cai a diferença do álcool para a gasolina para 25 o que desacredita os consumidores e também leva muitas usinas a voltar a produzir mais açúcar. http://www.biodieselbr.com/pr oalcool/pro-alcool.htm Szmrecsányi p. 74 1990 Extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool. Órgão sucessor SPR/Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão-EX- Secretaria de Direito Regional. http://www.planejamento.gov. br/extincao_liquidacao/conteu do/orgaos_entidades_extintos .htm 1990 Extinto o Planalsucar junto com o IAA. As pesquisas acumuladas passam para a Ridesa Rede interinstitucional de desenvolvimento do setor sucroalcooleiro. Fazem parte da Ridesa: UFRPE UFAL UFS UFV UFRRJ UFSCar UFG e UFPR. http://pmgca.dbv.cca.ufscar.b r/htm/pmg/histor.php 1991 Lei 8.393 de 30.dez.1991 extingue os subsídios de equalização dos custos de produção. Torna livre a transferência de açúcar e de unidades industriais entre as Regiões brasileiras. GALINKIN 1994 1993 A Santa Elisa é a primeira usina a firmar com a CPFL um contrato de geração de energia elétrica a partir do bagaço de cana. Entrevista Henrique Gomes 2006 em DVD parte 1 13:25 1997 6 de agosto: Decreto estadual proíbe queimadas nos canaviais paulistas. Gonçalves p. 13 1997 Decreto de 21 de agosto de 1997 cria o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool Cima. http://www.biodieselbr.com/pr oalcool/pro-alcool.htm

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75 ANO EVENTO FONTE 1997 Usina Santa Elisa ganha prêmio da CNI por seu projeto de colheita de cana-de- açúcar sem queimada. Gonçalves p. 35 1998 Medida provisória eleva a adição de etanol anidro à gasolina. Passa de 22 a 24. http://www.biodieselbr.com/pr oalcool/pro-alcool.htm 1998 Portarias do Ministério da Fazenda números 102 e 275 instituem o regime de liberação de preços no setor sucroalcooleiro. Unica / legislação 1999 Abril: Começa dentro do Projeto Genoma da Fapesp o "Projeto Genoma da Cana-de-Açúcar". Udop 2000 Revogação da medida provisória de 1998. A mistura de álcool anidro à gasolina cai para 20. Unica / legislação 2000 O grupo francês Louis Dreyfus é o primeiro grupo estrangeiro a entrar no setor canavieiro no país. Novaes p. 176 2000 Maio: Lei prorroga a prática de queimadas por 20 anos. Gonçalves p. 14 detalhes da Lei à p. 29 2001 Lei estabelece que as queimadas em canaviais paulistas devem terminar em 2021 para as áreas mecanizáveis e 2031 para as não-mecanizáveis. Essas áreas se dividem meio a meio. Gonçalves p. 30 2001 A Santa Elisa se torna a primeira usina a gerar eletricidade a partir de bagaço de cana durante os 12 meses do ano. Entrevista Henrique Gomes 2006 em DVD parte 1 17:15 2003 Lançado no Brasil o primeiro carro "flex" pela Volkswagen. http://www.biodieselbr.com/pr oalcool/flex-fuel/proalcool- flex-fuel.htm 2003 A Dedini Indústrias de Base em convênio http://www.dedini.com.br/pdf/

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76 ANO EVENTO FONTE com Copersucar e Fapesp põe em funcionamento o sistema de hidrólise do bagaço de cana processo que começou a ser pesquisado ainda na década de 1980. No processo a celulose da biomassa é transformada em açúcares que então podem ser usados na produção de etanol. dhr.pdf Macedo p. 161 2007 Para conter o possível avanço da cultura de cana em áreas de cultura de alimentos o Governo estuda a possibilidade de expandir essa cultura para áreas degradadas de pastagens. OESP Economia 18.05.07 2007 O ministro do Trabalho do Brasil Carlos Lupi participa pela primeira vez de um encontro da Conferência Internacional do Trabalho em Genebra e afirma que no país a situação de alguns trabalhadores em canaviais permanece "degradante". O aumento das exportações de etanol pode desencadear um processo de criação de um "selo do trabalho" que garantiria a qualidade de vida do trabalhador envolvido na produção. OESP Economia 11.06.07 2007 A empresa brasileira Brasken desenvolve tecnologia para fabricar plásticos a partir de álcool. É o chamado "plástico verde". O processo envolve transformar álcool em eteno por desidratação e daí a polietileno. OESP Economia 22.06.07 2007 Governo brasileiro prepara pacote que cria selo ambiental para a indústria do OESP Economia 22.07.07

