CARLO GINZBURG - RELAÇÕES DE FORÇA

Views:
 
Category: Entertainment
     
 

Presentation Description

CARLO GINZBURG - RELAÇÕES DE FORÇA

Comments

Presentation Transcript

HOBSBAWN:

HOBSBAWN RELAÇÕES DE FORÇA

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA AUTOR O historiador Carlo Ginzburg configura-se com destaque no cenário internacional, e no Brasil há alguns anos seus escritos têm sido recebidos com muita atenção pelo público, pela particularidade com a qual se dedica aos ensaios historiográficos produzidos e postos a circular para os seus leitores interessados. Entre as suas principais obras, a que se tornou mais conhecida entre os brasileiros é O queijo e os vermes.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Conhecido como um dos pioneiros no estudo da micro-história . Relações de força: história, retórica, prova é um de suas mais recentes obras lançadas no Brasil, inclusive contando com a sua presença em palestras nas universidades do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA 2. RESENHA Em Relações de força, Carlo Ginzburg traz à baila um debate bastante contundente e polêmico, sem perder a elegância e a seriedade que marcaram a sua trajetória de escritor

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Entra no debate atual da historiografia com o propósito de problematizar a visão pós-moderna da abordagem da história como prática retórica, desobrigada do seu caráter de objetividade. O esforço do autor, e aqui a sua intencionalidade se fez com muita clareza e acuidade, foi o de, a partir da busca genealógica do pós-modernismo, desmontar a visão pós-modernista presente nos vários âmbitos da cultura e da vida pública que incluem a história e a reflexão historiográfica.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Sua perspicácia estará no movimento de busca das pistas do argumento pós-moderno.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Nesse sentido, Ginzburg chegará aos tempos da juventude de Nietzsche, quando numa releitura do pensador alemão sobre a retórica irá contrastar a sua compreensão de retórica como sistema de tropos, isto é, “de figuras de linguagem, no qual uma noção rigorosa de verdade não tem lugar” (p. 25), o que reduz a verdade ao argumento do falso ou do verdadeiro.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Nesse caso, a retórica baseada na prova tem a função de descobrir no texto o histórico e fazê-lo falar.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Aí consiste a relação de força. Ao citar a exortação de Walter Benjamin, que afirmava a necessidade de “escovar a história ao contrário”, o autor confirma que “é preciso aprender a ler os testemunhos às avessas, contra as intenções de quem os produziu. Só dessa maneira será possível levar em conta tanto as relações de força como aquilo que é redutível a elas” (p. 43).

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA O trabalho do historiador consiste em problematizar (ou analisar, como trata Ginzburg) as fontes. É nesse exercício que o esforço de compreensão das relações de força se fará presente, pois o “conhecimento possível” (p. 45) será apreendido no trabalho de construção de uma retórica baseada na prova.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Uma retórica que se “move no âmbito do provável, não no da verdade científica (como a concebida pelo positivismo) e numa perspectiva delimitada, longe do etnocentrismo inocente”.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Para Ginzburg, a análise construtiva das fontes requer um tratamento que as concebam não como “janelas escancaradas, como acreditam os positivistas”, nem como “muros que obstruem a visão, como pensam os céticos” (p. 44), mas como “espelhos deformantes” que exigem interdições e possibilidades com vistas à construção histórica.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA A sua tese que vincula retórica e prova, marco do seu distanciamento da visão pós-moderna da historiografia, será baseada em três exemplos que irão possibilitar alcançar o objetivo da defesa de “que, no passado, a prova era considerada parte integrante da retórica” e que hoje deixada de lado por alguns, “implica uma concepção do modo de proceder dos historiadores” (p. 13).

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Uma questão que passa por uma preocupação metodológica, mas com implicações que dizem respeito à convivência e ao choque de culturas, dadas as tensões existentes entre narração e documentação.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Os três exemplos tomados, “a leitura de um trecho famoso da Educação sentimental, de Flaubert”, o “relato setecentista sobre uma revolta nas ilhas Marianas” e a “análise do quadro Demoiselles d’ Avignon de Picasso”, encaminham-se na demarcação da crítica ao relativismo céptico, que distancia narração e documentação e que concebe “uma ideia de retórica não apenas estranha, mas também contraposta à prova” (p.15).

