THOMPSON COSTUMES EM COMUM

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COSTUMES EM COMUM 1. AUTOR E TRAJETÓRIA ACADÊMICA Edward Palmer Thompson (1924-1993) Historiador britânico da concepção teórica marxista D escreve a consciência de classe e as experiências manipuladas dentro dos termos culturais, vendo que grande parte dessa experiência da classe determinou as relações produtivas dentro das quais os homens nascem e são inseridos a ela de modo involuntário.

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COSTUMES EM COMUM Seus estudos atenderam às diversas partes da história, principalmente da história social . – História do trabalho/ História da cultura – Pesquisas originais sobre sindicalismo, partidos, movimentos sociais, escravidão, campesinato, crimes, motins, entre outros .

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COSTUMES EM COMUM Thompson interroga o neoliberalismo, os estudos feministas e o marxismo ortodoxo . Procurou substituir a base superestrutura pela análise da consciência da classe operária. Acaba usando do culturalismo relacionado com as estruturas, no qual discordou dos estruturalistas, como Lévi-Strauss, Louis Althusser e com os funcionalistas, fincando suas raízes no que podemos chamar de marxismo culturalista .

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COSTUMES EM COMUM Considerado por muitos como o maior historiador inglês do século XX . – A tuou no Partido Comunista Britânico até 1956. – Atuou ativamente na formação da “nova esquerda” – Boa parte de sua obra foi vinculada a questões e discursos dos próprios trabalhadores . – Mostrou que essa classe não é construída somente em termos econômicos, pois se baseia na construção histórica de experiência .

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COSTUMES EM COMUM Principais obras : – A Formação da Classe Operária Inglesa (3 volumes ) – Senhores e Caçadores – A Miséria da Teoria – Costumes em Comum – estudos sobre cultura popular tradicional – A Economia Moral Revisitada – A Política e a Teoria .

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COSTUMES EM COMUM O livro de Edward Palmer Thompson (1924-1993) intitulado "Costumes em Comum. Estudos Sobre a Cultura Popular Tradicional" (Companhia das Letras, São Paulo, 2005) está entre as principais obras deste historiador inglês cuja produção encontra um rico diálogo entre a visão marxista da história e as abordagens que procuram o valor cultural na prática dos agentes históricos. Uma conciliação tida por muitos como impossível e que se mostra plenamente realizada neste livro.

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COSTUMES EM COMUM 2 . QUESTÃO DISCUTIDA NO LIVRO Na introdução, Thompson argumenta que com o advento do Capitalismo houve uma acentuada cisão cultural entre classes. O "folclore" entra em cena como a cultura tida como inferior da classe plebeia na visão de mundo da classe patrícia. Assim , frente a esse quadro preconceituoso, Thompson propõem a ideia de "costume" como práticas vivas adotadas pelos camponeses frente à realidade que encontraram com o advento do Capitalismo no século XVIII.

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COSTUMES EM COMUM O costume é apresentado como práticas antigas e constantemente repensadas pois fazem parte da realidade, são os costumes a arena na qual os camponeses agem no cotidiano. Como os costumes estavam formados dentre aqueles camponeses numa realidade pré-capitalista, tais costumes se chocaram com os novos valores do trabalho disciplinado do ambiente fabril ao qual muitos daqueles camponeses que migraram do campo para a cidade em busca de emprego encontraram. Essas diferentes mentalidades, rural e urbana, levaram a um conflito pensável em nível de classes .

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COSTUMES EM COMUM Cultura e costumes são maleáveis aos diálogos intercalasses e intraclasses levando a um permanente equilíbrio e remodelamento da formação do habitus . A cultura plebeia opera por si só sua ética e suas ações de forma constante e variável dentro da própria classe. A tradição que defendiam aqueles plebeus por meio de seus costumes levava a movimentos de rebeldia uma vez que aqueles valores pautados nos costumes eram desrespeitados na nova realidade industrial.

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COSTUMES EM COMUM Assim, em resumo, os costumes visam a tradição na mesma medida que eram propulsores de movimentos de rebelião uma vez que tais tradições eram violadas. Assim , a sociedade de mercado cria uma nova natureza humana ocasionando um choque de mentalidades e transformando costumes.

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COSTUMES EM COMUM No capítulo 4 ,"Economia Moral" o autor defende que o termo generalizante "motim" deve ser abominado pelo historiador. Deve-se tomar a rebelião como uma prática cultural diferenciada no tempo e no espaço. Na ING ( séc. XVIII) as rebeliões eram resultado da quebra dos costumes em relação ao fornecimento de pão entre as pessoas das classes populares.

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COSTUMES EM COMUM Quando a produção de farinha encontrava um mercado mais lucrativo na venda do produto mais fino e caro aos intermediários em detrimento do consumidor, uma vez que o intermediário iria revender o produto ao consumidor por um preço mais elevado, havia maior dificuldade de acesso ao pão de qualidade pelos camponeses pobres, o que feria o costume do pão como alimento sagrado e não mercantilizável, formando assim uma rebelião pela violação desse costume.