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77 ANO EVENTO FONTE álcool. A medida visa a mostrar a compradores estrangeiros que o meio ambiente está sendo respeitado e que áreas de alimentos não estão sendo desviadas para o cultivo de cana-de- açúcar. Do pacote fará parte um zoneamento de usinas que obriga que elas estejam instaladas a até 20 km dos canaviais fornecedores.

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78 REFERÊNCIAS 1. Livros e artigos em publicações acadêmicas AÇÚCAR A CIVILIZAÇÃO QUE A CANA CRIOU Instituto Cultural Bandepe 2002 AÇÚCAR PROJETO INVENTÁRIO DE BENS CULTURAIS IMÓVEIS Desenvolvimento territorial dos caminhos singulares do Estado do Rio de Janeiro Governo do Estado do Rio de Janeiro / Secretaria de Estado de Cultura / Inepac Instituto Estadual de Patrimônio Cultural / Sebrae-RJ / Unesco 2004 ANTONIL André João - Cultura e opulência do Brasil Itatiaia/Edusp 1982 AZEVEDO Fernando de - Canaviais e engenhos na política do Brasil Instituto do Açúcar e do Álcool 1948 BAIARDI Amílcar - O Imperial Instituto Bahiano de Agricultura e as mudanças na agricultura e agroindústria na Bahia na segunda metade do século 20. Disponível em http://www.abphe.org.br/congresso1999/Textos/AMILCAR.pdf BARBALHO Nelson - Dicionário do açúcar Massangana 1984 BILAC Maria Beatriz B. TERCI Eliana T. - Piracicaba: de centro policultor a centro canavieiro 1930 - 1950 MB Editora 2001 CÂMARA CASCUDO Luís da - Prelúdio da cachaça Global 2006 original de 1952 CARNEIRO Newton - Rugendas no Brasil Livraria Kosmos Editora S.A. 1979

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79 CONDURU Roberto - Esther e São Paulo construções culturais entre o edifício e a cidade. Disponível no site http://www.vitruvius.com.br/resenhas/textos/resenha095.asp DEAN Warren - A botânica e a política imperial: introdução e adaptação de plantas no Brasil Colonial e Imperial. Instituto de Estudos Avançados da USP. Disponível em www.iea.usp.br/artigos FERLINI Vera Lúcia Amaral - A civilização do açúcar Brasiliense 1998 1a. edição de 1984 ________________________ - Terra trabalho e poder no mundo dos engenhos do nordeste colonial Edusc 2003 FERNANDES Hamilton - Açúcar e álcool ontem e hoje Instituto do Açúcar e do Álcool 1971 FREYRE Gilberto - Açúcar - Uma sociologia do doce com receitas de bolos e doces do Nordeste do Brasil Global Editora 5a. edição revista 2007 1a. ed. de 1939 ______________ - Interpretação do Brasil tradução de Olivio Montenegro José Olympio 1947 ______________ - Casa grande e senzala Maia Schmidt 1933 ______________ - Nordeste Record 1989 1a. ed. de 1937 GALINKIN Maurício coordenador - Produção de estudos e seus efeitos na política agrícola Cebrac 1994 em PDF GAMA Ruy - Engenho e tecnologia Duas Cidades 1983 GOMES Geraldo - Engenho e arquitetura Massangana 2005