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA A partir desses exemplos, Ginzburg propõe a redescoberta da retórica de Aristóteles, que ao se basear na combinação entre retórica e prova, evidencia esta última, atribuindo-lhe um papel essencial na produção historiográfica.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA No primeiro e segundo capítulos do seu livro, dedica-se à discussão sobre a herança aristotélica da retórica, perseguida na retomada que Lorenzo Valla faz, em 1357, da passagem na qual Aristóteles observa: “ Dorieu venceu os jogos olímpicos”.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Nessa passagem, dentro da realidade grega, não estava a preocupação com aquilo que se encontrava em jogo na competição, a coroa de louros, pois todo mundo já sabia, era óbvio. A observação pressupõe um saber compartilhado e não declarado que na sua forma oculta revela um saber tácito evocado, o que levará Lorenzo Valla a compreender que a retórica de Aristóteles se move no âmbito do provável.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Um historiador distanciado dessa realidade precisará fazer a leitura do que não foi dito, que para ele não é óbvio, não está no texto, está fora dele, num espaço em branco que precisa ser decifrado. É como um dito que está na voz do outro e não é compreendido por aquele que está ouvindo, uma voz estranha, “que provém de um lugar situado fora do texto”.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Na leitura de um trecho famoso da Educação sentimental, de Flaubert, Ginzburg constrói o seu capítulo “Decifrando um espaço em branco”. Nesse capítulo, irá tratar da retórica visual, tipográfica, pois será no espaço em branco deixado pelo autor na divisão dos capítulos da Educação sentimental que Ginzburg criticará o trabalho historiográfico que valoriza os modelos narrativos que intervêm “apenas no final, para organizar o material coletado”(p. 44).

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Para ele, ao contrário, deve-se considerar, ou melhor, deslocar a atenção do produto final do documento acabado para as questões presentes no documento, as frases preparatórias, o interdito que não está dito, os espaços em branco.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Lembrando Lucien Febvre , Ginzburg chama a atenção para o trabalho com as fontes: “as fontes históricas não falam sozinhas, mas só se interrogadas de maneira apropriada” (p. 114). Nesse caso, a mediação entre questões e fontes atribui às narrativas uma posição provisória, possibilitando modificações no transcurso do processo de pesquisa.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA No capítulo que trata do relato setecentista sobre uma revolta nas Ilhas Marianas, o autor irá problematizar “que uma maior consciência da dimensão literária de um texto pode reforçar as ambições referenciais que, no passado, eram compartilhadas tanto pelos historiadores quanto pelos antropólogos”.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Ao recorrer a uma passagem tirada do livro escrito por Charles Le Gobien , em 1700, que descreve a primeira fase de uma revolta desenvolvida pelos indígenas das Ilhas Marianas, Ginzburg ressalta que por baixo da superfície da retórica narrativa é possível perceber “uma voz diversa, uma voz dissonante, não domesticada [...] que provém de um lugar situado fora do texto” (p. 98).

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA E isso para enfatizar que os textos contêm fendas e das suas “fissuras, sai algo inesperado” (p. 99). Essa afirmativa pode ser percebida na narrativa de Le Gobien sobre o discurso do indígena Hurao , líder de uma conjura, que incita o seu povo a rebelar-se contra os espanhóis e a expulsá-los da ilha.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA O discurso do indígena estará identificado com o discurso do próprio narrador, pois segundo Mably , citado por Ginzburg, “o historiador esconde-se por trás de uma máscara tomada de empréstimo” (p. 95).

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Ao narrar o ímpeto contra a população colonizadora, tomará de empréstimo o discurso narrado para, por meio dele, expressar “a profunda ambiguidade que ele compartilhava com a ordem religiosa de que fazia parte”. Essa leitura somente poderá ser feita caso o historiador, consiga analisar as estratégias do autor que se encontra por detrás das muralhas de proteção na qual se esconde.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Na “análise do quadro Demoiselles d’ Avignon de Picasso”, Ginzburg coloca em relevo o diálogo necessário entre as culturas que, segundo ele, hoje está relegado a um plano secundário. A apropriação que Picasso faz das “culturas figurativas não europeias” levou-o a inaugurar um novo tempo na história da arte, quando consegue decifrar “os códigos das imagens africanas”, o que vai permiti-lo criar Demoiselles d’ Avignon .

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA A criação é, sem sombra de dúvida, a quebra da relação de força entre as culturas, portanto ação de uma multiplicidade cultural capaz de gerar a produção de um novo modelo (paradigma), de inaugurar um novo tempo.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Relações de força: história, retórica, prova é um livro bastante instigante, como o é o próprio Ginzburg, autor e precursor do para digma indiciário. Na mesma medida, é também um livro complexo, cheio de armadilhas, até mesmo pela sua organização editorial, que não se produziu com a intenção de ser propriamente um livro.

RELAÇÕES DE FORÇA:

RELAÇÕES DE FORÇA Seus capítulos foram produzidos em tempos diferentes, com especificidades diferentes. Mas isso não o faz ser menos interessante, ao contrário, desafia o leitor a uma relação, também de força, com a produção de uma nova maneira de fazer história, sem perder, por um lado, o rigor científico e, por outro, as virtudes de uma escrita clara e cativante.

authorStream Live Help