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COSTUMES EM COMUM O intermediário comprava em grande escala a farinha do produtor o que levava este a preferir tal negócio e não priorizar a venda da farinha nos mercados à plebe e sim escondido ou sob a alegação de "amostragem" aos intermediários que por sua vez repassavam o produto à plebe com imposições que lhes auferiam lucro e dificultavam portanto o acesso da plebe ao pão, o que quebra o costume e leva à revolta.

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COSTUMES EM COMUM O poder do Estado intervinha na proibição de tais medidas por parte dos produtores e dos intermediários, dando margem ao paternalismo que o justificava. A visão liberal pregava que a Autorregulação livre era a única forma de manter a farinha sempre em oferta no mercado visto que apenas os mais abastados consumiriam, isso evitaria um possível esgotamento da produção, dando ao intermediário um papel necessário. Para Thompson, tanto o paternalismo quanto o liberalismo são utópicos.

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COSTUMES EM COMUM A "multidão" assumia em geral um vínculo com o paternalismo estando, assim, em comum acordo com a nobreza contra as novas práticas da burguesia de lucrar sobre o trigo. Os comerciantes, tidos como os atravessadores, exportadores de trigo e intermediários quebravam a ética camponesa de acesso garantido ao trigo de qualidade.

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COSTUMES EM COMUM Assim , as feiras ( locais onde os consumidores tinham acesso ao trigo direto do produtor e, portanto, mais barato) entram em crise e ocorre uma ascensão dos moleiros que adulteravam o trigo e praticavam o que Thompson chama de banalité do século XVIII. Ocorre então a ação popular na regulamentação do preço do pão. A rebelião assumia forma de representação cultural, visando a aplicabilidade das leis paternalistas da ordem vigente.

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COSTUMES EM COMUM A ameaça de rebeliões mantinha os preços em regularidade pois a ordem era necessária à sobrevivência da classe burguesa e da nobreza governante. Era preferível a menor lucratividade a rebelião. Nisso, os produtores cediam e levavam os cereais ao mercado em detrimento das vendas, mais lucrativas, aos intermediários.

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COSTUMES EM COMUM As rebeliões populares eram sôfregas no curto prazo em vista do receio dos produtores de trigo, mas a médio prazo eram vitoriosas ao manter o preço do trigo mais próximo do preço moral do que do preço lucrativo.

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COSTUMES EM COMUM Os ensaios reunidos neste livro procuram mostrar a teia de costumes, cultura e tradições populares do séc. XVIII (ING), bem como sua permanência ou transformação ao longo do tempo. Thompson dialoga com outras disciplinas – antropologia, direito e economia – para fomentar sua análise.

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COSTUMES EM COMUM Investigação de costumes – A obstinada defesa de terras comunais – Intensificação do processo de cercamento – A venda de esposas como estratégia de divórcio – As novas opções de tempo trazidas pelo capitalismo industrial – Os protestos populares e motins pelo pão – A dolorosa punição à quem desrespeitasse as regras vigentes.

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COSTUMES EM COMUM C ompreender a ação das camadas populares (trabalhadores, artesãos e camponeses), evidenciando o seu protagonismo, enquanto sujeitos históricos, com motivações racionais, autônomas e coerentes. Ações estas que encontram na utilização de determinados costumes – um senso de legitimidade, mesmo que entrando em confronto com práticas pertinentes ao universo das classes dominantes, buscando evidenciar uma hegemonia de poder sempre vulnerável .

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COSTUMES EM COMUM Thompson percebe e apresenta a cultura para além das análises marxistas ortodoxas que a explicam como simples desdobramento das relações base/estrutura.

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COSTUMES EM COMUM O tema central do livro é a maneira como o povo inglês do século 18 se situou em um complexo de relações sociais, tradições e rituais que exprimiram uma cultura de resistência e, ao mesmo tempo, de acomodação. Thompson retrata o que considera uma cultura tradicional rebelde.

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COSTUMES EM COMUM O capítulo patrícios e plebeus, que trata da relação entre a gentry e a plebe no estudo de Thompson, traz uma crítica aos termos “patrícios e plebeus”, bem como a nomenclaturas que alguns historiadores se utilizam, como feudal, capitalista entre outros. A partir do conceito de relação paternalista ou patriarcalista , o autor argumenta que essa relação de poder entre gentry e a plebe, não era apenas dependente da vontade dos primeiros, os trabalhadores não eram passivos a tudo isso.

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COSTUMES EM COMUM Em Costume, lei e direito comum, Thompson tratará das mudanças e conflitos proporcionados entre as classes dos pobres e dos ricos em torno da disputa por direitos, uns lutando pela defesa de seus costumes e manutenção das tradições, outros lutando pelo desenvolvimento agrário através do direito.