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80 GONÇALVES Daniel Bertoli - A regulamentação das queimadas e as mudanças nos canaviais paulistas Fapesp 2002 ________________________ - Sob as cinzas dos canaviais: o perigoso impasse das queimadas no Estado de São Paulo Informações econômicas v. 35 n. 8 pp. 32-44 2005 LAGO Pedro Corrêa do LAGO Bia Corrêa do - Frans Post 1612-1680 Obra completa Capivara 2006 LIMA Araken Alves de - A evolução da agroindústria canavieira alagoana da criação do Instituto do Açúcar e do Álcool IAA ao processo de modernização da década de 1960 texto apresentado no V Congresso Brasileiro de História Econômica Caxambu 2003. disponível em http://www.abphe.org.br/congresso2003/Textos/Abphe_2003_54.pdf LOPES José Sérgio Leite - O vapor do diabo o trabalho dos operários do açúcar Paz e Terra 2a. ed. 1978 LOPEZ Adriana - Guerra açúcar e religião no Brasil dos holandeses Editora Senac 2002 MACEDO Isaías - Situação atual e perspectivas do etanol Estudos Avançados v. 21 n. 59 pp. 157-65 2007 disponível no site do Instituto de Estudos Avançados da USP MARQUES Tadeu Alcides SERRA Gil Eduardo - Programa multimídia para fabricação do açúcar cristal de cana-de-açúcar Scientia Agricola v. 57 pp. 567-9 2000 disponível no SciELO MAZZOCO Maria Inês Dias SANTOS Cecília Rodrigues dos - De Santos a Jundiaí nos trilhos do café com a São Paulo Railway Magma Cultural 2005

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81 MELLO Evaldo Cabral de - Nassau Companhia das Letras 2006 MELO Neto João Cabral de - Obra completa Nova Aguilar 2003 MONTES Maria Lucia MENEZES José Luiz Mota GALINDO Marcos - Eu Maurício os espelhos de Nassau Instituto Cultural Bandepe 2004 MOURA Carlos Eugenio Marcondes de - A travessia da calunga grande. São Paulo: Imprensa Oficial / Edusp 2000. MOURA Carlos Eugenio Marcondes de - Vida cotidiana em São Paulo no século 19 Ateliê/Imprensa Oficial/Unesp/Secretaria de Estado da Cultura 1999 MUMFORD Lewis - Technics and civilization Harcourt Brace 1934 NOVAES José Roberto Pereira - Campeões de produtividade: dores e febres nos canaviais paulistas Estudos Avançados v. 21 n. 59 pp. 167-77 2007 disponível no site do Instituto de Estudos Avançados da USP O NOVO CICLO DA CANA Estudo sobre a Competitividade do Sistema Agroindustrial da Cana-de-Açúcar e Prospecção de Novos Empreendimentos Sebrae/Fiea/IEL 2005 PARANHOS Paulo - O açúcar no Norte fluminense Histórica revista on-line do acervo público do Estado disponível na Internet em http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao08/mate ria02/ PETRONE Maria Teresa Schrorer. A lavoura canavieira em São Paulo. São Paulo: Difel 1968. PICARD J. Usinas açucareiras de Villa-Raffard Porto-Feliz Lorena e Piracicaba Missão de inspeção do Senhor J. Picard Engenheiro de 1 de

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82 março a 15 de julho de 1903 tradução de Maria da Glória Porto Kok e Alberto Alexandre Martins. Campinas: Hucitec / Editora da Unicamp 1996. PINHO Wanderley - História de um engenho do Recôncavo Zélio Valverde S.A. 1946 PIRES Fernando Tasso Fragoso e GOMES Geraldo - Antigos engenhos de açúcar no Brasil Nova Fronteira 4a. reimpressão 1994 PRADO JR. Caio - Formação do Brasil contemporâneo Editora Brasiliense 8a. edição 1965 _______________ - História econômica do Brasil Editora Brasiliense 20a. edição 1977 RAMOS Pedro - A evolução da agroindústria canavieira paulista no período 1946-1980: expansionismo agrário e características da estrutura de produção Informações econômicas v. 31 n. 8 2001 REIS Nestor Goulart - Imagens de vilas e cidades do Brasil colonial Edusp / Imesp 2000 RIEDEL Diaulas organizador - A cidade o mar e as serras Cultrix 1961 em especial "A enchente e o solar" de Alberto Ribeiro Lamego e "O engenho e a usina" de José Cândido de Carvalho SCHMIDT Carlos Borges - Tropas e tropeiros Boletim paulista de geografia v. 32 pp. 3-53 jul. 1959 SCHWARTZMAN Simon CASTRO Maria Helena Magalhães - Nacionalismo iniciativa privada e o papel da pesquisa tecnológica no desenvolvimento industrial: os primórdios de um debate Dados - Revista de Ciências Sociais v. 28 n. 1 1985 disponível em http://www.schwartzman.org.br/simon/int_art.htmIntroduE7E3o

