Leitura de contos de António Sérgio na BE ESAS

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Agrupamento de Escolas António Sérgio. Biblioteca da Escola Secundária António Sérgio - Vila Nova de Gaia. Semana do Patrono, janeiro 2013: leitura dos contos de ANTÓNIO SÉRGIO ("As duas bonecas" e "História da Baleia"). TURMA DA PROFESSORA EMÍLIA PINTO: 9ºE. http://www.antoniosergio.pt/biblioteca

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9º E POTUGUÊS EB CONTOS DE ANTÓNIO SÉRGIO SEMANA DO PATRONO JANEIRO 2013

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9º E POTUGUÊS EB CONTOS DE ANTÓNIO SÉRGIO As duas bonecas SEMANA DO PATRONO JANEIRO 2013

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As duas bonecas Conto de António Sérgio Lá longe, na Índia, havia um rei que tinha uma filha. Ora, queria o rei que a sua filha casasse com um homem de muito juízo. "O noiva da minha filha" (dizia ela) "pode ser fidalgo, valente, bonito e rico -tudo isso será bom; mas mais que tudo, antes e acima de tudo, eu quero que o noivo da minha filha seja um homem de muito juízo, uma pessoa discreta e de muito bom senso." Um dia, o rei mandou fazer duas bonecas muito bem feitas, do tamanho de pessoas crescidas. Era olhar para elas, e vê-las iguais -mesmo iguaisinhas . As caras das duas eram iguais; os corpos, iguais; os tamanhos, iguais; os vestidos, iguais; - tudo igual. Não se via diferença: mesmo iguaisinhas . O rei, depois, mandou pôr as duas bonecas à porta do seu palácio. Um arauto avançou por ordem dele, e gritou assim, para que todos ouvissem:

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- Olá! Oiçam todos o que eu vou dizer! Oiçam todos, e passem palavra do que vão ouvir! À porta do palácio estão duas bonecas. O homem (quem quer que ele seja) que for capaz de dizer certinho em que é que as bonecas não são iguais - esse casará com a nossa princesa, e virá um dia a ser rei ! A notícia correu de terra em terra, e por toda a parte se dizia o mesmo, - por todas as cidades, por todas as aldeias, por todos os campos. "Casará com a princesa, virá a ser rei, quem for capaz de descobrir em que é que as bonecas não são iguais." E desde então, de dia e de noite, passava gente de todas as partes - pelas estradas, pelas veredas, pelos caminhos, uns nos seus carros, outros montados, muitos a pé, - para verem na porta as bonecas do rei. Eram monarcas, eram fidalgos, eram pastores, que todos se punham a ver e mirar. Viam em cima, viam em baixo, viam à frente, viam aos lados, viam atrás. Olhavam, fitavam, espreitavam, contemplavam, inspeccionavam , examinavam - e nada, nada, nada ! Ninguém via diferença alguma. Eram iguais !

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Não sei. Não vejo diferença - diziam todos - parecem-me iguais. E os cozinheiros, portanto, não tiveram de cozinhar o banquete para o dia do casamento da princesa. Por fim, apareceu uma manhã um homem alegre e muito novo - um jovem - de olhos brilhante e de gesto calmo, que parecia pensar as coisas bem pensadas, até adivinha, bem adivinhadas, as adivinhas que lhe propusessem. Ouvira falar do aviso do rei, e queria ver, também ele, as duas bonecas ! Colocou-se pois adiante das duas, e esteve muito tempo a examiná-las. Não via, também, nenhumas diferença. Os olhos de uma eram iguais aos da outra; iguais as mãos, os braços, os pés, os vestidos. Tudo igual ! Saiu o jovem de ao pé das bonecas. Passeou, pensando, de um lado para o outro. Franziu os sobrolhos. Cruzou as mãos por trás das costas. Fechou os olhos. Inclinou a cabeça ... De repente, lembrou-lhe uma coisa. Foi ver as orelhas das duas bonecas. Viu também as suas bocas. Procurou depois qualquer coisa pelo chão, até que encontrou uma palhinha. Pegou na palhinha, e voltou para as bonecas.

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Então, meteu a palhinha por dentro do ouvido de uma delas. Foi empurrando, empurrando, empurrando, até que viu sair a outra ponta pela boca da boneca, ao meio dos lábios. Puxou então por essa ponta, e assim tirou a palhinha cá para fora. Foi depois à outra boneca - a da esquerda -, e meteu-lhe a palha para dentro do ouvido. Empurrou a palha, empurrou, olhando para os lábios dessa mesma boneca. Empurrou mais. Não saía. Empurrou tudo, até ao fim. A palha desapareceu. Tinha caído, certamente, para dentro do corpo. Não havia passagem do ouvido para a boca. Então, chamou um criado, e disse-lhe assim: - Faça favor de dizer a el-rei que lhe peço para lhe falar sobre as bonecas. Já dei com o segredo. O rei mandou-o entrar. O jovem inclinou-se, cruzou as mão sobre o peito. - Pode falar - disse-lhe o rei.