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COSTUMES EM COMUM Thompson demonstra essas disputas através de inúmeras fontes, por exemplo, os processos judiciais, em que a classe pobre luta pelos seus direitos adquiridos pelo costumes adentrando os cercamentos através de escadas ou destruindo parte do muro para obter acesso ao pasto, atitude pela qual eram processados pelo ‘proprietário’ no Tribunal Senhorial, e no processo geralmente perdem os pobres o direito ao usufruto das terras antes comunais.

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COSTUMES EM COMUM O que o texto demonstra é que no século XVIII na Inglaterra, há uma busca por mudanças bruscas nas relações sociais das classes existentes, empreendida pela classe dos poderosos e ao mesmo tempo uma luta pela permanência de certos valores e costumes tradicionais importantes para a classe pobre e que são necessários para eles. Nesse contexto, o costume recebe o teor de espaço de conflito, pois os integrantes de cada classe buscam os benefícios para si próprios, defendem seus interesses e esses são totalmente divergentes no estudo deste caso especificamente.

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COSTUMES EM COMUM Nos capítulos “A economia moral da multidão inglesa no século XVIII” e “A economia moral revisada”, o autor trata da economia moral como um movimento que ocorreu na Inglaterra, quando a população britânica, em momentos de escassez, forçavam os mercadores a fixar um preço nos alimentos em um patamar que os pobres poderiam comprá-los.

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COSTUMES EM COMUM Segundo Thompson, os “motins de fome” que ocorriam na Inglaterra eram ocasionados, nos tempos de escassez, pelo aumento dos preços dos alimentos e pelos maus procedimentos dos comerciantes que feriam o que era “consenso popular” sobre como os comerciantes deveriam conduzir as atividades do mercado.

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COSTUMES EM COMUM As ações da população estavam fortemente embasadas no modelo paternalista, que se constituía na lei estatudinária , no direito consuetudinário e no costume, cuja apropriação estava nos cerne das tradições inglesas. Nesse capítulo, Thompson terce uma crítica acerca da visão de alguns historiadores, que pressupõe que os pobres não poderiam ser considerados sujeitos históricos, antes da revolução francesa, pois eles se envolvem, na cena histórica, somente de forma induzida e reduzida, e mesmo assim só em momentos de perturbação social.

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COSTUMES EM COMUM Em Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial, Thompson irá relatar primeiramente, um histórico sobre a percepção e medição do tempo, inicialmente citando o galo como “relógio da natureza”, depois entre os povos primitivos a medição do tempo se dava através das sucessões de tarefas ao longo dia, as atividades demarcavam o tempo. Com a disseminação do relógio, este passa a controlar o tempo e ele passa a ser objeto de valor (o tempo) deve ser gasto produtivamente e não ociosamente, o relógio também recebe um significado se status para quem o usa.

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COSTUMES EM COMUM Outro texto Nascimento das fábricas de Edgar de Decca , onde ele analisa muitos dos pontos abordados por Thompson, como a questão da segunda-feira santa, que significa o ato de muitos trabalhadores do sistema de trabalho em domicílio recusarem-se a trabalhar às segundas feiras e às vezes até a quarta-feira começando a “semana” na quinta e esticando o trabalho pela noite para terminá-lo a tempo, ou seja, o ritmo de trabalho era determinado exclusivamente pelos trabalhadores.

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COSTUMES EM COMUM Com a implantação do sistema de fábricas, as mudanças surgem, na fábrica todo o trabalho é supervisionado por um superior que impõe a disciplina para uma maior produção, mas segundo Thompson, trazendo alguns exemplos ele afirma que em lugares onde esse costume estava muito arraigado as próprias fábricas se rendiam a ele dispensando os funcionários da segunda-feira.

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COSTUMES EM COMUM Thompson busca adentrar o cotidiano das massas por meio da análise de costumes tipicamente das comunidades proto-industriais – assentadas em larga medida em valores patriarcais e práticas paternalistas – como a venda de esposas e a prática do Rough Music – tidos como indícios da inferioridade das classes plebeias pelos folcloristas – percebendo e analisando essas práticas enquanto pertencentes a um universo coerente, significativo e legítimo de ação que encontra no senso de identidade comunitária autônoma respaldo e validade.

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COSTUMES EM COMUM O hábito da venda das esposas corresponde a um costume prescrito e aceito como válido no seio da comunidade enquanto forma tradicional de terminar um casamento e iniciar outro, desde que os envolvidos estejam de comum acordo com tal prática.

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COSTUMES EM COMUM Evidências: – A utonomia cultural da plebe em relação aos outros setores sociais bem como a pública realizada pela prática do – R ough music (exposição/ ridicularização ) revela uma prescrição moral e comportamental interna, coerente e significativa para os indivíduos, ao ponto da infração de tais normas de condutas serem passível de punição.

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COSTUMES EM COMUM CONCLUSÃO: cultura é uma palavra polissêmica, e para falar sobre ela é preciso falar no plural, culturas, pois este conceito só pode ser trabalhado se contextualizado em períodos, lugares, grupos sociais e econômicos de determinados espaços .

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