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83 SILVA Jairo Martins da - Cachaça o mais brasileiro dos prazeres Anhembi Morumbi 2a. tiragem 2006 SIMAS Paula - Açúcar bruto UnB 1997 SOFFIATI Arthur - Vozes esquecidas: a defesa do meio ambiente no Brasil dos séculos XVIII e XIX História Ciência Saúde-Manguinhos v. 10 n. 3 2003 disponível em http://www.scielo.br/scielo.phppidS0104- 59702003000300021scriptsci_arttexttlngpt SOUTHEY Robert - História do Brasil tradução de Luís Joaquim de Oliveira e Castro Itatiaia/Edusp 1981 SZMRECSÁNYI Tamás MOREIRA Eduardo Pestana - O desenvolvimento da agroindústria canavieira do Brasil desde a Segunda Guerra Mundial Estudos Avançados v. 5 n. 11 1991 disponível em PDF no site do Instituto de Estudos Avançados da USO IEA VAINFAS Ronaldo dir. - Dicionário do Brasil colonial 1500-1808 Objetiva 2000 VARNHAGEN Francisco Adolfo de - História geral do Brasil 3 vols. Melhoramentos 10a. edição 1978 VELLOSO José Mariano - Extracto sobre os engenhos de açúcar do Brasil Arco do Cego 1800 disponível em PDF no site do Instituto de Estudos Brasileiros IEB VIDAL Ademar - Importância do açúcar Edição do autor Rio de Janeiro 1945 WAAK Roberto Silva NEVES Marcos Fava - Competitividade do sistema industrial de cana-de-açúcar in Competitividade do agribusiness brasileiro Ipea/Pensa/USP 1998 disponível no site do Ipea

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84 2. Sites de referência http://www.usp.br/prc/engenho/ Sobre o engenho de S. Jorge dos Erasmos em S. Vicente SP http://www.nuca.ie.ufrj.br/infosucro/ Site do Infosucro é mantido pelo Grupo de Estudos Sucroalcooleiros do Núcleo de Computação do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Nuca-IE-UFRJ. Tem na íntegra toda a legislação relativa a açúcar e álcool além de links e biblioteca virtual com artigos e monografias http://www.travelmauritius.info/sugar_museum.html Museu do Açúcar das Ilhas Maurício http://bases.fundaj.gov.br/acucar.html Excelente banco de dados sobre açúcar engenhos cana etc. da Fundação Joaquim Nabuco http://www.lib.lsu.edu/special/exhibits/sugar/contents.html Exposição que mostra a evolução da cultura de cana no Sul dos EUA. Site da Louisiana State University 3. Sites específicos para referências iconográficas http://www.igc.sp.gov.br/ Site do Instituto Geográfico e Cartográfico. Muitas fotos aéreas de usinas de açúcar no Estado de S. Paulo nos anos 1930-1940 http://www.corbis.com Agência internacional de imagens com representantes no Brasil. A pesquisa por sugar cane ou por sugar mill traz muitas imagens tanto do