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Meu senhor - começou o jovem - uma das bonecas é melhor que a outra, porque não atira pela boca fora tudo o que lhe entra pelos ouvidos; ao passo que a outra deixa sair pela boca, tudo que pelos ouvidos se lhe meter. Uma não repete, pois, tudo aquilo quanto ouve dizer; a outra é linguareira e indiscreta. Ora até que enfim! - declarou o rei - Trataremos de preparar a festa de noivado. Este jovem tem juízo, e há-de casar com minha filha! E então é que foi trabalho, meus amigos, para os cozinheiros, os alfaiates, os criados, os mordomos, os oficiais, e toda a demais gente do real palácio! E isso é que foi uma festa, a do casamento da filha do rei! TEXTO: http://paginas.fe.up.pt/~gtd/antoniosergio/literatura3.html

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9º E POTUGUÊS EB CONTOS DE ANTÓNIO SÉRGIO História da Baleia SEMANA DO PATRONO JANEIRO 2013

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História da Baleia Conto de António Sérgio Há muito, muito, muito tempo, vivia no mar a baleia, que comia peixes. Ainda ela, nesse tempo, podia comer peixes. Comia sardinhas e tainhas, gorazes e roazes, bugios e safios, pescadas e douradas, bacalhaus e carapaus. Todos os peixes que ia encontrando deitava-lhes a boca, - ão ! Por fim, só havia no mar um salmonete vermelhete , que nadava sempre atrás da orelha esquerda da baleia, para ela lhe não fazer mal. Um dia, a baleia pôs-se a pensar muito séria, e disse assim : Tenho fome ! E o salmonete vermelhete , com a sua voz muito agudita , disse à baleia : Nobre e generoso cetáceo : já experimentou comer homens?

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Não - respondeu a baleia. - A que sabe? como é? Bom, mas traquinas - respondeu o salmonete vermelhete . Então, vai-me buscar três dúzias deles - ordenou a baleia. Basta um de cada vez - disse o salmonete vermelhete . - Se for à latitude 60 graus norte e longitude 40 graus oeste (isto, amigos, são umas palavras mágicas que o salmonete lá sabia) encontrará uma jangada feita de tábuas, e sobre a jangada um marinheiro náufrago de calças de ganga azul, uma faca de ponta aguda, e suspensórios encarnados (não se esqueçam dos suspensórios!). O marinheiro, devo dizer-lhe, é arguto, astuto, e resoluto. A baleia, então, foi aonde lhe disse o salmonete vermelhete , e encontrou a jangada e o marinheiro. Aproximou-se, abriu a bocarra imensa, e engoliu a jangada e o marinheiro, com as calças de ganga azul, com a faca de ponta aguda e com os suspensórios encarnados (nunca se esqueçam dos suspensórios!).

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E assim a baleia arrecadou tudo na despensa escura, quentinha e fofazinha , que tinha lá dentro do seu corpanzão . E como gostou, deu três estalos com a língua e três voltas sobre a cauda, levantando muita espuma. O marinheiro (que era arguto, astuto, e resoluto) mal se viu dentro da baleia. na despensa escura, quentinha e fofazinha , pulou, saltou, rebolou, cambaleou, espinoteou, dançou, sapateou, fandangueou, esperneou, gritou, berrou, cantou, estrondeou tanto, tanto, tanto, que a baleia se sentiu com enjoos, engulhos e soluços (já se esqueceram dos suspensórios?). E disse a baleia ao salmonete vermelhete : O teu homem é muito traquinas, e dá-me engulhos. Que hei-de eu fazer? Diga-lhe que saia cá para fora - respondeu o salmonete vermelhete . E a baleia gritou pela garganta abaixo: - Saia cá para fora, homenzinho, e veja se tem juízo!

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Isso é que eu não saio- respondeu o homem. - Leve-me primeiro para a minha terra, e depois veremos o que se poderá fazer. E pôs-se outra vez a saltar, a pular, a espinotear e a rebolar. O melhor é levá-lo para casa- aconselhou o salmonete vermelhete . - Eu já tinha prevenido a senhora baleia de que o marinheiro era arguto, astuto e resoluto. E a baleia nadou, nadou, nadou, dando à cauda e às barbatanas, mas sempre com soluços e muito enjoada. Quando avistou a terra do marinheiro, nadou para a praia, pôs a boca sobre a areia, abriu-a muito, e disse: Cá chegámos à sua terra! O marinheiro, que era na verdade arguto, astuto e resoluto, tinha durante a viagem puxado da sua faca de ponta aguda, e cortado as tábuas da jangada em fasquiazinhas muito estreitas, que ligou muito bem com tiras dos suspensórios (bem lhes dizia eu que não se

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esquecessem dos suspensórios!) e fez com elas uma grade que empurrou, ao sair, contra a garganta da baleia. E, deixando a grade bem presa na garganta da baleia, saltou para terra e foi ter com a mãe, com a qual viveu muito contente. A baleia foi-se embora também muito contente, assim como o salmonete vermelhete ; mas a grade é que nunca mais saiu da garganta da baleia. E por isso é que a baleia nunca mais pôde comer homens, nem meninos, nem peixes - nem sardinhas nem tainhas, nem gorazes nem roazes, nem bugios nem safios, nem pescadas nem douradas -, porque os peixes não podem passar pelas grades da garganta, mas só bichinhos pequeninos, como, por exemplo, as pulgas-do-mar. Pouco depois, o marinheiro casou e viveu muito feliz; tinha em casa as calças de ganga azul e a navalha de ponta aguda; mas não tinha os suspensórios, porque esses ficaram a atar a grade, muito apertada. que só deixa passar bichinhos pequeninos - como as pulguinhas-do-mar - na garganta da baleia. TEXTO: http://paginas.fe.up.pt/~gtd/antoniosergio/literatura3.html

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