5 de Outubro de 1910 - Antes e depois

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Implantação da República Portuguesa Antecedentes 1. Gravura da proclamação da República, no Porto, da abortada revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891. 2. Fabrico de uma bomba artesanal. 3. Representação do regicídio. 4. Romagem às campas dos regicidas (Alfredo Costa e Manuel Buiça). 5. Guardas municipais armados vigiam uma urna de voto nas eleições de 5 de Abril de 1908. 6. Dr. Francisco Maria da Veiga, primeiro juiz de instrução criminal. Reprodução da capa da “Ilustração Portuguesa”, de 2 de Dezembro de 1907, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. 1. 2. 4. 5. 6. 3. Janeiro de 1910 A monarquia está refém das questiúnculas dos partidos, da rápida sucessão de governos e dos escândalos em que se afundam os seus dirigentes e a Corte. Os republicanos alargam a sua influência. A Maçonaria e a Carbonária preparam o derrube do regime. 1 de Fevereiro de 1910 Como habitualmente, muitas pessoas dirigem-se às campas dos regicidas, depondo flores e prestando-lhes homenagem haverem atentado contra a vida da família real dois anos antes. Março e Abril de 1910 Afonso Costa levanta no Parlamento uma questão relacionada com a indemnização pedida por um súbdito inglês que obtivera um estabelecimento, em 1903, na Madeira, de um verdadeiro monopólio de transformação do açúcar em álcool. O governo tenta impedir a discussão, registando-se diversas sessões tumultuosas. Afonso Costa apresenta provas comprometedoras de D. Fernando de Serpa, ajudante de campo do Rei e comandante do iate real. O rei acaba por encerrar o Parlamento, colocando as tropas de prevenção, enquanto o juiz de Instrução enche as prisões de suspeitos.

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Implantação da República Portuguesa A propaganda 7. Manifestação promovida pela Junta Liberal descendo a Rua do Alecrim, Agosto de 1909. 8. Postal satírico de propaganda republicana. 9. Cartaz de propaganda republicana para as eleições legislativas de Agosto de 1910. 7. 9. 8. 29 de Abril de 1910 Realiza-se, no Porto, o 11º Congresso do Partido Republicano, tendo como pano de fundo os preparativos revolucionários em marcha para a implantação da República. Junho-Julho de 1910 Uma comissão eleita, no 11º Congresso do Partido Republicano, desloca-se a Paris e Londres para sondar os governantes sobre a questão republicana. Dela fizeram parte José Relvas, Alves da Veiga (apenas a Paris) e Sebastião de Magalhães Lima. 7 de Maio de 1910 O rei D. Manuel II viaja para Londres para assistir ao funeral do rei Eduardo VII. 4 de Junho de 1910 Reúne-se a assembleia geral dos accionistas do Crédito Predial, cuja falência fora anunciada a 1 de Maio. A polícia impede a entrada a uma multidão de mais de 1.000 pequenos obrigacionistas, levados à miséria por esta falência. O governo Veiga Beirão é arrastado no escândalo, que envolve alguns dos nomes mais sonantes da política, da magistratura e das finanças dos últimos momentos da monarquia.

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Implantação da República Portuguesa A decisão 10. Primeira página da circular sobre a criação da Comissão de Resistência, pela Maçonaria, em 14 de Junho de 1910. 11. Símbolo da Loja maçónica “Montanha”. 12. Convocatória de José de Castro, Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano Unido, de 3 de Agosto, para que “todos os Veneráveis Mestres” se reúnam no Palácio Maçónico de Lisboa, para debaterem o assunto da reunião de 14 de Junho. 13. Credencial de Cândido dos Reis (com o nome simbólico de Marceau) como inspector da Carbonária Portuguesa. 10. 11. 12. 13. 14 de Junho de 1910 Reúne-se no Grémio Lusitano o “Povo Maçónico” de Lisboa para “resolver tudo o que tivesse por conveniente com respeito às leis de excepção que têm levado alguns dos nosso Irmãos a serem perseguidos e nomeadamente dos decretos e leis respeitantes ao Juízo de Instrução Criminal.” Aprovando uma proposta que delega no Grão-Mestre a nomeação de cinco maçons para constituírem uma “Comissão de Resistência”, com plenos poderes para “velar pela segurança dos Irmãos, defender a maçonaria dos ataques da reacção política e religiosa, guiando o trabalho dos Obreiros no mundo profano no interesse superior da Pátria e da segurança dos cidadãos”. 26 de Junho de 1910 Teixeira de Sousa, que, nos finais do ano anterior, sucedera a Júlio de Vilhena na direcção do Partido Regenerador, forma um novo governo, após a arrastada crise em que mergulhara o anterior governo de Veiga Beirão, pela falência do Crédito Predial.

