Slide 1:A flor da liberdade Álvaro Magalhães de
Slide 2:As pessoas não paravam de chegar. Por mais que as mandassem afastar, envolviam os soldados e encorajavam-nos. Talvez aquilo fosse a tal União de que falara a mãe, pensou o rapaz. Ainda assim, faltava a Coragem. Logo a seguir, porém, houve um sobressalto. Uma fragata de guerra colocou-se em posição no rio Tejo, pronta a disparar sobre as forças do Capitão Maia (na Praça do Comércio). O comandante da fragata deu ordem de disparar, mas o marinheiro que recebeu a ordem, hesitou. Praça do Comércio Fragata no rio Tejo
Slide 3:No largo, houve medo e aflição, mas o capitão Maia não estava sozinho na busca da liberdade. Fazia parte de um Movimento. Na outra margem do rio, uma força militar seguia o movimento da fragata e por toda a cidade havia homens que ocupavam posições e cumpriam a sua parte no plano geral. E um dos comandantes do Movimento conseguiu anular a ordem de disparo e a fragata de guerra afastou-se. Houve um suspiro de alívio geral, mas, logo a seguir, entrou no largo uma coluna com cinco carros de combate, comandada por um brigadeiro. O capitão Maia avançou para eles, de braços erguidos, a agitar um lenço branco.
Slide 4:O carro de combate do brigadeiro O brigadeiro não aceitou encontrar-se com ele e deu ordem a um alferes para abrir fogo. O jovem não obedeceu. O brigadeiro, numa fúria, repetiu a ordem directamente aos apontadores dos carros e aos atiradores de infantaria. O capitão Maia estava descoberto debaixo da mira das torres dos blindados e das espingardas dos atiradores. E, por momentos, toda a gente suspendeu a respiração. Mas não chegou a soar um só tiro. Nenhum dos soldados obedeceu à ordem do brigadeiro, que saltou do carro e desapareceu. E os soldados juntaram-se ao capitão Maia.
Slide 5:Aí estava a Coragem, pensou o rapaz. A Coragem e a União tinham vencido o primeiro guardião da liberdade. Mas ainda faltava outro. Seria por isso que o capitão não ia lá dentro buscar a flor? Ou seria por já ter percebido que ela não estava guardada naquele lugar? Era meio-dia e ele partiu dali com os homens, talvez à procura do tal lugar. As pessoas seguiram-no, sempre a gritar: “Vitória! Liberdade!” E entre essas pessoas ia um rapaz com uma bicicleta azul. A caminho de outro lugar O rapaz da bicicleta azul
Slide 6:O capitão Maia Chegada ao Largo do Carmo Mais adiante, na Praça do Rossio, o capitão Maia enfrentou outra coluna militar que tinha a missão de o prender. Porém, também esses soldados se juntaram ao movimento, que não parava de alastrar, e avançaram com as forças do capitão. Eram cerca das 12h 30 quando a coluna chegou ao Largo do Carmo, onde havia um convento amarelo, não muito grande. Aliás, ao rapaz nem sequer lhe pareceu que aquele quartel de paredes amarelas fosse um convento. Não estaria o capitão outra vez enganado? O rapaz tentou furar entre a multidão e chegar perto dele. Queria dizer-lhe onde ficava o verdadeiro lugar, mas não era possível.
Slide 7:Entretanto, os militares tomaram posição em frente do convento. Ia começar o assalto. O capitão Maia recebera ordens para disparar, mas sabia que, se o fizesse ali, poria em perigo as pessoas em volta. Por isso, avançou sozinho para a porta do convento amarelo. Antes de entrar, olhou para trás uma última vez e o rapaz, que se tinha chegado à frente, acenou-lhe. Mas tantas outras pessoas fizeram o mesmo que ele ficou sem saber se o capitão o tinha visto. O convento amarelo Dentro do convento, o capitão Maia exigiu a rendição do Presidente do Conselho e garantiu-lhe que seria levado dali num carro de combate e tratado com dignidade. Depois caminhou devagar para a saída. Porém, antes de sair, retirou um cravo vermelho duma jarra.
Slide 8:- A flor da liberdade – murmurou o rapaz quando o viu sair com o cravo na mão. Afinal, sempre era naquele lugar que a tinham guardado. Aquele capitão sabia o que fazia. O rapaz ainda estava de boca aberta quando o capitão parou diante dele e lhe falou: - És o rapaz que encontrei em Santarém. O que estás aqui a fazer? É perigoso. - A flor da liberdade – murmurou ele com um fiozinho de voz. O capitão estendeu-lhe o cravo vermelho. - Está aqui. É tua.
Slide 9:O rapaz ficou com a flor nas mãos e estava tão corado como ela. Não ousava tocar-lhe. Tinha medo de a deixar cair, que o vento a desfolhasse, que o ar quente lhe roubasse a cor. - Guarda-a bem – pediu o capitão a afastar-se. – E vai para casa. É perigoso andares hoje nas ruas. O rapaz afastou-se com a flor na mão direita e, pouco depois, teve de se desviar para deixar passar o carro de combate que levava o Presidente do Conselho e alguns ministros. Saída protegida do Presidente do Conselho - Parece impossível! – disse um homem de barba branca. – Acabou a tirania! Quando o rapaz chegou a casa, abraçou o pai e mostrou-lhe a flor da liberdade que ele tanto procurara.
Slide 10:Este texto foi retirado da obra “O Rapaz da Bicicleta Azul”, de Álvaro Magalhães e ilustrado por António Modesto.
Com adaptações feitas pelo professor Paulo Gomes para as comemorações do Dia da Liberdade na Escola da Portela. Cota - 94(469)”1974” MAG
Slide 11:Outras obras sob o tema “25 de Abril de 1974” que podes ler:
- O 25 de Abril contado ás crianças e aos outros de José Jorge Letria;
- L.A: e Cª no meio da revolução de Maria Mata;
- O tesouro de Manuel António Pina;
- Vinte e zinco de Mia Couto;
- Vinte e cinco a sete vozes de Alice Vieira;
- Romance do 25 de Abril de José Pedro Mésseder;
- 25 de Abril de Ana Mª Magalhães e Isabel Alçada;
- Abril 30 anos 30 poemas, Organizado por José Fanha e José Jorge Letria;
- Salgueiro Maia – o homem do tanque da liberdade de José Jorge Letria;
- Liberdade o que é? de José Jorge Letria;
- História de uma flor de Matilde rosa Araújo;
- A liberdade explicada às crianças de Jean-Luc Moreau;e
- 25 de Abril – Revolução dos cravos de Paula Cardoso Almeida. Viva a Revolução! Viva a Liberdade! Abril de 2009