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85 Brasil como de outros países produtores. Em especial existe uma grande coleção sobre produção de álcool na Índia http://www.sciencephoto.com Agência internacional de imagens com representantes no Brasil. A pesquisa por sugar mill traz uma boa coleção de imagens de máquinas em uso no século 19 http://www.fotosearch.fr Agência internacional de imagens. Pesquisa por canne sucre traz 258 imagens muitas referentes ao Caribe http://www.ridesa.org.br/mgenetico.htm Site da Ridesa - Rede universitária para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro. Muitas imagens de variedades de cana-de-açúcar http://memory.loc.gov/ammem/index.html Site da Biblioteca do Congresso dos EUA. Muitas imagens sobre cultivo de cana-de-açúcar e obtenção de álcool e açúcar nos EUA e Caribe 4. Outros sites com material de texto ou foto http://www.comciencia.br/comciencia/section8edicao23id255 http://www.scielo.br/scielo.phppidS0103- 40142006000200026scriptsci_arttext http://www.fazendacapoava.com.br/fazenda.php http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao02/mate ria01/ http://www.herculesengines.com/sorghum/default.html http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/return.phpcategorynum11categoryN ame http://www.cefetsp.br/edu/sinergia/8p2c.html http://www.cultura.ba.gov.br/inventario_cultural_vol2.asp http://www.ibge.gov.br/brasil500/index2.html

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86 http://www.ibge.gov.br/estadosat/temas.phpsiglasptemalavouratemporaria 2005tituloLavoura20temporE1ria20200520 http://www.mnactec.com/TICCIH/ http://www.culturalbandepe.com.br/Galeria/atlas/inicio.htm http://home.wlu.edu/powc/intr132/sugar.html http://aihca02.googlepages.com/ http://www.loc.gov/rr/print/catalog.html http://www.lesucre.com/ http://www.cambridge.org/us/books/kiple/sugar.htm 5. vídeo PONTUAL Adelina direção - Cultura do açúcar Massangana Multimídia / Fundação Joaquim Nabuco 2006 6. Aplicações MARQUES Tadeu Alcides Serra Gil Eduardo - SUKROMEDIA 1999

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87 GLOSSÁRIO Açúcar branco ou cristal - Resultado final da refinação do caldo da cana. Açúcar livre de todo mel. Açúcar demerara - Açúcar granulado com grande concentração de melaço. Açúcar mascavo - Açúcar não-refinado. Aquecimento de caldo - Uma vez passado pelos primeiros tratamentos em uma usina o caldo é aquecido a 105 ºC a fim de retirar-lhe o gás degasagem flocular colóides e emulsificar graxas e ceras acelerando assim o processo de decantação. Azenha - Engenho movido a água. Este pode ser "copeiro" se as águas vêm do alto "covilhete" ou "meio-copeiro" se vêm de altura média e "rasteiro" se pegam a roda d´água por baixo. Bangüê - Espécie de padiola para carregar cana bagaço e pães-de-açúcar. Por extensão o engenho onde era usada "engenho bangüê". Banqueiro - Técnico do preparo do açúcar nos tachos. Bolandeira - v. Rodete. Botada - Festa que marca o início dos trabalhos de moagem. Braça - Medida linear equivalente a 22 m. Muito usada na Colônia para medida de terras. Brix - Medida do total de material solúvel em uma solução qualquer. Em particular no caso da cana medida to total de açúcar. Usa-se a medida como graus: 10 Brix quer dizer 10 em massa de açúcar na solução.

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88 Caixa de açúcar - Em São Paulo no século 19 uma caixa acomodava 40 arrobas do produto. Antes do ensacamento era o meio usado para transporte no atacado. Calagem - Adição de leite de cal CaOH2 ao caldo de cana feita logo após a sulfitação. A cal elimina corantes neutraliza ácidos orgânicos e produz sulfito e fosfato de cálcio que ao sedimentarem arrastam consigo impurezas. O mesmo que caleação. Camarada - v. Tropa. Cambiteiro - Condutor de animais carregados de cana "cambitos" são as forquilhas que sustentam a cana no dorso dos animais. Uso no Nordeste. Canada - Medida para líquidos usada nos registros de produção de aguardente pelos engenhos. Aproximadamente 27 litros v. Pipa. Cana caiena - Originária do Taiti veio da atual Guiana Francesa então domínio português de 1809 a 1817 e entrou no Brasil pelo Pará entre 1790 e 1803 chegando à Bahia e ao Rio de Janeiro em 1810. Também conhecida por "otaiti" ou "caiana". Produz muito mais suco mas também mais bagaço que a crioula. Isso poderia ser um dado a favor se se pensasse em usar o bagaço nas fornalhas. Mas não foi o caso no Brasil do século 19. Cana crioula - Originária da Índia foi a mais plantada no Brasil até o início do século 19. Também chamada "cana miúda". Na verdade era conhecida apenas como "cana" pois os agricultores pensavam só existir um tipo dessa planta. Só com a introdução da Caiena que esta variedade antiga ganhou o nome de Crioula. Cana de partido - Plantar "cana de partido" é plantar e moer em engenho de outrem. Termo paulista