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Implantação da República Portuguesa Preparativos 14. 15. 16. 17. 14. Telegrama cifrado dirigido por João de Deus Ramos ao padre Elísio Campos, comunicando que Guerra Junqueiro e Sampaio Bruno já concluíram os trabalhos de redacção da Proclamação de Implantação da República. 15. Primeira página da “Proclamação” redigida por Guerra Junqueiro e Sampaio Bruno. 16. Fotografia de Sebastião de Magalhães Lima, envergando insígnias de Grão-Mestre da Maçonaria. 17. Carta de Sebastião Magalhães Lima para Simões Raposo, datada de Paris, 2 de Setembro de 1910. 2 de Julho de 1910 Sebastião de Magalhães Lima, Grão-Mestre da Maçonaria, regressa de Londres, onde estivera em missão exploratória relacionada com a eventual implantação da República em Portugal. Escreve de Paris uma carta a Simões Raposo, então professor na Casa Pia, em que lhe comunica que o resultado das suas diligências em Inglaterra “foi admirável”. Interroga-se, no entanto, para que servem “todas estas diligências e toda esta despesa, se aí não correspondem”. 14 de Julho de 1910 O padre Elísio Campos recebe nas “Escolas Móveis” um telegrama do seguinte teor: “Sim vou rápido tarde = João”. Com esta mensagem, João de Deus Ramos comunica que Guerra Junqueiro e Sampaio Bruno já concluíram a redacção da Proclamação de implantação da República. Cândido dos Reis, Machado Santos, José Afonso Pala e Fontes Pereira deMelo reúnem-se para decidir uma eventual“vinda da Revolução para a rua”, mas adiam omovimento.

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Implantação da República Portuguesa A situação 18. 19. 20. 21. 18. Os candidatos à vereação municipal no comício realizado na antiga Avenida D. Amélia, distinguindo-se, entre outros: Ventura Terra, Cunha e Costa, Aurélio da Costa Ferreira, Alberto Marques, Miranda do Vale e Tomás Carreira. 19. Feio Terenas, Teófilo Braga, Agostinho Fortes e Bernardino Machado num comício de propaganda republicana. 20. Bilhete de Miguel Bombarda para Simões Raposo, 31 de Agosto de 1910. 21. Aspecto de uma fábrica têxtil da época. 20 de Julho de 1910 Uma greve dos tecelões alastrou a todo o Vale do Ave, lutando por reivindicações salariais e de horários. 7 de Agosto de 1910 Realiza-se em Lisboa um grande comício republicano. 28 de Agosto de 1910 Após a dissolução da Câmara dos Deputados, realizaram-se as eleições legislativas, de que resultou a eleição de 87 deputados regeneradores (ortodoxos), 23 progressistas, 14 republicanos, 8 regeneradores dissidentes, 5 franquistas, 3 nacionalistas e 3 governamentais. 31 de Agosto de 1910 Miguel Bombarda escreve a Simões Raposo um bilhete cifrado em que lhe comunica que se vai ausentar para Abrantes e, por isso, lhe pede toda a “diligência para tratarmos do negócio dos exames na 6.ª feira”. Setembro de 1910 Cresce o movimento grevista entre os operários corticeiros da margem Sul do Tejo e dos trabalhadores da cortiça do Alentejo e do Algarve.

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Implantação da República Portuguesa Os protagonistas 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 22. António José de Almeida. 23. Miguel Bombarda. 24. Alexandre Braga 25. Teófilo Braga. 26. Sampaio Bruno. 27. Brito Camacho 28. João Chagas 29. Afonso Costa 30. Braancamp Freire 31. Guerra Junqueiro 32. Bernardino Machado 33. Ana de Castro Osório 34. Afonso Pala 35. Consiglieri Pedroso 36. Simões Raposo 37. Cândido dos Reis 38. José Relvas 39. Heliodoro Salgado 40. Machado Santos 41. Angelina Vidal 10 de Setembro de 1910 O governo ordenou um inquérito à residência da Companhia de Jesus no Quelhas, para verificar se estava em conformidade com o decreto de 18 de Abril de 1901. 12 de Setembro de 1910 O governo, ao abrigo da legislação de 1901 sobre as congregações, determina a dissolução da comunidade religiosa de Aldeia da Ponte, no concelho de Sabugal. 23 de Setembro de 1910 Na abertura das Cortes, o rei lê o seu último discurso da Coroa, em que sublinha os “princípios acentuadamente liberais, como convém a uma monarquia democrática” e anuncia a reforma de artigos da Carta Constitucional, a reorganização da Câmara dos Pares e a reforma do Código Administrativo”. As Cortes são seguidamente adiadas. 27 de Setembro de 1910 Realizam-se no Buçaco as comemorações da vitória anglo-lusa sobre as forças francesas em 1810 com uma parada militar, na qual o rei D. Manuel II recebe demonstrações de lealdade. Estando presente o Duque de Wellington.

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Implantação da República Portuguesa Ordem geral 42. 43. 44. 45. 46. 42. Esquema da reunião de 29 de Setembro de 1910, com identificação dos participantes. 43. Teixeira de Sousa, Presidente do último Ministério da Monarquia, recebe no Arsenal de Marinha, a 1 de Outubro de 1910, o Presidente eleito do Brasil, Marechal Hermes da Fonseca, que regressará com a República implantada. 44. Avental do grau 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito - Soberano Príncipe Rosa Cruz, pintado sobre seda. 45. Sala de Visitas do Dr. José de Castro, onde reuniu pela primeira vez a Comissão de Resistência da Maçonaria. 46. Ordem Geral do Comité Civil (Carbonária Portuguesa), com instruções para actuação dos grupos revolucionários civis. 29 de Setembro de 1910 Na sede do Directório do Partido Republicano Português reúnem alguns dos mais importantes conspiradores do Partido Republicano, da Maçonaria e da Carbonária: Simões Raposo, Machado Santos, José Cordeiro Júnior, António Maria da Silva, José Barbosa, Inocêncio Camacho, Cândido dos Reis, Manuel Martins Cardoso, Eusébio Leão, José Relvas e Miguel Bombarda – esta reunião terá representado o momento decisivo do arranque do movimento revolucionário. 1 de Outubro de 1910 O Presidente eleito do Brasil, Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, chega a Lisboa. 2 de Outubro de 1910 Realiza-se uma nova reunião, em que é definitivamente marcada a eclosão do movimento revolucionário para a 1 hora da manhã do dia 4. A Comissão de Resistência aprova a Ordem Geral do Comité Civil com instruções para a actuação dos grupos civis revolucionários, que foi distribuída com o símbolo da Venda Jovem Portugal da Carbonária Portuguesa.

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Implantação da República Portuguesa 3 de Outubro 47. 50. 48. 49. 51. 47. Fotografia do gabinete do Dr. Miguel Bombarda no Hospital de Rilha foles, tal como ficou depois do seu assassinato pelo tenente Rebelo. 48. Transportado para o Hospital de S. José, Miguel Bombarda foi operado, mas não resistiu à operação, entrou em coma e faleceu. 49. No 3º andar do nº 106 da Rua da Esperança, prédio da mãe de Inocêncio Camacho, tem lugar a última reunião dos principais implicados militares e de alguns dirigentes civis. 50. “Três Varões Assinalados” (Luz de Almeida, Machado Santos e António Maria da Silva), desenho de Francisco Valença, publicado em Novembro de 1910 no jornal de caricaturas “Varões Assinalados”. 51. No dia 2, Cândido dos Reis reúne com oficiais da Marinha no escritório de Eusébio Leão comunicando a Machado Santos que “a revolução viria para a rua à uma hora da madrugada do dia 4”. «O Dr. Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um louco que hoje o procurou em Rilha foles, tendo recolhido ao Hospital de S. José em estado grave. O povo de Lisboa está convencido de que o assassínio foi obra dos clericais» - assim foi anunciado o homicídio do famoso médico e dirigente republicano. Registaram-se incidentes na Baixa, em que populares, soldados e marinheiros perseguiram e tentaram agredir alguns padres. O jantar no Palácio de Belém, que o Presidente do Brasil, Hermes da Fonseca, oferecia nessa noite ao rei, foi apressado sob a suspeita de que a revolução ia rebentar. Reunião da Rua da Esperança No 3.º andar do n.º 106 da Rua da Esperança, tem lugar uma reunião plenária dos principais implicados militares. Neste mesmo dia, Cândido dos Reis transmite a Machado Santos e aos restantes chefes militares a senha da revolução: “Mandou-me procurar? - Passe cidadão!” Machado Santos prepara assalto Às 8 da noite, Machado Santos reúne no jardim de Campo de Ourique com as praças do regimento de Infantaria 16, combinando os detalhes do assalto ao quartel.