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89 Cana livre - Cana que o plantador podia moer em engenho de sua escolha. v. Cana obrigada Cana obrigada - Quantidade de cana que o plantador devia moer em um engenho específico. v. Cana livre Carapina - Carpinteiro que fazia manutenção do engenho especificamente da moenda. Casa grande - Residência do proprietário do engenho consignada somente no século 19 segundo Geraldo Gomes. Em São Paulo usava-se "morada" ou "sede". Castelo - v. Terno de moenda. Centrifugação - Separação dos cristais do melaço. Contratador - No Brasil-Colônia intermediário que comprava de Portugal por antecipação o direito de cobrar impostos. Segundo Pinho eram os grandes beneficiados do sistema. Cozimento - São dois os cozimentos envolvidos no fabrico de açúcar. Primeiro o xarope é cozido e produz uma mistura de cristais e o chamado mel ou licor-mãe. Esse mel é cozido novamente segundo cozimento e produz cristais de aproximadamente 02 mm de diâmetro. Tais cristais são novamente misturados ao resultado do primeiro cozimento e servem para por nucleação criar os cristais definitivos. O resto do segundo cozimento é o melaço que segue para a produção de álcool. Cristalização - Pode ser feita por cozimento de 65 ºC a 75 ºC dando origem a cristais envolvidos em mel ou por resfriamento método que permite que a sacarose ainda dissolvida no mel se ligue aos cristais.

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90 Dosagem - Processo pelo qual passa o caldo de cana saído da moenda antes do processo de aquecimento. Divide-se em sulfitação v. e calagem v.. Pela adição de enxofre e de sal fica mais fácil flocular as substâncias coloidais que não têm a ver com o produto final. Depois da dosagem e do aquecimento o caldo leva três horas em clarificação o que resta é chamado "lodo". Embebição composta - Método pelo qual a cana depois de moída recebe água em proporção de 30 da massa de vegetal. Feito isso o material é moído novamente o que permite extração de até 96 do açúcar contido nas células. Encaixamento - v. Ensaque. Engenho central - Resultado de esforço coletivo de produtores de cana empresários e Estado o Engenho Central é uma grande estrutura preparada para moer cana de diferentes fornecedores que podem então fechar seus engenhos locais mais precários e ainda assim ter garantia de que seu produto será moído. Foi regulamentado em 1875. Embrião das futuras usinas. Engenho real - Mais produtivo movido a água diferentemente dos movidos a tração animal ou humana. "Real" não tem nada a ver com origem da propriedade. Ensaque ou ensacamento - Processo de colocar o açúcar em sacos. Atualmente o processo é automático e os sacos são de 50 kg. Nos engenhos antigos o processo era manual e o açúcar era posto em caixas encaixado. Evaporação - O caldo clarificado com 15 Brix é elevado a 65 Brix. Esse novo caldo concentrado é o que vai ser cozido para transformação em açúcar cristalizado. O resultado da evaporação é o "xarope". Filtração - Processo de recuperação do lodo v. sedimentação. O resto que não deve ultrapassar 1 em açúcar é chamado "torta" e serve como adubo.