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Implantação da República Portuguesa Passe, cidadão! 52. 53. 54. 55. 56. 52. Civis que participaram no assalto ao quartel de Artilharia 1, na noite de 3 de Outubro de 1910. 53. Elementos da “Barraca Buiça” (Carbonária) que participaram no ataque ao Museu de Artilharia, de onde recolheram armamento. 54. Caricatura de Sebastião de Magalhães Lima, Grão-Mestre da Maçonaria, da autoria de Alfredo Cândido. 55. Esquema feito a partir do mapa de Lisboa (editado pelo jornal “O Século”) utilizado para preparar o movimento revolucionário. 56. Fachada do Centro Republicano de Santa Isabel, em Campo de Ourique, de onde saíram os revoltosos que tomaram Infantaria 16. 3 de Outubro de 1910 Na noite de 3 para 4 de Outubro, o estado-maior da revolta republicana reúne-se nos Banhos de S. Paulo. Para aí convergem, designadamente, José Relvas, Eusébio Leão, Inocêncio Camacho, Afonso Costa, José Barbosa, António José de Almeida, João Chagas, Ricardo Durão, Celestino Stefanina, Malva do Vale, Marinha de Campos, Soares Guedes e Alfredo Leal. 4 de Outubro de 1910 Às 00.45 horas, civis armados, comandados por Machado Santos, saem do Centro Republicano de Santa Isabel, em Campo de Ourique, e tomam o quartel de Infantaria 16. Dominado, a coluna revoltosa, composta por cerca de 200 homens, dirige-se para Artilharia 1, em Campolide. Apesar da resistência de alguns militares, os insurrectos republicanos assaltam os paióis e apoderaram-se de armamento pesado. Entretanto, é também dominado por militares e civis o Quartel de Marinheiros, em Alcântara. A Guarda Municipal tenta controlar os acontecimentos mas não consegue impedir que a coluna saída de Artilharia 1 se dirija para a Rotunda.

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Implantação da República Portuguesa A Rotunda 57. 58. 59. 60. 61. 57. Barricadas na Rotunda, ao cimo da Avenida da Liberdade. 58. Barricadas improvisadas na Rotunda. 59. Forças revolucionárias no acampamento da Rotunda. 60. Grupo de militares e populares armados, na Rotunda, posando com uma bandeira com a inscrição “Carbonária Portuguesa/Justiça e Liberdade”. 61. Ordem manuscrita enviada do quartel dos marinheiros, em Alcântara, para o cruzador Adamastor: “Tome posição conveniente e bombardeie imediatamente Palácio Necessidades. Nós ficamos aguardando chegada das tropas revolucionárias que estão a Este e mantemos reduto quartel. Cuidado com pontarias.”Assinada por António Ladislau Parreira, José Carlos da Maia e José Mendes Cabeçadas. Suicídio de Cândido dos Reis O almirante Cândido dos Reis suicida-se na madrugadadodia4deOutubro,apósterconsiderado perdida a revolução, de que era o principal responsável militar e cujos primeiros tiros já se ouviam. Bombardear o Palácio das Necessidades Os revoltosos que se haviam apoderado do Quartel dos Marinheiros, em Alcântara, enviam uma ordem manuscrita para o cruzador “Adamastor”, já sob o comando do tenente Cabeçadas: “Tome posição conveniente e bombardeie imediatamente Palácio Necessidades.” Forças revoltosas concentram-se na Rotunda Elementos civis armados, quase todos da Carbonária, comandados por Alberto Meireles, e militares republicanos convergem para a Rotunda (actual Praça Marquês de Pombal) e levantam improvisadas barricadas. Pouco passa das três da manhã. Machado Santos assume o comando, mas as notícias que vão chegando não são muito animadoras, falhada a adesão de diversas unidades militares e conhecido o suicídio de Cândido dos Reis.

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Implantação da República Portuguesa O Rei em fuga 62. 63. 64. 65. 66. 67. 62. Representação do bombardeamento do Palácio das Necessidades pelos navios revoltosos, publicada no semanário britânico “Graphic”. 63. Postal alusivo ao embarque na Ericeira, com o título “A família real batendo em retirada”. 64. Revolucionários civis e militares na Rotunda. 65. Estragos causados no Palácio das Necessidades pelos bombardeamentos efectuados pelos navios Revoltosos. 66. Duas enfermeiras, uma portuguesa e uma espanhola, que prestaram assistência aos feridos. 67. Bandeira republicana existente no Museu Maçónico Português, similar às referenciadas em diversas fotografias dos acontecimentos de 5 de Outubro de 1910. O Palácio das Necessidades é bombardeado Os cruzadores “Adamastor” e “S. Rafael”, já controlados pelos republicanos, tomam posição frente a Alcântara, de onde, cerca das onze da manhã, disparam mais de quarenta granadas sobre o palácio real, atingindo a cornija da capela das Necessidades e o próprio quarto de D. Manuel, além de terem conseguido cortar o mastro onde estava hasteado o pavilhão real. Esta acção provoca a fuga do rei para Mafra e lança a confusão nas tropas que defendiam o palácio real, ao mesmo tempo que alivia a pressão sobre o quartel de Alcântara, onde os insurrectos estavam entrincheirados. Ao mesmo tempo, o Rei avisa a mãe e a avó, que se encontravam no Palácio de Sintra, para se lhe juntarem em Mafra. Hospital de sangue na Rotunda Junto à Rotunda, é instalado um hospital desangue na cocheira do palácio do conde deSabrosa, que “cedeu o primeiro andar e pôs àsordens do improvisado hospital os seus criados”,prestando “óptimos serviços na ambulância”diversas senhoras.

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Implantação da República Portuguesa 4 de Outubro 68. 69. 70. 71. 72. 68. Oficiais da Marinha que participaram na revolução republicana, da esquerda para a direita: Vasconcelos e Sá, Sousa Dias, Ladislau Parreira, Tito de Morais e Costa Gomes; de pé: José Mendes Cabeçadas Júnior, Mariano Martins, João Fiel Stokler, Carlos da Maia e Silva Araújo. 69. O artilheiro de 1.ª classe, Joaquim Primo António, à esquerda, mostra a Mendes Cabeçadas, ao centro, o canhão do “Adamastor” que abriu fogo contra o Palácio das Necessidades e com que apeou o pavilhão real que estava hasteado no mastro daquele palácio. 70. Marinheiros e populares, no dia da revolução republicana (Fotografia de J.J. Ferreira, oferecida a Bernardino Machado). 71. Feio Terenas com dois companheiros republicanos da margem sul. 72. Desenho de Georges Scott publicado nas revistas The Illustraded London News e Illustration, representando os combates registados a bordo do cruzador D. Carlos (“os últimos defensores da monarquia”). Loures, Almada e Moita Em Loures, é proclamada a República, que em Lisboa ainda está por decidir. Também em Almada, republicanos idos de Lisboa proclamam a República, enquanto os operários abandonam as fábricas e percorrem as ruas com bandeiras dos centros republicanos, ao som da Marselhesa e da Portuguesa, e é instituída uma Junta Revolucionária. Entretanto, chega a Cacilhas, vindo de Setúbal, o deputado republicano Feio Terenas. Armada bombardeia o Rossio Cerca das 16 horas, os navios em frente do Terreiro do Paço bombardeiam o Rossio, onde estavam concentradas tropas monárquicas, pondo em fuga a Guarda Municipal. “D. Carlos” passa-se para os republicanos Pelas 10 horas da noite, o cruzador D. Carlos, que permanecia sob comando monárquico, é abordado por marinheiros e civis revoltosos, sob a direcção do 2.º tenente José Carlos da Maia, a partir do “S. Rafael”. A equipagem alinha também pela República, travando-se combates a bordo com a oficialidade monárquica, de que resultou a morte do comandante do navio, Álvaro Ferreira.