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91 Frasqueira - Unidade de medida de volume. Garrafão de 24 litros. Légua de sesmaria - Medida linear equivalente a 3 mil braças ou 66 mil metros. Massapé ou massapê - Terra fértil de aluvião corrente na costa Nordestina e na Zona da Mata na qual se aclimatou a cana. Em São Paulo comum na região de Itu. Melaço - Resto do cozimento do caldo de açúcar clarificado e evaporado destinado à fabricação de álcool. Moenda de entrosa - Os primeiros engenhos tinham dois cilindros moedores o que só permitia uma direção de moagem. Os "de entrosa" tinham três cilindros e a cana podia então entrar pelos dois lados. Moita - Casa que abriga a moenda e as caldeiras. Termo em uso no Nordeste. Pão-de-açúcar - Bolo composto pelo açúcar claro mascavo e cabucho resto melado em forma de cone resultante de purga em fôrma de barro madeira ou metal cada uma é evolução da anterior. Tamanho aproximado: 3 arrobas. Destas aproximadamente duas eram de açúcar branco e uma de mascavado. Parol - Cuba para recolha do caldo bruto. Peja - Festa que marca o fim dos trabalhos com a safra. Pipa - Antiga medida para líquidos. Aproximadamente 497 litros v. Canada. Planta - Dependendo da fertilidade do solo um canavial no século 19 produzia três anos seguidos. O primeiro corte era a "planta". O segundo "soca" e o terceiro "ressoca". Ainda hoje a cana posterior à ressoca a de "quarta folha" é considerada pouco produtiva para ser colhida e moída.

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92 Rancho - Parada em estradas para descanso das tropas e depósito dos bens transportados. Ressoca - v. Planta. Rodete - Nos engenhos movidos a água roda menor paralela à roda d´água que transmitia o movimento desta à bolandeira colocada perpendicularmente a ela. Secagem - Nos antigos engenhos era feita em um "balcão de secar" ao Sol. Nas usinas é feito em tambores pelos quais passam os cristais após centrifugação em contracorrente com ar a 40 ºC. Sedimentação - Processo de clarificação do caldo. O resto é o "lodo" que segue para o setor de filtragem para recuperação de açúcar. Sesmaria - Terreno abandonado por posseiro anterior devoluto ou inculto dado pelo Estado ou pelo senhor de uma Capitania Hereditária no início do processo colonizador em caráter precário a posseiros que se dispusessem a cultivá-lo. O mesmo que "data". O sistema de doação acabou no Brasil pela Lei de Terras de 1850 salvo para propriedades em região fronteiriça. Soca - v. Planta. Sulfitação - Adição de SO2 ao caldo. É o primeiro tratamento químico pelo qual este passa. O processo inibe reações que desenvolvam cor coagula colóides solúveis forma um precipitado com Cálcio CaSO3 e diminui a viscosidade do caldo. Tarefa - Quantidade de cana que podia se moída em um engenho no período de 24 horas. Como medida de área variava muito: 4.400 m 2 na Bahia 3.360 m 2 no Ceará 3.052 m 2 em Sergipe e Alagoas.

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93 Terno de moenda - Cada uma das unidades de moedura da cana composta de três rolos e mais um eventual para melhorar a eficiência da alimentação do terno. Cada terno é montado em uma estrutura denominada "castelo". Torta de filtro - Resto do processo de extração de sacarose da cana. Depois da dosagem v. o material é aquecido e clarificado. O resto líquido ainda rico em sacarose é centrifugado e filtrado a vácuo. O que fica retido nos filtros é essa torta que serve depois como adubo. Trapiche - Engenho movido a bois. Também "molinete" ou "almanjarra". Em Pernambuco a partir de meados do século 18 o termo designava armazém de porto. Trem jamaicano - Sistema em que uma só fornalha fornece calor para uma série de tachos para concentração do caldo de açúcar diferente do sistema primitivo de uma fornalha para cada tacho. O sistema custou a ser adotado no Brasil devido ao amplo estoque de lenha. Tropa - Comboio de muares para transporte. Podia ter de 40 até 300 mulas divididas em lotes de oito. Havia um tropeiro para todo o comboio e um "camarada" para cada lote. Vinhaça - Resto do processo da destilação do vinho v.. Rica em nitrogênio potássio e fósforo é usada na irrigação da cana como um adubo. Vinho - Resultado da ação da levedura Saccharomyces uvarum sobre o mosto de cana-de-açúcar. O líquido resultante tem cerca de 10 de etanol. Xarope - v. Evaporação.

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