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Implantação da República Portuguesa Os últimos combates 73. 74. 75. 76. 77. 73. Artilharia colocada numa das ruas de acesso à Rotunda, onde estavam concentradas as forças revolucionárias. 74. Estragos provocados na porta de armas do Quartel de Artilharia Um durante a revolução republicana. 75. Soldados revoltosos do Regimento de Infantaria 16 em formatura na Rotunda, Lisboa, no dia da revolução republicana. 76. Aspecto do prédio da Av. da Liberdade n.º 222, em Lisboa, incendiado pelos tiros de artilharia na noite de 4 para 5 de Outubro. 77. Civil revolucionário de guarda à porta da Câmara Municipal de Lisboa. A noite de 4 para 5 de Outubro O bombardeamento do Palácio das Necessidades e do Rossio, bem como a fuga do rei e a iminência de um desembarque dos marinheiros na Baixa, lançam a confusão nas tropas fiéis à monarquia. Ainda assim, perto das duas da manhã, o Quartel-general ordena a Paiva Couceiro que instale uma das suas peças de artilharia no pátio do Torel, de modo a apoiar uma ofensiva que se prevê desencadear ao romper do dia 5 sobre o Parque Eduardo VII e a Rotunda, onde Machado Santos continua entrincheirado. Durante a noite, os tiros de artilharia trocados entre os dois lados atingem o prédio n.º 222 da Av. da Liberdade. 5 de Outubro de 1910 Ao romper do dia, a peça de artilharia que Paiva Couceiro instalara no Torel dispara sobre a Rotunda e o Parque Eduardo VII, lançando a confusão nas hostes republicanas. Entretanto, todos os navios fundeados no Tejo colocam-se do lado republicano, ameaçando bombardear o Rossio, onde se concentram as tropas fiéis à monarquia, que, no entanto, dão sinais de debandada. No Castelo de S. Jorge, é hasteada uma bandeira republicana.

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Implantação da República Portuguesa A proclamação 78. 79. 80. 81. 82. 78. A primeira bandeira republicana içada nos navios de guerra. 79. A primeira bandeira republicana na Rotunda, 5 de Outubro de 1910. 80. Populares aclamam a República no Largo de S. Domingos, frente ao Palácio da Independência, onde estivera instalado o Quartel-General monárquico. 81. Aspecto da multidão na Praça do Município, em 5 de Outubro de 1910, quando foi proclamada a República. 82. José Relvas proclama a República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Encarregado de negócios da Alemanha pede armistício e precipita a vitória republicana O Encarregado de Negócios da Alemanha pede um armistício de uma hora, para que os cidadãos estrangeiros possam abandonar a cidade. O quartel-general monárquico aceita a proposta, na suposição de que assim poderia receber os esperados reforços de Santarém. Concedido o armistício, sai do quartel-general uma ordenança a cavalo com uma bandeira branca que é suposta acompanhar o diplomata até à Rotunda para conferenciar com Machado Santos. Muitos julgam tratar-se da rendição monárquica e saúdam a República. Machado Santos arranca às 8.35 da Rotunda à frente de muitos populares e desce a Avenida a cavalo, sendo depois levado aos ombros até ao quartel-general monárquico, instalado no Palácio da Independência, onde acaba por obter a rendição. Proclamação da República nos Paços do Concelho e anúncio do Governo Provisório José Relvas proclama a República, às 11 da manhã, da varanda dos Paços do Concelho: “Unidos todos numa mesma aspiração ideal, o Povo, o Exército e a Armada acabou de, em Portugal, proclamar a República”.

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Implantação da República Portuguesa O governo provisório 83. Edital do governador civil de Lisboa, Eusébio Leão, de 5 de Outubro, afirmando que “Ordem e trabalho é a divisa da Pátria libertada pela República”. 84. O membro do Directório do Partido Republicano, Inocêncio Camacho, lendo ao povo os nomes dos membros do Governo Provisório, da janela da Câmara Municipal de Lisboa, na manhã de 5 de Outubro de 1910, após a proclamação da República. 85. Postal com a fotografia dos Ministros do Governo Provisório. Em cima, da esquerda para a direita: Bernardino Machado, António José de Almeida, Azevedo Gomes, Correia Barreto e António Luís Gomes; em baixo, da esquerda para a direita: Afonso Costa, Teófilo Braga e José Relvas. 86. Diário do Governo com a composição do Governo Provisório da República. Edital do Governador Civil de Lisboa Anunciado o Governo Provisório, Eusébio Leão, entretanto nomeado Governador Civil de Lisboa, publica no próprio dia 5 de Outubro um Edital ao povo da capital afirmando que “Ordem e trabalho é a divisa da Pátria libertada pela República”. Proclamação ao Povo Português Escassas horas após a Proclamação da República, o jornal “O Mundo” publica, por sua vez, uma Proclamação ao Povo Português, da autoria de António José de Almeida: “Cidadãos! O povo, o exército e a armada acabam de proclamar a República.” D. Manuel de Bragança parte para o exílio Tendo fugido para Mafra, D. Manuel de Bragança, D. Amélia de Orleans, D. Maria Pia e alguns cortesãos dirigem-se para a praia da Ericeira, onde embarcam no iate Amélia que acaba por rumar à colónia britânica de Gibraltar. A partida para o exílio do Rei consuma a abdicação. 83. 84. 85. 86.

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Implantação da República Portuguesa Ordem e paz 87. 88. 89. 87. Cartaz intitulado “Os Heróis da Revolução Portuguesa”, edição de J.J. Dos Santos. 88. Um grupo de revolucionários saudados pela multidão no Rossio, destacando-se, entre outros, o Comandante Serejo, o Visconde da Ribeira Brava e o Dr. Artur Leitão. 89. Revolucionários num trem, no Largo das Duas Igrejas, esquina da Rua Nova da Trindade. 6 de Outubro de 1910 Eusébio Leão, governador civil de Lisboa, entregou às comissões paroquiais republicanas o policiamento da cidade. “Os agentes da ordem da República ostentam no braço uma divisa vermelha. Cada comissão comanda o policiamento da sua freguesia (…)” Alterações na toponímia da cidade de Lisboa Em Reunião na Câmara Municipal de Lisboa, presidida por Anselmo Braamcamp Freire apresenta uma proposta aprovada por aclamação. A Rua António Maria de Avelar passou a designar-se Avenida 5 de Outubro. 7 de Outubro de 1910 Restabelecida em todo o País a circulação ferroviária, que fora seriamente afectada em numerosas linhas por cortes de via e derrube de postos telegráficos.

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Implantação da República Portuguesa Os heróis 90. 91. 90. Cabeçalho do jornal “O Mundo”, de 7 de Outubro de 1910. 91. Os féretros do Almirante Cândido dos Reis e do Dr. Miguel Bombarda saindo da Câmara Municipal de Lisboa. Funerais Os funerais do vice-almirante Cândido dos Reis e do Dr. Miguel Bombarda são organizados com toda a solenidade, saindo dos Paços do Concelho. Conselho de Ministros O Conselho de Ministros do Governo Provisório aprova a amnistia para os crimes políticos e de imprensa, a supressão do “juízo de instrução criminal”, a revogação das leis de imprensa franquistas, a adopção do novo formulário de posse dos funcionários públicos, a dissolução das guardas municipais, que serão substituídas pela Guarda Nacional Republicana, a dissolução da “polícia civil de Lisboa” e a reposição em vigor das leis de Pombal, Aguiar e Braancamp sobre jesuítas e ordens religiosas. Governo e as manifestações O Governo Provisório emite um comunicado, apelando a que “cessem imediatamente todas as manifestações na rua que possam dar a impressão de que há alteração da ordem”, “para se restabelecer imediatamente a vida normal da cidade, todas as suas transacções do comércio e da indústria e a circulação pública”.

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Implantação da República Portuguesa A expulsão das congregações 92. 93. 94. 95. 96. 92. Caricatura de Afonso Costa, da autoria de Alfredo Cândido, satirizando o seu combate anti-clerical. 93. Um padre jesuíta, alegado autor de tiros feitos a partir do Convento de Campolide, é retirado sob protecção de forças do Exército e da Marinha, escapando à ira popular. 94. Jesuítas expulsos de Portugal, à sua passagem pela Praça do Município, a caminho da estação de caminhos de Ferro. 95. Desenho satírico, da autoria de Charles Léandre, publicado pelo jornal francês “Le Rire”, de 19 de Novembro de 1910. Sob o título “A Jovem República Portuguesa e os seus Papás”, representa a República, de barrete frígio, empurrando um frade, enquanto o rei já foi atirado fora, e rodeada por Bernardino Machado, Teófilo Braga e pelo coronel Correia Barreto, com a seguinte legenda: “O que ser· quando tiver dentes”. 96. Embarque de padres jesuítas na estação de Campolide. Tiroteio no convento do Quelhas Cerca das 8 da noite, uma força de marinheiros que patrulhava a rua do Quelhas foi atacada a tiro e com bombas de dinamite “de dentro do couto” dos jesuítas, estabelecendo-se de seguida intenso tiroteio. O ministro do Interior, António José de Almeida, deslocou-se pessoalmente ao local, mandando evacuar a população que ali se aglomerava, “conservando-se apenas a força pública em defesa”. Na madrugada seguinte, o convento do Quelhas foi tomada pelas forças revolucionárias e presos os respectivos ocupantes. 8 de Outubro de 1910 Expulsão das congregações religiosas O Governo Provisório da República publica um diploma, elaborado pelo ministro da Justiça, Afonso Costa, que repõe em vigor a lei pombalina de 3 de Setembro de 1759, “pela qual os jesuítas foram havidos por desnaturalizados e proscritos” e “expulsos de todo o país e seus domínios para neles mais não poderem entrar”, e a lei de 28 de Agosto de 1787, que determina a expulsão imediata da Companhia de Jesus, assim como o decreto de 28 de Maio de 1834, que extinguiu todas as casas de religiosas.

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Implantação da República Portuguesa A celebração 97. 98. 99. 97. “Pela República”. Litografia em que figuram os membros mais destacados do Partido Republicano. 98. Membros do Governo Provisório visitam o acampamento da Rotunda, após a proclamação da República. Distinguem-se, da esquerda para a direita: general Teles da Silveira, Bernardino Machado, Machado Santos e Afonso Costa. 99. O comandante Ladislau Parreira, oficial revolucionário da Armada, é vitoriado na Rotunda por António José de Almeida e Malva do Vale. Domingo, 9 de Outubro de 1910 O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernardino Machado, que na véspera apresentara cumprimentos de despedida ao Presidente eleito do Brasil, marechal Hermes da Fonseca, comunica aos Representantes Diplomáticos em Portugal, que o Governo Provisório honraria todos os compromissos internacionais, estabelecidos em boa ordem. Cumpre o que a “embaixada” republicana do Verão de 1910 afirmara em Paris e em Londres. Editais do governador civil de Lisboa O governador civil de Lisboa, Eusébio Leão, publica um edital, encimado pela divisa “Pátria e Liberdade”: “Previne-se o público contra boatos malévolos sobre a existência de frades em casas particulares. A casa do cidadão é inviolável. (...) As autoridades competentes estão procedendo com segurança e energia para resolver a questão religiosa”. Já três dias antes mandara publicar um outro edital apelando ao “respeito pelas pessoas dos polícias, dos soldados municipais e dos padres”.

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Implantação da República Portuguesa A República implantada em todo o país 9 de Outubro de 1910 - Cortejo no Porto Realiza-se no Porto um grandioso cortejo que soleniza a proclamação da República. A República fora proclamada no dia 6. A guarnição aderira assim que recebera a notícia dos acontecimentos de Lisboa. Paulo Falcão toma conta do Governo Civil. Prisão e interrogatório do patriarca resignatário de Lisboa Às 10 da noite, na estação do Cacém, foi preso o patriarca resignatário de Lisboa, cardeal D. José Neto, de imediato conduzido para o Quartel-general. Cerca das três horas da madrugada, após a reunião do Conselho de Ministros, Afonso Costa informa a imprensa que se vai deslocar ao quartel-general para interrogar o cardeal Neto, “como delegado do governo”. Findo o interrogatório, em que o cardeal Neto afirma que se deu “sempre bem com todos os governos”, fica a aguardar o comboio da manhã, para nele partir para Leiria, de onde seguirá para Espanha “passar algum tempo”, não tendo regressado a Portugal. Ao mesmo tempo, Afonso Costa dá ordem às forças policiais para deter os padres que andassem na rua, de modo a “evitar abusos” e situações controversas, dada a reacção popular anti-clerical. De facto, haviam sido assaltados por civis vários conventos e colégios, nomeadamente o Quelhas, as Trinas, o de Arroios e o colégio de Campolide, registando-se trocas de tiros entre religiosos e civis e militares republicanos. Na sequência destes incidentes, forças da Marinha e do Exército mantêm sob custódia os religiosos que aguardam a execução da ordem de expulsão, decorrente do diploma de 8 de Outubro: 82 religiosos são detidos em Caxias e 48 no Limoeiro, enquanto 233 freiras são conduzidas para o Arsenal de Marinha. Outros religiosos, nomeadamente jesuítas, foram de imediato mandados seguir para o estrangeiro. 10 de Outubro de 1910 É publicado o decreto do Governo Provisório que revoga toda a legislação de excepção e a lei de imprensa, publicada por João Franco em 11 de Abril de 1907. São também revogadas as leis de excepção, que submetam quaisquer indivíduos a juízos criminais excepcionais e é extinto o Juízo de Instrução Criminal. Regresso do iate “Amélia”de Gibraltar O governo britânico determina o regresso do iate “Amélia”, propriedade do Estado, que havia transportado a família real até Gibraltar. Proclamação da República em Macau a 10 de Outubro Prossegue a proclamação da República em todo o país e nas colónias, ficando o novo regime definitivamente implantado no dia 12 de Outubro de 1910.